3.4 ESPÉCIES DE DIREITOS DE PERSONALIDADE 47.
3.4.1 Imagem
A imagem seria uma das espécies dos direitos de personalidade, sendo dividida em duas, quais sejam: imagem-retrato e imagem-atributo. O primeiro tipo de imagem seria o aspecto físico da pessoa. Já a imagem-atributo consubstanciaria a exteriorização do indivíduo perante a sociedade da qual faz parte.
Em consonância com Carlos Alberto Bittar, ao tratar do tema sob testilha, in verbis: Consiste no direito que a pessoa tem sobre a sua forma plástica e respectivos componentes distintos ( rosto, olhos, perfil, busto) que a individualizam no seio da coletividade. Incide, pois, sobre a conformação física da pessoa, compreendendo esse direito um conjunto de caracteres que a identifica no meio social. Por outras palavras, é o vinculo que une a pessoa à sua expressão externa, tomada no conjunto, ou em partes significativas ( como a boca, os olhos, as pernas, enquanto individualizadoras da pessoa).102
De acordo com Roxana Cardoso Brasileiro Borges a imagem é a representação física do ser humano, por meio de fotos, vídeos, filmes, pinturas artísticas e outros
101 Op.cit., p. 17. 102 Ibidem, p. 94.
meios que reproduzam partes do corpo do ser humano ou sinais físicos que possam identificar e reconhecê-lo. Em sua concepção negativa o direito à imagem não permite que terceiros sem a devida autorização do titular do referido direito de personalidade registre, reproduza ou a utilize. Ressalta ainda a autora, que somente algumas situações autorizam a exposição da imagem sem o consentimento da pessoa, como o exemplo dos cargos públicos, funções políticas, notoriedade artística, situações que reportem exigências de administração de justiça e manutenção da ordem pública, imagens registradas em locais públicos, compondo o cenário público sem qualquer destaque para a pessoa que faz parte do contexto (fotos de fugitivos).103
A violação ao direito de imagem poderá dar ensejo à querela judicial, na qual o ofendido poderá pleitear danos materiais e morais, pelo uso não autorizado de sua imagem. Além disso, o ofendido poderá requerer a cessação da exposição de sua imagem, assim como a destruição dos meios físicos utilizados e inclusive tutela inibitória preventiva, conforme se pode constatar no artigo 20 do novel código civil. Para Roxana Cardoso Brasileiro Borges alertando os seus leitores para o fato de que da existência da concepção positiva dos direitos de personalidade no tocante ao uso da imagem, por meio de contrato, que deverá ser bem detalhado, principalmente quanto ao tempo de uso, em virtude de não poder ser ilimitado, aos seus objetivos, dentre outros condições. Alerta ainda o leitor para a possibilidade de retração ou de revogação da declaração de vontade, que não se submeterá ao inadimplemento culposo e não poderá ser objeto de execução forçada, mas sim de perdas e danos, por frustrar as expectativas da outra parte, assim como ferir a boa-fé objetiva e se vislumbrar abuso de direito.104
Por conseguinte, Francisco Amaral leciona que o direito à imagem pertence à pessoa, somente podendo ser publicado por ela ou mediante autorização. Ressalta ainda que é plenamente lícita a caricatura, desde que não seja ofensiva.105
Em consonância com Silvio de Salvo Venosa ao tratar do tema objeto de discussão o artigo 20 do código civil autoriza ao ofendido pedir ao Estado-Juiz a proibição da divulgação de escritos, palavra, ou a publicação, exposição ou a utilização da
103 Op.cit., p.157. 104 Ibidem, p. 159-160. 105 Op.cit., p. 269.
imagem de um indivíduo, sem prejuízo da indenização cabível, se for atingida a honra, boa fama ou respeitabilidade ou se destinarem a fins comerciais. Contudo, não se pode deixar de lado quando o ofendido nega-se a divulgar a sua imagem sob qualquer fundamento, respeitando os limites e exceções previstos na legislação, tais como: necessidade da administração da justiça, manutenção da ordem pública, dentre outras. Portanto, o simples fato de haver captura de imagem sem autorização do ofendido, basta para a configuração de ato ilícito.106
O STJ julgando o Recurso Especial nº 270730/RJ, em sua 3ª Turma, tendo como Relator Ministro Carlos Alberto Menezes Direito, ao analisar caso envolvendo pessoas que tem a imagem veiculada na mídia sem autorização, exarou a seguinte decisão:
Recurso Especial. Direito Processual Civil e Direito Civil. Publicação não autorizada de foto integrante de ensaio fotográfico contratado com revista especializada. Art. 20 CC. Dano Moral. Configuração- É possível a concretização do dano moral independentemente da conotação média de moral, posto que a honra subjetiva tem termômetro próprio inerente a cada individuo. É o decoro, é o sentimento de auto-estima(sic), de avaliação própria que possuem valoração individual, não se podendo negar esta dor de acordo com sentimentos alheios – Tem o condão de violar o decoro, a exibição de imagem nua em publicação diversa daquela com quem se contratou, acarretando alcance também diverso, quando a vontade da pessoa que teve sua imagem exposta era a de exibi-la em ensaio fotográfico publicado em revista especializada, destinada a público seleto. ...
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Para Orlando Gomes, ao tratar do tema objeto de discussão, o retrato do ser humano não pode ser reproduzido sem o consentimento deste, salvo vislumbre aspectos ligados à notoriedade, exigências de política e de justiça, finalidades científicas, culturais, lugares públicos ou fatos público, que excepcionalmente autorizam a captação de imagem sem autorização.108
A imagem do ser humano, sem dúvida é um dos principais aspectos da personalidade e atributo fundamental, por conseguinte, o uso indevido da imagem traz como consequências situações vexatórias e de prejuízo moral e econômico. Ressalte-se que a situação deve ser avaliada caso a caso, para se saber se houve
106 Op.cit., p. 174-175.
107 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial n 270730/RJ., Recorrente: Maite
Proença Gallo, Recorrido: S/A Editora Tribuna da Imprensa. Relator: Carlos Alberto Menezes Direito, Brasília, D.J. 07/05/2001. Disponível em: www.stj.gov.br. Acesso em: 14 fev. 2010.
ou não abuso na divulgação da imagem, pois nem sempre o será, pois se assim não fosse, restaria inviabilizado qualquer noticiário televisivo, jornalístico ou similar. Por conseguinte, Heloisa Prado Pereira e Renato Avelino de Oliveira Neto ao realizar digressões acerca do tema, afirmam que: “Vários mecanismos jurídicos asseguram a defesa da personalidade contra intromissões ilegítimas, consistentes na exposição, reprodução ou comercialização da imagem de uma pessoa sem o seu consentimento.”109