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2 REVISÃO TEÓRICA: TEORIA DAS RESTRIÇÕES E CUSTEIO POR

2.2 Fundamentos do custeio por absorção

2.2.2 Impactos dos métodos de custeio no resultado

Segundo alguns autores, como por exemplo, Kaplan e Cooper (1989), Cogan (2007) e

Nakagawa (1993), os métodos de custeio, em horizonte de longo prazo, com realização de

todos os estoques, não provocam divergências nos resultados. Por outro lado, para fins de

custeamento de uma unidade de produto acabado, pode haver divergências nos respectivos

custeios unitários.

Ainda, segundo alguns autores, como por exemplo, Catelli (1999), Guerreiro (2006) e

Padoveze (2009), no curto prazo, o método de custeamento dos produtos provoca impactos

nos resultados. Este fato é relevante na análise da rentabilidade empresarial.

Por outro lado, alguns autores como, por exemplo: Catelli (1999), Guerreiro (2006) e

Padoveze (2009), criticam a diferenciação entre curto e longo prazo, e alegam que os

impactos ocorrem mês a mês, portanto, não há sentido nesta distinção entre curto e longo

prazo, para fins de gestão econômica.

Segundo Iudícibus (1998), o custeamento direto tende apresentar um lucro menor do que o

custeamento por absorção, quando o volume de unidades vendidas for menor do que as

produzidas. Este fenômeno ocorre porque, no custeamento direto, todos os custos fixos são

descarregados para o resultado.

De acordo com Guerreiro (2006, p. 8), no custeamento por absorção, quando a empresa

apresenta grandes volumes de vendas, superiores aos volumes de produção, os resultados

apresentados são menores e freqüentemente negativos.

Outra corrente de entendimento defende o modelo denominado de custeio ABC (Activity

Based Cost). Este método procura uma solução para o problema de rateio dos custos indiretos,

talvez o maior objeto de crítica do método de custeio por absorção. Trata-se de uma

metodologia difundida principalmete por Robert Kaplan e Robin Cooper da Harvard (EUA –

Estados Unidos da América), na década de 1984. e Nakagawa na década de 1991 no Brasil

Este método defende que, a alocação dos custos indiretos ao produto, deve ser feita mediante

análise e o custeamento das atividades, por meio da utilização de direcionadores de custos

(Cost Drives). Este método busca mais coerência técnica na apuração dos custos indiretos aos

produtos do que os métodos arbitrários de rateio adotados até o momento.

Contudo, nem todos entendem que este método permite a análise adequada da lucratividade

por produto.

Assim, apesar de utilizar novos procedimentos, o sistema ABC continua a ser um sistema que efetua a alocação de custos fixos aos produtos e que, portanto, apresenta restrições como instrumento de apoio a todo tipo de decisão que envolva a análise de rentabilidade de produtos. A sua utilidade foi e continua a ser a geração de informações que estimulem a gestão dos custos fixos das atividades nos contextos de negócio (GUERREIRO, 2006, p. 78).

Apesar da realização de importantes estudos que resultaram na evolução dos métodos de

custeio por absorção, como é o caso do método ABC - custeamento baseado em atividades

(activity based costing) esse método, apesar de inquestionáveis inovações e melhorias, traz

consigo o subjetivismo e o arbitramento de rateio dos custos indiretos de fabricação, na

alocação destes aos produtos.

Alguns autores criticam este sistema porque apresenta pelo menos três restrições básicas: a

dificuldade de implantação; o custo da implantação, e ainda a não eliminação total do

subjetivismo no rateio dos custos fixos.

Ainda, segundo Padoveze 2011 (informação verbal)

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, hoje em função de modelos de gestão

da produção, com a intensa terceirização, materiais diretos representam a maioria dos gastos

na composição do produto, inibindo a utilização do método ABC.

Questiona-se a razão da presença de custos fixos nas empresas. Guerreiro (2006) esclarece

que o montante de custos fixos depende de algumas variáveis fundamentais: o tipo de

negócio; a capacidade instalada; os processos e atividades; a tecnologia utilizada.

Portanto, o custeio da TOC destaca-se de forma inovadora, ao tratar apenas os materiais

diretos, como custos variáveis, complementando a visão tradicional do custeio direto.

Os custos fixos são importantes na gestão dos custos e, portanto, não devem ser desprezados

na análise da rentabilidade. O controle básico dos custos fixos é o orçamento, conforme

sugere Guerreiro (2006).

Conforme aponta Guerreiro (2006) ocorreram mudanças significativas no contexto industrial

e, também, na própria natureza dos gastos. Portanto a contabilidade de custos precisou

também se adaptar ao novo contexto.

A tecnologia moderna de produção empregada nos processos de produção de bens e serviços, tais como o alto grau de automação dos processos, emprego de robots, controles eletrônicos e outros, têm impactado a estrutura de custos das empresas, tornando-as composta com o predomínio de custos fixos. Nas indústrias de forma geral, os custos variáveis relevantes são a matéria-prima e alguns insumos variáveis, tais como consumo de energia elétrica (não a demanda), ferramentas de curta duração e materiais auxiliares (GUERREIRO, 2006, p. 17).

Guerreiro (2011) afirma que o custo fixo é um custo originado de decisões passadas e não há

relação com a produção e a venda atual. Nesse sentido, não há lógica em ratear os custos fixos

aos produtos. O objetivo da gestão da margem de contribuição deve ser a geração de volume

de recursos necessários para cobrir os custos fixos já assumidos. Dessa forma, para maximizar

o lucro total da empresa, deverá otimizar a margem de contribuição total dos produtos e

estabelecer uma estrutura adequada de custos fixos.

Deve ser observado que o conceito de margem de contribuição pouco ajuda na gestão dos custos fixos da empresa. Por outro lado, a técnica de rateio de custos fixos aos produtos, inserida no custeio baseado em atividades criado para a gestão dos custos fixos, pode atrapalhar a análise da rentabilidade dos produtos (GUERREIRO, 2006, p. 33).

De acordo com Guerreiro (2006, p. 40), é muito importante conhecer o impacto da estrutura

de custos da empresa no seu desempenho econômico. Entretanto o gestor deve evitar métodos

que utilizam de rateios de custos fixos, porque isso pode levar a tomada de decisões

equivocadas.

A contabilidade de custos utiliza-se de duas formas básicas de custos para calcular o custo do

produto: custeio por absorção e custeio variável:

a) custeio por absorção que considera todos os custos diretos e indiretos, este modelo de

custeio é exigido pela legislação societária do Brasil por meio do CPC (Comitê de

Pronunciamentos Contábeis) no. 16. É também exigido pelas Normas Internacionais de

Contabilidade expedidas pelo IASB (International Accounting Standards Board) pela norma

IAS 02.

b) custeio variável, que considera os custos variáveis e a mão de obra direta para o

custeamento do produto, é utilizado pela contabilidade gerencial, exclusivamente para fins

internos na tomada de decisões.

Na proposta da TOC, somente se consideram os materiais diretos como custo dos produtos, e

todos os demais gastos tratados como despesas operacionais. Trata-se de uma variação do

custeio variável utilizado na contabilidade de custos, que também considera a margem por

unidade de restrição. Não é um conceito inédito na literatura de custos, segundo Cogan

(2007).

Goldratt (1991, apud Padoveze, 2005), destaca que os custos fixos eram irrelevantes no

contexto de custos nos primórdios da evolução industrial. A mão de obra se tornou custo fixo,

pela forma como o funcionário é remunerado atualmente, portanto, em linhas gerais, somente

materiais diretos, atualmente, assumem a característica de custo efetivamente variável.