4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
4.10 IMPLANTAÇÃO DAS FERRAMENTAS A PARTIR DAS DIRETRIZES
Após a realização do estudo de caso na obra 01 e a criação das diretrizes bases foi feita uma seleção das ferramentas a serem implantadas da obra 02, da Agência Bigorrilho, e foi definido o nível de implantação destas ferramentas. Assim
como na obra 01, levaram-se em consideração as características da obra, a experiência dos operários que trabalhavam na obra e o grau de compreensão do engenheiro responsável sobre as ferramentas utilizadas na primeira obra. Também foi levado em conta o efeito aprendizagem obtido no primeiro estudo, com base nos resultados obtidos.
A implantação das ferramentas, exceto o Last Planner e o cronograma
master, se deu a partir da segunda semana de trabalhos, pois houve uma
sobreposição de uma semana entre as obras 01 e 02. Sendo assim, as diretrizes puderam ser formuladas e implantadas somente após o término do primeiro estudo de caso. O Quadro 4.14, a seguir, apresenta as ferramentas escolhidas e o nível de implantação.
Ferramentas Nível de Implantação Explicação
Cronograma Master Implantação total A construtora não apresentava
qualquer tipo de planejamento.
Last Planner Implantação total Era fundamental a busca do
planejamento e principalmente do controle da obra.
Planejamento
lookahead
Implantação parcial Notou-se a necessidade de conhecer previamente as restrições existentes na realização da obra.
5S Implantação parcial Foram trabalhados os sensos de
utilização, de organização e de limpeza.
Dispositivos visuais Implantação parcial Dispositivos visuais voltados à organização, à limpeza da obra e ao aumento da transparência. QUADRO 4.14 – Ferramentas a serem aplicadas na obra 02
FONTE: A autora (2008)
Tendo como base as diretrizes criadas, a implantação seguiu o conhecimento gerado anteriormente. Sendo assim, o primeiro passo foi a realização de um planejamento base para todo o período da obra, por meio do
desenvolvimento de um cronograma master. Após a realização do primeiro
cronograma, a diretoria e o engenheiro da obra estavam mais preparados para a realização do cronograma. Eles utilizaram o conhecimento obtido também por meio
mais realista. Entretanto, devido a um problema nas instalações da obra, o cronograma criado teve que ser re-estruturado no início da obra.
A diretriz número dois, buscar o envolvimento das partes interessadas
(stakeholders) da obra não foi realizada, pois as equipes e os demais envolvidos na
realização da obra foram os mesmos da obra 01. Houve interesse da pesquisadora em realizar reuniões com aqueles que não estiveram presentes na reunião da obra 01, entretanto não houve disponibilidade das partes para participar de reuniões.
Em seguida houve a definição do leiaute da obra com base nas atividades a serem desenvolvidas. Neste caso a pesquisadora estudou os projetos e discutiu soluções com o mestre-de-obras para definir o melhor local para colocação de materiais, equipamentos e rejeitos da obra. Devido às características da obra era necessário estabelecer locais de fácil acesso de pessoas e materiais, levando em consideração a posição final do mobiliário a ser montado antes do término da obra.
Após a definição do leiaute do canteiro de obras foi criada uma sinalização na obra para o recebimento dos materiais. Esta sinalização constava de placas informando o tipo de material a ser colocado no local, e linhas horizontais colocadas no piso delimitando o espaço para os materiais mais volumosos, o que pode ser observado nas Figuras 4.15 e 4.16, a seguir.
FIGURA 4.15 – Demarcação horizontal para armazenamento de materiais FONTE: A autora (2008)
FIGURA 4.16 – Materiais armazenados nos locais definidos por demarcação e placas FONTE: A autora (2008)
Houve também uma demarcação para o depósito do lixo; entretanto, assim como na obra 01, a construtora não forneceu contêineres para a colocação do lixo, fazendo com que o lixo permanecesse aparente e não houvesse possibilidade de separação.
Não foi criado nesta obra o painel contendo informações da obra, projetos e cronogramas, pois assim como na obra 01 a construtora não forneceu um local apropriado para a montagem do painel, impossibilitando a montagem de um material apropriado que cumprisse seu objetivo informativo.
Assim como na obra 01, seguindo a diretriz 5, foi utilizado o Last Planner
para identificar as tarefas a serem realizadas diariamente na obra. Como o mestre-de-obras já tinha a experiência da obra 01, o grau de detalhamento das informações utilizadas para o preenchimento das planilhas era maior, permitindo a realização de um planejamento para o prazo de quatro dias. As informações colhidas em planilhas eram enviadas ao engenheiro da obra, que fazia o acompanhamento junto ao mestre-de-obras com base nas atividades descritas.
Após o término do período definido em planilha era feita a verificação de execução das tarefas, obtendo o PPC do período. Neste caso estava sendo utilizada a diretriz 6 (manter o controle sobre a realização das tarefas). Seguem o Quadro 4.15, com o memorial de cálculo dos PPC, e o Gráfico 4.9, com os PPC finais:
SEMANAS 16-20/10 21-24/10 25-27/10 28-31/10 01-05/11 06-09/10 Quantidade de atividades a serem executadas 3 3 1 4 6 7 Quantidade de atividades executadas 1 1 1 1 3 7 Quantidade de atividades não executadas 2 2 0 3 3 0 Cálculo PPC = 3-2/3 PPC = 3-2/3 PPC = 1-0/1 PPC = 4-3/4 PPC = 6-3 / 6 PPC = 7-0 / 7 PPC 33,3% 33,3% 100% 25% 50% 100%
QUADRO 4.15 – Memorial de cálculo de PPC, obra 02 FONTE: A autora (2008)
GRÁFICO 4.9 – Percentual de Produção Concluída da Obra 01 – Agência Bigorrilho FONTE: A autora (2008)
Os PPCs obtidos na obra apresentaram-se bastante variados, principalmente por um detalhamento maior das atividades, pela necessidade de remanejamento de equipes entre as duas obras no início das obras, e pelo problema de instalações na edificação, comentado anteriormente. As duas primeiras análises foram prejudicadas pela insuficiência da equipe, pois alguns operários estavam sendo direcionados à obra 01. A terceira análise foi de 100% pois havia apenas uma atividade em
execução. As três últimas análises seguiram a programação normal da obra, sendo a última também de 100% pois era o período final da obra, portanto todas as atividades deveriam ser executadas. Entretanto, nesta ultima semana foi possível perceber que várias atividades que não foram especificadas pelo mestre-de-obras ocorreram, fazendo com que houvesse variações nos dias em que as atividades eram realizadas. As planilhas preenchidas e os respectivos problemas encontrados nos períodos de análise são apresentadas nos apêndices.
Em paralelo ao Last Planner iniciou-se a aplicação do planejamento
lookahead nas últimas duas semanas da obra. Esta ferramenta não tinha sido
utilizada anteriormente, pois era necessário certo grau de familiarização com os conceitos de planejamento e controle por parte do mestre-de-obras e do engenheiro da obra. O planejamento era feito pela pesquisadora na semana anterior à realização das tarefas, e abrangia o período de uma semana. Eram identificadas as tarefas a serem realizadas, com base no cronograma master revisado para a semana em questão, e eram apontados os recursos necessários para a realização destas tarefas.
Neste caso, o uso do período de abrangência da planilha de lookahead foi estipulado em uma semana, devido ao fato do ambiente encontrado nas obras de curto prazo ser altamente dinâmico, apresentando constantes alterações de planejamento a médio prazo. Sendo assim, ao trabalhar com períodos superiores a uma semana podem ocorrer perdas no planejamento pois as atividades apresentadas no lookahead podem não representar a realidade da obra. Ao realizar o planejamento para uma semana há uma maior garantia deste planejamento representar as atividades que estarão realmente acontecendo, bem como identificar possíveis problemas e restrições impostos a estas atividades.
Assim como na obra 01, abrangendo os conceitos da diretriz 07 (manter o controle sobre a organização e limpeza da obra), ao término de cada dia de trabalho era feita uma limpeza geral da obra, recolhendo os materiais inutilizados e demais dejetos de obra, que eram colocados em um local específico para o lixo. Permanecia, como citado anteriormente, o problema da falta de locais apropriados para o depósito do lixo, como pode ser observado na Figura 4.17, a seguir:
FIGURA 4.17 – Local destinado ao depósito de lixo FONTE: A autora (2008)