humana em função dos sentimentos, mostrando estes como algo que existe em função do homem e não o contrário.”
Por Shirley M. Cavalcante (SMC)
Escritor Emerson Lima Gondim Filho, é um prazer contarmos com a sua parti-cipação na revista Divulga Escritor. Conte-nos, o que o motivou a ter gosto por romances?
Emerson Gondim - Também é um prazer para mim poder ser entrevistado pela revista Divulga Escritor. Acredito que meu gosto por romances se deva a influên-cia que vários romancistas tiveram ao longo da minha vida como leitor. Apesar de ainda nutrir um gosto especial por contos de fadas, que vem desde a minha infância (e isso ter influenciado inclusive a escolha do nome do personagem principal em “À flor dos meus olhos”), os romances de modo geral sempre tra-zem consigo características muito particulares de cada autor, que nos cativam de tal forma que ao se encantar por um romance passamos a nutrir uma simpatia pelas outras obras do autor, mesmo sem ainda as ter lido.
O que o inspirou a escrever “À flor dos meus olhos”?
Emerson Gondim - Como já disse muito sabiamente o jovem Peter Parker, inter-pretado por Tobey Maguire, no filme do Homem-Aranha de 2002: “como toda história que se preze, é tudo por causa de uma garota”. Comigo não foi diferen-te. Como o próprio título da obra sugere, o livro foi escrito para a flor dos meus olhos, cujo calor e encanto supera até mesmo a pureza do lírio, o ardor das ro-sas, o perfume dos jasmins e o esplendor dos girassóis, além de ser a mais bela das graças. Sou muito grato a ela por este presente que recebi e torço para que
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seu gosto por essa leitura seja pelo menos tão grande quanto a minha gratidão por ela. Eu tenho uma par-ticipação especial no capítulo 9 do livro, onde explico um pouco melhor essa pergunta, então caso alguém tenha curiosidade é mais um motivo para ler o livro.
Apresente-nos a obra (sinopse) Emerson Gondim - Um adolescente no segundo ano do ensino médio tentando conquistar o coração da menina por quem está apaixonado conta ao leitor um pouco do seu jei-to de ver o mundo enquanjei-to narra a história. Depois de algumas tenta-tivas e com a ajuda de seu pai, um amigo atrapalhado, uma donzela de tranças compridas e um jovem ex-tremamente sábio ele descobre o que de fato precisa ser feito...
Qual temática está sendo aborda-da? Emerson Gondim - Se trata de um romance escolar que aborda os sen-timentos como instrumento de ama-durecimento pessoal e a importância do amor como meio para solidificar as virtudes que irão direcionar o nosso futuro. O livro procura inver-ter a perspectiva, frequentemente implícita em muitas obras, da vida humana em função dos sentimen-tos, mostrando estes como algo que existe em função do homem e não o contrário.
O que mais o atrai em “À flor dos meus olhos”?
Emerson Gondim - Os personagens.
É claro que eu sou suspeito para fa-lar, já que, sendo eu seu co-criador, tenho um carinho muito grande por
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www.divulgaescritor.com | julho | 2019 43 eles, mas acredito que os leitores
também irão desenvolver um re-lacionamento particular com pelo menos alguns deles e isso é muito importante para que se possa de-senvolver um intimidade maior com a obra. A história produz um impacto completamente diferente no leitor quando se passa com um amigo, por isso acho que seja muito bom quan-do a relação quan-dos personagens com o leitor se aproxima o máximo possível deste tipo de relação.
A quem indica leitura?
Emerson Gondim - Eu indico para quem gosta de romances em que os personagens dividem com o leitor os seus sentimentos, dúvidas, inse-guranças e divagações, para quem gosta de histórias de amor à primei-ra vista, paprimei-ra quem gosta de uma narrativa “poética, sonhadora e sen-sível” (na fala de uma leitora e rese-nhista) e pra quem gosta de leituras com triângulos amorosos e de torcer para o seu casal favorito ficar junto no final.
Resuma o romance em duas pala-vrasEmerson Gondim - Pureza e amadu-recimento. Pureza porque sempre foi o meu desejo que esse fosse o centro do livro. Escolhi a flor-de-lis para ilustrar a capa por ela represen-tar a pureza. Pode-se inclusive dizer que ela também é a flor dos meus olhos, ainda mais do que qualquer outra. Amadurecimento porque o objetivo do livro é mostrar que os sentimentos não tem uma função em si mesmos, mas servem para nos auxiliar no processo de amadureci-mento, que é a própria vida. Além
disso, acredito que escrever este li-vro foi um passo importante para o meu próprio amadurecimento pes-soal.
Onde podemos comprar o seu livro?
Emerson Gondim - O livro físico está disponível nos sites da editora Viseu, Amazon, Lojas Americanas, Submarino e Shoptime. A versão di-gital está disponível também no site da editora Viseu e Amazon, e nos si-tes da Livraria Saraiva, Wook, Kobo, Barnes & Noble, Walmart.com, El Sótano, Unicornio Libreria, Casa del Libro, Gonvill Librerias, la Feltrinelli, além do Google Play e iTunes. Quem quiser pode também comprar o livro físico diretamente comigo via direct do Instagram: https://www.insta-gram.com/emersonlgondim/
Quais os seus principais objetivos como escritor?
Emerson Gondim - Ajudar a cons-truir uma revolução na cultura. Não uma revolução construída em cima de ideologias, mas sim um revolu-ção de amor. Não falo de um amor romântico que nos desvia do que realmente importa, mas de um amor que seja verdadeiro, tão verdadeiro que gere transformação na vida das pessoas e, através da vida dessas pessoas, se difunda como um fogo que incendeia os corações de toda a sociedade. Incendiar o mundo com o amor é não só o meu objetivo como escritor, mas o meu objetivo de vida.
Mesmo que esse livro não seja capaz de ascender essa chama no coração de alguém eu espero que ele seja capaz de aquecer pelo menos um pouco o coração de várias pessoas, de modo que quando essa chama,
que já existe e já está se espalhando, chegar até eles ela possa se espalhar cada vez mais rapidamente.
Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom co-nhecer melhor o escritor Emerson Lima Gondim Filho. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores?
Emerson Gondim - Se de alguma for-ma a chafor-ma do amor tiver se acedido no coração de algum de vocês, en-tão não deixe essa chama se apagar, espalhe-a, seja onde você estiver, na sua família, no trabalho, na es-cola, na universidade... Mesmo que não seja escrevendo um livro, mas dando um bom dia, um sorriso, um abraço... Lembrem-se sempre que a história mais bonita que podemos escrever é a da nossa própria vida, e essa é a mais importante também.
E por fim, quando encontrar alguém que está em um ponto de sua histó-ria que não sabe como prosseguir:
não perca a oportunidade ajudá-lo a criar o seu próprio final feliz!
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www.divulgaescritor.com | julho | 2019 45 PARTICIPAÇÃO ESPECIAL
ESCRITORA CHRISTIANE DE MURVILLE
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www.divulgaescritor.com | agosto | 2019 45
Abacaxi
Rei Que abacaxi!, exclamou
Zézinho, inconforma-do com o problema difícil que tinha que resolver.
Mas não havia jeito. Teria que descascar esse abacaxi, e sozinho, pois ninguém queria saber de nada ou de tratar de assuntos chatos.
Enquanto rosnava desconten-te, na fruteira, o abacaxi silencioso mantinha sua postura imponente, sobressaindo entre as demais frutas que se encontravam ao seu lado. Ele era um rei, tinha coroa.
E estava maduro. Sua vesti-menta vistosa tendia ao dourado, in-dicando que estava pronto para ofe-recer o melhor de si. Além do mais, o seu perfume não deixava dúvida, era
agradável, gentil e doce como mel.
Ele estava mesmo pronto para ser Rei. Pois, além da aura luminosa e da coroa na cabeça, também era humilde. Ficava na fruteira com todo mundo e não reclamava da vida.
Para ser rei, tinha que ser humilde, senão como enxergar os outros? Afi-nal, reis de verdade ocupam o último lugar, se colocam como o menor de todos e tudo que fazem é para que os outros sejam felizes e retomem consciência. Levam todos à volta de-les a também se comportarem como Reis. Isso é que era ser chique de verdade!
Zézinho olhou para a fruteira e endireitou a postura. Não reclamou mais e foi cuidar do assunto que ti-nha que resolver.
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Um feixe de luz incidiu sobre o riacho. Infinitas partículas luminosas mergulharam na água e começaram suas aventuras no mundo.
Uma fagulha de luz sentiu-se fortemente atraída pelas plantinhas que cresciam nas bordas úmidas do riacho. Aproximou-se delas e se fun-diu a elas. Outra seguiu um peixe que nadava graciosamente, até alcança--lo. Queria aprender a nadar, ser um peixe também. Outra ainda ficou fas-cinada com as pedras que desenha-vam o curso das águas. Virou pedra, enquanto sua irmã foi atrás de uma tartaruga que topou pelo caminho.
A primeira a atingir os casca-lhos nas margens juntou-se a eles, transformando-se em um deles. Mas muitas mergulharam fundo e se me-tamorfosearam em grãos de areia no leito do riacho. Passou ainda um galho de árvore flutuando e incontá-veis faíscas luminosas se agarraram a ele, finalmente se transformando no próprio galho.
Quantas experiências possíveis de se viver no riacho! Cada centelha divina podia escolher onde morar e por quais experiências passar neste mundo de contrastes e movimento, ora apresentando águas claras, ora escuras, revoltas ou tranquilas.
Enquanto ia sendo levada pela correnteza, uma porção de luz reco-nheceu suas irmãs na vegetação, nas pedras, nos insetos, nos animais...
Notou que muitas delas já acredita-vam ser o galho, o tronco, o cascalho, a larva, o peixe... Viviam em grupo com suas colegas vizinhas semelhan-tes a elas e não se recordavam mais do universo de possibilidades no qual estavam mergulhadas. Tinham dificuldade em lidar com diferenças e estavam apegadas a tudo que ha-viam juntado à volta delas. Uma ou outra chegava até a se achar mais es-pecial do que as outras e olhava de cima suas irmãs. Havia peixe grande menosprezando os pequenos, girino falando mal do galho, lesma
brigan-do com o cascalho, grão de areia ir-ritado com a tartaruga! Ninguém se lembrava mais de que todos eram somente luz.
Porém, apesar dos desen-tendimentos aqui e acolá, o riacho amorosamente acolhia todo mundo de forma igual, conforme as neces-sidades e vontades de cada um, sem julgar nada ou qualquer ser. Afinal, cada centelha divina era sagrada, assim como toda situação que ela resolvesse experimentar ou as mo-radas que desejasse visitar.
A faísca luminosa que via a luz em tudo sabia que não estava só.
Sentia-se parte de uma imensa vida que acontecia à sua volta, no riacho e em todo o universo.
Decidiu, então, ser como a cor-renteza que não se prende a nada.
Passearia por todos os ambientes, densos e sombrios ou leves e lumi-nosos, mas continuaria sendo ela mesma - simplesmente um brilho na correnteza!