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CAPÍTULO IV – DEFININDO, IDENTIFICANDO E CLASSIFICANDO

4.1 Ilustre desconhecida

O gráfico 1 revela qual público e percentual foi consultado, no entorno da Praça Adolpho Cirne, para atendimento ao questionário que consta do apêndice G:

Gráfico 1 – Público ao qual se aplicou o questionário – apêndice G – natureza e percentual

17% 55% 7% 21% Transeunte Comerciante Vizinho Trabalhador

Fonte: Pesquisa de campo realizada em 08 jul.2016 no entorno da FDR. Total 30 pessoas. Elaboração: Fernando Batista

O gráfico 2 apresenta as questões fechadas dirigidas ao público indicado no gráfico 1:

Gráfico 2 – Questões acerca da Faculdade de Direito

Transeunte Comerciante Vizinho Trabalhador

Sabe o que funciona 5 16 2 6

Não sabe o que funciona 1

Sabe a história 1 2

Não sabe a história 5 14 6

Já entrou 2 6 1 1

Nunca entrou 3 10 1 5

Tem vontade de entrar 1 4 1 5

Não tem vontade de entrar 2 6

Sabe o que funciona Não sabe o que funciona Sabe a história

Não sabe a história Já entrou

Nunca entrou

Fonte: Pesquisa de campo realizada em 08 jul.2016 no entorno da FDR. Total 30 pessoas. Elaboração: Fernando Batista

O gráfico 3, aplicado em momento diverso, reflete o resultado obtido mediante a aplicação do questionário fechado limitado à indagação: “Você conhece a Faculdade de Direito?”

Gráfico 3 – Público do entorno que respondeu à pergunta: “Você conhece a Faculdade de Direito?”

0 10 20 30 40 50 60

Comerciante Transeunte Trabalhador

SIM 25 60 15

NÃO 2 0 10

SIM NÃO

Fonte: Pesquisa de campo realizada entre os dias 11 a 15/07/2016, das 14h às 16h. Elaboração: Fernando Batista

O questionário aplicado revelou que a maioria dos questionados sabem o que funciona naquele prédio histórico. A minha indagação, afirmavam súbito: “Faculdade de Direito do Recife”. Apenas uma comerciante, cujo negócio na rua do Hospício, encontra-se a cinco passos meus da esquina da rua do Riachuelo, de onde se descortina a FD, afirmou desconhecê-la. Ao me informar que mora em Olinda, espantei-me, pois a maioria dos coletivos que atende aquela área da região metropolitana trafega necessariamente pelas vias que circundam a FD nos sentidos subúrbio-centro e vice-versa. A comerciante, no entanto, lembrou-me que há a linha “Pelópidas-Conde da Boa Vista”, utilizado pela mesma cotidianamente.

Entre o público questionado, 100% dos transeuntes e dos trabalhadores da redondeza nada sabem da história FD, mesmo identificando-a na mesma proporção.

Entre os comerciantes, 87,5% desconhecem a história da FDR, embora 100% afirmem conhecê-la. Os 12,5% que declararam conhecer, citaram-na como a mais antiga Faculdade. Um dos questionados citou o ano de 1832, como sendo o da fundação. Um dos vizinhos citou

Tobias Barreto e o ano de 1909 como sendo o da fundação daquele prédio; o outro mencionou que ali pessoas importantes para a História foram formadas.

Indagados se já entraram no prédio, responderam negativamente: 60% dos transeuntes; 62,5% dos comerciantes; 50% dos vizinhos; e 67% dos trabalhadores. Dos transeuntes que já entraram na FD, um afirmou que prestara serviço para a empresa para a qual são terceirizados os serviços de limpeza e outro afirmou que a visita ocorreu em decorrência de uma visita escolar. Dos comerciantes, uma comerciante que atua na área há mais de 10 anos e herdou o negócio da mãe, afirma que na época da adolescência, enquanto a mãe trabalhava costumava brincar “lá dentro”. Quatro comerciantes, 67% dos que declararam que já entraram no prédio, afirmam que lá estiveram única e exclusivamente para uso dos sanitários. Apenas 33% declararam que entraram para conhecer o prédio. O questionado que se identificou como vizinho da área e vinculou o seu acesso ao prédio ao fato de ser funcionário do Estado, também. Quis dizer, servidor público como eu me identifiquei quando questionado pelo meu interlocutor. O único trabalhador que declarou que já entrou no prédio, afirma que o fez para estudar na biblioteca.

Considerando os que afirmaram que nunca entraram na FD, indagados se têm vontade de conhecê-la, apenas um dos transeuntes respondeu positivamente. No entanto, quando o questionei sobre porque não já o fizera, o interlocutor disse acreditar se tratar de um prédio particular, porque é tudo fechado, mesmo declarando que acredita que lá existe um museu, muita antiguidade.

Dos identificados como comerciantes que declararam que nunca entraram, constatei que 40% gostariam de entrar na FD por curiosidade. Desse total, 50% declarou que o que pensa encontrar lá são salas de aula; 25% não sabe; e 25% mencionou a biblioteca com livros muito antigos e muito conhecimento.

O vizinho que demonstrou interesse em entrar na FD, afirmou que pensa encontrar lá a história do Estado.

Dos 100% dos trabalhadores que declararam que nunca entraram na FD, todos gostariam de conhecer a edificação por dentro. Desse percentual, 40% mencionaram que acreditam que lá encontrarão História; 20%, antiguidade; 20% mencionou a estrutura; 20% salas de aula, “que é o que toda faculdade tem”.

Dois dos trabalhadores ouvidos são funcionários do restaurante Vida Longa, situado na rua 7 de setembro, ao lado da FD. Trata-se de um espaço muito frequentado pela

comunidade universitária: professores, técnicos e estudantes da FDR. Assim, os trabalhadores afirmaram que durante o recesso da Faculdade, o restaurante só abre para almoço e citaram espontaneamente os nomes de alunos e professores que o frequentam.

Conhecida pela maioria dos que transitam, trabalham e vivem naquela área do Recife, a Faculdade de Direito do Recife se tornou uma referência. Durante as minhas andanças, presenciei, ao menos, duas pessoas falarem ao celular, enquanto esperavam seus coletivos: “estou na parada da Faculdade de Direito”. Nos ônibus, indaguei, vez por outra, em diferentes ocasiões, de usuários como eu, de cobradores e vendedores ambulantes, “que prédio é esse?”, quando o coletivo passava ao lado da FD. Disseram-me todos: “É a Faculdade de Direito!” E muitos me indagaram, em seguida: “O senhor não é daqui, não?”

Mas o que constatei é que a maioria desconhece a história da edificação que tem como referência e a julgar pelo desinteresse em conhecê-la, não sei se lhes afligiriam a ruína daquele prédio como assistimos nos dias atuais ocorrer com o prédio do Diário de Pernambuco, na “pracinha do Diário”, outra referência para os recifenses. Para muitos deles, mais importante é um sanitário.

Se a antiguidade do prédio – fator reconhecido pelos populares, acredito, em decorrência da arquitetura que o diferencia – parece mobilizar, mesmo por alguns segundos, a atenção; por outro demonstra que muitos associam este fator à ideia que possuem de museu.

A menção ao ano de 1832 por um interlocutor ao se referir àquele prédio, mostra que a edificação traz consigo o peso de toda a instituição, desde a fundação no início do século XIX, em Olinda. Daí ser reconhecida como um repositório da história, como imaginado por aqueles que manifestaram desejo em conhecê-la. Apesar de parecer a alguns, como visto, um prédio particular, “porque tudo é fechado”.

Reflete-se, assim, a não sensibilização da sociedade para a importância dos bens culturais, comprometendo, assim, a elaboração de um planejamento estratégico de conservação do patrimônio, cuja eficácia, segundo os autores, depende, dentre outros pré- requisitos, dessa sensibilização social (COSTA, 2016). Processo que não é assumido pelo poder público, muito menos por instituições como a UFPE e, menos ainda, pela própria FDR.