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5. RESULTADOS E DISCUSSÕES

5.1 Impactos macroeconômicos

Os resultados apresentados a partir das simulações com a matriz de insumo- produto interregional permite conhecer qual o impacto macroeconômico que a receita gerada na atividade turismo a partir dos gastos realizados pelo turista no destino provoca nas variáveis macroeconômicas: produção, PIB, emprego e tributação. No caso da última, buscou- se analisar o impacto no ICMS nacional por ser uma variável que está desagregada na matriz utilizada. Além disso, calculam-se também os efeitos de transbordamento desse gasto para fora da região Nordeste.

As considerações acerca do impacto no emprego merecem esclarecimentos sobre sua importância porque, quando se mensura estatisticamente emprego na atividade turismo, os dados regionais assumem importante relevância “tendo em vista que o turismo é largamente dependente do território” (SAKOWSKI, 2015, p. 7).

Num primeiro momento, são analisados os resultados do impacto no emprego agregado e no PIB e, num segundo momento, são analisados os resultados do impacto na produção e no ICMS nacional.

A Tabela 10 condensa os impactos macroeconômicos, em termos percentuais, sobre algumas variáveis selecionadas. Vale salientar que nessa tabela são retratadas apenas os impactos nas grandes regiões: Brasil, resto do Brasil e Nordeste.

Tabela 10: Impacto macroeconômico do turismo sobre variáveis selecionadas 2004 (%)

ESTADOS PRODUÇÃO PIB EMPREGO ICMS

Brasil 0,7 0,6 1,4 1,2

Resto do Brasil 0,2 0,1 0,1 0,13

Nordeste 4,2 3,9 6,1 7,6

Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da Matriz Regional.

Os dados trazidos na Tabela 10 representam aumentos em termos percentuais dessas variáveis em relação ao cenário-base, ilustrados na matriz de insumo-produto utilizada. Em termos da produção, os gastos turísticos na região Nordeste em 2011, expandiu sua produção total em 4,2%. Em relação a esse impacto, 80,3% foram absorvidos pela própria região ao passo que 19,6% transbordaram para o restante do Brasil na forma de vazamentos. Esse vazamento representou um crescimento de 0,2% da produção do resto do Brasil. Em relação ao ICMS, os gastos turísticos aumentaram em 7,6% a arrecadação nordestina e 1,2% a arrecadação brasileira.

Percebe-se, a partir dos dados na Tabela 10, que o impacto provocado no emprego, assim como no PIB, gerado em virtude dos gastos realizados pelos turistas nos estados nordestinos, exerce pouca influência no resto do Brasil quando comparado com a região Nordeste, mas também, no Brasil como um todo. É de se esperar tal resultado porque as atividades características do turismo, na sua maioria, são desenvolvidas na própria localidade.

A região Nordeste possui um potencial turístico perceptível, capaz de gerar desenvolvimento econômico regional, principalmente no tocante a emprego e à renda. Os gastos turísticos realizados na região em 2011 geraram um crescimento no PIB na ordem de 0,6% ao passo que na própria região esse impacto foi de 3,9%. Em termos de impacto no emprego, o Brasil apresentou crescimento na ordem de 1,4% ao passo que na própria região o impacto alcançou 6,1%.

5.1.1 Impacto no emprego e no PIB

macroeconômico de diversos países e regiões, colaborando para promover crescimento econômico e aumentar o nível de produção (PINHEIRO, GUIMARÃES e COSTA, 2011, P. 73). Nesse sentido, o Gráfico 4 revela os impactos econômicos sobre o PIB e emprego nos estados nordestinos, decorrente dos gastos turísticos realizados na região em 2011.

Gráfico 4: Impactos sobre variáveis macroeconômicas (%) – Emprego e PIB

Fonte: Elaboração própria a partir dos resultados da Matriz de Insumo-Produto Regional.

Os desempenhos no emprego e no PIB dos estados de Alagoas (10,1% emprego e 7,3% PIB) e Rio Grande do Norte (9,1% emprego e 6,5% PIB) chamam a atenção porque estão acima do desempenho nordestino de 6,1% para emprego e 3,9% para o PIB. Isso pode ser explicado, em parte pois o gasto médio per capita diário para os dois estados no ano em análise foram de R$ 107,14 e R$ 74,95 respectivamente, conforme demonstrado no Quadro 11, acima da média de gastos médios para o Brasil em 2011. Dessa forma, dada a característica linear dos modelos de insumo-produto, é de se esperar que os estados que apresentam os maiores gastos sejam os mesmos que apresentam os maiores impactos. O Gráfico 4 permite uma melhor percepção dos resultados.

Excluindo Alagoas e Rio Grande do Norte, os estados da Bahia (5,3% emprego e 3,5% PIB), Pernambuco (6,6% emprego e 3,8% PIB) e Ceará (7,4% emprego e 4,8% PIB), maiores destinos turísticos da região, também apresentaram resultados interessantes se aproximando, em termos relativos ao desempenho nordestino. Isso pode ser explicado em decorrência do fluxo estimado para os três estados no ano em análise, cujo ranking se

0,0 2,0 4,0 6,0 8,0 10,0 12,0 AL BA CE MA PB PE PI SE RN 7,3 3,5 4,8 2,9 3,1 3,8 2,6 2,1 6,5 10,1 5,3 7,4 4,0 4,2 6,6 3,8 3,5 9,1 PIB EMPREGO

encontra na Tabela 6, colocando o Estado da Bahia em primeiro, Pernambuco em segundo e Ceará em terceiro lugar e muito acima dos outros estados.

O desempenho do Estado da Bahia, embora esteja próximo do desempenho do Nordeste, também pode ser explicado em função do gasto médio per capita dia (Quadro 5) que, para o ano em análise foi de R$ 65,70.

Os demais estados apresentam resultados muito abaixo do resultado do Nordeste e isso sugere que existe um potencial turístico enorme a ser explorado em nível regional porque o que se pode perceber é que esses resultados são diretamente influenciados pela variável fluxo (Tabela 6).

Convém ressaltar que, nesses estados, é notória a necessidade de políticas públicas e iniciativas privadas direcionadas para ampliação e diversificação do fluxo turístico, promovendo e divulgando suas ofertas turísticas com mais eficiência para atingir melhores resultados econômicos.

5.1.2 Impacto na produção e no ICMS

Analisar produção e ICMS numa única seção mostra-se interessante por conta do nível de correlação existente entre elas, causando uma dependência direta, pois quanto maior a produção, maior será o nível de arrecadação do ICMS.

A justificativa para escolher o ICMS para análise foi motivada por sua importância como principal fonte de recurso financiadora do gasto público além de ser o tributo que melhor expressa o esforço próprio dos governos para gerar receitas, possuindo uma larga base de incidência de tributação composta por alíquotas diversificadas de âmbito interno e interestadual, inclusive, contemplando regimes de antecipação e substituição tributárias (LIMA, 2010).

Mais uma vez, Alagoas (16,9% ICMS e 9,0% produção) e Rio Grande do Norte (13,4% ICMS e 7,9% produção) se destacam em relação ao Nordeste, porém, seguidos do Ceará (9,7% ICMS e 4,8% produção) no quesito ICMS, sendo que um dos motivos que podem ter provocado tal desempenho pode ser também justificado através da variável gastos

médios per capita por dia, aliado ao fluxo turístico, tendo em vista que essas variáveis são componentes importantes para a apuração da receita média gerada na atividade turismo, receita esta que é tributada pelo ICMS e, portanto, influenciando diretamente no seu volume de arrecadação.

Alagoas e Rio Grande do Norte superam o desempenho do Nordeste de forma notória sendo que a expansão desses estados é respectivamente 16,9% e 13,4%para o ICM e 9,0% e 7,9% para produção. O Gráfico 5 permite uma melhor percepção dos resultados para os demais estados.

Gráfico 5: Impactos sobre variáveis macroeconômicas (%) – ICMS e Produção

Fonte: Elaboração própria a partir dos resultados da Matriz de Insumo-Produto Regional.

Percebe-se que nos nove estados nordestinos o impacto positivo no ICMS ocorre dentro da normalidade esperada, apresentando uma proporção de 1,9115, em média, relativa ao impacto na produção. O Piauí chama a atenção, pois sua relação ICMS/Produção é de 3,40, muito acima da média de 1,91. Uma explicação aceitável para tal fato pode ser o não atendimento da produção interna para satisfazer a demanda provocada pela atividade turística, o que significa dizer que o Piauí, além de ser pouco industrializado, mantém um nível de importação de produtos elevado para atender a essa demanda.

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