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3 – Identificação partidária e volatilidade eleitoral

Capítulo III – As eleições legislativas de 2009: uma aproximação à realidade política

III. 3 – Identificação partidária e volatilidade eleitoral

A realidade que se verifica atualmente é a de um certo distanciamento entre os partidos políticos e os eleitores, com um grau de identificação partidária cada vez menor. Os partidos têm apostado (e devem continuar a apostar) em encontrar novas formas de

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comunicação, pois os métodos tradicionais revelam-se cada vez mais insuficientes para responder às expectativas.

Dalton e Wattenberg (2003) defendem a identificação partidária como uma das pedras basilares das novas democracias. Defendem que “a questão-chave da política

partidária passa pela capacidade dos partidos em mobilizar e integrar as massas no processo democrático”. E é através destes “laços” entre o público e os eleitores que estes

dois investigadores assentam a ideia de que a legitimidade de um sistema partidário se verifica através da mobilização conseguida, quer seja através de comícios, panfletos de propaganda ou contacto direto entre militantes e eleitores (Dalton, 2000).

De referir ainda que de acordo com Dalton e Wattenberg (2003), a redução da taxa de identificação partidária começou a verificar-se entre as décadas de 70 e 80, sobretudo nos países desenvolvidos. Para contrariar esta tendência, defendem que devem ser os partidos a criar condições que potenciem esta ligação entre eleitores e partidos políticos, através do desenvolvimento de propostas que vão ao encontro das ambições e pretensões dos cidadãos.

Destaque também para o estudo de Martin P. Wattenberg (2001), onde é referido que ao longo da história, sempre que os partidos falharam naquelas que são as suas funções, houve um declínio da participação eleitoral. Wattenberg (2001) argumenta ainda que o aparecimento das campanhas mediáticas, sobretudo através da televisão, afastou os eleitores tanto dos partidos, como dos próprios atos eleitorais. Do estudo feito em 19 países da OCDE, confirma-se que se tem vindo a verificar um declínio da afluência dos eleitores nos países industrializados.

Da bibliografia existente sobre este tema da identificação partidária e o declínio da relação entre partidos políticos e eleitores, é preciso reter a ideia de que de facto os partidos mudaram, mas também os cidadãos mudaram, muito fruto das mudanças verificadas na sociedade e nas próprias democracias.

Considerando que a volatilidade se refere à oscilação da preferência eleitoral entre os vários partidos, Marina Costa Lobo (1996) refere, igualmente, que se verifica a existência de uma certa volatilidade eleitoral em Portugal, sobretudo quando a análise é feita do ponto de vista da clivagem ideológica.

Ainda segundo Lobo (1996), podem registar-se dois momentos no que toca aos índices de volatilidade eleitoral em Portugal. Por um lado, temos o período de 1976-1983 em que os índices foram reduzidos, sem mudanças significativas. Do outro lado, temos a década que vai de 1985 a 1995 em que os índices quase duplicaram e onde se verificou

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uma reconfiguração do sistema partidário, com um fortalecimento dos dois partidos do centro.

No caso português, se olharmos para os principais partidos, sobretudo os chamados “partidos de poder”, podemos constatar que são, cada vez menos, partidos de massa e isso pode levar a uma maior volatilidade eleitoral. PS e PSD, mais do que partidos de massa, podem ser classificados de “partidos catch-all”, potenciando, desta forma, uma maior “flexibilidade ideológica”(Jalali, 2003). Uma outra variável que sustenta esta teoria é as baixas taxas de filiação verificadas em Portugal. Importa por isso recordar que, na década de 70, Portugal apresentava níveis baixos de identificação partidária (Freire, 2004).

Uma situação que viria a ser alterada nas décadas de 80 e 90, em que se verifica um aumento das taxas de identificação partidária, ficando Portugal, nessa altura, ao nível de outras democracias europeias, tais como a França, a Grã-Bretanha ou Alemanha (Freire, 2004).

Autores como Peter Mair (2003), consideram que embora se verifique este afastamento em relação à política, os partidos mantêm o seu espaço e não têm, ou não estão, exatamente a fracassar na sua relação com os eleitores. Isto é, as bases organizativas estão em crise, mas esta pode, em muitos casos, ser uma oportunidade de afirmação dos partidos:

“Um dos modelos pelos quais os partidos poderão garantir o seu futuro será enfrentando e aceitando as suas novas circunstâncias e procurando enfatizar a sua legitimidade como garantia de uma forma de democracia abrangente, transparente e responsável”. (Mair, 2003: 278)

Ao decidirmos relacionar identificação partidária e volatilidade eleitoral pretendemos, e no âmbito da investigação desenvolvida, reforçar o papel da comunicação política e dos media como forma de aproximar os partidos políticos e os eleitores. Como já havíamos referido, os meios de comunicação social ocupam, cada vez mais, um papel predominante na relação entre partidos e eleitores, com especial destaque para os momentos eleitorais e respetivas campanhas.

Considerámos pertinente abordar este tema, mostrando que também no caso português a distância ideológica entre os partidos políticos tende a ser cada vez menor, dada a forte aproximação ao centro dos dois partidos relevantes (PS e PSD), assistindo- se desta forma a uma maior volatilidade eleitoral (Jalali, 2003; Freire, 2009; Lobo, 1996).

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Situação que veio obrigar os partidos a adotar novas formas de chegar ao eleitorado, cada vez mais homogéneo. Os meios de comunicação social ocupam aqui um lugar de destaque, com uma aposta cada vez mais forte na comunicação política.

Os partidos políticos estão conscientes de que eleitores informados são mais exigentes o que obriga a um maior empenho no que respeita à sua atuação.