• Nenhum resultado encontrado

4. PRODUÇÃO, USO E APROPRIAÇÃO DO IBEU: UMA ANÁLISE DE ESPAÇOS DE REPRESENTAÇÃO E DA PSICOESFERA DO ESPAÇO

4.6 IBEU NO PROCESSO DE PRODUÇAÕO DE POLIÍTICAS

Buscamos analisar os usos e apropriaçoães do IBEU na dimensaão da produçaão de políóticas. Nesse sentido, estudamos textos de projetos de leis que fazem mençaão ao IBEU. Na esfera regional, no estado do Rio de Janeiro podemos encontrar um exemplo de uso e apropriaçaão do IBEU para sustentar um projeto de lei cujo objetivo foi inserir Nova Friburgo no Programa Bilhete UÍnico. Nota-se que a retoórica de apropriaçaão do IBEU naão o contextualiza, somente afirma que o íóndice aponta a Regiaão Metropolitana do Rio de Janeiro em 12° lugar em um ranking entre o escore de 15 posiçoães.

Deputado LUIZ PAULO JUSTIFICATIVA

O Projeto de Lei ora apresentado pretende inserir Nova Friburgo no anexo da Lei 5628/2009, que trata dos Municíópios que saão beneficiados pelo programa Bilhete UÍnico. O escopo da presente propositura eó propiciar aos milhares de friburguenses que utilizam o transporte coletivo com destino aos Municíópios da Regiaão Metropolitana, principalmente aà Capital, reduçaão no valor da passagem, aleóm de incentivar o turismo em Nova Friburgo. No mesmo sentido, o benefíócio poderaó estimular que vaórios indivíóduos que utilizam o automoóvel entre a Cidade Serrana e os Municíópios da Regiaão Metropolitana, como meio de locomoçaão, passem a se deslocar de oênibus. Segundo pesquisa do Observatoório das Metroópoles da UFRJ, o IÍndice de Bem-Estar Urbano (Ibeu) revelou que das 15 regioães metropolitanas brasileiras a do Rio de Janeiro estaó em 12º lugar. Por fim, a lei aqui proposta eó uma contribuiçaão aos muitos friburguenses que buscam o seu sustento fora da Cidade e aos que nela sobrevivem do turismo, pois a medida poderaó incrementar a economia de Nova Friburgo.

Entrada em 26/09/2013 (disponíóvel em:

http://alerjln1.alerj.rj.gov.br/scpro1115.nsf/1061f759d97a6b24832566ec001 8d832/acfda9887155cbbc83257bf2005c8a1a?OpenDocument&Start=1.1.1.4 )

Podemos encontrar tambeóm um exemplo de apropriaçaão do IBEU no aêmbito da Comissaão de Desenvolvimento Urbano da Caêmara dos Deputados que utiliza o indicador como parte de uma argumentaçaão para incluir o Estudo de Impacto de Vizinhança nas construçoães de condomíónios edilíócios com mais de 80 unidades autoênomas, para os novos loteamentos habitacionais ou industriais e na construçaão ou ampliaçaão de shopping centers e mercados com aórea interna superior a 300 m². Contudo, tambeóm o indicador naão eó contextualizado e ganham uma significaçaão reificada. Mesmo, apesar de naão orientar efetivamente a construçaão do desenho da políótica proposta, o IBEU demonstra sua poteência de influenciar os espaços de representaçaão do urbano e em especial das regioães metropolitanas no paíós.

O Brasil jaó eó um Paíós essencialmente urbano. Dados do Censo Demograófico 2010 apontam que mais de 84% da populaçaão brasileira vive em cidades. Cidades que se formaram atraveós de um processo vertiginoso, com expansaão ceólere de seu períómetro e contingente populacional. Dados do IBGE demonstram que, em apenas 50 anos, o Brasil praticamente dobrou a sua taxa de urbanizaçaão 1. Esse crescimento acelerado, no entanto, naão se fez acompanhar da infraestrutura e dos serviços necessaórios para propiciar qualidade de vida adequada aà

populaçaão. Os problemas gerados nesse processo desordenado de urbanizaçaão envolvem violeência, desemprego, condiçoães habitacionais precaórias, segregaçaão do espaço urbano, auseência de condiçoães adequadas de mobilidade, poluiçaão, entre/outros. Como resultado, naão eó exagero afirmar que grande parte das cidades brasileiras naão estaó apta a fornecer aos seus cidadaãos as condiçoães míónimas para uma existeência digna. Essa triste realidade eó reiteradamente confirmada por diversos estudos e estatíósticas. Cita-se, por exemplo, importante estudo conduzido pelo Observatoório das Metroópoles, em que foi avaliado o bem-estar urbano usufruíódo pelos cidadaãos brasileiros nas quinze principais regioães metropolitanas do Paíós. O estudo desenvolveu o IÍndice de Bem-Estar Urbano (IBEU), composto pela ponderaçaão de indicadores que representam dimensoães do bem-estar urbano, tais como mobilidade, condiçoães ambientais urbanas e condiçoães habitacionais. O IBEU e seus indicadores variam entre zero e um, de modo que quanto mais proóximo de um, melhor eó o bem-estar urbano. O indicador Mobilidade Urbana, por exemplo, que se refere ao tempo de deslocamento casa-trabalho, apresentou valor meódio de 0,383 para as regioães metropolitanas estudadas, sendo que Saão Paulo e Rio de Janeiro, as duas maiores metroópoles brasileiras, apresentaram os íóndices alarmantes de 0,032 e 0,025, respectivamente. A situaçaão da mobilidade urbana, como se veê, estaó, literalmente, de mal a pior (COMISSAÕO DE DESENVOLVIMENTO URBANO PROJETO DE LEI No 4.235, DE 2015)

Encontramos presença do IBEU tambeóm junto aàs discussoães da Comissaão Senado do Futuro que utilizou o indicador para fomentar uma discussaão via audieência puóblica sobre a questaão da mobilidade urbana no Brasil. A semelhante modo como observamos no discurso da imprensa, o indicador eó apresentado como uma medida reificada sem considerar fatores histoóricos e regionais. Mas, produzindo um espaço de representaçaão sobre as regioães metropolitanas do paíós posta em debate.

“O problema de mobilidade urbana nas grandes cidades eó um dos principais desafios para melhorar a qualidade de vida da populaçaão, apontou audieência puóblica realizada nesta segunda-feira (20) pela Comissaão Senado do Futuro (CSF). Moradores de regioães metropolitanas gastam ateó quatro horas no trajeto entre a casa e o trabalho, afirmaram participantes do debate. Eles defenderam maior integraçaão entre municíópios e participaçaão popular na busca por soluçoães.

[...]

Em 2016, o Observatoório das Metroópoles do Instituto Nacional de Cieência e Tecnologia divulgou estudo, baseado em dados do Censo Demograófico de 2010 do IBGE, que analisa as 15 principais regioães metropolitanas brasileiras. O IÍndice de Bem-Estar Urbano (Ibeu) revela quais regioães oferecem maior bem- estar aà populaçaão em fatores como tempo de deslocamento casa–trabalho, arborizaçaão no entorno dos domicíólios, iluminaçaão puóblica, saneamento e coleta adequada de lixo. O íóndice varia entre zero e 1: quanto mais proóximo de 1 for o resultado, melhor. A meódia do conjunto das 15 regioães metropolitanas analisadas foi de 0,605. As melhores colocadas foram Campinas, Florianoópolis, Curitiba, Goiaênia e Porto Alegre. Entretanto, Campinas foi a uónica a atingir uma avaliaçaão considerada “boa” ou “excelente” de bem-estar, acima de 0,8. Jaó o Rio de Janeiro foi o uónico estado da Regiaão Sudeste a ficar abaixo da meódia geral, com pontuaçaão de 0,507.” 20/08/2018 Ageência Senado Disponíóvel em https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2018/08/20/mobilidade- urbana-e-desafio-para-melhorar-qualidade-de-vida-aponta-audiencia

A anaólise que fazemos evideência a poteência políótica de um indicador urbano para o Brasil, ao mesmo tempo, avaliamos que para suas devidas contribuiçoães a força da “comunidade episteêmica” (MACHON et al, 2018) deve ser aumentada bem como sua concepçaão metodoloógica e teoórica pode vir a dar conta das questoães das assimetrias de poder, da condiçaão das representacionais da categoria populaçaão, do alinhamento a modelos de gestaão social e de regimes urbanos. Como pode considerar as contribuiçoães do campo das tecnologias sociais e das tecnologias apropriadas, para pensar os indicadores para aleóm de um objeto teócnico que suscite discussoães puóblicas, mas que tenha efeitos políóticos incisivos nas representaçoães sociais do espaço potencializando os valores e a eótica de bem comum inscrita num indicador de tal natureza. Considerando tambeóm, o empoderamento dos sujeitos abstraíódos como categoria populaçaão como elemento estrateógico, taótico e simboólico do gestar a açaão políótica para a sua projetaçaão no territoório.

De maneira a se discutir para aleóm de um controle social gerencialista postulado pelo paradigma hegemoênico nos regimes urbanos, podendo se pensar na construçaão de uma nova democracia via o fortalecimento da esfera das necessidades nos espaços sociais via horizontalidade da açaão políótica no espaço geograófico. Trata-se de buscar pensar a relaçaão entre accountability, a construçaão da agenda urbana e dos indicadores sociais a partir das necessidades e naão das demandas de um mercado planificado.

Nesse sentido, constatamos que a semelhante modo como aponta a literatura especializada sobre o tema da produçaão de políóticas puóblicas, concluíómos que a força da produçaão do uso e das apropriaçoães dos indicadores sociais estaó diretamente relacionado a uma “comunidade episteêmica” (MACHON et al, 2018). Sendo que, a força de transformaçaão do espaço geograófico em meio cientíófico e informacional tem base na sua legitimaçaão cientíófica e se potencializa pelas articulaçoães e estrateógias de influeências na produçaão e nos desenhos das políóticas. Neste caso, poderíóamos considerar tanto os valores compartilhados pela comunidade episteêmica em sua rede de pesquisa e articulaçoães políóticas de base, com governos e com as causas que motivam sua açaão políótica. Como elementos a influeência da açaão políótica em sua projeçaão no espaço e no tempo.

Outline

Documentos relacionados