2. REV|ISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.3. CATEGORIA DE IMPACTO USO DO SOLO
2.3.2. Impactos de Transformação e Ocupação do Solo
Para uma melhor avaliação da categoria, o impacto de uso do solo deve ser dividido em duas partes, segundo uma divisão que leva em conta os dois processos que acontecem no solo: transformação e ocupação.
a. Impactos de transformação
Este impacto é causado em decorrência do processo de transformação do solo, o qual causa mudanças nas propriedades do mesmo e são dependentes do tipo de ocupação. Exemplos disso são a drenagem e o enchimento de uma área pantanosa para fazer desta um solo cultivável; ou o desmatamento de uma área para utilização como pista de aeroporto.
A magnitude deste impacto depende da alteração nas propriedades do solo, caracterizando assim o impacto de transformação (BRENTRUP et. al., 2002; SETAC, 2002; MILÀ I CANALS et al., 2007).
Para o cálculo da magnitude do impacto de transformação a Equação 2.1 é adotada.
(2.1)
Onde:
Itrans : Impacto de transformação do solo (m2); Aoc : Área ocupada (m2);
FCtrans : Fator de caracterização para impactos de transformação.
Considera-se que os danos ocasionados pela transformação acontecem num primeiro momento dentro da área transformada, mas estes danos poderão se estender para as áreas vizinhas.
b. Impactos de Ocupação
Este impacto é causado pelo tipo de intervenção durante o processo de ocupação. Trate-se da utilização de uma área em decorrência de uma atividade ao longo de um determinado tempo. Tal ação caracteriza o impacto de ocupação, e
este decorre das atividades dos seres humanos (como no caso das áreas de cultivo, nas áreas destinadas para resíduos, na construção de prédios, entre outros).
O processo de ocupação, além de influir na indisponibilidade da área utilizada, também exerce influencia sobre as propriedades do solo, tais como: habitat para as plantas e animais selvagens, capacidade de filtração, entre outros (SETAC, 2002).
A magnitude deste impacto depende da diferença entre aa qualidade do solo na situação atual em relação à situação de referência (MILÀ I CANALS et al., 2007). Para o cálculo da magnitude do impacto de ocupação do solo a Equação 2.2 seguir é utilizado.
(2.2)
Onde:
Ioc : impacto de ocupação do solo (m2ano); Aoc : área ocupada (m2);
Toc : tempo de ocupação do solo (ano);
FCoc : fator de caracterização para impactos de ocupação.
O impacto de ocupação aumenta na proporção em que o tempo de duração do processo de ocupação ocorre. Do mesmo modo que acontece no impacto de transformação, na ocupação o impacto se restringirá à área ocupada, mas estes danos podem se estender para as áreas vizinhas (SETAC, 2002).
Na Figura 2.6 se apresenta uma visualização prática dos dois tipos de impactos, resumindo suas características.
A D B C t1 t2 t3 Processo de Transformação Processo de Ocupação Impacto de Transformação Impacto de Ocupação S do tipo do solo S.∆Qpermanente S.Tempo S.∆Qtemp. Legenda: S: Área ∆Q: Mudança na qualidade do solo superficie Qualidade Tempo
Figura 2. 6 Os Impactos do Uso do Solo (adaptado LINDEIJER, 2002b).
A qualidade do solo é representada pelo eixo vertical, podendo ser expressa por meio de diferentes indicadores como a flora, a fauna, a matéria orgânica do solo, entre outros (LANGLOIS et. al., 2011, LINDEIJER, 2000b; MICHELSEN, 1998; MILÀ I CANALS, 2003). O tempo no qual acontecem os processos é representado pelo eixo horizontal e, finalmente, a área é representada num terceiro eixo. A linha continuada descreve a evolução da qualidade do solo no tempo em diferentes momentos. A transformação inicial se dá no tempo t1, em que se reduz a qualidade do solo de ‘A’ a ‘B’. Se não houvesse subseqüentes processos de ocupação, a “recuperação” espontânea começaria imediatamente no t1 e, portanto, a qualidade iria até D (SETAC, 2002).
Outros trabalhos (LINDEIJER, 2000b; MILÀ I CANALS et al., 2007; SETAC, 2002) explicam que durante o período de t1 a t2 acontece o processo de ocupação, o que predispõe uma perda da qualidade gradual de B para C. Em t2 as atividades foram finalizadas, e partir daí ocorre uma variação da qualidade de C para D.
Na opinião de vários autores, no modelo apresentado na Figura 2.6 (KÖLLNER, 1999; LINDEIJER, 2000a; MICHELSEN, 1998; MILÀ I CANALS, 2003; SCHMIDT, 2008; SETAC, 2002) o tempo de transformação não é considerado, pois
a duração do processo de transformação é menor se for comparado com as subsequentes ocupações do solo.
Isso é válido porque depois de acontecer mudanças nas propriedades do solo para determinados tipos de ocupações, estas últimas teriam durações por longos períodos; se fosse considerado este tempo haveria grande dificuldade em seu cálculo, em razão de não se ter registro de quando se iniciou e terminou o processo (KOELLNER; ROLAND; SCHOLZ, 2007).
Com respeito ao impacto de ocupação, a Figura 2.6 demonstra uma perda da qualidade gradual do solo, o que significa que o impacto dependerá do estado da qualidade momentânea da área durante o período do processo de ocupação (SETAC, 2002).
Alguns autores (LINDEIJER, 2000b; MICHELSEN, 1998; MILÀ I CANALS, 2003) propuseram assumir que haja uma manutenção da qualidade da área na ocupação, ou seja, que não haja alterações na qualidade do solo e dos indicadores relacionados durante o período de ocupação.
Entretanto, isto faria com que a avaliação do impacto do uso do solo fosse incompleta ao não considerar estas alterações por causa do mesmo processo de ocupação, e também por todo o tempo que essa determinada área ficaria impossibilitada de ser utilizada por outra atividade, causando assim impactos na sociedade.
O estado estável pode ser alcançado após a degradação do estado original do solo e é conhecido como o potencial de recuperação. O processo para obter este potencial de recuperação (de C a D) é conhecido como re-naturalização.
Segundo Milà i Canals (2003) este processo de re-naturalização pode ser obtido mediante duas opções. A primeira é de maneira natural, deixando o solo se recuperar; a segunda ocorre mediante a utilização de backup tecnologias (MILÀ I CANALS; ROMANYA E COWELL, 2007), que ajudariam na recuperação da qualidade do solo.
Quaisquer destas duas opções podem ocorrer, porém a segunda sucede com maior frequência devido à rapidez com que se necessita de áreas de solo.