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BENS TEMPORAIS BENEDITINOS

PLANTA 1. PERSPECTIVA DO PROJETO DE ARQUITETURA DE INTERIOR PARA A CATEDRAL DE BRASÍLIA.

2.2 IGREJA ESTADO

2.3.1 Igrejas Anexas (agregadas)

Uma das definições provenientes do Capítulo Geral celebrado na sede do Mosteiro de

São Martinho de Tibães, em Portugal, em 12 de novembro de 1599, referia-se às Igrejas que,

em número de duas, deviam estar anexadas a cada um dos Mosteiros fundados no Brasil,

45 Anexo X. 46

“[...] só foram revogadas definitivamente com a publicação dos decretos do Concílio Plenário da América Latina, realizado em Roma, inaugurado a 28 de maio de 1899 e com os resultados publicados em 1900.” (FLEXOR, 2003, p.48).

Mais propos Nosso Reverendissimo Padre Geral na mesma sessão da tarde/ que importava pera a conservacão dos nossos Mosteiros da Congreg/acão do Brasil impetrasse de sua Sanctidade queira unir/ e anexar das Igrejas do padroado de Nossa Congregacão/ duas a cada Mosteiro dos nossos que la estão fundados, pera que dequa sejão providos de farinhas, de azeite e vinhos,/ e doutras cousas de que la tem necessidade e todos os/ Padres os difinidores pareceo isto ser cousa sancta e pedi/rão a Nosso Reverendissimo Padre que o quissesse fazer e impetrar de sua/ Sanctidade como cousa tam necessaria e de que resultara/ tanto bem e augmento a nossa Provincia do Brasil. (BEZERRO I, AMS, 1570-1611, f.193).

Em relação aos Mosteiros Portugueses, esses tipos de propriedades constituíam

unidades que possibilitavam a sua extensão e atuação em outras áreas do território luso. As

Igrejas Anexas possuíam grandes extensões de terras e eram submetidas, geralmente, a um

tipo especial de arrendamento. Quando não arrendadas, passavam a ser administradas

diretamente pelos mosteiros à qual estivessem subordinadas. Constituíam centros econômicos

relevantes, revertendo rendas expressivas em dinheiro e gêneros diversos a favor dos

Mosteiros. Algumas casas, como Tibães, tiveram sob o seu domínio várias Igrejas Anexas.

Quanto à existência desses tipos de Igrejas Anexas aos Mosteiros beneditinos do

Brasil, são feitas escassas menções nos documentos consultados. Algumas delas, em

determinadas ocasiões, eram tratadas como residências. Quanto ao sistema de controle

praticado sobre elas, predominava o domínio direto, isto é, dependiam da administração do

Mosteiro ao qual estavam vinculadas.

Diferentemente do regime de exploração praticado nas Igrejas Anexas de Portugal, no

tocante às da Província do Brasil não foram encontrados dados que sugerissem a sua

exposição a algum tipo específico de arrendamento. Inclusive seus tributos, devidos aos

respectivos Mosteiros, eram mínimos se comparados com os da Metrópole.

Na Bahia, ao Mosteiro de São Sebastião estavam vinculadas as Igrejas Anexas de

Monserrate, localizada na península de Itapagipe, e a de São Gonçalo, localizada nas

imediações do Rio Vermelho.

2.3.1.1 Nossa Senhora de Monserrate

A Igreja de Nossa Senhora de Monserrate foi doada ao Mosteiro pelo Governador

Dom Francisco de Sousa, atendendo à petição dos Padres de São Bento em 10 de janeiro de

1598.

Faço saber aos que esta/minha doação virem, e o conhecimento d´ella/com direito pertencer, que eu faço de hoje para/ sempre doação ao Mosteiro do Bemaventura/do do Patriarcha São Bento da Cidade do Salva/dor, e aos Padres d´elle, da minha Ermida de/Nossa Senhora do Mont-serrate que edifiquei/ na ponta de Itapagipe, e bem assim todas as mais cousas, que lhe pertencerem para que/fique unida, e incorporada ao dito Mosteiro,/e d´ella poderão tomar os ditos Padres posse/quando lhes bem parecer, e usar d´ella como/cousa sua propria, que para tudo lhes dou licença e poder, renunciando n´elles, e no dito/seu Mosteiro todo o dominio e senhorio, que/ na dita Ermida até agora tive; e isto pelo me/lhor modo e forma, que em direito se permitte,/em confirmação do qual lhe mandei passar a presente dada n´esta Cidade do Salvador sob/meu signal e sello: Francisco de Magalhães a/ fez por Domingos de Almeida, Escrivão da mi/nha Camara a treze de Fevereiro de noventa/ e oito annos: eu Domingos de Almeida a fiz/ escrever e subscrevi. O Governador D. Francis/co de Souza. Sello. (DOAÇÃO, AMSB, Cx. 5, Pacote nº1, 1598, 1f.)47.

O Mosteiro entrou logo na posse da Igreja e de seus pertencentes. Em 1609, na mesma

Península, os monges receberam terras de Garcia d’Ávila, que em vida tinha feito doação de

todos os seus bens ao Mosteiro, deixando-lhe a metade de umas terras em Itapoã e

[...] a metade de outra, que tinha em Tapagipe, litigou com nosco seu filho Francisco Dias de Avila, o qual por escritura feita em 4 de julho de 1612 veyo a conserto que ficassemos com a terra, obrigando se o Convento a dizer perpetuamente huma missa todas as quartas feiras ao Nosso Padre São Bento, que era o encargo com que lhe deixava a dita terra nesta forma encapellada a pessue este Mosteiro.

A outra metade destas ditas duas sortes de terra pertencia a Mezia Rodrigues mulher do dito Garcia de Avila a qual deixou a Santa Caza da Mizericordia, e pera evitar descordias de meação por escritura de 13 de março de 1614 se consertou amigavelmente a Santa Caza com o Mosteiro, ficando este com toda a terra de S. Francisco de Itapoan, e aquella com toda a terra de Tapagipe, exceptoas vinte braças da Capella de Nossa Senhora do Monserrate. (DOCUMENTO DE 1723, BP-APD, f.192).

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Este documento é cópia do original da doação da Igreja de Monserrate, e tem anotações referentes à construção das casas destinadas aos romeiros e da outra junto à montanha da fortaleza, mas não oferece dados que indiquem a data de construção desses imóveis. (Ver Anexo Z).

De acordo com a cópia do documento de doação da Igreja, o Mosteiro, às suas custas,

construiu duas casas para os romeiros que ali concorriam e mais uma casa “[...] na baixa/

junto a Montanha da Fortaleza, tendo isto junto a beira do mar, e esta ultima caza o/ Mosteiro

depois a vendeu [...]” (DOAÇÃO..., AMSB, 1598, f.2). Sobre esse imóvel não se registram

mais dados, nem sequer nos materiais das edificações pertencentes ao Mosteiro, a não ser uma

imagem fotográfica de finais do século XIX, existente na documentação do AMSB.

FOTO 4

CASA DO MOSTEIRO DE SÃO BENTO DA BAHIA, EM ITAPAGIPE

DATA: FINAIS DO S. XIX FONTE: (AMSB, Cx. 79)

A fotografia mostra duas de suas fachadas: norte e oeste. Representa um sobrado de

dois andares, com cobertura de telhas de quatro águas. O tratamento dos muros era simples,

tendo destaque as janelas do primeiro pavimento, colocadas na vertical e emolduradas com

esquadrias de madeira e guilhotinas, com caixilharia disposta diagonalmente. As aberturas do

térreo, menos perceptíveis na imagem, eram em menor número e algumas aparentemente

As edificações destinadas aos romeiros (Ver Foto 5), segundo consta em documento

do AMSB, foram demolidas em 1926. Estavam localizadas no sítio do imóvel48 existente nos

fundos do conjunto da Igreja e Mosteiro. Cabe ressaltar que todas as casas construídas junto

àquelas, no sentido do forte de Monserrate, estão em terrenos foreiros ao Mosteiro de São

Bento e atendem, até os dias de hoje, às obrigações referentes aos pagamentos dos foros.

FOTO 5