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4.2 DIAGNÓSTICO PARA A IMPLANTAÇÃO DO ESOCIAL

4.2.1 Identificação dos desafios

No Quadro 6 estão identificados os desafios enfrentados pela empresa durante o processo de implantação do eSocial, a partir das entrevistas elaboradas

com os gestores da empresa, a gerente de RH e a responsável pelo departamento de pessoal do escritório contábil, no período de 15 de março a 22 de abril de 2019:

Quadro 6 - Identificação dos desafios

Evento Processo Desafios Identificados

Admissões Admissões para serem realizadas de forma retroativa.

A empresa costumava enviar para o escritório contábil todas as admissões para serem realizadas de forma retroativa, visto que não havia controle da documentação dos novos funcionários.

Férias Não era feita a

comunicação com 30 dias de antecedência. Além disso, a empresa costumava antecipar as férias para os funcionários.

Não era realizado o planejamento das férias, assim a documentação era emitida após o prazo legal e, em muitos casos, era combinado férias com colaboradores que ainda não tinham direito.

Afastamentos Os atestados eram enviados para o escritório somente se o funcionário necessitasse permanecer afastado por mais de 15 dias.

Não havia controle dos atestados entregues pelos funcionários, logo a empresa comunicava ao escritório somente os atestados nos quais era necessário o afastamento do colaborador pelo Instituto de Previdência Social. PPRA A empresa possui o laudo,

porém não tem

conhecimento sobre o seu conteúdo.

Por parte dos gestores havia uma cultura de que a única finalidade do PPRA era para apresentação em fiscalizações do MTE.

PCMSO Não elaborou o PCMSO. Os proprietários da empresa sempre encaminharam os funcionários para realizar somente os exames admissionais e demissionais com um médico do trabalho, estando familiarizados com esse profissional.

Desligamentos Os desligamentos

costumavam ser

realizados de forma retroativa.

A empresa realizava acordos com os funcionários, solicitando os avisos prévios retroativos, como se o funcionário já o tivesse cumprido. Horas Extras Os funcionários

trabalhavam além da jornada máxima permitida.

Devido aos horários em que a demanda do serviço era maior, para realizar todas as entregas solicitadas, os funcionários precisavam trabalhar além da jornada permitida na CLT.

4.2.1.1 Análise dos desafios identificados

- Admissões: A empresa costumava enviar todas as admissões para o

escritório contábil no final do mês, para realização dos registros de forma retroativa, já que os funcionários haviam iniciado suas atividades no decorrer do mês. Segundo os gestores para esse procedimento foi necessário somente adequar os processos internos para enviar as admissões com antecedência.

- Férias: A comunicação das férias aos funcionários não era feita dentro do

prazo legal. Assim que o colaborador completasse o período aquisitivo a empresa concedia os 30 dias de férias, porém a documentação era emitida apenas dez dias antes do início das mesmas. Além disso, existia a cultura de trocar os dias de férias por folgas ao longo do ano. Ademais, nos meses de dezembro e janeiro, a empresa costumava antecipar as férias individuais, sendo que esse procedimento não possui previsão legal. A antecipação de férias era, também, solicitada pelos funcionários, uma vez que muitos são de outras cidades e desejavam estar junto de seus familiares nas festas de Natal e Ano Novo.

- Afastamentos: Os atestados médicos não eram enviados ao escritório,

com exceção àqueles de mais de 15 dias, visto que a partir do 16º dia ocorre a suspensão do contrato de trabalho. Para este evento, foi necessário somente alterar os procedimentos internos.

- PPRA: A empresa possui o laudo somente para fins de apresentação em

uma fiscalização do MTE, pois o responsável pela elaboração não explicou os riscos existentes nem as medidas que deveriam ser adotadas para controle dos mesmos. Consequentemente, havia dúvida acerca do pagamento do adicional de periculosidade para os funcionários que trabalham no administrativo. Em reunião realizada com os gestores para execução deste trabalho, foi analisado o PPRA e verificado que todas as funções existentes na empresa deveriam ter o pagamento da periculosidade. Contudo, a partir do envio dos eventos de segurança e saúde do trabalho, será necessário o conhecimento dos riscos apresentados no laudo, visto que o pagamento dos respectivos adicionais deverá estar de acordo com essas informações, além de ser obrigatória a declaração dos equipamentos de proteção individual e coletiva fornecidos aos trabalhadores de acordo com os agentes nocivos encontrados.

- PCMSO: A empresa não possui o PCMSO, realizando os exames

admissionais, de retorno ao trabalho e demissionais com um médico do trabalho. Consequentemente à falta do PCMSO, é realizada apenas a avaliação clínica dos funcionários, sem a análise da necessidade de realização de exames complementares. Além disso, não são efetuados todos os exames previstos na legislação, como os periódicos e de troca de função.

- Desligamentos: A maior parte dos desligamentos feitos pela empresa era

através de acordos com os funcionários, sendo realizados de forma retroativa. Para adequação deste procedimento foi necessário os gestores habituarem-se a solicitar o aviso prévio no momento de sua concessão aos funcionários.

- Horas Extras: Na empresa sempre houve problemas relacionados à

jornada dos funcionários, visto que, para atender a demanda, era necessária a realização habitual de horas suplementares. Contudo, com a realização das horas extras, a jornada dos funcionários ultrapassava o limite permitido na legislação trabalhista. Para reduzir as horas, foi necessário alterar os horários dos colaboradores, o que gerou reclamações e resistência por parte dos mesmos, visto que não queriam modificar seus horários, além do descontentamento gerado pela redução das horas extras.

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