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2 identificar subespac¸os vetoriais, demonstrando que atende `as condic¸˜oes de subespac¸o

No documento Álgebra Linear para Engenharia de Produção (páginas 109-115)

I NTRODUC ¸ ˜ AO

Nesta aula, veremos um tipo muito importante de subcon-juntos de espac¸os vetoriais: ossubespac¸os vetoriais. Nem todo subconjuntoS de um espac¸o vetorialV ´e um seu subespac¸o: ´e necess´ario que o subconjunto em quest˜ao tenha a mesma estru-tura deV, como estabelece a definic¸˜ao a seguir.

Pr´e-requisito:

Aula 8.

Definic¸˜ao 9.1. blablabla

Considere um espac¸o vetorialV. Um subconjuntoS deV ´e dito umsubespac¸o vetorialdeV seSfor um espac¸o vetorial com respeito `as mesmas operac¸˜oes que tornamV um espac¸o vetorial.

Como primeira consequˆencia dessa definic¸˜ao, um subespac¸o vetorial S deve ser n˜ao vazio, j´a que uma das condic¸˜oes que devem ser satisfeitas para que S seja um subespac¸o vetorial de V ´e a existˆencia em Sde um elemento neutro para a adic¸˜ao de vetores: com isso, obrigatoriamente0S.

De acordo tamb´em com a definic¸˜ao acima, para verificar se um dado subconjuntoSde um espac¸o vetorialV ´e um subespac¸o vetorial deV, deve-se checar se as operac¸˜oes de adic¸˜ao e multi-plicac¸˜ao por escalar est˜ao bem definidas emS, e se elas satisfa-zem a todas as condic¸˜oes dadas na definic¸˜ao de espac¸o vetorial.

Se observarmos melhor, no entanto, veremos que n˜ao ´e ne-cess´ario verificar cada uma das condic¸˜oes: uma vez que a adic¸˜ao emSesteja bem definida (ou seja, que a soma de dois elementos quaisquer deSseja tamb´em um elemento deS), ela n˜ao deixar´a de ser comutativa (por exemplo) apenas porque estamos consi-derando elementos de S, pois a adic¸˜ao emV tem essa proprie-dade. O mesmo se verifica para a multiplicac¸˜ao por escalar.

A seguir, ent˜ao, listamos trˆes condic¸˜oes que, se satisfeitas, garantem que um subconjunto Sde um espac¸o vetorialV ´e um subespac¸o vetorial deV:

S= /0.

AULA91M

´ ODULO 1• DadosuSeα∈R, o produtoαuest´a emS.

Uma vez queSV satisfac¸a tais requisitos, todas as outras propriedades listadas na definic¸˜ao de espac¸o vetorial ser˜ao auto-maticamente “herdadas” pelo conjuntoS.

Exemplo 9.1. blablabl

Dado um espac¸o vetorialV qualquer, os conjuntos{0} (con-junto cujo ´unico elemento ´e o vetor nulo) eV s˜ao subespac¸os vetoriais deV.

De fato, ´e claro que {0} = /0. Al´em disso, dados dois ele-mentos de {0}, a soma deles pertence a{0}(o ´unico elemento que existe para considerarmos ´e 0!) e o produto de um n´umero real qualquer por um elemento de{0}resulta no vetor nulo, per-tencendo, portanto, a{0}.

Para verificar queV ´e subspac¸o vetorial deV, basta aplicar diretamente a definic¸˜ao de subespac¸o vetorial, e observar que VV e ´e obviamente um espac¸o vetorial com respeito `as mes-mas operac¸˜oes.

Por serem os subespac¸os mais simples do espac¸o vetorialV, {0}eV s˜ao chamadossubespac¸os triviaisdeV.

Exemplo 9.2. blablabl

Seja S={(x,2x):x ∈R}. O conjunto S ´e um subespac¸o vetorial deR2.

Na sec¸˜ao seguinte, veremos quais s˜ao todos os subespac¸os de R2. Neste momento, estudaremos este exemplo parti-cular, para nos familiarizarmos com o procedimento de verificac¸˜ao de que um dado conjunto ´e um subespac¸o ve-torial. Ao nos confrontarmos com um “candidato” S a subespac¸o, temos que nos fazer trˆes perguntas:

i. S= /0?

ii. SeuSevS, ent˜aou+vS(a adic¸˜ao est´a bem definida emS)?

iii. Seα ∈ReuS, ent˜aoαuS(a multiplicac¸˜ao por escalar est´a bem definida emS)?

C E D E R J 111

Vamos, ent˜ao, responder a essas perguntas para o caso de S={(x,2x):x∈R}:

i. S= /0, porque (0,0)∈S, por exemplo. Basta considerar x=0.

ii. SeuSevS, digamos queu= (x,2x)ev= (y,2y)com x,y∈R (precisamos usar letras diferentes para designar elementos diferentes!), ent˜ao

u+v= (x+y,2x+2y) = (x+y,2(x+y)).

Logo,u+vS, pois ´e um par ordenado de n´umeros reais onde a segunda coordenada ´e o dobro da primeira, que ´e precisamente a regra que define os elementos de S neste exemplo.

iii. Seα ∈Reu= (x,2x)∈Sent˜ao

αu=α(x,2x) = (αx2x)∈S, poisα2x=2αx´e o dobro deαx.

Como a resposta `as trˆes perguntas formuladas foi positiva, podemos concluir queS ´e um subespac¸o vetorial deR2.

Observe que, para responder `a primeira pergunta, exibimos um elemento deS, concluindo queS= /0. Escolhemos exibir o vetor nulo deR2, embora qualquer outro elemento servisse para esse prop´osito. Tal escolha n˜ao foi por acaso: se o vetor nulo n˜ao fosse um elemento deS, ent˜aoSn˜ao seria um subespac¸o veto-rial (pois n˜ao seria ele mesmo um espac¸o vetoveto-rial). Sempre que tivermos `a nossa frente um candidato a subespac¸o vetorial, po-demos verificar se o vetor nulo do espac¸o vetorial que o cont´em pertence ao candidato, para responder `a primeira das perguntas.

Caso a resposta seja afirmativa, passamos a verificar as outras duas perguntas e, se a resposta for negativa, j´a podemos con-cluir que o candidato n˜ao ´e um subespac¸o vetorial, sem nenhum trabalho adicional.

Exemplo 9.3. blablabl

Seja V = R2 e S = {(x,x+1) : x ∈ R}. Observe que

AULA91M

´ ODULO

1

Exemplo 9.4. blablabl

SejaV um espac¸o vetorial ewum elemento deV. Ent˜ao, o conjuntoS={λw:λ ∈R}´e um subespac¸o vetorial deV.

Neste exemplo, os elementos deS s˜ao caracterizados por serem todos produto de um n´umero real qualquer por um elemento fixo deV. No caso desse elemento ser o vetor nulo, temos um subespac¸o trivial.

i. S= /0, pois0=0w∈S;

ii. se uS e vS, digamos, u = λ1w e v = λ2w com λ12∈R, ent˜ao

u+v1w2w= (λ12)wS;

iii. seα∈Reu1wS, ent˜ao

αu=α(λ1)w= (αλ1)wS.

Exemplo 9.5. blablabl O conjunto soluc¸˜ao do sistema

⎧⎨

x+2y−4z+3t = 0 x+4y−2z+3t = 0 x+2y−2z+2t = 0

´e o subconjunto de R4 dado por {(0,−t,t,2t);t ∈R}. Vocˆe pode verificar que esse conjunto satisfaz `as trˆes condic¸˜oes de subespac¸o.

Exemplo 9.6. blablabl

O conjunto-soluc¸˜ao de um sistema linear homogˆeneo de m equac¸˜oes eninc´ognitas ´e um subespac¸o vetorial deRn.

O exemplo anterior ´e um caso particular deste. Considere o sistema escrito na forma matricial,

C E D E R J 113

AX =0, (9.1) ondeAMm×n(R),X ´e o vetor-coluna (denlinhas) das inc´og-nitas do sistema, e 0 ´e o vetor nulo deRm representado como coluna. Vamos verificar que o conjuntoSde todos os vetoresX deRn que, se representados por vetores-coluna, que satisfazem

`a equac¸˜ao matricial (9.1), formam um subespac¸o vetorial deRn: i. S= /0?

Como sabemos, um sistema homogˆeneo qualquer tem sem-pre a soluc¸˜ao trivial, portanto(0,0,...,0)∈Rn ´e um ele-mento de S (podemos tamb´em verificar que A0=0, to-mando o cuidado de notar que o s´ımbolo0representa uma coluna denzeros do lado direito da equac¸˜ao, e uma coluna demzeros do lado esquerdo da equac¸˜ao).

ii. SeUS eVS, ent˜aoU+VS (a adic¸˜ao est´a bem definida emS)?

Sejam U e V duas soluc¸˜oes do sistema (9.1), ou seja, vetores-coluna de Rn qe satisfazem `aquela equac¸˜ao ma-tricial. Ent˜ao, temos

A(U+V) =AU+AV =0+0=0,

onde a primeira igualdade vem da propriedade distributiva da adic¸˜ao de matrizes, e a segunda do fato de que, como U eV s˜ao soluc¸˜oes do sistema (9.1), AU =0 e AV =0.

Vemos, portanto, queU+V satisfaz `a equac¸˜ao matricial (9.1), representando, portanto, uma soluc¸˜ao do sistema.

iii. Se α ∈R e US, ent˜ao αUS (a multiplicac¸˜ao por escalar est´a bem definida emS)?

Novamente, considereU um vetor coluna deRnque satis-faz `a equac¸˜ao (9.1). Sejaα∈R. Ent˜ao, temos

AU) =αAU0=0.

A primeira igualdade utiliza a propriedademn1, de multi-plicac¸˜ao de matrizes por n´umeros reais, vista na Aula 2.

Acabamos de verificar, usando representac¸˜oes matriciais, que a soma de duas soluc¸˜oes de um sistema linear homogˆeneo

tam-AULA91M

´ ODULO 1soluc¸˜ao tamb´em o ´e. Logo, o conjunto-soluc¸˜ao de um sistema

linear homogˆeneo comninc´ognitas ´e um subespac¸o vetorial de Rn.

Exemplo 9.7. blablabl O conjuntoS=

Exemplo 9.8. blablabl

O conjunto S ={a+bx+cx2;a,b,c∈Rea =b+c} ´e de grau menor ou igual a 2, acrescido do polinˆomio identicamente nulo.

Observe que R e R2 s˜ao espac¸os vetoriais, e R n˜ao ´e um subespac¸o vetorial de R2. Isso porque R n˜ao est´acontido em R2, assim como R2 n˜ao est´a contido em R3. A confus˜ao cos-tuma acontecer, em parte, porque a representac¸˜ao geom´etrica de R2(plano cartesiano) parece incluir a representac¸˜ao geom´etrica deR(reta). Na verdade, por´em,R ´e um conjunto den´umeros, enquanto R2 ´e um conjunto de pares ordenados de n´umeros, e esses dois objetos s˜ao completamente distintos. Veremos mais tarde que R2 cont´em apenas “c´opias” de R, assim como R3 cont´em “c´opias” tanto deRcomo deR2.

No documento Álgebra Linear para Engenharia de Produção (páginas 109-115)

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