B 4.210 É um grupo financeiro de âmbito nacional, integrado por um vasto número de bancos locais e por empresas especializadas.
6. Discussão e conclusões
6.1 Resposta às questões de partida
6.1.3 Impacto da crise no aumento da conflitualidade dentro das equipas
A terceira questão de partida pretende identificar se a crise provoca o aumento da conflitualidade dentro da equipa. Expectavelmente, a ameaça externa da crise deveria levar a esse aumento de conflito, com o crescente nervosismo, stress e ansiedade nos elementos da equipa. Apesar de, no geral, os entrevistados fazerem referência a um nível elevado de cansaço e stress para o cumprimento dos objetivos, a opinião global junto dos entrevistados é de que a conflitualidade não aumentou dentro das equipas.
Tal deve-se ao facto de - integrados num espírito de entreajuda, que caracteriza a maior parte das equipas analisadas - cada um evitar contagiar os outros elementos com as suas preocupações, procurando não cair numa espiral de sentimento negativo.
Segundo Vries (2011), o moral positivo poderá contagiar os outros criando um sentido de colaboração e de entreajuda.
A maior parte dos entrevistados considera que o trabalho deve ser realizado com entusiasmo, sentido de humor, e que todos devem estar centrados no elemento que eventualmente se sentir mais fragilizado. Os entrevistados evitam entrar em conflito pela manutenção de um bom clima de trabalho.
Segundo Puente-Palacios (2010), numa equipa de trabalho, o clima resulta de perceções individuais, no entanto vem demonstrar a partilha das perceções do coletivo. Na mesma perspetiva, considera a autora que, o comprometimento do indivíduo com a equipa decorre o seu envolvimento perante as metas e os valores da mesma, o que lhe permite efetuar grandes esforços em favor da equipa.
Tal acontece com os entrevistados do estudo, que se encontram na sua maioria muito envolvidos com as metas a atingir, e apesar de se sentirem por vezes pressionados, e desmoralizados, fazem o esforço para não contagiar os outros com os sentimentos menos positivos.
Este facto não se verificou na instituição com maiores incertezas face ao futuro. Neste caso, os indivíduos estão demasiadamente desequilibrados psicologicamente, sendo que qualquer situação menor poderá ser um fator de conflito.
Na maior parte dos casos analisados, os estados de nervosismo e stress, podem por um lado dever-se à existência de maiores pressões em termos de objetivos fixados, mas devem-se sobretudo à “ameaça” de emprego, que o setor bancário apresenta.
Apesar de todos os entrevistados se encontrarem efetivos nas instituições onde trabalham, não deixam de perceber que outras instituições já estão a reduzir os quadros de pessoal, numa ótica de otimização de recursos e de redução de custos, para ultrapassar a fase de menor negócio, consequente da crise.
Variadas ocorrências deste tipo têm sido verificadas no setor bancário em Portugal, no momento em que este estudo foi realizado, sendo demonstrativo desse facto um conjunto de notícias publicadas na comunicação social, e das quais os entrevistados deste estudo tomaram conhecimento.
Segundo uma notícia publicada em 7 de Fevereiro de 2012 no Diário Económico, «todos os colaboradores efetivos do banco F (não incluído no estudo),
Foram 2.100 os funcionários do banco F em Portugal que ontem receberam no seu e- mail uma proposta de rescisão de contrato (…). O plano de redução de custos admite ainda a possibilidade de fechar balcões em Portugal. (…) A empresa recusa-se a falar num plano de despedimentos e explica esta medida com a necessidade de reduzir a base de custos face o contexto de contração mundial (…).»
Ainda sobre o mesmo assunto, o i-online em 8 de Fevereiro de 2012 acrescenta que «as propostas de rescisão (…) são encaradas pela administração como
“voluntárias”, um processo de candidatura para os interessados. Para motivar as candidaturas, o banco F explica que está a oferecer condições de rescisão com um “conjunto de condições muito superior ao que a lei estipula”.»
Em 17 de Março de 2012, a revista Dinheiro Vivo traz a público uma notícia sobre a ameaça dos empregos em dois bancos internacionais de grande dimensão, referindo que «o banco G (não incluído no estudo), detido em 40% pelo executivo
britânico, avançou que irá eliminar 1300 postos de trabalho e transferir outros 300 para a Índia. Já foram suprimidos em janeiro 720 empregos e em fevereiro 718. Em comunicado a entidade afirmou que irá atuar "com sensibilidade", sublinhando que o corte de trabalhadores "é sempre o último recurso". Por seu lado, o banco H, com 82% de participação pública, despedirá 464 funcionários, entre os quais se encontram trabalhadores dos escritórios de Londres, Edimburgo, Leeds e Bristol. (…)»
O Jornal de Negócios publica em 9 de Maio de 2012 a seguinte notícia referente a mais um banco nacional: «O banco está em processo de racionalização dos seus
balcões através de fusões de agências” próximas, revelou o presidente do banco (…).» No primeiro trimestre o banco encerrou 10 agências e 20 pontos de venda. No conjunto do ano, o banco pretende aumentar para 30 o número de balcões a encerrar. Quanto à redução de pessoal, (…) apenas haverá saídas normais, por reforma ou iniciativa própria, e que no primeiro trimestre, o quadro de pessoal reduziu-se em 94 pessoas.»
Segundo o Expresso/ Exame publicam em 6 de Julho de 2012, outra instituição bancária em Portugal, inicia um processo de despedimentos coletivos, como consequência das exigências da “Troika”. «As negociações entre o banco I e cerca de
300 trabalhadores, com vista ao seu despedimento, estão a ser feitas, pelo menos, em hotéis de Lisboa, Porto, Braga e dos Açores e Madeira. (…) Foram contactadas telefonicamente 300 pessoas, mas os trabalhadores (…) admitem que possam vir a ser
chamadas a negociar mais 200 pessoas. O objetivo do banco I é despedir cerca de 300 trabalhadores. "O banco está à procura de chegar a um acordo com um conjunto de pessoas no sentido de conseguir a saída das mesmas de forma amigável", diz fonte oficial do Banco. O objetivo, acrescenta, é atingir metas que têm a ver com o processo de reestruturação (emagrecimento) e capitalização do banco (…).»
Esta “onda” de despedimentos não diz respeito apenas ao setor financeiro ou da banca, no entanto este acaba por ser um dos mais afetados.
A 11 de Julho deste ano, segundo o jornal de Negócios a Organização Internacional do Trabalho (OIT) alerta que «os países da Zona Euro arriscam-se a
perder mais 4,5 milhões de postos de trabalho nos próximos quatro anos, se forem mantidas as atuais políticas de austeridade. Segundo a organização, "sem uma mudança pronta de políticas - para lidar com a crise e recuperar a confiança e apoio dos trabalhadores e empresas- será difícil implementar as reformas necessárias para colocar a Zona Euro de novo num caminho de estabilidade e crescimento. (…)»
Segundo o Jornal de Negócios de 13 de Julho 2012, a banca portuguesa já dispensou desde o início do ano mais de 600 trabalhadores. «Tem sido assim que, desde
o início do ano, diversos bancos a operar em Portugal têm ajustado o seu quadro de pessoal à redução da atividade bancária.» Estas reduções de pessoal vão desde processos com repercussão mediática, conforme os excertos apresentados anteriormente, até às negociações «feitas na discrição das direções de recursos humanos». Segundo o artigo publicado, nos três primeiros meses do ano, os 4 maiores
bancos portugueses terão dispensado 112 colaboradores. Para já não há conhecimento público de que outras instituições possam vir a avançar com mais processos de rescisão, no entanto «a redução da atividade e da rentabilidade bancária deixa por definir novos
movimentos nesse sentido.» A redução de pessoal tem vindo a ser feita no setor bancário
também pelo encerramento de balcões (mais de 50 desde o início de 2012), e devido a essa redução tem vindo a ser necessária a eliminação de postos de trabalho.
Perante o exposto, os entrevistados que fizeram parte deste estudo, apesar de procurarem manter o espírito positivo e a motivação para a execução das tarefas em
equipa, no sentido de melhorarem a atuação da instituição bancária a que pertencem, sentem-se apreensivos, nervosos, e por vezes com elevados níveis de stress.
Na realidade, as instituições a que pertencem os entrevistados ainda não sofreram estes processos de redução de pessoal, mas cada um por si, teme pelo seu próprio futuro, dada a incerteza apresentada em todo o setor bancário. O sentimento geral é de que pode vir a ser uma realidade também nas instituições em que trabalham, no entanto este estado de espírito de apreensão dos indivíduos em causa, não tem vindo a provocar o aumento da conflitualidade dentro das equipas. Procura-se a todo o momento evitar o efeito de contágio. A comunicação positiva dentro da equipa é neste ponto um fator fundamental. Segundo Gilmore (2010), é mais importante a forma como as pessoas comunicam entre si, do que aquilo que comunicam. Uma comunicação positiva, que promova a positiva relação interpessoal entre os elementos da equipa, tenderá a trazer resultados mais positivos no desempenho global da equipa.