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Nesta fase foram identificadas as variáveis componentes do modelo conceitual e em seguida foram agrupadas as variáveis independentes: práticas de inovação nas IES. Conforme já referenciado no capítulo da metodologia, a identificação das variáveis componentes do modelo conceitual foi desenvolvida à luz da literatura especializada sobre o objeto de investigação. Os resultados estão apresentados a seguir.

A partir dos estudos identificou-se uma lista com cento e noventa e três (193) práticas à luz de diversos títulos publicados nas bases Emerald, Science Direct, entre outras. Diante do grande número de práticas encontradas e com o intuito de composição do survey, buscou-se formas de reduzir ou agrupar estas práticas. A técnica adotada para realizar este processo foi a de agrupamento, ou Cluster. Segundo Basha e Kaliyamurthie (2017) e Hair et al. (2009), esta técnica organiza de forma automatizada, baseada na similaridade entre os itens, uma grande coleção de dados em um grupo menor sem que seja perdida a coerência entre eles.

Para o cálculo de similaridade entre as práticas fez-se uso da distância Euclidiana, recurso comumente utilizado para situações similares à deste estudo (HAIR et al., 2009). Em conjunto ao cálculo da distância e com foco no agrupamento das práticas realizou-se testes com alguns métodos aglomerativos fornecidos pela biblioteca “HClust” da ferramenta R. Foram obtidos resultados mais satisfatórios após uma série de testes entre os métodos fornecidos, como o método “Ward.D”, uma vez que seu agrupamento se deu de forma mais consistente.

Visando à redução de termos que poderiam ser considerados de baixa significância para o contexto das práticas identificadas (tais como conjunções e preposições), tornou-se necessário removê-los em um processo chamado de remoção de Stopwords. Por fim, com a lista de termos livres das Stopwords, foi aplicado então o processo de Stemming em cada um dos termos restantes. Este processo visa eliminar variações morfológicas (por meio de seu radical) de uma palavra reduzindo assim a quantidade de índices que serão gerados. Durante essa etapa foram necessários realizar testes com diferentes formas de formatação e

organização textual das práticas. Com o intuito de obter melhores resultados foram realizados quatro grupos de testes:

• 1º teste: em um primeiro momento aplicou-se as técnicas citadas anteriormente nas práticas conforme estas foram identificadas no texto original, ou seja, apenas pelo seu nome. Neste teste os resultados não foram satisfatórios, uma vez que foram gerados vários grupos com poucas práticas e um único grupo com a maioria das práticas, o que denota uma baixa similaridade entre elas;

• 2º teste: em um segundo teste, buscou-se aplicar as técnicas de agrupamento nas palavras-chave (Keywords) dos estudos que originaram as práticas. Novamente não foram obtidos resultados satisfatórios, uma vez que resultados semelhantes ao primeiro teste foram encontrados;

• 3º teste: por conseguinte realizou-se testes pela descrição completa da prática e seu nome, conforme encontrados na literatura. Para este teste foram encontrados resultados mais aproximados do ideal, mas ainda aquém de um agrupamento satisfatório, uma vez que algumas práticas foram agrupadas e claramente não apresentavam um relacionamento coerente;

• 4º teste: finalmente buscou-se uma adaptação intermediária entre o primeiro teste e o terceiro, ou seja, uma identificação para prática e uma descrição otimizada da mesma. Para este teste os resultados encontrados foram satisfatórios e as práticas apresentaram, em grande parte, coerência entre seus contextos. Dessa forma, este foi o método definido para descrição textual das práticas.

Após definida a melhor forma de representação textual das práticas fez-se necessária a aplicação de testes para identificação do melhor quantitativo de Clusters. Para realizar esta ação lançou-se mão de um gráfico chamado de dendrograma, que ilustra o agrupamento de forma hierárquica, bem como o ponto de corte para criação dos grupos. Com base nesse gráfico, apresentado na Figura 9, foram selecionados, a partir dos melhores resultados, onze grupos de práticas.

Figura 9 - Dendrograma de agrupamento das práticas com Ward, com a marcação dos 11 grupos gerados.

Com base nessa separação de onze grupos (11) de práticas o quantitativo das cento e noventa e três (193) práticas foram distribuídas conforme o Quadro 5, apresentado abaixo:

Quadro 5 - Distribuição quantitativa das práticas por Cluster.

Cluster 1 Cluster 2 Cluster 3 Cluster 4 Cluster 5 Cluster 6 Cluster 7 Cluster 8 Cluster 9 Cluster 10 Cluster 11 26 42 12 32 8 15 13 17 14 5 9

Com o intuito de melhor caracterizar os agrupamentos identificados, lançou-se mão de um recurso chamado Nuvem de Termos, ou Word Clouds. Este recurso é comumente utilizado segundo Heimerl et al. (2014), por sua simplicidade e apelo visual, já que fornece uma visão geral de um conjunto de textos apresentando a maior frequência em que determinados termos aparecem. Dessa forma, a fim de evidenciar os termos mais fortes em cada cluster, gerou-se a nuvem de termos apresentada na Figura 10:

Figura 10 - Nuvens de termos evidentes nos 11 grupos de melhores práticas.

Com base na descrição das práticas contidas nos grupos e por meio do auxílio da nuvem de termos o agrupamento das práticas de inovação nas IES pôde então ser caracterizado. Cabe ressaltar que por ser foco desta etapa a identificação das variáveis independentes e consequentemente a elaboração do survey, a nomenclatura dos grupos foi traduzida para o português. Abaixo são apresentados os grupos e suas respectivas denominações:

• Grupo 1– nas vinte e seis (26) práticas agrupadas identificou-se como termos mais fortes as palavras: Printing, Learning, Technology, Teaching, Internet e

Mobile. Dessa forma, buscando uma contextualização mais adequada, chegou-se à

definição da nomeação do grupo como “Uso da Internet e dispositivos móveis no

processo de ensino-aprendizagem”;

• Grupo 2 – maior grupo, contendo quarenta e duas (42) práticas, teve como base na nuvem de termos as palavras mais frequentes: Develop, Student, Learning,

Collaborative e Teaching. Percebe-se, dado os termos encontrados, uma forte

relação com atividades de cunho colaborativo. Dessa forma o grupo foi nomeado como “Adoção de práticas visando o aprendizado colaborativo”;

• Grupo 3 – composto por doze (12) práticas cujo os termos relevantes foram:

Student, Schemes, Support, Group, Discussion e Forums. Dado os termos

relevantes – suporte, grupos e estudantes – optou-se por nomear o grupo como “Suporte aos estudantes através de grupos de discussão, fóruns etc.”;

• Grupo 4 – segundo maior grupo, com trinta e duas práticas (32), apresentou como termos mais frequentes: Role, Scientific, Teaching, Learn e Professionalization. Dentre os grupos, este foi o que apresentou uma diversidade maior de práticas, mas ao observar a composição textual completa das mesmas percebeu-se uma forte inclinação para recursos associados à profissionalização e simulação de papéis. Dessa forma, definiu-se como o nome para o grupo com “Simulação de

papéis visando à profissionalização dos estudantes”;

• Grupo 5 – um dos menores grupos, com oito (8) práticas, apresentou como termos relevantes Problem, Research, Approach, Based, Project, Skill e

Pedagogical. Mesmo não tendo um grande conjunto de práticas agrupadas à

identificação dos termos, este grupo possibilitou a definição de sua nomenclatura como “Abordagem pedagógica baseada em Problema, Projeto ou Competências e

Habilidades”;

• Grupo 6 – contendo quinze práticas (15) e composto pelos termos mais relevantes

Web, Map, Tool, Slides, Clickers, Databases e Online, este grupo teve o enfoque

no termo ferramenta (Tool). Dessa forma, sua nomenclatura foi definida como “Utilização de ferramentas como mapas conceituais, mapas mentais, clickers,

slides, etc.”;

• Grupo 7 – composto por treze (13) práticas e obtendo como representação mais frequente os termos Video, Teaching, Clips, Digital, Game, Strategies e Learning, optou-se pela definição da nomenclatura do referido grupo pelo foco principal no termo “digital”. Dessa forma, a identificação desse grupo foi definida como “Uso

de estratégias digitais de ensino-aprendizagem, como vídeos, clips, jogos etc.”

• Grupo 8 – com um valor intermediário de dezessete (17) práticas, este foi identificado pelos termos relevantes Development, Action, Resource, Research,

Sustainable e Digital. Dada a dificuldade em caracterizar esse grupo, optou-se

pelo termo mais distinto: Sustentável (Sustainable). Dessa forma a nomenclatura para o grupo foi definida como “Abordagem de ações ou pesquisa com foco no

• Grupo 9 – possui em sua composição quatorze práticas (14) com os termos mais frequentes System, Learning, Intelligent, Based, Adaptive, Web e Support. Para este grupo optou-se pelo termo “Adaptativo” (Adaptive) como enfoque, dessa forma, o nome do grupo foi definido como “Utilização de sistemas inteligentes de

aprendizagem adaptativa baseado na web”;

• Grupo 10 – menor grupo com apenas cinco (5) práticas e com termos identificados como Massive, Courses, Mooc, Online, Discussion, Technology e

Open. Este grupo ficou definido como “Uso de Cursos Online Abertos e Massivos (Massive Open Online Course – MOOC)”;

• Grupo 11 – o último grupo é composto por nove (9) práticas e possui como termos mais relevantes Education, Media, Social, Networking, Sites, Wiki, Web e

Blogs. Para este grupo o enfoque foi no termo “mídias sociais”, e dessa forma

definiu-se como identificação do grupo o nome “Utilização de redes/mídias

sociais (Wikis, Blogs, Facebook, etc.) como recurso educacional”.

Assim, ao fim do processo de agrupamento, tornou-se possível identificar o conjunto de variáveis independentes que compõem o modelo conceitual para o referido trabalho. Em conjunto à identificação das variáveis moderadoras com base na literatura especializada - também já referenciado no Capítulo 3 - e a identificação dos indicadores de desempenho inerentes à aplicação das práticas educacionais, foi possível elaborar o modelo conceitual (Figura 11) para composição do survey.

Figura 11 - Modelo conceitual para pesquisa após o agrupamento das práticas.

É importante pontuar que todas as etapas apresentadas nessa seção para realização do agrupamento das práticas podem ser verificadas no Apêndice B. Além disso, o resultado do agrupamento (as práticas que compõem cada um dos onze grupos) pode ser analisado no Apêndice C.

Logo após a identificação das variáveis componentes do modelo conceitual, o passo seguinte foi avaliar o impacto das práticas de inovação na performance das IES sem considerar a influência da variável moderadora, ou seja, sem considerar a restrição de recursos. Detalham-se a seguir estes procedimentos.

4.2 Avaliação do impacto das práticas de inovação sobre a performance das IES sob