O Conselho Superior da Universidade Federal de Juiz de Fora, em 04 de novembro de 2004, aprovou a implementação do Sistema de Cotas para egressos de escolas públicas. Consta do Programa de Ingresso: Vestibular 2007 e Programa e Ingresso Seletivo Misto – PISM, Manual do Candidato, a periodicidade e a proporção de distribuição de vagas como segue: I – para o concurso Vestibular de 2006, reservar-se-ão 30% das vagas, de todos os cursos; II – para o concurso Vestibular 2007, reservar-se-ão 40% das vagas, de todos os cursos; III – para o concurso Vestibular 2008, e para os que se seguirem até a ultimação do prazo previsto, reservar-se-ão 50% das vagas, de todos os cursos, para egressos de escolas públicas.
Com base na Resolução n. 05/2005, art. 1º, inciso I, do Conselho Superior da Universidade Federal de Juiz de Fora, ficou determinado que, das vagas destinadas ao Concurso Vestibular, de cada um dos cursos para os egressos das escolas públicas, reservar-se-ão 25% (vinte e cinco por cento) das vagas já reservadas para candidatos autodeclarados negros, nos termos previstos na Resolução acima. Podem se candidatar pelo Sistema de Cotas, no limite das vagas reservadas, os candidatos que tenham cursado, pelos menos, sete séries do ensino fundamental ou médio em escolas públicas. Para efeito de contagem das sete séries, não serão computados os anos que, em função de reprovação, refiram-se à repetência do aluno na mesma série.
A Resolução n. 05/2005 ainda prevê que “Durante os primeiros três anos de operação, poderão se candidatar pelo Sistema de Cotas os candidatos que tenham cursado, pelo menos, sete séries no ensino fundamental ou médio em escolas públicas. Ultimado esse prazo, poderão optar pelo Sistema de Cotas os candidatos que tenham cursado, pelo menos, quatro séries do ensino fundamental e a totalidade do ensino médio em escolas públicas”.
O vestibular de 2006 foi o primeiro, portanto, a adotar a reserva de vagas. Em virtude do resultado do vestibular do ano de 2007 ter sido divulgado oficialmente apenas no mês de março de 2007, esses dados, lamentavelmente, não poderão ser objeto de análise nesta dissertação em virtude do prazo exíguo para a conclusão. Todavia, mesmo obtendo com muito atraso os dados do vestibular de 2006, já que esses apenas foram disponibilizados pela Instituição no final do mês de dezembro de 2006, as análises serão feitas nos capítulos que se seguem.
Nos próximos capítulos objetiva-se desvendar o perfil do candidato branco e não-branco, inscrito e aprovado após a implementação do programa de cotas na Universidade Federal de Juiz de Fora. A partir desse estudo, busca-se verificar a existência de igualdades e desigualdades raciais e sociais, realidades essas que são objeto de estudo de muitos teóricos, que pesquisam o acesso de negros ao ensino superior no Brasil.
CAPÍTULO 4
CARACTERÍSTICAS DOS QUE DISPUTAM E DOS QUE INGRESSAM NO ENSINO SUPERIOR – O CASO DA UFJF
A Universidade Federal de Juiz de Fora, no ano de 2004, no mesmo passo de outras instituições federais de ensino superior no Brasil, compôs uma Comissão, para estudar a adoção do sistema de cotas nos processos de ingresso aos cursos de graduação oferecidos pela UFJF, ao final, apresentou como fundamento e justificativa para a implantação das cotas, a questão da iniqüidade da sociedade brasileira, in verbis: “Longamente recalcada, a desigualdade social, constitutiva das condições do acesso à educação superior, expõe-se, finalmente, como ferida – denunciada pelos movimentos sociais, inscrita como pauta de governo, objeto de políticas públicas” (2004, p.3).
Em conclusão, foi elaborado um “Relatório da Comissão sobre a adoção do sistema de cotas na UFJF” e o Conselho Superior da UFJF, através da Resolução n. 16, em 04 de novembro de 2004, aprovou a implementação do sistema de cotas para egressos de escolas públicas e de negros, tendo sido disciplinada pela Resolução n. 05/2005, como segue:
I – para o concurso vestibular de 2006, reservar-se-ão 30% das vagas, de todos os cursos, para egressos de escolas públicas;
II – para o concurso vestibular de 2007, reservar-se-ão 40% das vagas, de todos os cursos, para egressos de escolas públicas;
III – para o concurso vestibular de 2008, e para os que se seguirem até a últimação do prazo previsto no art. 3º da Resolução n. 16, de 04 de novembro de 2004, do Conselho Superior, reservar-se-ão 50% das vagas, de todos os cursos, para egressos de escolas públicas.
§ 1º - Reservar-se-ão 25% das vagas a que se referem cada um dos incisos do caput deste artigo para autodeclarados negros.
§ 2 º - Para o Programa de Ingresso Seletivo Misto referente ao triênio 2006-2008 e para os demais que se seguirem até a ultimação do prazo previsto no art. 3º da Resolução n. 16, de 04 de novembro de 2004, do Conselho Superior, reservar-se-ão 50% das vagas, de todos os cursos, para egressos de escolas públicas e, dentro deste percentual, uma reserva de 25% de vagas para autodeclarados negros (grifos nossos).
O sistema de cotas implantado na UFJF, de acordo com o estipulado no art. 3º da Resolução n. 16/2004, terá vigência por 10 (dez) anos, entrando em vigor a partir do processo de ingresso em 2006, sendo que, o parágrafo único deste artigo, estabelece que após 3 (três) anos da implementação deste sistema de cotas, realizar-se-á uma revisão do funcionamento do processo de ingresso na UFJF.
Necessário, para tanto, que o sistema implantado seja continuamente avaliado, ano a ano, não apenas para se realizar a revisão estipulada no parágrafo único do art. 3º, como também para que exista um permanente controle de adequação da medida aos fins sociais objetivados. Neste sentido, um levantamento do perfil socioeconômico e cultural dos candidatos e dos aprovados se torna valioso, de forma de a se distinguir os pontos mais críticos no qual a implantação da medida exija uma dedicação especial do programa.
Em atenção a esta questão, neste capítulo, será feita uma análise, através dos dados do vestibular de 2006, o primeiro a implantar o sistema de cotas, dados disponibilizados pela UFJF, referente às respostas dos candidatos ao questionário sócio-econômico-cultural o qual foi preenchido pelo próprio candidato no ato da inscrição. Nestas análises será preservada a individualidade de cada candidato inscrito, pois, ressalta-se, a Universidade, a todo o tempo, em respeito às garantias constitucionais, não revelou a identidade dos candidatos. Tal fato não prejudica a análise dos dados e, reafirma-se, protege a personalidade do indivíduo.
Não é despiciendo observar que a oferta de vagas na Universidade Federal de Juiz de Fora é muito pequena e a reserva de vagas para cotistas é ainda menor. Do total das vagas disponibilizadas pela instituição, 2.080 vagas distribuídas pelos cursos de graduação, 30% foram reservadas para o PISM e 70% foram reservadas para o concurso vestibular 2006. Em número, o vestibular conta com 1.454 vagas, a estas foram acrescidas mais 21 vagas, devido à aplicação dos arredondamentos quando da distribuição das vagas entre os cursos. Estes arredondamentos foram aplicados extraordinariamente para o Concurso Vestibular 2006 e estabelecidos pela Resolução n. 26/2005 do Conselho Superior da UFJF, conforme consta no Edital do Concurso Vestibular 2006, Capítulo II, art. 6º e seus parágrafos.
Os alunos que objetivam disputar as vagas reservadas para cotistas negros terão que enfrentar uma dura concorrência, pois no vestibular 2006, apenas 25% das vagas, daqueles 30% de vagas reservadas para cotistas egressos de escolas públicas estarão disponíveis para o grupo A.