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O percentual de uso de iluminação, por exemplo, permite a oferta de produtos (como de lâmpadas econômicas ou leds) para um uso mais eficiente da energia. O uso de lavadoras de roupas e louças permite o incentivo ao consumo horo-sazonal, com mudanças de hábito para o uso destes aparelhos no período noturno e consequente diminuição dos valores de energia elétrica pagos. Observa-se o uso de outras fontes de energia, como gás e carvão para

20%

18%

15%

19%

12%

16%

Iluminação

Ar condicionado, freezers e geladeiras Cozimento

Aparelhos eletrônicos

Comunicação e Tecnologia da Informação Lavadoras de roupas e louças

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o aquecimento ambiente e de água, que difere do uso da energia elétrica e das características culturais de consumo dos brasileiros.

3.1.1.2 O E S PA Ç O E NE R GÉ T IC O B R I TÂ N IC O C O M O RE FE RÊ NC IA

O espaço histórico e as dificuldades enfrentadas na implementação da liberalização do mercado energético britânico e do seu mercado de eletricidade à concorrência é a referência na literatura. É referência no processo de reestruturação, quando se pretende fazer uma análise de resultados aplicados, situações organizacionais, políticas, regulatórias, controle tarifário e o relacionamento com o consumidor final.

Esta experiência é largamente apresentada e discutida atualmente, retratando diversas facetas como a regulação inicial, e sua evolução, as métricas definidas para as novas empresas no mercado, o engajamento social, o questionamento contínuo da eficácia e as condições de mercado. Também são referência os “malabarismos” administrativo-jurídico- econômicos das empresas no setor para ampliar seus lucros, os mecanismos reguladores ampliados para conter, regular e organizar o espaço concorrencial.

Apresenta as condições de mudança desencadeadas na geração e na matriz energética, a ampliação e manutenção do fornecimento, a oportunidade de livre-escolha pelos os consumidores. Demonstra a evolução dos produtos nos portfólios das empresas, suas ofertas conjuntas de energia elétrica e gás para aquecimento, o incentivo para a eficientização, consumo consciente e controle de CO2.

É também referência na globalização das empresas, a venda-fusão de empresas geradoras-comercializadoras, no unbundling da transmissão e da distribuição.

A oferta casada de energia elétrica e gás, característica especial do mercado do Reino Unido, permitiu a criação de serviços especiais para os consumidores como: consultoria para eficientização (com consultores especiais ou consultoria on-line no dimensionamento energético das residências) e loja virtual de produtos eficientes. A oferta de múltiplos serviços particularidades evolutivas como descrito em EIA (2004), coerentes com o movimento político local e que deve ser analisada criticamente para uma abordagem em países em desenvolvimento, não demandantes das mesmas características energéticas e com realidades climáticas, geo-econômico-políticas e sociais próprias de desenvolvimento, como o Brasil.

No espaço residencial britânico, o processo de livre escolha iniciado apresenta ainda muitas oportunidades e está em evolução. A oferta de serviços/produtos de valor agregado aos serviços de energia e gás será ampliada e diferenciada com a implantação do sistema com leituras inteligentes e centralizadas (smart metering). O consumidor poderá interagir mais com a entrega feita pelas empresas, podendo ter visibilidade de suas necessidades, de seu consumo e programar-se na sua compra efetivamente.

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A mudança de fornecedor no setor residencial é ainda pautada por motivações de qualidade da entrega e insatisfações (descontentamento pelo atendimento e por razões financeiras), embora a venda de serviços múltiplos (energia elétrica, gás e até telecomunicações) busque ser atrativo. A questão de negociação de preços ou promoções é efetiva para aqueles mais esclarecidos, que sabem buscar a melhor possibilidade de atendimento. Culturalmente, os britânicos são conservadores e fiéis aos seus fornecedores. Este posicionamento fica claro no incentivo necessário do órgão regulador OFGEM para que os consumidores busquem a melhor oferta no mercado, troquem de fornecedor, pressionando o mercado a ser criativo na montagem de pacotes diferenciados e ampliar a concorrência.

No site oficial do órgão regulador foram criadas condições de apoio ao consumidor residencial, seja com reconhecimento de sites de comparação de preços seja como ouvidoria direcionada. São também determinadas pelo OFGEM regras de atendimento para os consumidores de baixa renda, idosos e para garantia da entrega da energia nas condições climáticas especiais do Reino Unido.

Uma questão importante e que deve ser ressaltada é o poder da oferta da “energia verde” no mercado britânico e a motivação/apelo resultante deste produto. O mote de responsabilidade sócio-ambiental-extrageracionista se apresenta de forma forte, contribuindo com as margens de lucro para as empresas, preços mais altos para o consumidor absorvidos como valor agregado, investimentos no parque instalado e mídia de compromisso e responsabilidades.

A modificação da matriz energética britânica apresenta a preocupação com a emissão

de CO2, repercutindo na comunicação feita pelas empresas, no seu posicionamento

estratégico e na construção de seu portfólio. Em 2007, 5% da eletricidade do Reino Unido tinha origem em fontes renováveis e existe o posicionamento oficial da ampliação deste percentual (DTI, 2007).

3.1.1.3 DE SE NV O LV I M E NT O D E S M A R T G RID N O RE I NO UNID O

Smart grid é capitaneado no Reino Unido pelo DECC (Department of Energy & Climate Change), estruturando-se sua atuação na busca de regulação e legislação junto aos diversos órgãos do governo para uma política energética responsável social e economicamente sustentável.

Segundo DECC (2012), os desafios para as redes elétricas devem aumentar. Estão empenhados em reduzir as emissões de gases de efeito estufa no Reino Unido em pelo menos 80% até 2050, em relação aos níveis de 1990. A análise do DECC para 2050 sobre os caminhos possíveis apresenta um quadro de conflitos e escolhas que existirão durante os próximos quarenta anos, necessárias para a geração de energia elétrica e garantia de atendimento a

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demanda no futuro. Isto deve impactar as redes de eletricidade e o balanço energético do sistema. São sugeridas pelo DECC, por exemplo, que um nível substancial de gastos de eletricidade será usado para aquecimento, e que, para a indústria, o fornecimento de eletricidade seja duplicado e isento de carbono; também que a geração variável terá desafios para o balanceamento da rede de eletricidade. Para enfrentar esses desafios, o futuro sistema precisa ser mais integrado e flexível. Será necessária uma rede maior, mais inteligente, chegando a novos lugares, e capaz de igualar a oferta e a demanda em tempo real.

Com este propósito, o DECC e o OFGEM criaram um Fórum de smart grids para:

 Identificar os desafios futuros para redes de eletricidade e para o equilíbrio do

sistema, incluindo as barreiras atuais e potenciais para a implantação eficiente de smart grid;

 Orientar as ações que DECC / OFGEM deverão tomar para enfrentar os desafios

futuros, remover as barreiras e ajudar a implantação eficiente;

 Identificar ações que DECC / OFGEM, a indústria ou a outras partes devem

tomar para facilitar a implantação de smart grid;

 Facilitar o intercâmbio de informações e conhecimentos, incluindo aquelas

partes que estão fora do setor energético;

 Ajudar todos os interessados a entender melhor a evolução futura da indústria

para que possam se preparar para:

o Acompanhar a evolução das smart grids e de seus direcionamentos; e o Acompanhar as iniciativas de smart grid na Europa e em outros lugares. Segundo o DECC (2009), a construção da infraestrutura de smart grid também contribuirá para uma maior produtividade e da competitividade da Grã-Bretanha, com a geração de empregos em uma indústria de alta tecnologia. O desenvolvimento de smart grid no âmbito internacional está criando um mercado mundial em rápido crescimento, estimado em € 30 bilhões ao longo dos próximos cinco anos. Como publicado na estratégia de uma

indústria de baixo carbono (Low Carbon Industrial Strategy) em julho de 2009 (BERR, 2009), o

Reino Unido tem se posicionado para participar deste mercado, com pontos fortes em projetos de eletrônicos de baixo carbono.

Segundo o DECC (2012) construir smart grid é um processo incremental de aplicação de tecnologias de informação e comunicação no sistema elétrico, permitindo fluxos mais dinâmicos "em tempo real" de informações na/da rede e maior interação entre fornecedores e consumidores, contribuindo para a energia e as metas climáticas no Reino Unido. Assim, o

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Reino Unido está tomando medidas e investindo para o desenvolvimento de smart grid e planejando o futuro. É bastante importante, também citar a lei Energy Bill [HL] 2010-11 (UK Parliament, 2011) que direciona as condições de implantação de smart grid, relacionamento com o cliente e emissões de carbono para o Reino Unido.

Um dos pontos principais da política é apresentado no projeto de lei "GREEN DEAL", um regime no qual às famílias, aos proprietários de terras e de às empresas privadas é dado financiamento inicial para fazer melhorias de eficiência energética, que passará então a ser pagos por economia na conta de energia. Além disso, introduz uma série de outras providências em áreas estratégicas, como:

 Estabelece uma nova obrigação para as empresas de energia para AJUDAR certos

grupos de consumidores, que precisam de apoio extra, para a economia de energia;

 Facilita a implantação de medidores inteligentes;

 Amplia o acesso a Certificados de Desempenho Energético;

 Torna mais claras as informações na conta de energia;

 Introduz medidas para ajudar a melhorar a segurança energética e incentivar a geração de baixo carbono;

 Concede poderes adicionais as autoridades responsáveis por carvão para cobrar

por determinados serviços.”

Adicionalmente foi também aberta uma consulta pública em fevereiro de 2012 (DCC, 2012) para a criação de uma companhia dedicada a organização de dados e serviços de comunicação dos smart meters (DCC, Data and Communications Company), com a seguinte linha de atuação:

“A comunicação de dados de e para (fluxo bidirecional) os equipamentos smart meters no setor doméstico deverá ser gerida de forma centralizada pelo DCC. A DCC será a nova provedora britânica de serviços de comunicações e dados de e para os novos medidores de gás e eletricidade. Seu papel será a centralização para a operação regular do sistema de smart meters e fornecer um canal bidirecional de comunicação entre os medidores inteligentes e um ponto central de dados coletados para os diversos usuários (fornecedores de energia, as empresas de distribuição, clientes e outros autorizados), regulando o acesso para cada fim específico, ativando o fluxo seguro de dados e comandos.”

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3.1.2

J

APÃO

A estratégia geral governamental, apresentada pelo METI (Ministry of Economy, Trade, and Industry) (METI, 2010) está resumida na Tabela 4, a seguir. Retrata a visão governamental de incentivo ao uso eficiente de energia, bem como a sua preocupação com a dependência energética (e dos insumos para a geração), bem como com o meio ambiente global. Notam-se também os direcionamentos dados a smart grid, como sendo um vetor de conhecimento e de controle para as metas estabelecidas. A visão japonesa adotada tem grande relevância como estratégia de ação. Seu sucesso, embora baseado em toda a cultura e condições estruturais do país, traz embutido um plano de ação baseado no desenvolvimento, na manutenção do conforto, mas visando sempre um consumo consciente e eficiente.