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Impacto do petrecho de pesca no substrato

Para avaliar os impactos da pesca no habitat conforme os critérios do Seafood Watch®, desenvolvemos uma matriz para ajudar a determinar os possíveis impactos que diferentes petrechos de pesca podem causar em diversos tipos de habitat. A matriz foi desenvolvida com base em trabalhos semelhantes realizados pelo New England Fisheries Management Council (NEFMC 2010) e Pacific Fisheries Management Council (PFMC 2005).

O NEFMC (2010) criou um modelo “Swept Area Seabed (SASI)”, que avaliou as informações sobre susceptibilidade e recuperação de habitats. A susceptibilidade e a recuperação foram pontuadas (0–3) com base nas informações encontradas na literatura científica e suplementadas com julgamento profissional, quando os resultados da pesquisa foram deficientes ou inconsistentes.

“Vulnerabilidade foi definido como a combinação da susceptibilidade do recurso ao efeito do petrecho e a rapidez com que ele pode se recuperar após o impacto da pesca. Susceptibilidade foi definido como a mudança percentual no valor funcional de um componente de habitat devido ao efeito do petrecho, e recuperação foi definido como o tempo em anos que seria necessário para o valor funcional dessa unidade de habitat ser restaurado (ASFMC 2010).”

O PFMC (2005) criou uma escala de sensibilidade de habitat similar (0–3) que representa a sensibilidade relativa de diferentes habitats aos impactos de petrechos diferentes. A sensibilidade dos habitats do PFMC (2005) foi baseada nos impactos reais relatados na literatura científica.

Os impactos relativos por petrecho e tipo de habitat usados para a matriz do Seafood Watch® foram baseados no somatório dos valores de sensibilidade e recuperação a partir de tabelas desenvolvidas pelo NEFMC (2010) (substratos) e o PFMC (2005) (biogênico). O NEFMC (2010) excluiu corais de

profundidade com tempos de recuperação extremos. Os valores para corais de profundidade nesta matriz são o somatório das pontuações de sensibilidade e recuperação do PFMC (2005). Outros habitats biogênicos não incluídos nas tabelas de dados do NEFMC (2010) são: sargaços, recifes de esponja (em vez de esponjas individuais) e leitos de maerl. Devido à recuperação lenta e à importância desses tipos de habitat, eles receberam o mesmo valor do que os habitats de corais e esponjas, os quais estão listados como “biogênico”.

Hall-Spencer e Moore (2000) examinaram os efeitos da interferência da pesca nos leitos de algas calcárias. Os leitos de maerl são compostos de uma alga calcária e formam habitats com alto grau de complexidade. As assembleias de espécies associadas têm uma grande diversidade (Hall-Spencer e Moore, 2000). Hall-Spencer e Moore (2000) demonstraram que quatro anos após a interferência inicial de dragas de arrasto de vieiras ocorrer, parte da fauna, como o bivalve Limaria hians, ainda não havia recolonizado as marcas de passagem do arrasto. Da mesma forma, um trabalho realizado por Sainsbury et al. (1998; em Kaiser et al. 2001) sugere que as taxas de recuperação podem exceder quinze anos para habitats de esponjas e corais na costa oeste da Austrália.

As dragas hidráulicas de vôngole são classificadas como altamente preocupantes, de acordo com o Seafood Watch®. Há poucos estudos sobre o impacto desse tipo de petrecho, por isso nos valemos da opinião de especialistas (NEFMC 2010). As dragas hidráulicas de vôngole são usadas principalmente em substratos de areia e seixos, pois não podem ser operadas em lama ou em habitats rochosos (NEFMC 2010). Esse tipo de petrecho é eficaz para a pulverização e/ou remoção de sólidos e aplanar a topografia do leito do mar (NEFMC 2010). Além disso, os habitats nos quais esse tipo de petrecho é usado são muito suscetíveis a dragas hidráulicas; a recuperação é, em média, moderada (NEFMC 2010). Isso leva o Seafood Watch® a classificar dragas hidráulicas como “altamente preocupantes”. As dragas hidráulicas não operam em corais de profundidade ou outros habitats biogênicos.

Neckles et al. (2005) descobriram diferenças significativas na biomassa de zostera entre sítios danificados e de referência até sete anos após a dragagem. Os autores calcularam que seriam necessários, em média, 10,6 anos para a densidade da zosfera se recuperar em áreas de dragagem intensa.

As redes de cerco demersais não foram avaliadas nos relatórios de Fuller et al. (2008), Chuenpagdee et al. (2003), NEFMC (2010) ou PFMC (2005). As redes de cerco demersais incluem: redes de cerco dinamarquesas, redes de cerco escocesas e redes de cerco de parelha. Essas redes de cerco são semelhantes ao petrecho de arrasto de fundo, pois têm uma rede em formato de funil com uma tralha de chumbo. Geralmente, são arrastadas por fios ou cordas e, embora sejam mais leves do que alguns petrechos de arrasto de fundo, criam danos ao habitat (Rose et al. 2000; Thrush et al. 1998; Valdemarason e Suuronen 2001). Uma revisão dos impactos das redes de arrasto realizada por Jones (1992) agrupou os arrastos de fundo, dragas e redes de cerco dinamarquesas como causando impactos semelhantes no bentos na avaliação dos efeitos ambientais do arrasto de fundo. Entretanto, estudos demonstraram que as redes de cerco dinamarquesas causam menos impacto no substrato em comparação com o arrasto de fundo (Gillet 2008). Por isso, em nossa matriz, elas recebem uma pontuação intermediária como mais prejudiciais do que espinhéis de fundo e emalhes de fundo, mas menos prejudiciais do que arrastos de fundo. Arrastos de vara também não foram incluídos nos relatórios, mas foram considerados semelhantes ao arrasto com portas.

A matriz desenvolvida com base nas fontes mencionadas acima está incluída na próxima página. Para uso na avaliação do Critério de Pesca, esses dados foram resumidos em categorias (baixo impacto, moderado, moderado-severo, severo e muito severo) para simplificar a utilização da tabela.

Matriz de impactos em habitat: impactos relativos por tipo de petrecho e habitat.

Os valores acima são o somatório dos valores de sensibilidade e recuperação nas tabelas da Seção 5.2 da Parte 1 do NEFMC (2010) (substratos) e nas Tabelas 4 e 5 no Apêndice C, Parte 2 do PFMC (2005) (biogênico). Os tipos de petrecho em preto são do modelo Swept Area Seabed Impact (SASI), usado para o processo EFH do NEFMC (NEFMC 2010). Os tipos de petrecho em vermelho são derivados dos petrechos em preto. Os tipos de substrato são autoexplicativos, exceto que lama inclui argila-silte e areia lamacenta, e rocha inclui pedra. O regime de energia é usado aqui como alternativa para a interferência natural, com um corte entre estabilidade baixa e alta na profundidade de 60 m. A maioria dos habitats biogênicos (macroalgas, anêmona cerianthus, poliquetas, corais Pennatulacea, esponjas, leitos de mexilhão e ostra) é incorporada nas pontuações para cada combinação de substrato/petrecho na tabela. O NEFMC (2010) excluiu especificamente os corais de profundidade com tempos de recuperação extremos. Os números para corais de profundidade nesta matriz são o somatório das pontuações de sensibilidade e recuperação (padronizada) do PFMC (2005). Outros habitats biogênicos que não foram incluídos nas tabelas de dados do NEFMC são os campos de sargaços, recifes de esponja (em vez de esponjas individuais) e leitos de maerl. Utilize a coluna “corais de profundidade” para esses habitats.

Deep-sea corals ** low high low high low high low high low high

Line, Vertical (BL/2) 0.5 0.5 0.6 0.5 0.8 0.8 1.0 0.9 1.0 1.0 1.3

Longline, Bottom**** 0.7 0.7 0.9 0.8 1.4 1.3 1.6 1.5 1.7 1.7 2.0

Trap (lobster and deep-sea red crab) 1.3 1.3 1.2 1.2 1.8 1.7 2.0 1.9 2.1 2.1 1.3

Gillnet, Bottom**** 1.3 1.3 1.5 1.4 2.0 1.9 2.2 2.1 2.3 2.3 3.0

Bottom Longline, Gillnet 1.0 1.0 1.2 1.1 1.7 1.6 1.9 1.8 2.0 2.0 2.5

Seine, Bottom (BL,G+TBO/2) 1.8 1.7 2.0 1.9 2.5 2.3 2.7 2.5 2.6 2.6 3.6

Trawl, Shrimp (BS+TBO/2) 2.2 2.1 2.5 2.3 3.0 2.6 3.0 2.8 3.0 2.9 4.1

Trawl, Bottom Otter 2.6 2.4 2.9 2.7 3.4 2.9 3.4 3.1 3.3 3.2 4.6

Dredge, New Bedford Scallop 2.6 2.4 3.0 2.8 3.5 3.0 3.5 3.2 3.3 3.2 5.1

Dredge, Hydraulic Clam 4.4 4.0 4.9 4.5

Explosives/Cyanide 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6

n/a*** n/a***

* Shrimp trawls tend to be lighter than bottom otter trawls for fish and do not need to touch the seabed to be effective.

** Most biogenic habitats (macroalgae, cerianthid anemones, polychaetes, sea pens, sponges, mussel and oyster beds) are incorporated into the scores for each substrate/gear combination in the table. NEFMC 2010 specifially excluded deep-sea corals. The numbers for deep-sea corals in this matrix are the sum of the sensitivity and (standardized) recovery scores in PFMC 2005. Other biogenic habitats that were not included in the NEFMC data tables include seagrass meadows, sponge reefs (rather than individual sponges) and maerl beds. Use the 'deep-sea corals' column for these habitats.

*** Scores not determined for hydraulic dredges in these habitats as the gear is assumed to not operate in them (NEFMC 2010).

**** NEFMC 2010 groups bottom longlines and gillnets as 'fixed gear' (not shown in table). These scores have been disaggregated here for substrate habitats only by adding 0.4 to the aggregated score for gillnets and subtracting 0.4 for longlines, base don the relative impacts shown in PFMC 2005 (i.e. that gillnets are generally more damaging than longlines).

Apêndice 6 – Tabela de modificação de petrechos de fundo