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4 RESULTADOS

4.2 IDENTIFICAÇÃO DAS FRAGILIDADES DO PROCESSO

Em todas as etapas do processo de reciclagem foram identificadas 41 fragilidades conforme quadro 5:

Quadro 5 – Processo de Descontaminação: Etapas vs. Fragilidades

Etapas Fragilidades

Recebimento

Falta de organização da área (5S)

Excesso de material de outras áreas da empresa

Risco ergonômico para os funcionários Falta de sinalização

Falta o levantamento do quadro de habilidades dos funcionários

Falta de Sinalização efetiva da área de trabalho

Risco de acidentes - Falta uso de EPI Alto índice de NVAA do operador

Escorredor

Equipamento gargalo do processo produtivo

Falta de organização da área (5S) Elevado tempo de processamento

Falta OPT – Organização do Posto de trabalho

Risco ergonômico

Falta de Sinalização efetiva da área de trabalho

Risco de acidentes - Falta uso de EPI Falta Gestão a vista

Falta o levantamento do quadro de habilidades dos funcionários

Triagem

Excesso de movimentação Inspeção pouco eficiente

Desbalanceamento das operações Falta identificação dos materiais Falta de organização da área (5S)

Falta OPT – Organização do Posto de trabalho

Falta de Sinalização efetiva da área de trabalho

Risco de acidentes - Falta uso de EPI Falta Gestão a vista

Falta o levantamento do quadro de habilidades dos funcionários

Limpeza/ Trituração

Falta de avaliação de Custo/Margem Faltam insumos para Limpeza Máquina com acesso difícil

Risco de acidentes - Falta uso de EPI Operadores com alto tempo de ociosidade Falta Gestão a vista

Falta o levantamento do quadro de habilidades dos funcionários

Produto acabado

Falta de embalagem

Falta de organização da área (5S)

Falta OPT – Organização do Posto de trabalho

Falta Gestão a vista

Risco de acidentes - Falta uso de EPI Falta o levantamento do quadro de habilidades dos funcionários

Fonte: Elaborado pelo autor.

4.3 OPORTUNIDADES DE MELHORIA

Para Ohno (1997), o tempo é um recurso valioso e limitado, que se administrado de forma adequada é capaz de trazer efeitos significativos ao processo. Qualquer perda de tempo deve ser eliminada.

No quadro 6, seguem as informações dos tempos (minutos/dias) coletados através da utilização da ferramenta VSM (disponibilizada na íntegra no Apêndice A) nas etapas do processo de descontaminação de embalagens plásticas da empresa BH Hidro:

Quadro 6 – Etapas versus Tempo

Fonte: Elaborado pelo autor.

Ao analisar o quadro 6, é possível concluir que o principal gargalo do processo de descontaminação evidenciado foi na etapa do escorredor, pois é necessário um templo ciclo de 24 horas. Cada carregamento recebido na empresa com 1.800 embalagens plásticas necessita de 11,0032 dias para ser reciclado. O tempo de processamento para reciclar um lote de 200 embalagens é de 1,0535 dias.

Em 2012, como previsto na PNRS (Política Nacional de Resíduos Sólidos), o governo e as entidades representantes do setor de lubrificantes assinaram um acordo setorial onde os empresários se responsabilizam pelas embalagens de plásticas de óleos lubrificantes. As empresas desse setor seriam então, monitoradas pelo Ministério do Meio Ambiente e enquadradas na Lei de Crime Ambiental caso descumpram o acordo (BRASIL, 2012).

Conforme o Ministério do Meio Ambiente (2013), o acordo também tem como meta alcançar 4.400 toneladas de embalagens plásticas de óleos lubrificantes recolhidos até o ano de 2016, o que é um número inexpressivo perto das 25.100 toneladas produzidas por ano, segundo dados fornecidos pelo SINDICOM.

A capacidade instalada para triagem por dia é de 4.800 embalagens, porém somente processa 200. A máquina que faz a limpeza e a trituração das embalagens tem capacidade diária de processar 6.400 embalagens por dia, porém processa apenas 200. O processo que leva hoje 11 dias para transformar 1.800 embalagens em produto reciclado, pode ser totalmente realizado em menos de 01 dia.

De acordo com Magalhães (2011), a revalorização de um produto ou material usado é um dos objetivos da logística reversa, principalmente porque reduz a agressão ao meio ambiente, evitando que os resíduos sólidos sejam lançados diretamente ao meio ambiente.

Etapas Tempo de

atravessamento

Tempo de Processamento

Recebimento 11 dias -

Escorredor 0 dia 01 dia = 24 hs

Triagem 0 dia 20 min = 0.041 dias

Limpeza/Trituração 0 dia 60 min = 0.0125 dias Produto acabado 0,0032 dias

Conforme verificado por Castro (2011) a aplicação da logística reversa no gerenciamento de resíduos sólidos é um diferencial para as empresas, principalmente no reaproveitamento dos resíduos sólidos, o que evita desperdícios e gera emprego e renda para a sociedade a partir do desenvolvimento de projetos sociais.

O estudo de caso da empresa Edmak, mencionado na metodologia, cuja implementação do Lean Manufacturing gerou resultados importantes quanto à redução de etapas do processo de fabricação que foi de 09 para 03 etapas, redução do tempo de fabricação do produto de 13 minutos para 01 minuto e principalmente quanto ao custo unitário do produto que foi reduzido de R$ 7,90 para R$ 1,70, alcançando um resultado expressivo que se traduz em uma maior produtividade e competitividade. Pode-se também destacar como resultados, alcançados: a melhoria ergonômica; logística interna; eliminação de trabalho extra; melhoria no planejamento; capacidade; uso de recursos internos e a satisfação do cliente.

Já no estudo de campo da BH Hidro fica evidente as potencialidades de ganhos em relação às 41 fragilidades identificadas.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir da pesquisa realizada, percebeu-se que melhorias no sistema de produção poderão gerar benefícios diretos e indiretos para a empresa com práticas de gestão ambiental, especialmente no que tange a redução dos desperdícios. Cada vez mais as organizações se preocupam, não apenas com o desempenho operacional e financeiro, mas também, com os aspectos ambientais de sua produção.

Partindo da premissa que a eficiência ambiental é alcançada a partir do uso racional e equilibrado de materiais e recursos naturais, que dependerão das decisões operacionais e dos processos que visem à prevenção da poluição e que o Lean Manufacturing consiste na redução de desperdícios no processo produtivo, o presente trabalho justifica-se pela necessidade de otimização do processo de descontaminação das embalagens plásticas de óleos lubrificantes na empresa BH HIDRO, visando à contribuição de preservação do meio ambiente e a maior competitividade da empresa no mercado.

Dentre as 41 fragilidades apontadas, a principal ação para viabilizar a melhoria da produtividade é diminuir o tempo ciclo do processo de escorrimento do óleo das embalagens, porém para isso é necessário adequar o coletor das embalagens, aumentando a sua capacidade.

Para atacar essas fragilidades, é importante definir um grupo de melhoria da empresa e estruturar um plano de ação para atacar essas perdas, utilizando os conceitos e a metodologia do Lean Manufacturing.

No entanto, um fator de destaque é o envolvimento dos dirigentes da empresa em buscar e promover a melhoria contínua nos seus processos de manufatura e serviços como alternativa na busca da lucratividade.

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APÊNDICE A – Trabalho técnico apresentado no 10º Simpósio Internacional de Qualidade Ambiental realizado nos dias 19 e 21 de outubro de 2016, no Centro de Eventos da PUCRS em Porto Alegre RS.

OTIMIZAÇÃO DO PROCESSO DE DESCONTAMINAÇÃO DE EMBALAGENS PLÁSTICAS DE ÓLEOS LUBRIFICANTES PELA IMPLEMENTAÇÃO DOS

PRINCÍPIOS DE LEAN MANUFACTURING Frederico Lodi Buss – e-mail: [email protected] UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina

Campus Reitor João David Ferreira Lima, s/n - Trindade, Florianópolis - SC, 88040-900

Joel Dias da Silva – e-mail: [email protected] FURB – Universidade Regional de Blumenau

Resumo: A destinação final, pós-consumo, das embalagens plásticas de óleos lubrificantes é um dos principais problemas ambientais na área de resíduos sólidos. A Logística Reversa tem como objetivo reduzir esses problemas ambientais, evitando que os resíduos sejam lançados diretamente no meio ambiente. O presente trabalho foi baseado na Política Nacional de Resíduos Sólidos implementada pela Lei 12.305/2010 e teve como objetivo propor a otimização do processo de descontaminação das embalagens plásticas de óleos lubrificantes pela implementação dos princípios do Lean Manufacturing.

Palavras-chave: Óleo Lubrificante Pós-consumo; Embalagens Plásticas; Descontaminação; Reciclagem; Lean Manufacturing. Abstract: The destination, after consumption of plastic packaging of lubricating oils is one of the main environmental problems in solid waste. The Reverse Logistics aims to reduce these environmental problems, preventing waste is released directly into the environment. This work was based on Solid Waste National Policy implemented by

Law 12.305/2010 and aimed to propose the optimization of the decontamination process of the plastic packaging of lubricating oils for the implementation of the principles of Lean Manufacturing. Abstract: Used Engine Oil; Plastic Bottles; Decontamination; Recycling; Lean Manufacturing.

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1. INTRODUÇÃO

O destino final das embalagens plásticas, sem dúvida, é algo preocupante, representando um grave problema ambiental, uma vez que, o plástico tem um ciclo de vida longo, podendo durar até 400 anos no meio ambiente se não descartado corretamente, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente (BRASIL, 2016).

Ainda, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente, quando se trata de embalagens plásticas, e que armazenam óleos lubrificantes, o problema se torna maior, pois o óleo residual que permanece na embalagem poderá contaminar o solo, os lençóis freáticos e até a atmosfera quando em combustão (CANCHUMANI, 2013; SILVA, 2014).

Os principais impactos ambientais produzidos pelos óleos lubrificantes usados são causados pela presença de diversos metais pesados em suas fórmulas, podendo contaminar os lençóis freáticos e rios, ou ainda sobrenadarem lagos e mares, impedindo a oxigenação dos seres vivos e a passagem dos raios solares essenciais para a vida aquática. Alguns exemplos de danos ambientais relevantes causados pela má destinação dos óleos lubrificantes são citados por Sohn (2007) e CEMPRE (2013):

 No solo: por não ser biodegradável leva dezenas de anos para desaparecer do ambiente e, quando vaza ou é jogado no solo, mata a vegetação e os microrganismos, destruindo o húmus, causando infertilidade da

área que pode se tornar uma fonte de vapores de hidrocarbonetos;

 Na água: pode atingir o lençol freático, inutilizando os poços da região de entorno: diminui a tensão superficial da água, inibe a fotossíntese e a respiração dos seres aeróbicos, comprometendo sua oxigenação, provocando danos à vida aquática e seres que dependem da água. Quando lançado no esgoto, o óleo lubrificante compromete o funcionamento das estações de tratamento de esgoto, chegando, em alguns casos, a causar a interrupção do funcionamento desse serviço essencial;

 No ar: quando queimados, os óleos lubrificantes usados ou contaminados causam forte concentração de poluentes num raio de 2km, gerando grande quantidade de fuligem, produzindo precipitação de partículas que literalmente grudam na pele e penetram no sistema respiratório das pessoas.

Além da geração do óleo lubrificante usado durante as operações de troca, é comum surgirem outros resíduos contaminados como as embalagens nas quais são armazenados tais óleos. Segundo o SINDIPLAST (2007), a cada ano são produzidas cerca de 305 milhões de embalagens de óleo lubrificante distribuídas da seguinte maneira: 10 milhões para baldes e bombonas plásticas (80% dos quais são plásticos), 15 milhões para galões de 3 a 5 litros, 200 milhões para frascos plásticos de 1 litro e 80 milhões para frascos plásticos de meio litro. Desse total, 60% são de óleos automotivos e 40% são industriais. Essas embalagens são de polietileno de alta densidade (PEAD), um plástico rígido, inquebrável, impermeável, com resistência química e a baixas temperaturas, o que torna o descarte ainda mais preocupante.

Neste contexto, considera-se de suma importância a descontaminação das embalagens dos óleos lubrificantes para proteção do meio ambiente, pois segundo a ABNT NBR 10.004 (ABNT, 2004), tais embalagens com óleo residual apresentam riscos de periculosidade à Saúde Pública e ao meio ambiente sendo classificados como resíduos perigosos.

Conforme a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviço e Turismo (CNC) publicou em seu informativo em fevereiro de 2014, em dezembro de 2012 a então Ministra do Meio Ambiente, a Sra. Izabella Teixeira, assinou um acordo onde os empresários do ramo de óleos lubrificantes assumiriam a responsabilidade de reciclar as embalagens diminuindo assim o descarte das mesmas como resíduo comum. As empresas então seriam monitoradas pelo Ministério do Meio Ambiente por um sistema online e as que não respeitassem o acordo seriam enquadradas na Lei de Crime Ambiental (BRASIL, 2012).

Segundo dados do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (SINDICOM), são produzidos anualmente 1.000.000 m³.ano-1 de óleo lubrificante e a

cada ano são produzidas cerca de 25.100 t.ano-1 de embalagens

plásticas usadas no Brasil, nesse contexto diversas empresas se especializaram no ramo de descontaminação, e não só as descontaminam como também as reciclam, como é o caso da empresa ALEIXO E FERREIRA HIDROJATEAMENTO - BH HIDRO, localizada no município de Betim/MG, que terá seu processo de descontaminação como objeto de estudo desta pesquisa.

Para Oliveira (2008) a gestão de embalagens plásticas contaminadas com óleo lubrificante é considerada difícil, pois são necessários cuidados especiais quanto ao seu destino final, além de conter resíduos oleosos que dificultam e tornam o processo de reciclagem mais oneroso. Tal processo de descontaminação apresenta várias etapas, envolvendo custos, insumos, mão-de-obra e demanda tempo, assim como todo processo produtivo e atualmente para se tornarem mais competitivas as empresas visam melhoria em seus processos eliminando desperdícios sem alterar a qualidade do

serviço ou produto final. Nesse processo, muitas têm recorrido às filosofias de gestão e gerenciamento de processos como a filosofia Lean Manufacturing ou Manufatura Enxuta, em que se identificam e eliminam os desperdícios no processo produtivo.

O Lean Manufacturing surgiu na Toyota Motor Company após a Segunda Guerra Mundial desenvolvida pelo chefe de produção Taiichi Ohno (1912 – 1990). De acordo com Melton (2005) a filosofia Lean Manufacturing consiste em reduzir as 7 variáveis (espera, defeito, transporte, movimentação, excesso de estoque, excesso de produção e super/mau processamento) identificadas por Taiichi Onho (1912-1990). O desenvolvimento do Lean Manufacturing ou Sistema Toyota de produção de acordo com Ghinato (1995) possui como pilares ferramentas que asseguram a melhor forma de especificar valor, alinhando na melhor sequência as ações que agregam valor e realizando as atividades sem interrupção desnecessária. É uma filosofia que busca reduzir o tempo entre o pedido do cliente e a entrega por meio da eliminação de desperdícios. O Lean Manufacturing baseia-se em princípios importantes e desafiadores. É baseado na constante contribuição de pessoas que atuam na empresa, Maxwell et al. (1998), Rothenberg et al. (2001) e Simpon e Power (2005) dão ênfase a importância do envolvimento dos funcionários, seja para intervir no processo para evitar falhas ou para se comprometer e propor melhorias relacionadas ao melhor uso e conservação de insumos.

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