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1. INTRODUÇÃO

2.2. Consolidação das Demonstrações Contábeis

2.2.5. IFRS 10 – Um projeto conjunto do IASB e o FASB

2.2.5. IFRS 10 – Um projeto conjunto do IASB e o FASB  

Um dos mais recentes pronunciamentos emitidos atualmente é o IFRS 10 Consolidação das Demonstrações Financeiras (Consolidated Financial Statements). O IASB e o FASB, em projeto conjunto, aprovaram a versão final do IFRS 10 em maio de 2011. Essa norma estava em discussão desde 2002 e entrará em vigor em 1º de janeiro de 2013.

Este novo padrão e outras normas relacionadas (IFRS 11 e IFRS 12) formam um novo conjunto de normas de consolidação que revogam o IAS 27 e a SIC 12.

Dessa forma, as práticas de contabilização de investimentos controlados em conjunto e de participação em coligadas passam a ser normatizadas por este conjunto de IFRS (10, 11 e 12).

O IFRS 10 busca empregar um modelo único de consolidação que contemple o maior número de entidades, baseado no controle independente da natureza da investida. Um exemplo disso é o da entidade que é controlada por meio de direitos de votos dos investidores ou de outros acordos contratuais (SPE).

A principal mudança introduzida pelo IFRS 10 é o conceito de controle, uma vez que o IAS 27 e a SIC 12 abordavam tal conceito de formas diferentes. O IAS 27 define controle como a capacidade que a controladora tem de gerir as atividades operacionais e financeiras da controlada ou subsidiária. A definição dada pela SIC leva em consideração a exposição da controladora aos riscos gerados pela controlada.

Em estudo divulgado no mês de agosto, os colaboradores da KPMG21

Armesto, Simões e Jubels (2011) analisam os IFRS e ponderam em relação ao seu conceito de controle que “o investidor detém controle sobre uma investida quando está exposto, ou tem direito a retornos variáveis decorrentes de seu envolvimento com a investida e tem a capacidade de afetar esses retornos devido ao seu poder sobre a investida” (ARMESTO, SIMÕES e JUBELS, 2011).

Dessa forma, de acordo com o IFRS 10, o controle está baseado em o investidor possuir (i) poder sobre as investidas; (ii) exposição, ou direitos, para       

21  Matéria divulgada pelo Departamento de Práticas Profissionais (DPP) na IFRS em Destaque de Agosto de 2011: Consolidação de um novo modelo de controle único, disponível em http://www.kpmg.com/BR/PT/Estudos_Analises/artigosepublicacoes/Documents/IFRS/IFRS_10.pdf acesso em 12 de novembro de 2011. 

retornos variáveis de seu envolvimento com a investida; e (iii) habilidade para usar seu poder sobre a investida para afetar o montante de seus retornos.

A definição de controle insere os conceitos de retornos variáveis e poder sobre a investida.

Portanto, o IFRS 10 leva em consideração tanto a capacidade de gerir as atividades relevantes da subsidiária, quanto os riscos incorridos pela controladora inerentes à subsidiária.

Para determinar a existência de controle, devem ser considerados uma série de indicadores. Nesse sentido, o IFRS 10 não determina a hierarquia na utilização desses indicadores. Cabe à Administração avaliar e tecer seus julgamentos para determinar a existência de controle. Contudo, a norma ressalta que, na determinação de controle e evidenciação de poder, devem ser avaliados a estrutura e os objetivos quando do investimento de uma entidade sobre a outra.

O IFRS 10 indica que sejam considerados apenas os direitos substantivos de um investidor sobre outras partes. Direitos substantivos são aqueles que podem ser exercidos quando uma decisão relevante sobre atividade da investida precisa ser tomada.

Armesto, Simões e Jubels (2011) descrevem o processo de avaliação de poder do investidor sobre a investida, estabelecido no IFRS10, em duas etapas:

Primeiramente, avalia-se a situação do investidor levando-se em consideração todos os fatos e circunstâncias, inclusive a quantidade de ações que lhe dão direito ao voto, em comparação com a quantidade de ações detidas por outros investidores e a dispersão das ações de outros investidores.

Desse modo, caso não seja possível concluir através da primeira etapa a existência de controle, outros fatores e circunstâncias devem ser analisados.

Dá-se início então à segunda etapa, na qual deve ser avaliada a forma de atuação dos demais acionistas em assembléias. Avalia-se a existência de poder ainda que a investida não seja controlada por direitos não representativos por votos. Após essa análise, é determinado se o investidor controla ou não a investida.

Outro conceito importante estabelecido no IFRS 10 está relacionado ao retorno. A norma estabelece neste conceito a distribuição de benefícios econômicos e mudanças no valor do investimento, em honorários, remunerações, benefícios fiscais, economias de escala, diminuição de custos e outras sinergias.

  Em suma, “para que haja controle, o investidor precisa ter a capacidade de usar seu poder sobre a investida para obter retorno que o beneficia, ou seja, precisa haver ligação entre poder e retorno” (ARMESTO, SIMÕES e JUBELS, 2011).

O IFRS traz ainda a definição de agente principal, ou seja, aquele que tem poder de tomar decisões na investida. Caso não seja evidenciada a relação entre poder e retorno, pondera-se que não há poder delegado ao tomador de decisões.

Pela complexidade da norma, entende-se que ela será de difícil empregabilidade e exigirá empenho por parte das empresas em desenvolver novas políticas contábeis, avaliar possíveis impactos e principalmente difundir o conhecimento acerca das novas práticas emitidas pelo IASB.

A data para entrada em vigor do IFRS 10 está marcada para 1º de janeiro de 2013 ou após essa data. A intenção do FASB e do IASB é de diminuir as assimetrias entre as normas dessas duas entidades.

O IASB e o FASB permitem que o IFRS 10 tenha a adoção antecipada, desde que todo o conjunto de normas de consolidação seja aplicado concomitantemente. No entanto, a utilização dessa norma no Brasil está sujeita à emissão de norma correspondente pelo CPC e às devidas aprovações pelos órgãos reguladores, uma vez que os pronunciamentos emitidos pelo CPC não possuem caráter normativo e, consequentemente, só se tornam obrigatórios após a aprovação do devido órgão regulador.

2.2.6. Práticas contábeis adotadas no Brasil  

Até o ano de 2007, diversas normas brasileiras regulamentavam acerca da consolidação das demonstrações contábeis. A saber, as normas emitidas pela CVM e CFC, como as Instruções CVM n.º 247 e n.º 408, de 27 de março de 1996 e 18 de agosto de 2004, respectivamente, e a Resolução CFC n.º 937, de 24 de maio de 2002, que aprova a Norma Brasileira de Contabilidade (NBC T) nº 8 - Demonstrações Contábeis Consolidadas.

O processo de convergência iniciou informalmente em 2005, quando o CFC, por meio da Resolução CFC n.º 1.055, de 07 de outubro de 2005, cria o CPC com o objetivo de estudar, preparar e emitir Pronunciamentos Técnicos, levando sempre