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Objetivou-se, nesta seção, fazer uma apresentação dos aportes da Teoria das Representações Sociais e, em seguida, trazer uma reflexão sobre os direitos humanos de tal modo a, em um passo seguinte, mostrar a pertinência de entrelaçamento desses dois sistemas. A Teoria das Representações Sociais, desenvolvida por Moscovici (1961) e compreendida como uma modalidade sociológica de Psicologia Social (Farr, 1998), por ter seu interesse voltado para a produção do conhecimento na vida cotidiana (Sá, 1993, 1998) é convidada a contribuir com as discussões aqui propostas, além de servir de base teórico- metodológica para a pesquisa. Essa teoria oferece os aportes necessários para a compreensão dos fenômenos que este estudo coloca em destaque, tais como os direitos humanos e a adolescência.

No que se refere à Teoria das Representações Sociais, buscou-se, primeiro, discorrer sobre a vinculação desse conceito com o conceito de representações coletivas, elaborado por Durkheim (1893/1982; 1895/1987; 1912/1989). Em seguida, foram explicitados alguns elementos constitutivos da Teoria.

Quanto aos direitos humanos, considerados como um sistema de pensamentos que faz parte da realidade social, pretendeu-se analisar seus fundamentos, aspectos normativos e históricos. Também foram apontadas algumas pesquisas sobre direitos humanos em que se utilizou a Teoria das Representações Sociais como fundamento teórico-metodológico

3.1 – Das representações coletivas às representações sociais: a construção de um conceito

Ao buscar uma redefinição dos problemas e conceitos da Psicologia Social, Serge Moscovici, psicólogo romeno naturalizado francês, diretor do Laboratório Europeu de Psicologia social, apresentou, em 1961, a Teoria das Representações Sociais (TRS) por ocasião da defesa de sua tese La psychanalyse, son image, son public, em que estudou as diversas maneiras de a Psicanálise ser percebida e difundida ao público parisiense ou, ainda, como ela se deslocava do território dos especialistas ao território do público em geral. Robert M. Farr (2003), professor da London School of Economics and Political Sciense e psicólogo social, explica que esta obra foi uma grande contribuição para a sociologia do conhecimento e que Moscovici objetivava observar o que acontece quando um novo bloco de conhecimentos, como a psicanálise, se dissemina dentro de uma população humana. Para tanto, Moscovici recolheu amostragens do conhecimento, das

opiniões e das atitudes das pessoas com respeito à psicanálise e ao psicanalista.

É possível sintetizar as conclusões da tese de Moscovici (1961/1978) em três principais pontos: (1) as representações sociais são elementos mediadores entre o que se acreditava cientificamente ser a psicanálise e o que a sociedade francesa entendia por ela; (2) havia mudanças nas representações dos membros da sociedade, porque elas dependiam tanto do conhecimento de senso comum como dos aspectos socioculturais que cercavam os indivíduos; (3) diante de novos objetos, o processo de representar oferecia uma seqüência lógica: tornar familiares objetos desconhecidos por meio de um duplo mecanismo (objetivação e ancoragem).

Para lidar com tais premissas, Moscovici buscou referência na obra do famoso sociólogo francês, Émile Durkheim (1912/1989), que por sua vez preconizava a explicação sociológica dos fatos sociais, mais especificamente em seu conceito de representações coletivas. A produção teórica de Durkheim pretendia solidificar a sociologia enquanto ciência e conferir-lhe estatuto de cientificidade. Com tal intuito, Durkheim (1895/1987), na obra As regras do método sociológico delineou o objeto e o método da sociologia, transportando para ela a necessidade de objetividade, verificação e experimentação. Sua inestimável contribuição possibilitou o desenvolvimento de conceitos valiosos às ciências sociais que, juntamente com a análise precisa, orientou e continua orientando a prática sociológica.

De acordo com Sá (2004) esse autor considerava um erro grotesco as tentativas de explicar psicologicamente os fatos sociais. Durkheim entendia a sociedade como uma realidade em si e acreditava que as representações coletivas se constituíam em um fenômeno coercitivo, autônomo, exterior ao indivíduo e que, através de idéias, experiências e saberes de gerações, instituíam aspectos mais íntegros, unificados e estáveis do social, como a religião, os mitos, as ciências, etc.

É certo destacar que o mito, nas chamadas sociedades primitivas, abarcava uma concepção homogênea de mundo, uma “filosofia” única que refletia o pensamento e a prática social. Nas sociedades modernas, a representação não se constitui como mais uma das formas de apreender a realidade, ela coexiste com o pensamento filosófico e técnico- científico, podendo ser influenciada ou, contrariamente, opor-se a essas concepções.

Importa considerar que os fatos sociais têm, para Durkheim (1895/1987), uma existência independente dos fatos individuais. São exteriores às consciências individuais, existem nas partes porque antes existem no todo. É exatamente por isso que os fatos sociais se diferenciam dos objetos próprios da psicologia. Cabe à sociologia, tal como postula a

socióloga Marisete Teresinha Hoffmann Horochovski (2004), analisar os estados da consciência coletiva, suas leis e representações, que são extremamente diferentes dos de natureza individual, com os quais deve se preocupar a Psicologia.

É na diferenciação entre as duas disciplinas – Sociologia e Psicologia – e, conseqüentemente, na idéia de que a sociedade não pode ser explicada através das consciências individuais que o autor introduz o conceito de representações coletivas. Para Durkheim (1895/1987), a vida coletiva é integrada pelos fatos sociais e a consciência coletiva por representações coletivas. As representações coletivas, em sua concepção teórica, diferem das representações individuais da mesma forma que a sociedade é composta por um todo que se diferencia das suas partes.

Na obra Da divisão do trabalho social, Durkheim (1893/1982) faz uma distinção entre a consciência coletiva e a individual. Para ele, a primeira corresponderia a um conjunto de crenças e sentimentos comuns à média dos membros de uma sociedade, que formam um sistema com vida própria. A transmissão desse sistema se daria de geração a geração e se constituiria em uma ligação entre gerações sucessivas. Já a consciência individual representaria a personalidade particular, contendo os estados que são pessoais a cada um e caracterizam os indivíduos. Nessa perspectiva, portanto, as consciências coletiva e individual se diferenciam, mas ambas se relacionam, resultando em uma solidariedade particular entre elas que liga o indivíduo à sociedade. Isto significa dizer que no entendimento de Durkheim a existência de uma consciência comum está condicionada a existência de algo que seja comum a todas as consciências particulares.

A consciência da qual nos fala Durkheim (1895/1987) não é algo concreto. Ela é formada de representações mentais em que o papel do indivíduo na gênese dos fatos sociais está presente, mas, conforme analise Cardoso (2007) “para que o fato social exista é preciso que vários indivíduos tenham misturado suas ações e desta combinação surja um novo produto” (p. 55). Entende-se, dessa forma, que a gênese do social provém dos indivíduos, separa-se deles e forma algo novo que independe das consciências individuais.

Ao buscar clarificar melhor estes conceitos, Durkheim (1895/1987) afirma que “o grupo está constituído de maneira diferente do indivíduo, e as coisas que o afetam são de outra natureza. Representações que não exprimem nem os mesmos sujeitos, nem os mesmos objetos, não poderiam depender das mesmas causas” (p. XXVI). A sociologia deve reconhecer essa diferença, afinal é a ciência das instituições, e engloba as crenças e comportamentos da coletividade.

Assim, para se estudar as representações, dizia Durkheim (1912/1989), há que se separar o indivíduo da coletividade, posto que o substrato da representação individual é a própria consciência do indivíduo, o que se configura como subjetiva e perigosa para a ordem social. Inversamente, o substrato da representação coletiva é a sociedade como um todo, sendo, por isso, impessoal e permanente, possibilitando, assim, o elo indispensável entre os indivíduos e, conseqüentemente, a harmonia social. Durkheim postula ainda que, para que se possa compreender como a sociedade representa a si própria e ao mundo que a rodeia, é preciso considerar a natureza da sociedade e não a dos indivíduos.

Para Durkheim (1893/1982) a forma como a individualidade se constitui está diretamente ligada ao tipo de sociedade a qual o indivíduo pertence. Nas sociedades em que se encontram enraizados os domínios do social e do coletivo, o lugar da individualidade é pequeno e o oposto acontece nas sociedades onde se valoriza o individual em detrimento do social.

Cabe pontuar que o conceito durkheimiano de representações coletivas abarcava um conjunto amplo e heterogêneo de formas de conhecimento, por entender-se que nelas estava concentrada grande parte da história intelectual da humanidade, conforme avalia Sá (2004). Já Moscovici (1961/1978) que pretendia estabelecer uma psicossociologia do conhecimento, compreendia que as representações deveriam ser reduzidas a modalidades específicas do conhecimento. Em síntese aos postulados de Durkheim sobre as representações coletivas, Moscovici (2003) escreveu que:

Se, no sentido clássico, as representações coletivas se constituem em um instrumento explanatório e se referem a uma classe geral de idéias e crenças (ciência, mito, religião, etc.), para nós, são fenômenos que necessitam ser descritos e explicados. São fenômenos específicos que estão relacionados com um modo particular de compreender e de se comunicar – um modo que cria tanto a realidade como o senso comum. É para enfatizar essa distinção que eu uso o termo “social” em vez de “coletivo”. (Moscovici, 2003, p. 49).

Em verdade, os apontamentos históricos mostram que Moscovici bebeu da fonte durkheimiana das representações coletivas, mas esse conceito foi ressignificado por Moscovici de maneira particular e distinta daquela usualmente compreendida na sociologia. Uma análise cuidadosa mostra que o pensamento de Moscovici (1961/1978) é mais

abrangente do que o de Durkheim, posto que supera o reducionismo sociológico e introduz mecanismos sócio-cognitivos.

Ao propor o adjetivo social no lugar do adjetivo coletivo, Moscovici (1961/1978) rejeita a oposição entre individual e coletivo, contraria a identidade implícita nas representações coletivas para a variedade e multiplicidade das representações no contexto histórico-social de uma sociedade bastante complexa. Além disso, ele põe em destaque a comunicação que torna possível transformar algo individual em social. Assim, o termo representações sociais tal como compreendido por Moscovici (2003) abraça significados que implicam em um afastamento decisivo da perspectiva sociológica ao passo que na sua perspectiva de análise o processo de gênese das representações tem lugar nas mesmas situações e ao mesmo tempo em que elas se manifestam.

Isto significa que elas acontecem por meio da mesma “arte da conversação”, como observa Sá (2004). Esta conversação, por sua vez, compreende um amplo e expressivo tempo da existência diária. Isto significa assumir que se vive em uma sociedade pensante, marcada pelos comentários, formulações e “filosofias” extra-oficiais das pessoas. Essa comunicação cotidiana, analisa Moscovici (2003) “têm um impacto decisivo em suas relações sociais, em suas escolhas, na maneira como eles educam seus filhos, como planejam seu futuro, etc. Os acontecimentos, as ciências e as ideologias apenas lhes fornecem o ‘alimento para o pensamento’” (p.45).

O conceito de representação social, tal como descrito por Moscovici (1961/1976), explica como é feita a mediação entre o indivíduo e a sociedade, diferindo das explicações puramente sociais dadas por Durkheim. Para ele, não existe uma representação fora de um contexto social e como este contexto é dinâmico, a representação de um objeto não é completamente acabada, mas uma constituição mental que é construída e reconstruída dentro de um ambiente carregado de valores, noções e regras. Outrossim, ela é elaborada pela atividade simbólica da pessoa que percebe o seu ambiente. Por isso, a representação social só poderá ser compreendida dentro de um contexto histórico do indivíduo relacionado à história da sociedade na qual ele está inserido. Ela é como uma moeda em cujas faces estão o processo e o produto da relação que existe entre a atividade mental e o conjunto das atividades sociais.

Assim, as representações sociais são definidas por Moscovici (2003) como um conjunto de conceitos, afirmações e explicações originadas na vida cotidiana por intermédio das comunicações interindividuais e se igualam, em nossa sociedade, aos mitos e sistemas de crenças das sociedades tradicionais, podendo ser compreendidas também

como uma versão contemporânea do senso comum. Ante tais pressupostos, conclui-se que as representações sociais não se restringem ao coletivo durkheimiano. Elas são o resultado da interação entre os seres que se movem em direção uns dos outros. Disso decorre que as representações sociais se configuram como um conjunto de opiniões e imagens construídas pelas pessoas sobre um determinado objeto, em função do contexto histórico de suas vidas. A teoria das representações sociais veio, dessa forma, preencher uma lacuna existente nas teorias sociológicas e psicológicas, em que o enfoque sociedade-indivíduo não era feito de forma conjunta, integrada, mas separadamente. Assim, Moscovici (1995) indica que a Teoria das Representações Sociais “conduz um modo de olhar a Psicologia Social que exige a manutenção de um laço estreito entre as ciências psicológicas e as ciências sociais” (p. 8). Certamente um dos maiores méritos de Moscovici foi justamente construir uma teoria capaz de mostrar a interação dialética entre os aspectos individual e social que perpassam o sujeito, suas ações e formas de interpretação da realidade.

As representações sociais, portanto, encontram-se ancoradas, segundo Denise Jodelet (2001), na encruzilhada entre um apanhado de conceitos sociológicos e psicológicos que, por um lado deve levar em consideração o funcionamento cognitivo e, por outro, o funcionamento dos sistemas sociais, dos grupos e das interações, na medida em que afetam a gênese, a estrutura e a evolução das representações que são afetadas por sua intervenção.

3.2 – A Teoria das Representações Sociais

As representações sociais são compreendidas por Moscovici (1961/1978) como entidades “quase tangíveis”, presentes na realidade, que se manifestam em palavras e expressões, em produções e consumo de objetos, em relações sociais. Para ele, “correspondem, por um lado, à substância simbólica que entra na elaboração e, por outro, à prática que produz a dita substância, tal como a ciência ou os mitos correspondem a uma prática científica e mítica” (p. 41). Todavia, o autor alerta para a dificuldade de se apreender o conceito de representações, diferentemente do que ocorre com sua realidade.

De início é preciso compreender que as representações sociais, assim como concebidas por Moscovici (1961/1978), devem levar em consideração que não existe um rompimento entre o universo exterior e o universo interior do indivíduo ou do grupo. Também não se pode considerar que o sujeito e o objeto são categoricamente heterogêneos em seu campo comum. O objeto está inserido em um contexto ativo e dinâmico que é considerado de forma parcial pelo sujeito ou pela coletividade, a partir do prolongamento do seu comportamento. Este objeto só existe enquanto função dos meios e métodos que

permitem conhecê-lo.

Entendida ainda como uma antropologia do mundo contemporâneo, Moscovici (1961/1978) postula que a TRS lida com os modos pelos quais os grupos dão sentido ao real, organizando-o e interpretando-o para si mesmos, para se comunicarem e funcionarem cotidianamente. Nessa perspectiva, Angela Arruda (2005), estudiosa da TRS, indica que um dos pressupostos da teoria é a construção social da realidade que se dá “em cada espaço social, se faz com códigos sociais, a partir do olhar que tal espaço e a experiência /informação /afetos do sujeito aí posto lhe facultam projetar sobre o objeto representado”. (p. 231). Essa também é a compreensão de Jodelet (2001), para quem a representação social tem pertença, ou seja, é representação de alguém sobre alguma coisa, tal como escreve a seguir:

Representar ou se representar corresponde a um ato de pensamento pelo qual um sujeito se reporta a um objeto. Este pode ser tanto uma pessoa, quanto uma coisa, um acontecimento material, psíquico ou social, um fenômeno natural, uma idéia, uma teoria etc.; pode ser tanto real quanto imaginário ou mítico, mas é sempre necessário. Não há representação sem objeto. Quanto ao ato de pensamento pelo qual se estabelece a relação entre sujeito e objeto, ele possui características específicas a outras atividades mentais. (Jodelet, 2001, p. 22).

No entendimento de Jodelet, os seres humanos sentem necessidades de obter informações sobre as coisas a sua volta. Essas informações ajudam as pessoas a saberem como se comportar no dia a dia, identificar e resolver problemas, por isso as representações são criadas. Ao conduzir as relações dos indivíduos com o mundo e com outras pessoas, as representações guiam e organizam os comportamento e as comunicações sociais.

De fato, Moscovici (1961/1978) indica que a origem da construção de uma representação social pelos indivíduos está na necessidade de pertença ao coletivo, em que as pessoas buscam agir de forma semelhante diante dos fatos cotidianos, sem que se exija delas a prudência de um especialista.

No que se refere à relação entre as representações sociais e as premissas científicas, Moscovici (2003) menciona uma distinção entre o que ele chama de universos consensuais e universos reificados, ambos próprios de mesma cultura, mas com diferenças fundamentais. No universo consensual, a sociedade é vista como um grupo de pessoas que são iguais e livres, cada uma com possibilidades de falar em nome de seu grupo. Nesse

universo, cada pessoa age como se fosse um “amador” responsável ou um “observador curioso”. São os políticos amadores, doutores, educadores, astrônomos que expressam suas opiniões, revelando seus pontos de vista. Já no universo reificado, explica Moscovici, a sociedade é vista como um sistema de diferentes papéis e classes, “cujos membros são desiguais. Somente a competência adquirida determina seu grau de participação de acordo com o mérito, seu direito de trabalhar ‘como médico’, ‘como psicólogo’, ‘como comerciante’, ou de se abster desde que ‘eles não tenham competência na matéria’” (p. 51- 52).

Assim, como todas as pessoas agem e se relacionam umas com as outras por meio dos processos de comunicação, Moscovici (1961/1978) diz que o lugar das representações sociais é o universo consensual no qual a linguagem e o simbolismo desempenham o importante papel de facilitadores para a construção das representações de uma realidade, onde o desconhecido é simbolizado e transformado em conhecido. O autor postula ainda que “toda representação é composta de figuras e de expressões (...), é a organização de imagens e linguagem, porque ela realça e simboliza atos e situações que nos tornam comuns” (p.25). O autor sinaliza que é graças às representações que “os homens tornam inteligível a realidade física e social, inserem-se num grupo ou numa ligação cotidiana de trocas e liberam os poderes de sua imaginação” (p. 28).

Ainda na busca por explicitações capazes de elucidar o processo de elaboração das representações sociais, Moscovici (2003) escreve que elas não são criadas por indivíduos isoladamente, mas uma vez criadas, “elas adquirem uma vida própria, circulam, se encontram, se atraem, se repelem e dão oportunidade ao nascimento de novas representações, enquanto velhas representações morrem” (p. 41). Ele acrescenta ainda que, para se compreender e explicar uma representação, é necessário começar com aquela, ou aquelas, das quais ela nasceu e quanto mais sua origem é esquecida e sua natureza convencional ignorada, mas fossilizada ela se torna. Sobre isso ele escreve que o que é ideal, materializa-se gradualmente; deixa de ser transitório, incerto e mortal para se tornar algo duradouro, permanente, quase imortal.

As representações são então, uma maneira de interpretar e comunicar, mas também de produzir e elaborar conhecimentos. É nisso que consiste seu caráter sui generis. Moscovici (1961/1978) conceitua que, “são conjuntos dinâmicos, seu status é o de uma produção de comportamentos e de relações com o meio ambiente, de uma ação que modifica aquelas e estas e não de uma reprodução desses comportamentos ou dessas relações, de uma reação a um dado estímulo exterior” (p.50).

Todas essas afirmações acerca das representações sociais mostram que elas são fenômenos complexos que estão constantemente em ação na vida social e são ativados diariamente a partir de um saber que diz algo sobre o estado da realidade. É o que concede às representações sociais um status de práxis, porque ela está recheada de funcionalidades. Segundo Jodelet (2001) “é esta totalidade significante que, em relação com a ação, encontra-se no centro da investigação científica, a qual atribui como tarefa descrevê-la, analisá-la, explicá-la em suas dimensões, formas, processos e funcionamento” (p.21).

Enquanto formas de conhecimento prático, as representações sociais são carregadas de funcionalidade. Mary Jane Spink (1993), professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), destaca três funções das representações sociais: a função social, a

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