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Identidade, valores e metodologias adotadas

No documento HENRIQUES Celilia dez16 (páginas 47-51)

3. Caracterização do contexto institucional

3.1.2. Identidade, valores e metodologias adotadas

Passarei a enunciar, em traços gerais, aqueles que considero serem os aspetos identitários mais relevantes da instituição em termos gerais e do jardim de infância em particular, na

medida em que possam enquadrar as minhas escolhas no âmbito do objeto de estudo delimitado neste trabalho. Basear-me-ei, para tal, nos documentos oficias da instituição que tive a oportunidade de consultar, nomeadamente o Projeto Educativo de Escola (PEE) (2012), o Projeto Educativo do Jardim de Infância (PEJI) (2013) e o Projeto Curricular de Grupo da sala onde realizei a minha prática (PCG) (2013). Complementarei esta caracterização com os dados observacionais que pude recolher durante o período de dez semanas em que integrei o contexto institucional.

Através da leitura do PEE (2012), percebemos estar a debruçar-nos sobre uma instituição que se assume como uma referência de qualidade na área de oferta que abrange e que se propõe, com as suas iniciativas, a deixar um marco consistente e transformativo na sociedade, na qual deseja intervir através da formação cívica e humanista dos seus alunos e de iniciativas de consciencialização e participação real dos mesmos nos mais diversos dilemas que o

mundo atual apresenta, tais como os efeitos da globalização, as desigualdades sociais, os avanços tecnológicos e as questões ambientais.

Considerem-se, como alguns dos seus pilares identitários, a educação humanista, aberta a “diferentes convicções políticas e credos religiosos” (PEE., 2012, p. 17); a preocupação com a educação do indivíduo na sua globalidade; a educação compreensiva, que pretende

“proporcionar a todos as mesmas oportunidades para serem diferentes” (PEE, 2012, p. 17); a promoção do pensamento crítico e de uma atitude de questionamento perante o mundo; a oferta de contextos que promovam a criatividade, para que o aluno se torne num “crítico construtivo que consiga reinventar a realidade” (PEE, 2012, p. 19); a vivência comunitária e colaborativa, onde todos, independentemente das hierarquias existentes, são parceiros educativos; a defesa do meio ambiente através da promoção de ações concretas e da consciencialização dos alunos.

Verificamos que a oferta educativa desta instituição tem uma orientação de cariz

marcadamente social, muito direcionada para o mundo natural e social envolvente e para uma vivência de integração transformativa do indivíduo na comunidade.

As características gerais que o PEE atribui à sua população estudantil vêm reforçar a intenção que esta instituição tem de sensibilizar os seus alunos para os dilemas da realidade envolvente. Se este documento os caracteriza como sendo “curiosos, interessados,

participativos” (PEE, 2012, p. 18), também regista a observação, nos mesmos alunos, cuja proveniência posiciona numa realidade socioeconómica média-alta a alta, de algum

alheamento da realidade circundante e do contexto socioeconómico atual, verificando-se (...) que estão pouco despertos para outras realidades e para as preocupações do mundo que os rodeia, questionando pouco e não sentindo necessidade de pensar soluções, nem de agir em conformidade, na tentativa de melhorar situações que não reconhecem. (p. 18)

A instituição tem parcerias com diversas escolas superiores de educação, pelo que recebe estagiários em todas as suas valências, durante todo o ano letivo. Estes são também encarados como parceiros e a instituição procura integrá-los intensamente nas atividades letivas, numa tentativa de proporcionar-lhes uma noção realista do que é estar imerso na profissão para a qual concorrem e para que tenham várias oportunidades de enriquecer as práticas

pedagógicas da instituição com os seus contributos.

Pertence ao programa Eco-Escolas, fundado na década de noventa pela Fundação para a Educação Ambiental e posto em prática nas escolas portuguesas desde 1996 pela Associação Bandeira Azul da Europa, que assume como objetivo “encorajar ações e reconhecer o

trabalho desenvolvido pela Escola em benefício do ambiente (...) visando a aplicação de conceitos e ideias de educação e gestão ambiental à vida quotidiana da escola” (Gomes, M. s.d., p. 4). Este programa pressupõe a implementação de planos de ação que impliquem diretamente as crianças e um processo de envolvimento com a comunidade local cujos

De salientar que o tema do Projeto Curricular de Escola para o período de tempo entre setembro de 2012 julho de 2014 se intitula: “Pela sustentabilidade do planeta” e que o seu subtema, dedicado ao ano letivo 2013/2014 se denomina: “Pensar e agir ecologicamente, por um mundo melhor”.

O modelo pedagógico adotado pela creche e jardim de infância desta instituição é o Movimento Escola Moderna. O trabalho de projeto é uma metodologia que, usada recorrentemente em todas as salas, se considera parte integrante deste modelo.

No que diz respeito ao Movimento Escola Moderna, o jardim de infância assume-se, recorrendo às palavras de Niza (1998, citado em PCG, 2013), como um

espaço de iniciação às práticas de cooperação e solidariedade de uma vida democrática. Nela, os educandos deverão criar com os seus educadores as condições materiais, afetivas e sociais para que, em comum, possam organizar um ambiente institucional capaz de ajudar cada um a apropriar-se dos conhecimentos, dos processos e dos valores morais e estéticos gerados pela humanidade no seu percurso histórico-cultural. (p. 13)

Relativamente ao trabalho de projeto destaca-se, no PEJI (2013, p. 31), que o recurso a essa metodologia vai ao encontro dos objetivos desta instituição, nomeadamente os que se propõem a modificar o estatuto da criança, no sentido de responsabilizá-la pela sua

aprendizagem, dando-lhe espaço para que esta se perca no seu próprio processo de tentativa e erro; a modificar a relação entre a criança e o educador, que deve ser de confiança,

cooperação e comparticipação; e ainda a modificar o papel da escola, que se deve abrir à vida, num intercâmbio entre o meio e as famílias.

3.2.!Práticas correntes na instituição relativamente ao objeto de estudo

As práticas que passarei a descrever baseiam-se na minha observação e em relatos da educadora cooperante, com quem tive a oportunidade de conversar, em diversas ocasiões, desde os momentos de integração inicial no estágio até à planificação das últimas atividades.

Uma vez que o objeto de estudo se debruça sobre contos populares de outras culturas, a educação ambiental e a metodologia de trabalho de projeto, passarei a descrevê-los

separadamente, pois não foram observadas ou relatadas práticas que os articulassem entre si.

No documento HENRIQUES Celilia dez16 (páginas 47-51)