3. COLÉGIO IRACY SALETE STROZAK: DETERMINAÇÃO E LUTA
3.2. IDENTIFICAÇÃO DO ESTABELECIMENTO DE ENSINO
O Colégio dispõe de uma estrutura física, de 8 salas de aula, laboratório de
ciências, e de informática, biblioteca, sala multi-uso, cozinha, refeitório, banheiro
masculino e feminino, sala de direção e coordenação pedagógica, secretaria,
almoxarifado e uma pequena sala usada para guardar material de artes e educação
física.
Mesmo com esta estrutura física, o colégio necessita de ampliação, cuja
solicitação foi encaminhada à Secretaria de Estado da Educação (SEED) conforme o
ofício nº 34/2007, de 31 de maio de 2007, pois para suprir a atual demanda, a sala
multi-uso foi transformada em como sala de aula, a sala de educadores em sala de
apoio e estágio. Para resolver esta situação será necessária a construção de mais
quatro salas de aula.
A prática das aulas de educação física, acontecem em um ginásio cedido pela
comunidade, tal espaço é compartilhado com a escola municipal e com outras
escolinhas do município.
O laboratório de ciências, apesar de dispor de um bom espaço e de
instrumentos para as aulas práticas, pouco é utilizado devido aos encaminhamentos
feitos pelos educadores e por não possuir um técnico de execução.
A biblioteca possui um acervo bibliográfico razoável, porém ainda necessita de
livros para atender às diferentes demandas existentes. Na biblioteca funciona o
laboratório de informática para os educadores, o Paraná Digital29, e para os educandos
o Proinfo30.
3.2.1. COLÉGIO ESTADUAL IRACI SALETE STROZAK:
ASPECTOS HISTÓRICOS
O Colégio Estadual cujo nome31 tem forte significado, surge da luta dos
recém-assentados pela garantia ao acesso à escolarização. Em um número grande de famílias
(aproximadamente 1500 famílias) o número de crianças, adolescentes e jovens em
idade escolar era significativo e para atender todos os sujeitos tornou se urgente a
construção de algumas unidades escolares. A princípio organizaram-se instalações
provisórias para o funcionamento das escolas, em antigos barracões utilizados para
29
O Paraná Digital é um dos projetos de inclusão digital do Governo do Estado do Paraná. Elaborado pela
Secretaria de Estado da Educação do Paraná (SEED), seu objetivo é levar o acesso à Internet, através
de uma rede de computadores, aos professores e alunos da rede de escolas públicas do Paraná.
http://www.pop-pr.rnp.br/tiki-indexd374.html?page=ParanaDigital. Acesso em 23/05/2011
30Programa Nacional de Tecnologia Educacional (ProInfo) É um programa educacional com o objetivo de
promover o uso pedagógico da informática na rede pública de educação básica.O programa leva às
escolas computadores, recursos digitais e conteúdos educacionais. http://portal.mec.gov.br/. Acesso em
23/05/2011
31
O nome do Colégio foi uma forma de reconhecimento a um membro do MST e militante da área da
educação nas áreas de reforma agrária. Foi liderança em diferentes espaços do MST, mas nunca deixou
de exercitar seu carisma de educadora. Foi a primeira mulher a coordenar uma regional do MST. Ela
experimentou um método de formação de lideranças no qual todo o trabalho de organização era feito de
forma coletiva. Outra tarefa importante que ela desempenhou no MST foi a coordenação do Setor de
Educação. Foi uma das pioneiras no trabalho. Dedicou muito trabalho na organização da Educação de
Jovens e Adultos - EJA, mas foi no acompanhamento das escolas que dedicou a maior parte dos seus
esforços. Foi uma mulher Sem Terra à qual foi negado o direito à educação e sua maior vontade era de
continuar seus estudos. O MST havia conseguido em parceria com a UNIJUI, no RS, um Curso de
Pedagogia para formar educadores. Essa mulher guerreira iria fazer os exames supletivos para poder
ingressar neste primeiro curso de Pedagogia da Terra e tragicamente, na volta da viagem para fazer os
exames, morreu em um grave acidente de trânsito envolvendo o ônibus em que viajava. (Escola em
Movimento. A conquista dos Assentamentos. Col. Est. Iraci Salete Strozak. 2007)
guardar máquinas, em barracos de lona, dentro de ônibus escolares e embaixo de
árvores.
Arquivo: Colégio Estadual Iraci Salete Strozak
O Colégio Estadual, inicialmente, era uma extensão de outra Escola Estadual
que ficava na comunidade Sede. O colégio foi uma opção para que educandos
pudessem freqüentar as aulas, uma vez que os lotes haviam sido distribuídos e as
famílias estavam ocupando a área que era.
Por conta disso, a escola passou a funcionar na Comunidade Alta Floresta
(Centrão), apenas com as séries iniciais do Ensino Fundamental. Sua estrutura era um
barracão grande e não havia divisórias, formando turmas multisseriadas que dividiam
os mesmos espaços.
Após dois meses de permanência nestas instalações, a escola mudou-se para
a Localidade de Vila Velha32, tinha apenas três salas, porém o acesso era mais fácil,
pois havia asfalto até a escola.
Em 2003, O MST tinha como objetivo construir um Centro Educacional e
Cultural, o governo municipal com ajuda do Banco Internacional do Desenvolvimento
(BIRD) inviabilizou o projeto da escola tendo em vista que o modelo de escola proposto
pelo MST não foi aceito por tais órgãos. Sendo assim, e as instalações do colégio
passaram a ser construído na comunidade Centro Novo, no Assentamento Marcos
Freire, no modelo determinado pelo Estado.
32A chamada Vila Velha correspondia a uma antiga Vila Residencial e Comercial dos funcionários da
Usina Hidrelétrica de Salto Santiago (Eletrosul), que havia sido abandonada anos antes, após a
conclusão da obra. Ainda restavam algumas estruturas que foram aproveitadas para a instalação da
escola.
O Colégio, fruto de uma construção coletiva, nasceu da luta e nela se estrutura.
Quando a política nacional e estadual propusera o fechamento das escolas no campo e
nuclearização33 nas cidades, os militantes do MST exigiram escolas no lugar onde
viviam. Cientes das limitações dos professores em relação a educação dos
camponeses, para a efetivação das aulas no colégio, educadores vinham das cidades
de Laranjeiras do Sul e Rio Bonito do Iguaçu. Entretanto, o MST conseguiu nos
primeiros anos acompanhar, coordenar e estruturar o coletivo de educadores, bem
como o Projeto Político Pedagógico das escolas que nascia junto com as casas e
plantações, e dessa forma, preservar o sentido da educação articulada aos princípios
construídos ao longo da luta pela terra.
Arquivo: Colégio Estadual Iraci Salete Strozak
33As políticas educacionais até então adotadas, induziram os Sistemas Estaduais à municipalização e à
nuclearização do ensino. O Paraná, um dos pioneiros a assumir as reformas propostas pelo governo
federal, induziu a que os municípios se responsabilizassem pelo ensino de 1ª a 4ª série. Por outro lado,
os municípios não dispunham de infra-estrutura suficiente para dar suporte a uma educação de
qualidade. O processo de municipalização incluiu como medida administrativa de economia, a
nuclearização das escolas. Isso descaracterizou as comunidades rurais estimulando a migração, da
população do campo para a cidade.Plano Estadual de Educação–PEE SETEMBRO 2005
No documento
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ
(páginas 77-82)