3. FUNDAMENTOS BÁSICOS
3.2. Impactos Ambientais
Para regularizar os impactos ambientais gerados pelas indústrias e atividades, cada país tem sua própria agência regularizadora, que estabelece definições, responsabilidades, critérios básicos e diretrizes gerais para a avaliação ambiental em atividades que podem alterar a qualidade do
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meio ambiente como, por exemplo, o desenvolvimento de um campo de petróleo e gás. No Brasil, a ANP regula as leis ambientais brasileiras relativas ao petróleo com base no CONAMA (BRASIL. Resolução CONAMA nº 001, de 23 de janeiro de 1986, 1986).
Considerando a expressiva atividade de exploração e produção de petróleo na costa brasileira, é importante que também sejam mapeados os principais recursos biológicos na área “offshore”, principalmente na região entre a plataforma e terna e o talude, assim como as áreas de pesca industrial.
Tabela 2. Apresenta um sumário dos impactos ambientais e seus respectivos aspectos ambientais (Adaptado MARIANO, 2007).
Impactos Ambientais Aspectos Ambientais Interferência com outras
Atividades Antrópicas: Navegação, Pesca e Turismo.
Decorrência da presença física das instalações de perfuração, produção e transporte (estabelecimento de zonas de segurança), bem como do tráfego das embarcações de suporte e de transferência dos hidrocarbonetos.
Degradação da Paisagem – Poluição Visual
Degradação da paisagem devido à presença das instalações de perfuração e produção, e das embarcações de transporte. Interferência com outras atividades antrópicas conflitantes, tais como o turismo. É mais importante no caso de campos de petróleo situados próximos à costa.
Degradação da Qualidade da Água – Poluição Hídrica
Degradação da qualidade da água devido ao descarte de efluentes hídricos durante as operações de rotina; mais relevante durante as etapas de perfuração e produção.
Degradação da Qualidade do Ar – Poluição Atmosférica
Degradação da qualidade do ar devido às emissões atmosféricas decorrentes da operação de rotina das unidades e de equipamentos, além do tráfego das embarcações; mais relevante durante a etapa de produção. Emissão de gases acidificantes da atmosfera (NOx, SOx, CO) e de gases de efeito estufa (CO2, CH4 e VOCs), nas seguintes situações. Operação de embarcações (sísmica, apoio e transporte); Operação das instalações de produção.
Interferência com a Biota Decorrência de transporte dos hidrocarbonetos através da utilização de embarcações. Maior importância no caso de regiões de rotas ou habitats de mamíferos marinhos. Mais importante nas épocas de reprodução (fêmeas prenhes ou com filhotes), amamentação, acasalamento e nascimento dos filhotes. Arraste de comunidades de fundo (fauna bêntica).
Interferência com a Biota – Poluição Luminosa
Iluminação de embarcações; Iluminação de plataformas; Queima de gás natural em flares.
Interferência com a Biota – Poluição Sonora
Especialmente devido aos ruídos e vibrações decorrentes de: construção/operação de unidades de produção; Operação das embarcações (sísmica, apoio e/ou transporte); Operação das instalações de produção.
Emergências Potenciais – Risco de Acidentes
Ambientais
Colisão de embarcações de apoio ou de transporte dos hidrocarbonetos produzidos; BlowOut de poços; Risco de explosões devido ao armazenamento de petróleo e gás.
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Impactos Ambientais na Perfuração de Poços
As atividades de um sistema marítimo de produção de petróleo começam com a perfuração de poços. Existe um importante debate internacional relacionado ao uso e descarte de resíduos de perfuração no oceano. Cada vez mais, essa discussão coloca o importante papel do impacto ao meio ambiente em termos de atividades offshore de óleo e gás de exploração.
Durante a perfuração, a lama de perfuração circula entre a coluna de perfuração e o revestimento do poço, e este fluido tem a função de lubrificar a broca. A rocha fraturada do reservatório retorna com lama de perfuração. O cascalho e fluido de perfuração caracterizam, neste caso, os resíduos da atividade de perfuração de poços de petróleo. Dois tipos de fluidos de perfuração são os mais comuns: o a base de óleo e o base d’água. Os fluidos de perfuração base de água têm um baixo custo em relação à base de óleo, são biodegradáveis e facilmente se dispersam na coluna de água. E assim à disposição no oceano do fluido a base d’água é permitida em quase todo o mundo, em conformidade com as diretrizes para as descargas de efluentes marinhos de cada região (MARIANO; LA ROVERE, 2006). Os fluidos à base de óleo são amplamente utilizados e comumente aplicados para perfuração de poços offshore, porém a lama à base de óleo é prejudicial ao meio ambiente quando descartados para o oceano. Aspectos relacionados com a toxicidade e biodegradação lenta em condições atóxicas do ambiente subaquático tornam a lama à base de óleo uma solução não recomendável para uso perfuração de poços.
O conhecimento dos habitats submersos nas áreas de desenvolvimentos de campos de petróleo é necessário principalmente para bancos de corais e algas calcárias, por serem ambientes com distintas funções ecológicas, como áreas de criação, reprodução, alimentação, proteção e produção para diferentes organismos aquáticos. Esta necessidade decorre não só do potencial de impacto por derramamento de óleo, mas também pelo impacto efetivo da atividade de perfuração próximo a tais ambientes. Isto se justifica devido à pluma de lama de perfuração gerada no processo. Durante a perfuração, grande quantidade de lama é lançada na lâmina d’água, sendo então dispersa por correntes locais, depositando-se no substrato, fazendo com que ocorra redução (que pode ser irreversível em grandes impactos) dos níveis de biomassa, por soterramento e/ou diminuição da transparência da água.
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Em torno do processo de perfuração existem as decisões do número de poços e arranjo dos poços. Em áreas com alta sensibilidade ambiental, o fundo do mar tem uma rica biodiversidade da biota marinha e nessas áreas. Se muitos poços forem perfurados, o impacto incidente sobre a biota será grande. Considerando a mesma área com a disposição do arranjo dos poços satélite, as linhas de fluxo que ligam os poços terão grandes extensões e serão um grande risco a essa área. Isto principalmente devido aos impactos causados por sua instalação e a possibilidade de derramamento de óleo.
Efeitos do Derramamento de Óleo
Os efeitos causados pela presença de óleo nas comunidades biológicas variam em função das características ambientais da área, quantidade e tipo de óleo derramado, sua biodisponibilidade, a capacidade dos organismos acumularem e metabolizarem diversos tipos de hidrocarbonetos e sua influência nos processos metabólicos. Apesar do ambiente marinho não oferecer substratos suscetíveis à contaminação por óleo como os ecossistemas costeiros, este é uma região de exploração de recursos pesqueiros e rota de migração de aves, quelônios e mamíferos marinhos. Portanto, os impactos de um derramamento de óleo nesse ambiente estão associados, principalmente, ao contato do óleo com esses grupos de organismos e com o impedimento da atividade pesqueira (MMA/SQA, 2004).
Assim como em todos os ecossistemas marinhos, os efeitos resultantes de um derramamento de óleo podem acarretar em danos aos organismos, devido à elevada sensibilidade dos invertebrados e vegetais bentônicos (BISHOP, 1983) e ainda pelo fato de terem nenhuma ou reduzida capacidade de locomoção. É importante destacar que alguns componentes do petróleo podem ser bioacumulados por organismos bentônicos. Um consenso em relação à bioacumulação é que organismos contaminados (grande parte dos moluscos, como por exemplo, os mexilhões) podem ser consumidos por organismos de níveis tróficos superiores. Outra forma de impacto sobre os organismos bentônicos é através de emulsificação e adsorção pelo particulado em suspensão, e posterior sedimentação do óleo. Em relação às espécies bentônicas existentes próximas aos poços de produção ou perfuração, a vulnerabilidade será alta, uma vez que a probabilidade de presença de óleo nesses locais é alta.
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O impacto da presença de óleo sobre o plâncton é causado, principalmente, pela formação de uma película de hidrocarbonetos na superfície da água. Essa película reduz as trocas gasosas com a atmosfera e, por conseguinte, a fotossíntese e a produtividade primária.
Em ambiente oceânico, a dinâmica local aliada ao fato da maior fração do óleo permanecer na superfície, faz com que não haja grande mortandade entre esses espécimes (tanto peixes adultos como juvenis). Já em ambientes costeiros a persistência do óleo no sedimento pode gerar a contaminação dos peixes devido à ingestão de bentos (IPIECA, 2000).
Os mamíferos marinhos são atingidos muitas vezes por estarem presentes nas áreas em que os campos de petróleo serão desenvolvidos, pois tais regiões serão utilizadas como rotas de migração por esses animais. Em relação aos impactos sobre esse grupo, o óleo adere pouco à pele lisa, porém, podem ocorrer irritações na pele e nos olhos, interferências na capacidade natatória, entre outras disfunções, caracterizando uma imunodepressão. O principal fator de impacto causado por óleo é a intoxicação pela alimentação através da contaminação na cadeia alimentar (LEIGHTON, 2000).
Em relação aos quelônios marinhos (tartarugas marinhas principalmente), segundo Hall et al. (1983),as pesquisas sobre o vazamento Ixtoc I no Golfo do México (1979), observaram que a exposição destes animais ao óleo pode ocasionar diminuição de massa corporal, talvez por descontrolar a atividade de alimentação. Assim, em condições de fraqueza, estes animais poderiam sucumbir a outros fatores externos ou a alguns elementos tóxicos do próprio óleo.
As aves marinhas e costeiras, assim como os demais organismos que vivem nas camadas superficiais do mar, são especialmente vulneráveis a vazamentos de óleo (LEIGHTON, 2000). Os principais efeitos do óleo sobre as aves são causados devido ao contato físico direto, que acarreta em perda da impermeabilidade das penas (impedindo que esta volte a voar). Esse contato com a camada superficial da água ocorre, em alguns casos, durante a captura de suas presas. Além disso, pode haver a ingestão de óleo ou de alimento contaminado principalmente durante a tentativa de se limpar.
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Impactos Ambientais no Desenvolvimento do Campo de Petróleo
Instalação e comissionamento de uma UEP causam impactos ambientais devido à presença física, à atividade de dragagem, à pré- varredura, à perturbação do fundo do mar e às emissões atmosféricas resultantes da geração de energia.
O armazenamento e escoamento de petróleo afetam o meio ambiente, visto que há probabilidade de colisão de navios e o alto impacto na construção de gasodutos. Assim, em áreas com alto nível de sensibilidade ambiental é necessário analisar o ambiente para uma melhor alternativa de escoamento.