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Uma vez determinadas as informações que se pretendem recolher é necessário elaborar uma estratégia metodológica que interligue diferentes instrumentos de recolha de informação. Segundo Ketele e Roegiers (1993, p. 18) são quatro os instrumentos fundamentais de pesquisa em Ciências Sociais e Humanas:

• a entrevista;

• a observação;

• o inquérito;

• o estudo de documentos (análise documental).

No caso da dissertação aqui apresentada, intende-se fazer a recolha de dados através do recurso a instrumentos de carácter qualitativo e quantitativo, ou seja, inquérito por questionário com perguntas abertas e fechadas e a análise documental, tendo em vista a complementaridade possível. O inquérito por questionário será aplicado aos investigadores, bolseiros e funcionários do centro em estudo. A análise documental será aplicada à imprensa escrita (3 jornais de referência no Porto) pelo período de 6 meses, compreendido entre Março e Agosto de 2007.

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2.1. OINQUÉRITO POR QUESTIONÁRIO

Para dar cumprimento ao objectivo deste estudo sentiu-se a necessidade de escolher um método que possibilitasse a quantificação de uma multiplicidade de dados e daí se retirassem algumas conclusões. O questionário é um dos instrumentos de recolha de dados e de uso mais universal no campo das ciências da comunicação. Trata-se de um processo para adquirir dados acerca das pessoas interrogando-as, e não através de um processo de observação das mesmas ou de recolha de amostras do seu comportamento. Na perspectiva de Gil (1999, p. 128) o inquérito por questionário é:

“(...) um instrumento definido como uma técnica de investigação composta por um número mais ou menos elevado de questões apresentadas por escrito às pessoas tendo por objectivo o conhecimento de opiniões, crenças, sentimentos, interesses, expectativas, situações vivenciadas etc.”.

Através dele o investigador recolhe informações directamente da população que pretende estudar. Segundo o autor (1999, p. 129) conceber um inquérito por questionário consiste essencialmente em “traduzir os objectivos da pesquisa em questões específicas”. Com os dados obtidos através das questões colocadas, o investigador reúne informações que lhe possibilitam o esclarecimento do problema da investigação.

Para Quivy e Campenhoudt (1998, p.193), um dos principais objectivos deste método é a possibilidade de “analisar um fenómeno social que se julga poder apreender melhor a partir de informações relativas aos indivíduos da população em questão.” As vantagens do inquérito por questionário estão relacionadas com a possibilidade de quantificar uma multiplicidade de dados que permitem proceder a múltiplas análises de correlação e de poder ser aplicado a um grande número de sujeitos, aumentando as possibilidades de representatividade. Sublinha-se ainda outras vantagens, tais como a rapidez de recolha de informação, a garantia de anonimato que facilita a autenticidade das respostas, assim

____________________________________________________________________________ como a escolha pelo inquirido da hora mais adequada ao seu preenchimento. Como exemplo de alguns inconvenientes, os autores apresentam o facto de o inquérito por questionário não oferecer a garantia de que a maioria das pessoas o devolvam devidamente preenchido, o que pode implicar a significativa diminuição da representatividade da amostra, e os itens das questões colocadas podem ter significado diferente para cada sujeito inquirido, proporcionando resultados bastante críticos em relação à objectividade.

Para Marconi e Lakatos (2007, p. 203) “O questionário é um instrumento de recolha de dados, constituído por uma série ordenada de perguntas, que devem ser respondidas por escrito e sem a presença do entrevistador”. Referem ainda que o envio do questionário, seja ele por forma de email, correio ou em mão, deverá ser sempre acompanhado por uma nota ou carta explicando a razão do questionário, a sua importância e a necessidade de obtenção de respostas em tempo útil à realização do estudo.

Segundo os mesmos autores (Marconi e Lakatos 2007, pp. 203-204) a aplicação de um questionário tem vantagens e desvantagens. Como vantagens:

• permite a economia de tempo, viagens e a obtenção de grande número de dados;

• atinge um maior número de pessoas simultaneamente;

• abrange uma área geográfica ampla;

• economiza pessoal;

• obtém respostas mais rápidas e precisas;

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• propicia mais tempo para responder e em hora mais favorável.

Como principais desvantagens, Marconi e Lakatos (2007, p. 204) apresentam os seguintes pontos:

• percentagem pequena dos questionários que retornam ao entrevistador;

• grande número de perguntas sem resposta;

• impossibilidade de ajudar o informante em questões mal compreendidas;

• devolução tardia prejudicando o calendário ou a sua utilização;

• desconhecimento das circunstâncias em que foram preenchidos, o que torna difícil o controlo e a verificação.

O questionário deverá ser limitado em extensão e em finalidade, pois se for muito longo causa fadiga e desinteresse; por outro lado, se for curto demais, corre o risco de não oferecer informações suficientes para o estudo que se está a realizar (Marconi e Lakatos, 2007, p. 205).

Sousa (2006, p. 643) apresenta três tipos de inquéritos, a) os inquéritos descritivos cujo objectivo é documentar e descrever o que existe num determinado momento, b) os inquéritos analíticos, que têm como função descrever e explicar as razões que levaram a acontecer um determinado fenómeno e, c) os inquéritos mistos, ou seja, utilizam as características dos inquéritos descritivos e analíticos.

Uma vez que o inquérito por questionário permite interrogar um determinado número de indivíduos, tendo em vista uma generalização, realizou-se um questionário com

____________________________________________________________________________ especial incidência sobre a percepção e importância que o público interno do CIIMAR tem sobre a temática da divulgação científica.

Este inquérito por questionário foi devidamente testado com um pré-teste com o objectivo de “evidenciar pequenas falhas na redacção do questionário, tais como complexidade das questões, imprecisão na redacção, desnecessidade das questões, constrangimentos ao informante, exaustão etc.” (Gil, 1999, p. 137). Com este pré-teste pôde-se adaptar este instrumento aos objectivos da investigação formulados na problemática, tendo em conta a preocupação de adaptar ao público visado o vocabulário, a construção e sintaxe das frases, e as expressões utilizadas.

2.2. AANÁLISE DOCUMENTAL

Para Lessard-Hébert et al (1990, p. 143) a análise documental é uma espécie de análise de conteúdo que incide sobre documentos relativos a um local ou a uma situação e corresponde a uma observação de artefactos escritos.

Sousa (2006, pp. 677-678) refere que a análise documental “consiste no estudo de documentos em vários suportes (papel, vídeo, áudio, arquivos digitais, etc.) que possam ser úteis à investigação” e deve ser feita com base numa grelha de análise definida pelo investigador. Os resultados inerentes a uma análise documental simples podem ser referenciados por gráficos, no sentido de ajudar o leitor a obter uma panorâmica geral da situação estudada.

Para Marconi e Lakatos (2007, pp. 177-178) a característica fundamental da análise documental é que a fonte e recolha de dados está restrita a documentos, escritos ou não, constituindo o que se chama fontes primárias e que podem ser feitas no momento em que o facto ocorre ou à posteriori. No entanto, dados secundários obtidos em livros, revistas, jornais, publicações avulsas e teses, cuja autoria é conhecida, não se confundem com documentos, isto é, dados de fontes primárias.

____________________________________________________________________________ Na perspectiva de Ketele e Roegiers (1993, pp. 36-37) a análise documental poderá assumir formas muito diversas e essas formas dependerão, sobretudo:

• da natureza dos documentos a analisar (poderão ser escritos, publicados, oficiais, fechados, científicos, de utilização limitada no tempo, etc.);

• da quantidade de documentos a analisar (determinará se a análise será exaustiva dos documentos ou, pelo contrário, uma análise por amostragem ou por selecção);

• do objecto e da finalidade da investigação (se poderá recorrer a uma pesquisa documental, com carácter essencialmente exploratório ou recorrer a uma consulta de arquivos, com carácter essencialmente confirmatório, pelo menos num determinado prazo).

A análise documental pode então ser interpretada como sendo constituída por duas etapas: uma primeira de recolha de documentos e uma segunda de análise, como uma análise de conteúdo. Sousa (2004, pp. 76-77) defende que a análise documental é complementada com uma análise de conteúdo. Afirma ainda que a “…análise de conteúdo permite destacar questões associadas à entidade que as relações públicas servem” e apresenta como exemplo “…num jornal pode-se contabilizar o número de notícias em que os protagonistas são pessoas da entidade ou a própria entidade (…)”. É o que se pretende aferir com a análise dos jornais Público, Jornal de Notícias e Diário de Notícias.