O Twitter eu gosto demais porque o Twitter é um lugar que você fala sozinho com pessoas que falam sozinhas (Mariana/telespectadora de The Voice Brasil)
Foi dessa forma que a estudante de Publicidade e Propaganda, Mariana Oliveira, me explicou porque prefere utilizar o Twitter para fazer comentários sobre o programa The Voice Brasil. Usuária da rede social desde 2010, Mariana acredita que a plataforma permite que ela se comunique de forma mais livre e que o mais importante é expressar a sua opinião, ainda que ninguém veja, curta ou comente as suas postagens. Jussara Peçanha, fã do programa MasterChef Brasil, também faz uso do Twitter para comentar sobre o reality culinário porque segundo ela a rede social exige um compromisso menor com os demais usuários.
No Twitter você está lá falando sozinho até alguém te responder, e aí eu acho muito confortável. Você não está engajado numa conversa, não tá recebendo notificação, a menos que alguém tenha alguma coisa pra falar sobre o que você disse, ou você tenha alguma coisa pra você falar sobre o que alguém disse. Então não fica aquele flood81 de mensagens, de informação, que eu particularmente acho chato. (Jussara Peçanha/telespectadora de MasterChef Brasil)
A criação de laços sociais mais fracos também é apontada por Priscila Rosa, telespectadora de MasterChef Brasil, como o principal motivo para a sua escolha de comentar o programa pelo Twitter.
No Twitter cê tem mais liberdade de fazer isso [não responder as pessoas] porque a própria plataforma te permite falar com pessoas que não te seguem, te permite retuitar pessoas desconhecidas. Eu acabo ganhando dezenas de seguidores todo MasterChef porque alguém retuitou alguma coisa que eu falei e a pessoa me segue achando que eu devo ser assim, super fã de MasterChef....e tá lá me seguindo... assim, eu não quero saber quem é, eu não quero saber porque me segue, se me encher o saco eu bloqueio (....) é muito fácil eu falar assim, tchau... tiro as notificações e eu não sou cobrada de nenhum engajamento. (....). Eu não me sinto muito presa àquele ambiente de discussão. Pra mim é um ambiente de baixo engajamento. Eu entro e saio conforme o meu interesse naquele dia. (Priscila Rosa/telespectadora de MasterChef Brasil).
81 O termo “flood” significa “encher” ou “inundar”. Ele é utilizado na internet para nomear a atitude irritante de postar diversos posts seguidos de informações sem sentido ou finalidade nenhuma, “enchendo” a timeline dos usuários de uma rede social, como Twitter, Facebook, Instagram, ou de um aplicativo de conversação, como o
Esses depoimentos de alguns dos telespectadores de The Voice Brasil e de MasterChef Brasil usuários do Twitter revelam certas características muito singulares dessa plataforma na experiência de TV Social, sobretudo seu caráter mais público e impessoal. A rede social Twitter, também chamada de microblog (ATKINSON, 2010; DRUMOND, 2014), é caracterizada pela publicação de mensagens curtas (com até 140 caracteres) e por relações não recíprocas ou bilaterais entre seus usuários, isto é, um indivíduo pode “seguir” alguém sem necessariamente ser “seguido” por ele. Essa dinâmica é diferente do Facebook, por exemplo, no qual as relações são recíprocas ou bilaterais e uma vez que um usuário adiciona outro como “amigo” ambos passam a fazer parte da rede de relacionamentos um do outro. A palavra “seguir”, diferente da ideia de “amizade”, já revela parte das forças de moldagem que operam no Twitter. Nele, um usuário pode acessar postagens de outros indivíduos, identificadas por hashtags ou “tags”, sem necessariamente conhecê-los ou fazer parte de suas redes de seguidores.
Esse aspecto se reflete em uma relação de baixa proximidade entre os usuários na experiência de TV Social. Embora exista a configuração de laços sociais mais fortes entre determinados usuários no Twitter, essa não é uma condição indispensável para a experiência de TV Social. Dito de outro modo, o compartilhamento de mensagens a respeito do que se assiste na TV e a interação entre os usuários na TV Social não requer necessariamente uma relação de proximidade entre os usuários do Twitter. Os comentários dispersos na rede a respeito de um programa são conectados a partir das hashtags e esse mecanismo cria uma conexão entre os internautas, que estabelecem a partir daí formas diversas de interação. Mas a existência de laços sociais fortes não é uma condição si ne qua non para a experiência de TV Social. Segundo Raquel Recuero, a diferença entre laços fortes e fracos é que os primeiros podem ser definidos “pela intimidade, pela proximidade e pela intencionalidade em criar e manter uma conexão entre duas pessoas. Os laços fracos, por outro lado, caracterizam-se por relações esparsas, que não traduzem proximidade e intimidade” (RECUERO, 2009, p.41).
Outro dado importante é que no Twitter não há nenhuma forma de moderação em relação às publicações realizadas. Isso impacta diretamente no conteúdo das mensagens. Devido ao fato delas não passarem por qualquer tipo de filtro elas acabam não respeitando certas normas de polidez presentes em uma conversa presencial, por exemplo (RECUERO, 2014). Isso permite uma maior incidência de xingamentos, palavras ofensivas, agressivas e obscenas, além da disseminação de um discurso de ódio nesse site de rede social.
A falta de moderação também implica na utilização da hashtag para fins e promoção comercial. Anunciantes e os próprios usuários do Twitter percebem a visibilidade que os
realities investigados geram no microblog e se utilizam das hashtags dos programas para
se estabelecer uma conexão com a temática do programa ou com alguma situação específica que esteja sendo exibida na TV no momento da publicação do post, ainda que o produto do anunciante não possua nenhuma relação com o universo da culinária ou da música (figuras 18 e 19). Outras vezes, no entanto, a mensagem associada ao produto na publicação não estabelece nenhum tipo de associação com o conteúdo televisivo, o que demonstra a clara intenção de apenas se aproveitar da visibilidade que as hashtags dos programas gera (figuras 20 e 21).
Figura 18: Anunciante aproveita visibilidade da hashtag_ex.1/The Voice Brasil 2015 Fonte: print de tela/Twitter em 25/10/2015
Figura 19: Anunciante aproveita visibilidade da hashtag_ex.2/MasterChef Brasil 2016 Fonte: print de tela/Twitter em 29/03/2016
Figura 20: Anunciante aproveita visibilidade da hashtag_ex.3/MasterChef Brasil 2016 Fonte: print de tela/Twitter em 12/07/2016
Figura 21: Anunciante aproveita visibilidade da hashtag_ex.4/The Voice Brasil 2016 Fonte: print de tela/Twitter em 15/012/16
A sensação de estar falando sozinho e de ter um baixo (ou nenhum) compromisso com os seguidores no Twitter revelado pelos meus informantes de ambos os realities é uma característica dessa rede que fica bastante evidente nas experiências de TV Social por conta de três principais fatores. O primeiro deles é que nem sempre os seguidores de um determinado internauta são telespectadores do programa que está sendo comentado ou acompanham a atração no exato momento de uma publicação. Daí a sensação de se estar falando sozinho. Os comentários publicados só adquirem sentido quando associados a um contexto construído pela
hashtag do programa e inseridos na timeline daquela tag. Mesmo assim, para alguém que não
conhece a dinâmica e os participantes do programa a mensagem não fará sentido ou não será completamente compreendida e dificilmente renderá uma resposta ou iniciará um diálogo. Os próprios usuários expressam esse sentimento de solidão no Twitter, como no exemplo abaixo.
Figura 22: Sensação de se falar sozinho no Twitter/The Voice Brasil 2016 Fonte: print de tela/Twitter em 03/11/16
O segundo fator é o volume imenso de postagens a respeito dos programas. O número de tweets costuma passar de 80 mil, 100 mil em cada episódio. A final de The Voice Brasil em 2016, por exemplo, rendeu mais de 600 mil postagens e o último dia da temporada 2016 de
MasterChef Brasil superou a marca de um milhão de tweets. A hashtag é uma forma de ligar as
publicações sobre os programas televisivos dispersas e desordenadas na timeline de cada usuário. No entanto, acompanhar a imensidão de comentários pela hashtag enquanto o programa está no ar é uma tarefa humanamente impossível. Por isso, nem todos os posts são efetivamente lidos. Muitas perguntas feitas pelos usuários, por exemplo, não são respondidas, como ilustra a postagem logo abaixo (figura 23) de uma telespectadora de MasterChef Brasil em um episódio em que o jurado Jacquin não pode participar pelo fato de ter viajado para receber uma premiação fora do Brasil. A ausência do jurado foi justificada pela apresentadora Ana Paula Padrão no início do programa, mas certamente a usuária em questão perdeu esse momento. Eu acompanhei esse post e verifiquei que ele ficou até o final do programa sem ser respondido. Embora outros usuários tenham postado a explicação para a ausência do jurado em seus perfis isso não significa que essa pessoa tenha tido acesso a esses comentários.
Figura 23: Pergunta não respondida/MasterChef Brasil 2016 Fonte: Print de tela/Twitter em 19/04/2016
Por fim, o terceiro fator que reforça a sensação de solidão nessa rede social na experiência de TV Social e que dificulta a interação entre os usuários é o aspecto temporal das postagens. Muitas vezes, uma situação específica do programa comentada no Twitter só faz sentido se for lida naquele exato momento. E como as publicações se atualizam muito rapidamente em razão do imenso volume de tweets, muitas delas não são visualizadas em concomitância com o que está sendo exibido na TV, acabam se perdendo na timeline e não tendo mais sentido se lidas posteriormente, como no exemplo a seguir.
Figura 24: Aspecto temporal da postagem/MasterChef Brasil 2016 Fonte: Print de tela/Twitter em 12/07/2016
No exemplo acima, o usuário faz uma publicação discordando do resultado de uma prova em equipe da competição culinária em que o grupo vencedor é o mesmo que deixou de entregar um dos pratos a um cliente por esquecimento. Mas o sentido desse texto só existe quando ele é associado à imagem da TV à qual se refere. Lido em um momento posterior ele dá margem a outras interpretações, ou pode até não ser compreendido de modo algum por um leitor. A limitação de caracteres no Twitter também faz com que as publicações se restrinjam a comentários mais pontuais a respeito do que está sendo exibido na TV. Essa amarra temporal das publicações com o conteúdo televisivo e a restrição do tamanho do texto impedem a realização de uma discussão mais densa e prolongada, com a construção argumentativa e sequencial de um debate, por exemplo.
Apesar das barreiras interativas mencionadas, os telespectadores de The Voice Brasil e de MasterChef Brasil encontram formas bem semelhantes de se apropriarem da plataforma para criar uma conversação entre si e também com os apresentadores, técnicos/jurados e participantes dos programas. A pesquisa permitiu identificar dois principais modos utilizados pelos usuários para provocar uma interção no Twitter na experiência de TV Social: 1) o uso das próprias ferramentas interativas da plataforma e 2) o tipo de conteúdo postado.
O primeiro modo diz respeito aos recursos do Twitter. É o caso do uso do símbolo “@” para mencionar outros usuários (figura 25), da opção de “replay” para responder a uma determinada postagem, da replicação do post por meio do RT, da ferramenta curtir para sinalizar a leitura e a aprovação de uma mensagem, do uso da hashtag (#) para demarcar o tópico de uma postagem e também da publicação em forma de enquete para coletar a opinião de outros usuários a respeito de algum assunto.
Figura 25: Convite à interação/MasterChef Brasil Fonte: Print te tela/Twitter em 22/03/16
Na publicação acima, ao lançar a pergunta “Todos a postos?” e mencionar por meio do símbolo “@” outros usuários, a internauta faz um convite direto a esses outros internautas
para assistir ao programa e ao fazer isso busca provocar uma interação, uma vez que solicita uma resposta dos seguidores citados. O uso da “@” também possibilita que os usuários direcionem suas mensagens para os apresentadores, jurados e participantes dos programas, em busca de uma interação, como nos exemplos das figuras 26 e 27.
Figura 26: Busca de interação com o técnico Lulu Santos de The Voice Brasil Fonte: print de tela/Twitter em 15/12/16
Figura 27: Busca de interação com participante de MasterChef Brasil 2016 Fonte: print de tela/Twitter em 04/10/16
Contudo, nem sempre o símbolo “@” é utilizado para mencionar um determinado integrante do programa, como mostram as publicações a seguir.
Figura 28: Mencionando participante sem o uso de “@”_ex.1/MasterChef Brasil 2016 Fonte: print de tela/Twitter em 12/07/16
Figura 29: Mencionando participante sem o uso de “@”_ex.4/The Voice Brasil 2015 Fonte: print de tela/Twitter em 03/12/16
Essa prática pode ser justificada primeiramente pela rapidez com que as postagens são feitas. O interesse em fazer a publicação enquanto uma determinada situação no programa está acontecendo ou imediatamente após ela ocorrer leva os usuários a não utilizar esse recurso. A imediaticidade das postagens no Twitter é resultado justamente da necessidade de se construir uma amarra temporal com o conteúdo televisivo, o que ocasiona um modo próprio de apropriação do Twitter na TV Social. Mas esse tipo de linguagem também representa uma relação de maior proximidade construída entre os telespectadores e as “pessoas da TV” no modelo da neotelevisão (CASETTI e ODIN, 1990), na qual os telespectadores passaram a se
dirigir às celebridades televisivas como numa conversa. Do mesmo modo que a fala dos apresentadores passou a ser direcionada ao público através de um vocabulário evocativo (“você que está em casa”, “você vai ver em instantes”) e do olhar para a câmera encarando o público, os telespectadores também começaram a utilizar linguagem semelhante para se referir às “pessoas da TV”, e fazem comentários no Twitter, portanto, como se pudessem falar diretamente com os integrantes dos programas.
De modo especial, no Twitter os telespectadores de The Voice Brasil e de MasterChef Brasil têm conhecimento de que os apresentadores, jurados e competidores dos programas também estão na rede social e podem, potencialmente, ver os seus comentários. Esse aspecto concede ao público um canal direto e aberto às “pessoas da TV”. A interação com as celebridades da TV torna a promessa de participação nesses programas mais real e imediata. Quando um telespectador tem uma de suas mensagens curtida ou respondida por um integrante do programa ele se sente também um participante, como relata a telespectadora de MasterChef Brasil, Jussara.
É incrível porque te dá um senso de participação daquele negócio que está acontecendo, daquele programa, ainda maior, porque você está com os atores daquilo lá... então parece que você faz um pouquinho parte, sabe... embora o programa seja gravado, mas não sei... cria essa sensação de pertencimento ainda maior do que quando você tá interagindo com outras pessoas que conversa... a Paola Carosella já curtiu conversa minha sobre ela com amigos, então além de ser divertido, dá um senso de pertencimento mesmo... tipo, olha.. o que eu estou escrevendo aqui eles estão vendo de alguma maneira... E é uma possibilidade que só a rede social dá mesmo... E eu acho que o Twitter é ainda mais interessante pra isso do que outras redes, tipo o
Facebook. (Jussara Peçanha/telespectadora de MasterChef Brasil)
No exemplo abaixo nota-se a interação entre um telespectador de The Voice Brasil e o diretor do reality musical, Boninho. A possibilidade do público contribuir de algum modo com o conteúdo do programa reforça a promessa de participação tão presente nos reality shows.
Figura 30: Interação entre telespectador e Boninho/The Voice Brasil 2016 Fonte: print de tela/Twitter em 20/10/16
Quando os usuários do Twitter são respondidos pelos integrantes de um programa televisivo o fato é postado na rede como um troféu (figuras 31 e 32). A telespectadora de The
Voice Brasil, Bianca Souza, acredita que a resposta das celebridades aos comentários dos
usuários gera visibilidade para os telespectadores. “Quando um famoso responde uma postagem ou curte é uma forma da pessoa se sentir visível, saber que ele sabe que ela existe”, afirma.
Figura 31: Usuário comemora interação com jurada de MasterChef Brasil 2016 Fonte: print de tela/Twitter em 15/03/16
Figura 32: Usuário comemora interação com técnica de The Voice Brasil 2016 Fonte: print de tela/Twitter em 24/11/16
Para Mariana muitos usuários comentam no Twitter sobre o programa buscando justamente esse canal de acesso às celebridades da televisão.
[...] geralmente você vê um famoso lá no céu e você aqui na terra... então não... Cláudia Leitte, Ivete Sangalo, Evaristo Costa... eles respondem as pessoas... e aquilo é muito legal, tipo, parece que as pessoas estão lá pra isso, para serem respondidos, para ter um contato com quem é famoso... pra falar, nossa ele é gente como a gente. (Mariana Oliveira/telespectadora de The Voice Brasil)
O post abaixo de um telespectador de MasterChef Brasil ilustra essa situação.
Figura 33: Usuário comemora curtida de participantes de MasterChef Brasil Fonte: print de tela/Twitter em 26/04/16
A aproximação maior entre integrantes dos programas e telespectadores acontece principalmente quando as celebridades televisivas respondem às postagens dos usuários, como nos exemplos abaixo.
Figura 34: Interação entre participante e telespectador/MasterChef Brasil 2016 Fonte: print de tela/Twitter em 28/06/16
Figura 35: Interação entre participante e telespectador_2/MasterChef Brasil 2016 Fonte: print de tela/Twitter em 02/08/16
Essa prática, no entanto, nem sempre é livre de conflitos. Muitas foram as situações encontradas ao longo das temporadas analisadas de embates entre integrantes dos programas e telespectadores nas redes sociais, como provocações e respostas irônicas e até mesmo bloqueios de seguidores. Veja nos nos exemplos a seguir.
Figura 36: Tiago Leifert bloqueia usuário do Twitter/The Voice Brasil 2016 Fonte: print de tela/Twitter em 17/11/16
Figura 37: Participante Fábio bloqueia usuária do Twitter/MasterChef Brasil2016 Fonte: print de tela/Twitter em 26/07/16
A jurada de MasterChef Brasil, Paola Carosella, já se envolveu em diversas polêmicas no Twitter. Cito apenas algumas para ilustrar. Em uma delas, depois de ter parabenizado no microblog a vitória de Leonardo como campeão da terceira temporada amadores do reality em 2016, a chef retrucou alguns seguidores que contestaram o resultado.
Figura 38: Embate entre Paola e seguidores no Twitter/MasterChef Brasil 2016 Fonte: print de tela/Twitter em 24/08/2016
Ao usar a expressão “negra pobre” Paola se referiu a uma outra polêmica que envolveu a saída de uma competidora da mesma temporada alguns episódios antes. A estudante Gleice, candidata negra e de baixa renda, recebia ataques frequentes nas redes sociais. Na eliminação da candidata as agressões se intensificaram e a chef saiu em defesa da estudante.
Figura 39: Paola sai em defesa de Gleice/MasterChef Brasil 2016 Fonte: print de tela/Twitter em 22/06/2016
A participação de Gleice gerou muita polêmica na Internet. Os internautas acusaram os jurados de proteger a estudante na prova eliminatória em que ela disputou sua permanência no programa com a engenheira química Gabriella. Na disputa, os competidores tiveram que preparar macarons, doce da cozinha francesa de execução complexa. Segundo as regras era necessário fazer três sabores diferentes de macarons com três cores diferentes. Embora Gleice tenha apresentado doces “incomíveis, horríveis, uma vergonha”, segundo avaliação do jurado Erick Jacquin, a estudante acabou vencendo a engenheira, que apresentou todos os doces com a mesma coloração das massas e foi eliminada do programa.
O resultado gerou revolta nos internautas que contestaram a decisão dos jurados, já que Gabriella havia feito bons macarrons, mas todos com a mesma colaboração, enquanto Gleice apresentou doces impossíveis de serem comidos, porém em cores diferentes. No Twitter, os fãs do programa acusaram os chefs de apelarem para o emocional e de protegerem Gleice por conta de sua origem humilde e sua história trágica (ela perdeu um irmão que foi assassinado e em um dos episódios chegou a chorar por este motivo). Para fundamentar suas postagens, os internautas relembraram uma prova anterior na mesma temporada em que Leonardo Young entregou um bolo com dois andares e foi mantido no programa, enquanto a regra da prova estipulava a apresentação de um bolo com três camadas. Os internautas questionaram então porque as regras não foram seguidas rigidamente no caso de Leonardo, mas foram cumpridas à risca para determinar a saída de Gabriella e garantir a permanência de Gleice.
A repercussão na Internet foi tão grande que pela primeira vez na história do programa