JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ ANUAL
5. QUALIDADE DA ÁGUA 1 Metodologia
5.3 Avaliação de Impactes na Fase de Enchimento e Exploração 1 Introdução
5.3.4 Impactes para Jusante e no Rio Tâmega, na Cidade de Amarante
A presença da Barragem de Jusante a cerca de 500 m a montante da foz do Rio Ôlo e a uma distância de cerca de 6 km permite criar condições para intervir na regularização de caudais para jusante e para constituir uma reserva de água em situações de carência. A Barragem de Jusante está prevista apenas com o objectivo de regularizar os caudais gerados na produção de energia na barragem principal, garantindo assim a descarga para jusante sem qualquer afectação negativa.
Esta capacidade de regulação permite atenuar as condições de cheias no período húmido contribuindo assim para evitar as condições mais gravosas, e no período seco, devido à reserva de água constituída, permite lançar para jusante maiores caudais do que aqueles que em condições naturais passam em Amarante nos meses de Junho, Julho, Agosto e Setembro.
Registe-se que o Rio Ôlo, ao não sofrer qualquer alteração, manterá todo o seu contributo natural que é significativo nos meses de carência devido às suas características em que mantêm caudais apreciáveis, nalguns casos mais significativa neste período que o rio Tâmega.
Nos Quadros IV. 16 e IV. 17 (ponto 4.3.3.3.4) pode verificar-se a variação prevista de afluências em relação à situação natural, sendo relevante sublinhar que haverá uma diminuição das afluências em Abril, o que poderá ser muito favorável a Amarante pois poderá antecipar uma melhor relação com o rio que normalmente não é utilizável ainda neste mês devido aos caudais muito elevados. Com esta reserva é possível melhorar as afluências em Junho, Julho e Agosto já que em Maio e Setembro a previsão é de que, praticamente, se mantenham as afluências actuais.
Assim, em Junho prevê-se 152% para o NPA 160 ou 155% (NPA 165), em Julho para mais do dobro (205% para o NPA 160 e 211% para o NPA 165) e em Agosto, de 151% no NPA 160 e 155% para o NPA 165.
Esta capacidade de disponibilidades é muito importante e significativa tanto mais que poderá ser feita de forma descontínua e em conformidade com os interesses da cidade de Amarante, já que a flexibilidade do sistema será maior no período de carência da albufeira, com maior capacidade de retenção na albufeira de jusante devido às fracas afluências à albufeira principal e aos períodos mais irregulares de turbinamento.
Para se compreender a importância positiva desta disponibilidade foi feita uma avaliação da situação actual da qualidade da água em Amarante, que complementa o estudo que foi feito no âmbito do descritor Hidrologia sobre o comportamento dos caudais nesta cidade (Cap. IV., ponto 4.3.3.1).
No Anexo F.2 do Volume 3 – Anexos faz-se a avaliação das amostragens e análises realizadas pela EDP entre 2006 e 2008 num ponto situado junto à ponte de S. Gonçalo em Amarante, no açude que constitui o principal plano de água desta cidade.
Estas análises demonstram com clareza uma evolução típica e expectável em relação aos vários períodos do ano.
No Quadro 2 do Anexo F.2 do Volume 3 – Anexos, verifica-se haver estabilidade na qualidade da água nos períodos de Primavera, Outono e Inverno.
Pelo contrário a situação do período do Verão é claramente negativa com o aumento sensível da temperatura da água e um crescimento muito acentuado da concentração de clorifilia-a numa clara demonstração dos fenómenos de eutrofização.
Todos os outros parâmetros estão de acordo com esta degradação. O facto desses valores não serem evidentes nos parâmetros de nitratos e fósforo só corresponde ao evidente consumo destes nutrientes pelo crescimento algal.
Igualmente preocupante é a situação dos parâmetros bacteriológicos que apresentam (Quadro 3) valores de águas poluídas, mostrando uma poluição com origem provável em águas residuais urbanas não tratadas e que constituem um risco elevado como água de contacto humano.
Na observação directa feita no local acresce a estas análises o facto de os fracos caudais que chegam ao plano de água de Amarante e que, nalguns períodos chegam a ser quase nulos, não têm força suficiente para arrastarem os resíduos que se vão acumulando neste plano de água com um efeito paisagístico muito negativo.
De facto, as características do plano de água dão origem a que essas afluências definam percursos em certas zonas deixando nas zonas marginais, zona de acumulação de resíduos que estão no essencial identificadas no texto e na FIG. V. 11 do ponto 4.3.3.1.
Deste modo a barragem e a sua disponibilidade de água poderá dar um contributo inestimável para a minimização destas situações de grande desvalorização de um factor que deveria ser importante para a cidade no período de maior afluência em que existe uma clara apetência para aproximação do plano de água.
Não sendo a disponibilidade da albufeira de Jusante naturalmente suficiente para um aumento de caudais constante que altere profundamente a situação, o que se sugere é se faça uma gestão adequada e condicionada de modo a criar condições de renovação das águas estagnadas.
Os valores da temperatura da água serão reduzidos nalguns graus pois não se espera que a água turbinada no período de Verão seja superior a 18ºC, sendo improvável que ocorram situações acima de 20ºC. Isto contituirá uma melhoria sensível pois as temperaturas médias na água em Amarante no Verão são de 25,6ºC (valores medidos). Todos os outros parâmetros serão provavelmente melhorados em conformidade, eliminando-se as concentrações de clorofila-a na água, assim como a maior quantidade de sais.
Essas acções especiais permitirão por exemplo de duas em duas semanas (ou menos se houver disponibilidade e interesse) nos períodos críticos fazer essa renovação garantindo condições de uso lúdico e turístico que serão uma grande valorização para Amarante. O mesmo processo pode ser utilizado para o apoio à gestão da futura pista de águas bravas, cuja utilização só será possível no período de carência com a colaboração das descargas da barragem.
5.4 Síntese de Impactes
Em síntese, a classificação de impactes descritos anteriormente para a fase de construção e para as fases de enchimento e exploração pode ver-se nos Quadro V. 21 e Quadro V. 22
Quadro V. 21 – Classificação de Impactes na Fase de Construção – Qualidade da Água Impacte estruturas principais Construção das intervenções e Medidas,
demolição
Desmatação da área da albufeira
Qualificação Negativa Negativa Negativa
Magnitude Moderada / Elevada Reduzida Elevada
Incidência Indirecta Indirecta Indirecta
Grau de Certeza Certa Certa Certa
Duração Temporária Temporária Temporária
Ocorrência Imediata Médio prazo Médio prazo
Dimensão Espacial Local Local Local
Reversibilidade Reversível Reversível Reversível Capacidade de minimização
ou compensação Minimizável Minimizável Minimizável Significância Pouco significativo Pouco significativo Significativo
Quadro V. 22 – Classificação de Impactes nas Fases de Enchimento e Exploração – Qualidade da Água
Impacte Futura albufeira Jusante Qualificação Negativa Positiva
Magnitude Elevada Moderada
Incidência Directa Directa
Grau de Certeza Certa Certa
Duração Permanente Permanente
Ocorrência Imediata Imediata
Dimensão Espacial Regional Local Reversibilidade Irreversível Irreversível Capacidade de minimização
ou compensação Minimizável Potenciável Significância Muito significativa Significativa
6. QUALIDADE DO AR