4. O impacto das bases de mensuração na estratégia e risco de auditoria
4.2. Impactos do justo valor na avaliação do risco
A ISA 315 – Identificar e avaliar os riscos de distorção material através do conhecimento da entidade e do seu ambiente (§1) aborda a responsabilidade do auditor na identificação e avaliação dos riscos de distorção material nas DF através do conhecimento da entidade e do seu ambiente, incluindo o controlo interno. A norma estabelece que o auditor deve identificar e avaliar os riscos de distorção material devido a fraude e a erro, ao nível das DF e ao nível de asserção, através do conhecimento da entidade e do seu ambiente, incluindo o seu controlo interno, proporcionando assim uma base para conceber e implementar respostas aos riscos de distorção material avaliados. (§3) O auditor deve executar procedimentos de avaliação do risco que devem incluir: (i) indagações à gerência e a outros elementos chave da entidade que, no julgamento do auditor, possam ter informação que ajude a identificar os riscos de distorção material devido a fraude ou erro; (ii) procedimentos analíticos; (iii) observação e inspeção das operações da entidade, documentos, relatórios emitidos pela entidade, etc.
Relativamente às asserções «[d]eclarações prestadas da gerência, de forma explícita ou outra, que são incorporadas nas demonstrações financeiras e usadas pelo auditor para
considerar os diferentes tipos de distorções materiais que podem ocorrer» (§4), a ISA divide-as em três áreas conforme ilustra a Tabela 4.2.
Tabela 4.2. – Divisão das asserções em três áreas
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Classes de transações e acontecimentos relativos ao período abrangido pela auditoria
Ocorrência – as transações e acontecimentos registados ocorreram e dizem respeito à entidade.
Plenitude – todas as transações e acontecimentos que deveriam ser registados foram registados.
Rigor – as quantias e outra informação relativa a transações e acontecimentos registados foram registados apropriadamente.
Corte – as transações e acontecimentos foram registados no período contabilístico correto.
Classificação – as transações e acontecimentos foram registados nas contas apropriadas.
Saldos de contas no final do período
Existência – os ativos, passivos e interesses de capital próprio existem.
Direitos e obrigações – a entidade detém ou controla os direitos aos ativos e os passivos são as obrigações da entidade.
Plenitude – todos os ativos, passivos e interesses de capital próprio que deveriam ter sido registados foram registados.
Valorização e imputação – os ativos, passivos e interesses de capital próprio estão incluídos nas DF por quantias apropriadas e quaisquer ajustamentos de valorização ou imputação estão apropriadamente registados.
Apresentação e divulgação
Ocorrência e direitos e obrigações – os acontecimentos, transações e outras matérias divulgados ocorreram e dizem respeito à entidade.
Plenitude – todas as divulgações que deviam ter sido incluídas nas DF foram incluídas.
Classificação e compreensibilidade – a informação financeira está apresentada e descrita de forma apropriada e as divulgações estão claramente expressas.
Rigor e valorização – a informação financeira e outra informação estão adequadamente divulgadas e por quantias apropriadas.
Fonte: Adaptação da ISA 315 (§A111)
Seguidamente apresentamos uma lista de assuntos que o auditor deve considerar para o conhecimento da entidade e do seu meio envolvente agrupadas segundo a ISA 315 (§A17) em fatores sectoriais, fatores de regulação e outros fatores externos. [sublinhado nosso] Os fatores sectoriais relevantes incluem condições como o ambiente competitivo,
os relacionamentos entre fornecedores e cliente e os desenvolvimentos tecnológicos. Como tal, o auditor deve considerar, entre outras matérias: (i) o mercado e a concorrência, incluindo a procura, capacidade e concorrência de preços; (ii) a atividade cíclica ou sazonal; (iii) a tecnologia do produto relacionada com os produtos da entidade; e (iv) o fornecimento e custo energético. A ISA esclarece que o sector de atividade em que a entidade opera pode dar origem a riscos específicos de distorção material provenientes da natureza do negócio ou do grau de regulação. A norma aponta como exemplo os contratos a longo prazo que podem envolver estimativas significativas de réditos e de gastos que dão origem a riscos de distorção material, o que implica a inclusão de membros com suficientes conhecimentos e experiência relevantes na equipa de trabalho. Os fatores de regulação relevantes incluem o ambiente regulador que abrange, entre outras matérias, o referencial de relato financeiro aplicável e o ambiente legal e político. As matérias que o auditor deve considerar incluem: (i) princípios contabilísticos e práticas do sector de atividade; (ii) quadro regulador para os sectores regulados; (iii) legislação e regulamentação que afetem significativamente as operações da entidade, incluindo actividades diretas de supervisão; (iv) impostos; (v) políticas do governo que afetem a atual condução do negócio da entidade, tais como políticas monetárias, incluindo controlos de câmbios, políticas fiscais, incentivos financeiros e políticas tarifárias ou de restrição de comércio; e (vi) requisitos ambientais que afetem o sector de atividade e o negócio da entidade. Outros fatores externos que afetem a entidade e que o auditor pode considerar incluem as condições económicas gerais, taxas de juro e disponibilidade de crédito e a inflação ou revalorização da moeda.
A ISA 315 (§A51) estabelece importantes indicações sobre o modo como o auditor deve abordar o sistema de controlo interno de uma entidade no sentido de averiguar se este merece ou não a sua confiança, distinguindo os cinco seguintes componentes do sistema de controlo interno: (i) o ambiente de controlo; (ii) o processo da entidade para avaliação do risco; (iii) o sistema de informação, incluindo os respetivos processos de negócio relevantes para o relato financeiro e a comunicação; (iv) as actividades de controlo; e (v) a monitorização dos controlos.
A responsabilidade do auditor em conceber e implementar respostas aos riscos de distorção material identificados e avaliados pelo auditor segundo a já referida ISA 315 é abordada pela ISA 330 – Resposta do auditor aos riscos avaliados. Segundo esta «o objetivo do auditor é obter prova de auditoria suficiente e apropriada respeitante aos
riscos avaliados de distorção material, através da conceção e implementação de respostas apropriadas a esses riscos». (§§1 e 3)
O auditor deve conceber e executar procedimentos adicionais de auditoria cuja natureza, oportunidade e extensão se baseiam e respondem aos riscos avaliados de distorção material e ao nível de asserção. Assim, o auditor deve: (ii) considerar as razões para a avaliação do risco de distorção material ao nível das asserções para cada classe de transações, saldos de contas ou divulgações (risco inerente e de controlo); e (ii) obter prova de auditoria mais persuasiva quanto maior for a avaliação que faz do risco. (§§6 e 7)
4.3. Estratégia de auditoria face à opção da base de