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Capítulo II – O Instituto Cultural Romeno

3. ICR na EUNIC

Nos últimos anos a preocupação cada vez maior para as culturas conduziu a novas práticas e políticas culturais com a destinação de melhorar a produção e a divulgação cultural no âmbito de uma melhor cooperação entre as sociedades. As redes culturais representam ao mesmo tempo mediadores culturais (apoiando a criatividade artística e a produção cultural) e fatores de decisão e de implementação das políticas culturais, como por exemplo o caso da EUNIC, que é uma das mais importantes redes culturais europeias. A EUNIC tem o papel de criar ligações entre vários institutos culturais europeus e de apoiar a promoção das culturas nacionais e da diversidade cultural:

“EUNIC’s mission is to promote European values and to contribute to cultural diversity inside and outside of the EU through collaboration between European cultural institutes. EUNIC’s aim is to expand the role of culture in Europe and to strengthen cultural dialogue, exchange and sustainable cooperation worldwide”.24

Assim como H. R: Patapievici mencionou, EUNIC representa “a new phase in the life of the national institutes for culture: the transition from cultural diplomacy mediated through state interests to direct cultural co-operation” (Patapievici, 2010:3).

O ICR juntou-se à rede EUNIC em 2007 e essa colaboração foi materializada em vários projetos culturais, que aumentaram a visibilidade do ICR e da cultura romena na Europa e no mundo. Mais do que isso, o intercâmbio de experiências entre os institutos membros da EUNIC ajudou a sincronização das boas práticas culturais e ao desenvolvimento de projetos comuns, promovendo a diversidade linguística e facilitando ainda mais a mobilidade dos artistas. A cada ano que passa os projetos da EUNIC se tornam cada vez mais diversificados e a participação do ICR nos seus projetos é mais e mais ativa. Os membros da EUNIC são independentes um do outro, mas fazendo parte de uma rede, apresentam-se em conjunto, representando ao mesmo tempo a sua cultura, a cultura dos outros membros, mas também uma cultura comum, europeia. Vários institutos culturais unem-se na organização de

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projetos com o mesmo tema, mas cada um apresenta um conteúdo diferente. Estes projetos em conjunto contribuem para a europeização cultural, mostrando os aspetos comuns, mas também as diferenças entre as culturas europeias, sendo ao mesmo tempo uma fonte de conhecimento e de compreensão.

As filiais do ICR participam ativamente nos projetos desenvolvidos nos clusters locais da EUNIC, abrangendo uma vasta gama de assuntos, desde literatura, cinema, musica, dança, teatro ou banda desenhada, até conferências, colóquios e workshops, com temas culturais e sociais, destinados a uma grande variedade de público. Entre os mais conhecidos programas em que o ICR (com as suas filiais no estrangeiro) participou estão: “European Literature Night”, “European Languages Day”, “Small Languages, Big Literatures”, “Translating Europe”, “European Book Club”, “Cinema total”, “New Waves, New Ways”, “Europemania” – festival de teatro e música, “DancEUnion”, “Night of Theaters”, “European Comics festival”. Algumas das filiais do ICR também participaram em conferências, colóquios e

workshops de grande importância para o contexto cultural e social atual: “Culture Watch

Europe” – conferência sobre políticas culturais, “Intercultural school”, “From cultural diplomacy to cultural cooperation”, “Identity and diversity in the European Union”, “A Europa Lê”, “European Day of Languages”(ICR in EUNIC, 2011). Estes projetos são de grande interesse tanto para ICR como para EUNIC e representam a materialização da estratégia de toda a rede. Ao mesmo tempo, ao participar nos programas da EUNIC a cultura e os artistas romenos ganham uma importância europeia, situando-se ao mesmo nível com reputados institutos europeus tais como o British Council, o Goethe Institut, o Institut Français e o Instituto Camões.

Além da presidência da EUNIC do H. R. Patapievici entre 2010 e 2011, as filiais do ICR foram muito ativas nos clusters locais, tomando a liderança das equipas baseadas em Londres (2008-2009, 2012-2013), Bruxelas (2009-2010), Budapeste (2010-2011), Nova Iorque (2010-2011), Praga (2008-2011), Madrid (2011-2012), Paris (2011-2012), Istambul (2013) (Relatório de atividade, 2012:253). Para ICR, a associação com a EUNIC pressupõe um número impressionante de projetos culturais, onde toda a rede de institutos culturais romenos foi implicada. A participação do ICR na rede EUNIC aumentou significativamente ao nível dos projetos iniciados e desenvolvidos e gerou visibilidade internacional. Através dos projetos EUNIC, revela-se a criatividade local que contribui por sua vez à criatividade global, colocada à luz no quadro dos projetos de colaboração entre os seus membros.

A colaboração do ICR com a EUNIC também tem uma grande importância para a divulgação da cultura romena fora da Europa. No período do mandato de presidência da

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EUNIC de 2010-2011, o ICR ganhou um estatuto importante dentro da rede e tornou-se membro nos clusters EUNIC de vários países do mundo, mesmo onde não tem sede, estando os seus representantes culturais nas embaixadas dos EUA (Washington), do Canada (Ottawa), do Líbano (Beirute), Marrocos (Rabat), Irlanda (Dublin), Arménia (Erevan) (Idem).

A adesão à EUNIC constituiu uma estratégia valiosa para a cultura romena que não ganhou apenas visibilidade, mas também mais reconhecimento e confiança mútua. Fazer parte da EUNIC significa partilhar práticas e ideias no âmbito da cooperação. Além disso, para Roménia, a adesão à EUNIC significou mais um passo na integração europeia. A sua participação ativa nos projetos da rede não surpreende. Assim como Corina Șuteu (ex diretor do ICR e do cluster EUNIC de Nova Iorque) mencionou numa entrevista, a Roménia e os países ex-comunistas são membros muito ativos da EUNIC, sobretudo porque reconhecem na rede um instrumento para a integração europeia.25

As direções principais da cooperação intercultural europeia são o apoio do multilinguismo e da diversidade cultural, com todos os aspetos que estas implicam. Mas as atividades da EUNIC implicam muito mais do que isso. As atividades da EUNIC projetam-se no plano social, político e económico. Assim como o diplomata austríaco, Emil Brix (presidente da EUNIC entre 2007-2008) mencionou, a ideia da EUNIC é de mostrar que a cultura é importante para a integração Europeia:

“We need to communicate to citizens in all EU-member countries how valuable and fascinating our cultural diversity is and why we benefit from supporting a common cultural space. EUNIC will facilitate cultural exchange by making use of the potential of national cultural institutes as assets and not as barriers for European integration. I am convinced that increased cultural exchange especially between old and new EU-countries and with the Balkan region will substantially reduce still existing mental barriers. By acting together EUNIC will also create better chances for artists and creative people in EU-candidate countries and for partners worldwide” (Brix, 2011:167).

A EUNIC é uma fonte de conhecimento e os seus membros devem aproveitar este aspeto e criar programas culturais de uma forma inteligente. Mais do que isso, a EUNIC não pressupõe apenas partilhar conhecimento e competência, mas também criar relações de amizade. Assim como H. R. Patapievici observou, hoje em dia “os programas culturais podem ser muito mais do que meros mecanismos de apresentação e representação de uma exibição de artes” (Patapievici, 2011a:167). Segundo o mesmo, os programas culturais

25 Entrevista com a ex diretora do ICR Nova Iorque, Corina Șuteu

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desenvolvidos por um Instituto nacional de cultura devem possibilitar uma dupla visibilidade cultural: desenvolver programas colaborativos que mostrem aos estrangeiros aspetos da cultura nacional, mas também despertar o interesse para as outras culturas aos cidadãos do respetivo país. Como membros da EUNIC, os institutos culturais mantêm os seus objetivos individuais ao mesmo tempo que se orientam na direção de um objetivo comum que é a cultura europeia. Os membros da EUNIC desenvolvem projetos com uma abordagem que “contempla um ‘motivo comum’ e que tem ‘implementação local’”(Patapievici, 2011a:167). Desta maneira, os institutos culturais nacionais que fazem parte da EUNIC tornam-se importantes atores na cooperação cultural, seguindo os mesmos objetivos e colaborando entre eles para conservar e exportar ao mundo os valores culturais europeus e para os integrar num contexto globalizado.

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