No presente capítulo, serão apresentados e discutidos os principais resultados obtidos neste estudo. Deste modo, e tendo presente o enquadramento teórico com a análise detalhada dos dados obtidos, procurou-se saber qual o contributo social e desportivo dos JDE para os alunos que neles participaram.
Sendo este um estudo pioneiro acerca na área das competições escolares na RAA, achou-se pertinente estudar o seu contributo para as relações interpessoais daí resultantes. A inexistência de estudos acerca dos JDE e seus efeitos foram umas das razões para que se tentasse descobrir os efeitos daí resultantes para os nossos alunos e, consequentemente, para a comunidade escolar açoriana.
Possui-se a consciência de que se trata de um tema difícil de trabalhar devido à precariedade de informação. No entanto, se, por um lado, a inexistência de estudos sobre o tema constituiu um obstáculo, por outro lado, motivou a investigação neste domínio.
Para executar esta tarefa, optou-se pela apresentação de tabelas que sintetizam a realidade dos participantes nos JDE, nos 2.º e 3.º Ciclos, no ano letivo de 2014/2015, da RAA. Neste contexto, para as perguntas abertas, consideramos que as primeiras três respostas representam a maioria das obtidas, não sendo, no entanto, nossa intenção qualificá-las (unidade de enumeração), dada a diversidade de respostas obtidas em algumas das perguntas.
Participantes nos JDE 377
Participantes no Estudo 280 74%
Assim sendo, começou-se por analisar a participação no presente estudo que, como apresenta o Tabela 1, foi cerca de setenta e quatro por cento. Em trezentos e setenta e sete alunos presentes nos JDE, no ano letivo de 2014/2015, de acordo com o relatório de atividades elaborado pela DRD (2014/2015), participaram no estudo desenvolvido duzentos e oitenta.
Esta elevada percentagem de participação demonstra o envolvimento, importância e o contributo que este tipo de estudo tem no meio escolar regional, tendo em conta que se trata do primeiro a ser realizado.
Tabela 2 – OPINIÃO RELATIVA AO BENEFÍCIO DA PARTICIPAÇÃO NOS JDE
Sim 280 100%
Não 0 0%
Na Tabela 2, pode-se verificar que cem por cento dos participantes no nosso estudo responderam que a experiência nos JDE foi benéfica e saíram a ganhar com a mesma. Neste sentido, pode-se afirmar que todos os participantes realizaram um balanço positivo da sua participação nos JDE, no ano escolar 2014/2015.
Neste contexto, as opiniões expressadas pelos alunos vão ao encontro da linha de pensamento de Bento (1989) e Borges (2009), tal como do Programa Desporto Escolar 2013/2017, quando os mesmos afirmam que o DE é o setor da vida escolar em que neles são criadas oportunidades para a ação guiada e ordenada, fomento e desenvolvimento de talentos, contribuindo para uma obrigação sociopedagógica da escola, trabalhando como um instrumento na promoção da saúde, na inclusão e integração social, na promoção do desporto e no combate ao insucesso escolar.
Tabela 3 – LISTAGEM DO QUADRO DE COMPETÊNCIAS RELATIVAS AO BENEFÍCIO DA PARTICIPAÇÃO NOS JDE
Social • Fazer Novas Amizades / Conhecer Novos Amigos • Convívio / Diversão • Novas Experiências
217 78%
Motora • Praticar Desporto • Desenvolver Capacidades Físicas • Ganhar/Competir
Cognitiva • Aprender Coisas / Técnicas Diferentes
• Aprender Novos Desportos 20 6.6% Saúde • Faz Bem à Saúde 1 0.4%
Outros • Não Sofrer os Pais
• Sem Resposta 3 1%
Na Tabela 3, constata-se que os alunos, por um lado, dão mais importância aos benefícios a nível da competência social, sendo que as categorias Fazer Novas Amizades/Conhecer Novos Amigos, Convívio/Diversão e Novas Experiências são as mais privilegiadas, correspondendo a setenta e oito por cento do total de respostas.
Por outro lado, as competências motoras, mais concretamente as categorias Praticar Desporto, Desenvolver Capacidades Físicas e Ganhar/Competir, representaram apenas catorze por cento do total dos inquiridos.
Estes resultados vêm concordar com a linha de pensamento de Bento (2001), Abrantes (2003) e de Baciu e Baciu (2015), onde se evidencia a importância das atividades desportivas extracurriculares no que concerne à construção de sociabilidades, contato com novas experiências, assim como, com o corte da rigidez do espaço/tempo de aulas. Desta forma, pode-se verificar que os JDE contribuem para o desenvolvimento social dos alunos ao proporcionar situações de convívio e disciplina através da competição e cumprimento de regras.
Tabela 4 - SOCIALIZAÇÃO FOI MELHORADA COM A PARTICIPAÇÃO NOS JDE
Sim 269 96%
Não 11 4%
A Tabela 4 vem, por sua vez, evidenciar novamente o contributo social dos JDE, uma vez que a grande maioria dos alunos, noventa e seis por cento, afirmam que a participação nos JDE estimulou/melhorou de alguma forma a socialização dos mesmos. Estes dados comprovam uma evolução na sua capacidade de socializar com os outros, provocada em larga medida pela sua participação.
Deste modo, pode-se afirmar que, acerca das vantagens sociais da prática desportiva, as opiniões dos alunos vão ao encontro do que defendem Giulianotti (2004), Coakley (2006; 2011), Vianna & Lovisolo (2011) e Milteer & Gilsburg (2012), quando afirmam que o desporto é um meio educativo privilegiado para desenvolver pessoal e socialmente as crianças e os jovens em idade escolar.
Tabela 5 – RELAÇÃO ENTRE O SEXO E O ESTÍMULO NA SOCIALIZAÇÃO
Sexo Sim Não p-value
Feminino 143(98.6%) 2(1.4%)
0.036b Masculino 126(94%) 8(6%)
b-Fisher-Test
Como podemos observar na Tabela 5, ambos os sexos apresentam um forte estímulo social, apesar de se poder observar que o sexo feminino dá mais importância a este aspeto, como confirmam os cerca de noventa e oito por cento das alunas que responderam neste sentido. Estes resultados demonstram, de certo modo, as diferenças entre sexos nestas idades, nomeadamente, no que respeita ao desenvolvimento social e pessoal.
Tabela 6 – CONHECERAM NOVOS AMIGOS DURANTE OS JDE
Sim 279 99.6%
Não 1 0.4%
A contribuição social dos JDE é salientada ao verificar que, segundo a Tabela 6, a participação nesta atividade escolar possibilitou que aproximadamente cem por cento dos alunos desenvolvessem novas amizades. Somente em um dos questionários analisados foi afirmado não se ter conhecido novos amigos durante a participação, o que se traduz em menos de um por cento.
Através da análise deste quadro, é possível reforçar a importância social dos JDE no que concerne à aquisição de novas socializações/amizades por parte dos alunos praticantes. Estes dados demonstram que os JDE possibilitam momentos de interação social entre os alunos, fomentando e contribuindo para o desenvolvimento integral dos mesmos. Esta análise está em concordância com as ideias defendidas por Coakley (2006), Braconnier & Marcelli (2000) e por Bento (1989), que afirmam que a socialização através do desporto é um processo ativo de aprendizagem e de desenvolvimento social, funcionando como um comportamento saudável de interação entre alunos que nunca se viram ou se falaram.
Sim 239 85%
Não 41 15%
Torna-se pertinente averiguar se estas novas amizades têm uma ligação duradoura ou simplesmente temporária. Segundo a Tabela 7, estas novas relações pessoais foram relevantes na vida social dos alunos, pois, oitenta e cinco por cento deu continuidade às mesmas. Somente quinze por cento afirmou não manter qualquer contato com os novos amigos, totalizando quarenta e uma respostas.
Deste modo, pode-se afirmar que os JDE promovem interações sociais significativas, pois a grande maioria dos alunos mantém contato com os novos amigos mesmo depois de terminados os jogos, o que contribui para aproximar a comunidade juvenil açoriana, quebrando barreiras geográficas através da interação social do DE.
Os dados obtidos estão em sintonia com a linha de pensamento de autores como Abrantes (2003) e Giulianotti (2004), que defendem a importância destas atividades desportivas para uma melhor socialização de crianças e jovens, funcionando como fator facilitador de identidade e pertença a um grupo segundo Coakley (2011), que poderá trazer benefícios para toda a vida, pois o que o jovem vivenciar no desporto servirá de referência para a tomada de algumas decisões que influenciará o seu quotidiano, como referem Vianna & Lovisolo (2011).
Tabela 8 – RELAÇÃO ENTRE A IDADE E O CONTATO MANTIDO
IDADES 11 12 13 14 15 16 p-value
Não 13(31.7%) 10(24.4%) 8(19.5%) 3(7%) 5(12.2%) 2(5%)
0.017 c Sim 25(10.5%) 55(23%) 60(25.1%) 47(20%) 34(14.2%) 18(7.5%)
c – Bisserial Point
Apesar de existir uma diferença estatisticamente significativa relativamente à faixa etária, os dados referenciados na Tabela 8 não indicam existir qualquer tendência, pois a idade é um fator determinante para manter o contato.
De acordo com o valor de p-value de 0,017 obtido no teste ponto bisserial, as evidências sugerem que o contato é mais facilmente mantido nas idades compreendidas entre os 12 e os 14 anos. Este facto talvez seja devido a ser este o intervalo de idades onde se concentram o maior número de alunos inquiridos.
Ilha Corvo Faial Flores Graciosa Pico São Jorge São Miguel Terceira p-value
Não 3(7.3%) 5(12.2%) 5(12.2%) 0(0%) 4(9.8%) 1(2.4%) 19(46.3%) 4(9.8%)
0.369 a Sim 13(5.4%) 37(15.5%) 26(10.9%) 20(8.4%) 14(5.9%) 14(5.9%) 102(42.7%) 13(5.4%)
a-Fisher -Test
Na Tabela 9, é possível verificar que o contato mantido entre os alunos que participaram nos JDE continua, independentemente, da sua ilha de residência, observando os valores percentuais apresentados. Ao aplicar o teste de Fisher, verifica-se que não existe diferença estatisticamente significativa a um nível de confiança de cinco por cento. O que nos leva a concluir que os JDE são um veículo de ligação entre os jovens açorianos das diferentes ilhas do arquipélago.
Tabela 10 – FORMA DE CONTATO COM OS NOVOS AMIGOS
Redes Sociais 224 93% Contato Pessoal 6 3%
Telefone 6 3%
Correio Eletrónico 3 1%
Como seria de esperar, e tendo em conta a envolvência que as novas tecnologias têm nesta faixa etária, pode-se observar na Tabela 10 que a maioria dos alunos, mais concretamente noventa e três por cento, opta pela utilização de redes sociais para manter contato com os seus novos amigos. O contato telefónico e o contato pessoal partilham respetivamente três por cento cada um, das respostas dadas nos questionários.
Na perceção dos participantes, as redes sociais modernas ajudam à manutenção das relações de amizades tal como salientam Lenhart & Madden (2007) e Espinar & González (2009). Os mesmos autores Espinar & González (2008) e Gandasegui (2011) explicam que as redes sociais rompem as barreiras do tempo e do espaço possibilitando a construção e manutenção de vínculos de amizades, de
acordo com afinidades pessoais de pertença a um grupo e de acordo com experiências vividas.
No caso particular dos alunos açorianos, esta forma de contato torna-se muito útil e prática no sentido de colmatar as dificuldades inerentes da insularidade característica da região, possibilitando facilmente o rápido contato entre amigos recém-formados.
Tabela 11 – ASPETOS POSITIVOS DOS JDE
Social • Fazer Novas Amizades / Conhecer Novos Amigos • Convívio / Diversão • Novas Experiências
211 75%
Motora • Praticar Desporto • Participar nos Jogos • Ganhar
39 14%
Cognitiva • Aprendi coisas / Novos Desportos 8 3%
Saúde • Faz Bem à Saúde 4 1%
Outros • Tudo • A Comida • Sem Resposta
17 6%
Considerando as respostas dadas pelos inquiridos relativamente aos aspetos positivos dos JDE, construiu-se a Tabela 11 onde se demonstra que setenta e cinco por cento dos alunos, ou seja, cerca de duzentas e onze respostas, alegam o aspeto social desta atividade. Estas respostas de caráter social contemplam as categorias Fazer Novas Amizades/Conhecer Novos Amigos, Convívio/Diversão e Novas Experiências e foram as preferidas dos alunos.
Neste contexto, os dados apresentados no quadro supracitado e a evidência de respostas positivas em relação à competência social proporcionada pelos JDE vão ao encontro da linha de pensamento de variados autores, como Giulianotti (2004), Boer (2007), Teixeira (2007), Marques (2010) enaltecendo as vantagens sociais da participação desportiva, possibilitando aos alunos um desenvolvimento harmonioso enquanto pessoas.
Os restantes inquiridos optaram por salientar a componente motora, onde catorze por cento dos mesmos abrangem as categorias Praticar Desporto, Participar nos Jogos e Ganhar. Apenas três por cento destacou o desenvolvimento da competência cognitiva, um por cento destacaram os benefícios para a saúde e os restantes seis por cento escolheram outro tipo de aspetos positivos.
Além dos já referidos benefícios sociais dos JDE enumerados anteriormente, há que evidenciar igualmente o contributo no desenvolvimento motor que esta atividade promove. Lubans & Morgan (2008), Coakley (2006), Milteer & Gilsburg (2012) e Green (2012) enaltecem as vantagens do exercício físico na construção de indivíduos ativos e saudáveis.
Tabela 12 – ASPETOS NEGATIVOS DOS JDE
Social
• Pessoas Pouco Sociais • Falta de Fair-Play
• Despedidas/Saudades dos Amigos • Estar Longe da Família
• Foi Pouco Tempo • Críticas /Insultos
123 44%
Motora
• Pessoas Muito Competitivas • Muitos Jogos/Cansativo • Perder
• Algumas Modalidades
25 9%
Saúde • Lesões 22 8%
Cognitiva • Faltar às Aulas
• Perder a Matéria 5 2%
Outros
• Nenhum/Nada • Mau Tempo • Acordar Cedo
• Poucas Atividades Fora dos Jogos • Sem Resposta
105 37%
Assim, torna-se pertinente examinar os aspetos negativos mencionados pelos inquiridos. Ao analisar a Tabela 12, observa-se que a maioria das respostas dos alunos vão ao encontro dos aspetos sociais, com quarenta e quatro por cento, sendo que estes se enquadram nas categorias Pessoas Pouco Sociais, Falta de Fair-Play, Despedidas/Saudades dos Amigos, Estar Longe da Família, Pouco Tempo de Realização e Críticas/Insultos.
Ora, o facto de a maioria dos inquiridos evidenciar simultaneamente como aspeto positivo e negativo o lado social dos JDE demonstra que os alunos criam grandes espectativas sociais em torno desta competição escolar. Não só estes alunos procuram criar e estabelecer novas amizades, como também ficam de certo modo desiludidos quando não conseguem cumprir esse objetivo.
Deste modo, pode-se afirmar que estes dados estão novamente em linha de concordância com Braconnier & Marcelli (2000), Bento (2001), Abrantes (2003), Coakley (2006), Borges (2009), dado que o desporto independentemente da etnia, sexo ou idade é considerado um fenómeno social, uma vez que aglutina todos os seres humanos na sua prática.
Curiosamente constata-se que um número significativo de alunos, trinta e sete por cento, optou por dar respostas que não se enquadram diretamente com as
competências previamente escolhidas para o nosso estudo (Outros). Esta situação deve-se provavelmente ao facto de ter sido pedido que os alunos apontassem algum aspeto negativo, aquando da realização do questionário.
Tabela 13 – RELAÇÃO ENTRE O SEXO E OS ASPETOS NEGATIVOS
Competências Cognitiva Motora Outros Saúde Social p-value
Feminino 5(3.4%) 15(10.3%) 50(34.8%) 16(11%) 59(40.7%)
0.029a Masculino 0(0%) 10(7.5%) 54(40.3%) 6(4.5%) 64(47.8%)
a-Fisher -Test
De acordo com as percentagens apresentadas na Tabela 13, verifica-se que os alunos do sexo masculino acentuam mais os problemas sociais e as categorias associadas à competência “outros”, enquanto o sexo feminino, apesar de serem as mesmas competências com mais observações, estão mais distribuídos pelas restantes.
Quanto ao teste estatístico aplicado - Teste de Fisher -, verifica-se que existe uma diferença estatisticamente significativa entre sexos, ou seja, o sexo masculino não considera os mesmos aspetos negativos que o sexo feminino. O mesmo será dizer que, para o sexo masculino, existe um peso maior no aspeto social e nas categorias associadas à competência “outros”, enquanto que, para o sexo feminino, verifica-se uma escolha mais homogénea.
Tabela 14 – REPETIR A EXPERIÊNCIA DOS JDE
Sim
Social • Conhecer Novos Amigos • Experiência Divertida • Conhecer Ilhas/Sítios Novos
231 84%
Motora • Praticar Desporto • O Gosto de Competir
• O Gosto pela Educação Física
30 11%
Cognitiva • Aprender Novos Desportos 3 1% Saúde • Desporto Faz Bem à Saúde 1 0.4% Outros • Nunca Me Arrependi
• Quero é Participar 11 4%
Total 276 99%
Não
Motora • Já Estou no Futebol 1 25% Cognitiva • Não Faltar às Aulas 1 25% Outros • Sem Resposta/Não Tenho Tempo 2 50%
Total 4 1%
É possível afirmar que os JDE promovem experiências significativas no desenvolvimento sócio desportivo dos participantes, pois, consultando a Tabela 14,
verifica-se que noventa e nove por cento dos inquiridos responderam que repetiriam a sua participação. Os alunos indicam essencialmente que procuram benefícios ao nível da competência social, sendo que as categorias Conhecer Novos Amigos, Experiência Divertida e Conhecer Ilhas/Novos Sítios são aquelas que mais motivam os alunos a participarem novamente, com cerca de oitenta e quatro por cento.
Outro aspeto que os alunos elegem são os benefícios associados às competências motoras, registando trinta respostas, cerca de onze por cento, sendo as categorias Praticar Desporto, o Gosto de Competir e o Gosto pela Educação Física as mais evidenciadas.
Uma vez mais, é notória a importância dada pelos alunos participantes ao desenvolvimento de novas amizades através dos JDE, sendo esta a principal razão apontada para uma eventual repetição desta experiência. Este facto vem ao encontro de autores como Eidelwein & Nunes (2010), Vianna & Lovisolo (2011), que afirmam e sublinham a importância das possibilidades de socialização que o desporto representa para os jovens ao atingir valores de coletivismo, amizade e solidariedade.
Tabela 15 – EXPERIÊNCIAS MAIS MARCANTES A NÍVEL PESSOAL
Social
• Fazer Novas Amizades/Conhecer Novos Amigos • Convívio/Diversão
• Novas Experiências • Representar a Escola • A Partida/Despedidas
192 69%
Motora • Praticar Desporto • Desenvolver Capacidades Físicas • Ganhar/Competir
61 22%
Cognitiva • Aprender Coisas/Técnicas Diferentes
• Aprender Novos Desportos 3 1%
Outros • Tudo • Não sei • A comida • Sem resposta 24 8%
Conforme se pode observar na Tabela 15, as experiências mais marcantes apontadas pelos alunos voltam a enfatizar a competência social, com cento e noventa e duas respostas, ou seja, sessenta e nove por cento, sendo que as categorias Fazer Novas Amizades/Conhecer Novos Amigos, Convívio/Diversão,
Novas Experiências, Representar a Escola e a Partida/Despedidas foram as mais referenciadas.
Seguidamente, surgem as respostas ligadas à competência motora que atingem vinte e dois por cento, sendo as categorias Praticar Desporto, Desenvolver Capacidades Físicas e Ganhar/Competir as mais evidenciadas.
Desta forma, pode-se, mais uma vez, comprovar a importante influência social que os JDE tiveram nos alunos que neles participaram, em linha com o que defende Abrantes (2003), quando refere que estas atividades são experiências marcantes para todos os participantes, possibilitando a oportunidade de viver uma relação diferente com a escola, desenvolvendo integralmente o aluno segundo Bento (1989), independentemente do desporto praticado, de acordo com Baciu e Baciu (2015).
Neste contexto, concorda-se com a opinião de Santos (2009), quando nos sugere que a prática desportiva escolar, além de ser um instrumento que a escola possui para atingir os objetivos que estão definidos nos projetos educativos, possibilita a prática desportiva educativa sem qualquer tipo de segregação.
Tabela 16 – OBJETIVOS E MOTIVOS QUE LEVARAM À PARTICIPAÇÃO NOS JDE
Social
• Fazer Novas Amizades / Conhecer Novos Amigos • Convívio/Diversão • Novas Experiências • Representar a Escola 138 49% Motora • Praticar Desporto
• Desenvolver Capacidades Físicas • Ganhar/Competir
• O Gosto pela Educação Física
119 42%
Cognitiva • Aprender Novas Coisas/Técnicas Diferentes
• Aprender Novos Desportos 10 4% Saúde • Faz Bem à Saúde 5 2%
Outros • Participação por Convite • Não Sei • Sem Resposta
8 3%
Apesar de novamente se verificar na Tabela 16 a preferência dos inquiridos pelo desenvolvimento de competências sociais, com quarenta e nove por cento das respostas, uma parte significativa dos alunos respondeu que as categorias
associadas à competência motora, com quarenta e dois por cento, influenciaram em grande parte a sua participação nos JDE.
Estes dados vão ao encontro daquilo que pensam Bento (1990), Braconnier & Marcelli (2000), Abrantes (2003), Giulianotti (2004), Borges (2009), Eidelwein & Nunes (2010), Vianna & Lovisolo (2011) e Coakley (2011), salientando os benefícios sociais e motores do indivíduo resultantes da realização e participação em atividades desportivas.
Tabela 17 – EXISTÊNCIA DE CLUBES DESPORTIVOS NA LOCALIDADE DE RESIDÊNCIA DOS ALUNOS
Sim 248 89%
Não 32 11%
Para a realização do presente estudo, foi fundamental compreender qual ou quais a(s) vivência(s) desportiva(s) usufruídas pelos inquiridos, bem como qual a oferta desportiva disponível no seu local de residência.
Assim, na Tabela 17, é possível verificar que uma parte significativa dos inquiridos, oitenta e nove por cento, vive em localidades onde se verifica a existência de Clubes Desportivos, sendo que apenas onze por cento dos mesmos responderam não existir clubes desportivos no seu local de residência. Deste modo, é fundamental salientar a importância da contribuição na formação desportiva que os JDE têm para os futuros atletas que representarão os clubes regionais.
Neste sentido, pode-se destacar a importância que os mesmos têm no que concerne à função socializadora e motivacional para a prática desportiva regional ao contribuir para a formação de hábitos saudáveis para futuros atletas dos clubes desportivos locais, pois, segundo Carvalho (1976), o clube desportivo, do ponto de vista antropológico, é uma instituição social que responde às necessidades das populações no tocante à atividades físicas.
Assim, entende-se que a função social e desportiva dos clubes nos locais de residência dos alunos vem ao encontro da linha de pensamento de Sarmento (1989) e Homem (1997), funcionando como elemento aglutinador sócio-desportivo e como núcleos vivos de indivíduos que mantêm uma vida social intensa e ativa.
Tabela 18 – MODALIDADES DESENVOLVIDAS NA LOCALIDADE DE RESIDÊNCIA DOS ALUNOS
Futsal 44 18% Voleibol 38 15% Basquetebol 12 5% Atletismo 11 4% Andebol 4 1% Desportos Náuticos 3 1% Natação 3 1% Artes Marciais 2 1% Ténis 2 1% Outros 6 2%
De acordo com a Tabela 18, constata-se que, havendo modalidades desportivas desenvolvidas no local de residência dos alunos, o futebol é a modalidade mais desenvolvida, obtendo cento e vinte e três respostas, ou seja, cinquenta por cento. Seguidamente, a modalidade de futsal surge como a segunda mais desenvolvida com quarenta e quatro respostas, equivalendo a dezoito por cento. A terceira modalidade mais desenvolvida é o voleibol com trinta e oito respostas, ou seja, quinze por cento.
Contudo, os valores apresentados podem ser traduzidos numa concordância a nível nacional com os do Instituto Português do Desporto e Juventude (2014), em