3 COMPROMISSO COM A MINHA PESQUISA
5- Identidade lingüística dos Surdos:
Os surdos necessitam estar com seus pares ou parceiros da mesmidade, formam construindo a Identidade lingüística, é coletivo, é como convívio / comunidade lingüístico dos surdos, é o espaço ou território essencial do contato cultural dos surdos. O escritor ouvinte Mottez, (1992, p. 5) escreve narrando com o título: “Os banquetes de surdos mudos e o nascimento do movimento surdo” 15, como a importância desse, desde o olhar histórico da Era das Luzes:
Nos banquetes se falava muito do povo surdo mudo, de nação surdo
muda. Hoje se diz comunidade de surdos para falar deles em outra
forma que como uma simples coleção de indivíduos. Porém há mais nos termos Povo e Nação que no de Comunidade. Os banquetes, como o esporte, tomam um lugar importante na maneira de viver dos surdos. Quero dizer o que significa para mim, ouvinte, participar a um desses banquetes. Quando estou convidado na casa de amigos surdos, digo que vou donde fulano ou sutano a casa de amigo, que por acréscimo são surdos.
Porém não digo que vou donde os surdos. Quando vou a um banquete. É completamente distinto.Os surdos formam um povo sem território. Seus clubes tomam esse lugar (com freqüência devem de recordá-lo aos ouvintes demasiado propensos a querer intervir). Os banquetes são também seu território. Me sinto realmente em terra estrangeira. Rodeado de uma língua curiosa da que quisera nesses momentos ser um locutor nativo. Ressinto todos os prazeres que se mal sentem em outros países. Quando somos bem recebidos. É um dos raros lugares e momentos em que as relações surdos e ouvintes são os surdos quem recebem e são eles quem mandam. Ainda mais. Sempre pensou que havia nessa apetência
pelo banquetes como uma revanche sobre a vida cotidiana. As comidas, para nós, ouvintes, são sempre momentos agradáveis. É um prazer cortar-se mutuamente a palavra, falando de todo e de nada, passando de uma coisa a outra. É por excelência o lugar donde os surdos construem a experiência da exclusão. Que tem escolhido precisamente para recebermos essa situação donde somente excluí-los me parece de uma grande elegância.
O Uso e desenvolvimento de Língua de Sinais:
Para os surdos, necessitam perceber a importância da LS, com sua influência sobre a felicidade moral e social e a capacidade de levar o pensamento a intelectualidade. O encontro dos pares haverá o uso da língua.
“É impossível para aqueles que não conhecem a língua de sinais perceberem sua importância para os surdos, sua enorme influência sobre a felicidade moral e social dos que são privados da audição e sua maravilhosa capacidade de levar o pensamento a intelectos que de outra forma ficariam em perpétua escuridão. Enquanto houver dois surdos no mundo e eles se encontrarem, haverá o uso de sinais." (J.Schuylerhong).
E necessitam, com seus pares, facilitar a desenvolver e aprimorar a seu nível máximo em seu ambiente escolar dos surdos a sua língua, a LS. " Tove Skutnabb, de Kangas - Suécia (2003), se questiona a essa importância: "Como as crianças surdas não compartilham a língua materna com
seus pais, dependem completamente da educação formal para realmente desenvolver a língua de sinais a seu nível máximo”.
b) Um olhar para si:
Os surdos necessitam olhar-se em si ou voltar a olhar em si, em sua filosofia de vida. Com o olhar e o coração abertos a dar a palavra com escritos a ter também a partir da necessidade de ler na escritura.
Voltar o olhar a si, como Nuria Pérez de Lara Ferre no prefácio do livro de Carlos Skliar: Pedagogia (improvável) da diferença: E se o outro não estivesse aí? (2003, p. 13) se refere:
Voltar o olhar para si mesmo. Repensar tudo o que nos foi pensado a partir da academia, a partir dos textos especializados, a partir dos discursos politicamente corretos, a partir das consciências acomodadas daqueles que se conhecem como parte da normalidade, do racional, do democrático, do verdadeiramente humano, é o que provoca a relação direta e aberta com aqueles que não fazem parte de todas essas certezas. Mas isso também pode ser provocado pela leitura de um livro escrito a partir da verdade da própria experiência, escrito a partir da verdade de uma relação, escrito a partir do saber-se alguém que está sendo entre os outros, com o olhar e o coração abertos ao que a relação possa dar, escrito também a partir da necessidade de ler a si mesmo na escritura, buscando as palavras que nos ajudem também a ler-nos.
É um livro escrito a partir da experiência, de uma experiência que, como diz María Zambrano, não só “não se deixar arrebatar pelo céu da objetividade, mas também reage diante dela”. Dessa reação nutre-se a maioria das linhas do texto que trato de prefaciar, mas é uma reação na qual não se produz um movimento contrário, de oposição reflexa, e sim um movimento diferente, o de pensar de outro modo, o de buscar nas palavras que o geram uma filosofia que possa iluminar, ainda que somente por um momento, a experiência da qual elas nascem.
Cameron Crowe, o escritor e diretor do cinema, escreve seu próprio sentimento conforme o filme de “Vanilla Sky” (pesquisa na Google, da Internet):
“Abra os olhos. Não é só para ver, sim como viver”. Tem uma trama, fiz os personagens para olhar como sentem, sofrem cheio de tramas, vazios, que brincadeiras de mau gosto, recebem conhecimentos frios, sem experiências. Essa idéia de dar a vida a alguém que não tem, eles engolem e não percebem.. Quero que sintam melhor a experiência.
Juan Eugenio Ravelo, de Mendoza (2003, p. 217),declara seu olhar em si, afirmando:
Estou consciente de lo que es ser sordo y estamos orgullosos de nosotros mismos como personas sordas, orgullosas de nuestra lengua y de nuestra cultura. Nuestra función como sordos nos permite tomar consciencia de nosotros mismos y respaldar a nuestros iguales.
c) O olhar para um olhar histórico:
Como o autor francês ouvinte Mottez (1992, p. 5) que narra com escrito sobre o povo surdo, que explicita nos tempos das Luzes aos atuais:
Nos banquetes se falava muito do povo surdo mudo, de nação surdo muda. Hoje se diz comunidade de surdos para falar deles em outra forma que como uma simples coleção de indivíduos. Porém há mais nos termos Povo e Nação que no de Comunidade. Uma explosão de cólera:
Porém é dos banquetes do tempo passado que quero tratar. Dos primeiros. Quero compartir a admiração que tive ao descobri-los. Já que se há conservados os traços, sabemos em detalhe todo o que neles aconteceu. Quero convidá-los a escrever o ano 1834 como uma das grandes datas da história dos surdos.Com o 1º banquete comemorando seu nascimento (1834) começa o culto I’ Abbé de L’Epée. Para mim é a data de nascimento da nação surda. É o ano em que pela primeira vez os surdos mudos se outorgam uma espécie de governo. Este nunca tem deixado de existir.
“Ele fez que nós surdos, o povo surdo, olhássemos bem o nosso olhar histórico sobre: A decadência da educação dos surdos por opções oralistas, educadores oralistas ocupam o lugar que era dos educadores surdos”.
Porém votamos um tempo atrás:
Sicard, sucessor de I’Abbé de L’Epée, morreu em 1822. Deixa o Instituto de Paris, em um estado lamentável. Sua sucessão é problemática. Durante quase 10 anos o conselho de Administração assume praticamente a direção do estabelecimento. Dito conselho obviamente pouco competente na educação de surdos mudos toma ademais opções oralistas. Estas opções comprometem o uso da mímica na educação e como conseqüência o lugar que ocupam os educadores surdos. As duas coisas vão relacionadas estreitamente porque, por exemplo, a introduzir o ensino da palavra falada nas funções dos professores implica automaticamente a retrogradação dos professores surdos ao grau de repetidor.
Os que foi o que aconteceu outras medidas do mesmo tipo foram preconizadas. Ao absurdo delas, e à resistência de maestros e alunos, se deveu o não haver sido aplicadas.
Existia uma discórdia endêmica.
Em conseqüência dessas, surgiu um líder surdo que mobiliza-se:
Em 1834, Ferdinand Bertier, professor surdo mudo do Instituto de Paris e alguns de suas colegas, Lenoir, Forestier, futuro diretor da escola de Lyon, decidiram mobilizar-se.
Criaram o Comitê de Surdos-mudos.
Entre os 10 membros deste comitê estavam Fréderic Peysson de Montpelier, pintor, autor alguns anos depois do célebre quadro “os últimos momentos de I’Abbé de L’ Epée; um italiano do Instituto de Torino, Mosca, também pintor”. Primeira decisão do comitê: -festejar com um banquete do momento em diante, (frente) o aniversário do nascimento del Abbé de L’Epée.
Com o nosso tempo, nós os movimento surdos, fizemos os documentos testamentários mais importantes da história gaúcha surda:
1- “A Educação Que Nós Surdos Queremos” durante o Pré e V Congresso Latino - Americano de Educação Bilingüe para Surdos em Porto Alegre, 1999, com passeata e entrega desse documento ao Governo do Estado. Revista da FENEIS, Edição Especial –Ano V nº25 Abril – Setembro, 2005 p. 25.
2- “Surdos: Um Olhar sobre as Práticas de Educação”. Seminário Nacional em Caxias do Sul – RS em 2001. Revista da FENEIS –Ano IV Nº 13 Janeiro - Março, 2002 p. 29, Edição Especial 3- “As Políticas Educacionais Para Surdos no RS: A Educação Que Nós Surdos Queremos” em Porto Alegre – RS, em 10 de outubro de 2005, com passeata e entrega desse documento ao Governo e Secretarias do Estado.