5.5 Passiva¸c˜ao de filmes de cobre atrav´es de implanta¸c˜ao iˆonica
5.5.1 Implanta¸c˜ao de B +
As implanta¸c˜oes foram feitas com energia de 50 keV e doses de 1x1013
a 5x1014 ´atomos/cm2
.
A profundidade determinada pelo programa de simula¸c˜ao SRIM 2003 foi 90,2 nm. O interesse em implantar ´ıons de boro reside no fato do processo de implanta¸c˜ao deste ´ıons ser uma das etapas do processamento dos dispositivos semicondutores. As doses t˜ao
5.5 Passiva¸c˜ao de filmes de cobre atrav´es de implanta¸c˜ao iˆonica 104
Figura 5.39: Espectro XRD de uma amostra contaminada com cloro
baixas s˜ao justificadas pelo fato de causarem menor varia¸c˜ao na resistividade el´etrica do metal. Os testes para oxida¸c˜ao foram feitos em atmosfera ambiente, com temperatura de 250 ◦C em tempos variando entre 10 e 150 minutos.
A implanta¸c˜ao de boro n˜ao aumentou a aderˆencia dos filmes de cobre ao sil´ıcio. An´alises RBS mostraram uma ligeira redu¸c˜ao na taxa de oxida¸c˜ao com as doses uti- lizadas. O tipo e a espessura do ´oxido formado nestas condi¸c˜oes foram diferentes do formado para filmes de cobre puro. Diferentemente dos filmes de cobre puro, para os filmes implantados com boro houve crescimento de CuO, al´em de Cu2O. Isso pode ser visto na Figura 5.43, que mostra o espectro RBS de um filme oxidado e sua simula¸c˜ao.7 ` A medida que o tempo de oxida¸c˜ao aumenta o filme de ´oxido formado tem a sua rugosidade aumentada, como pode ser observado na Figura 5.44.
A Figura 5.46 mostra as diferen¸cas entre dois filmes de cobre; um puro e o outro com 1x1013
B+ /cm2
implantados. Pode ser claramente observada a redu¸c˜ao da rugosidade e da concentra¸c˜ao de oxigˆenio incorporado no filme de cobre implantado com boro, embora n˜ao tenha ocorrido passiva¸c˜ao total do filme. A redu¸c˜ao da concentra¸c˜ao de oxigˆenio
7 Composi¸c˜ao CuO(300)/Cu
2O(2500)/Cu2O0,8(1800) - Rugosidade:650.As grandezas est˜ao em unidade
5.5 Passiva¸c˜ao de filmes de cobre atrav´es de implanta¸c˜ao iˆonica 105
Figura 5.40: Espectro RBS de uma amostra contaminada com cloro, oxidada por 4 minutos, em 180 ◦C.
incorporado pode ser melhor observada atrav´es da an´alise da Figura 5.45, na qual ´e exibida a varia¸c˜ao da concentra¸c˜ao de oxigˆenio incorporado em fun¸c˜ao do tempo de oxida¸c˜ao.
A varia¸c˜ao da passiva¸c˜ao com a dose implantada foi estudada para 1x1014 B+ /cm2 e 5x1014 B+ /cm2
. As Figuras 5.47 e a tabela 5.19permitem a determina¸c˜ao da varia¸c˜ao da concentra¸c˜ao de oxigˆenio incorporado com a dose de implanta¸c˜ao.
Tabela 5.19: Cin´etica de oxida¸c˜ao de filmes de cobre oxidados em 250◦C
Amostra Temperatura(◦C) Coef. angular Coef. linear Coef. de correla¸c˜ao
Cupuro8 250 (1,39±0, 02) (48,19±0, 55) 0,99 Cu (1x1013 B+ ) 250 (1,53±0, 07) (1,6±1, 2) 0,99 Cu (1x1014 B+ ) 250 (0,53±0, 08) (40,9±6, 3) 0,97 Cu (5x1014 B+ ) 250 (0,53±0, 05) (44,4±2, 4) 0,97
5.5 Passiva¸c˜ao de filmes de cobre atrav´es de implanta¸c˜ao iˆonica 106
Figura 5.41: Cin´etica de oxida¸c˜ao em filmes de CuCl0,03, em 180◦C.
Quando comparadas as v´arias doses implantadas foi verificado que os ´oxidos formados a partir de filmes implantados com doses mais altas tinham menor rugosidade9
. Al´em disso, foi observada varia¸c˜ao da taxa de oxida¸c˜ao com a dose implantada, como pode ser visto na tabela 5.19.
N˜ao houve forma¸c˜ao de qualquer composto que pudesse servir como passivador. Desta forma, o mecanismo de passiva¸c˜ao de filmes de cobre por B+
pode ser descrito atrav´es da redu¸c˜ao da difus˜ao de ´ıons Cu+
, devido ao preenchimento das vacˆancias no ´oxido Cu2O inicialmente formado. Sabemos que o processo de oxida¸c˜ao do cobre ´e governado pelo movimento dos ´ıons Cu+
no sentido metal-´oxido. A implanta¸c˜ao de boro preenche as vacˆancias, reduzindo com isto, o transporte de cobre at´e a superf´ıcie.
Estudo realizado por Ding e colaboradores mostra uma efetiva passiva¸c˜ao para doses acima de 2,5x1015
B+ /cm2
[8] e [94], mas n˜ao foi estudada a varia¸c˜ao da taxa de oxida¸c˜ao para doses t˜ao baixas quanto `as utilizadas aqui.
9
Para tempos entre 10 e 150 minutos, o fator fuzzing da simula¸c˜ao variou entre 550 a 1000, para a menor dose e para as doses de 1 e 5x1014B+/cm2 foi 550 e 500, respectivamente, em unidades de
5.5 Passiva¸c˜ao de filmes de cobre atrav´es de implanta¸c˜ao iˆonica 107
Figura 5.42: Cin´etica de oxida¸c˜ao em filmes de CuCl0,03/C e Cu/C em 180 ◦C.
Figura 5.43: Espectro RBS de filmes implantados com 1x1013B+/cm2 e oxidados em T=250◦C, mostrando os dois tipos de ´oxidos formados.
5.5 Passiva¸c˜ao de filmes de cobre atrav´es de implanta¸c˜ao iˆonica 108
Figura 5.44: Espectro RBS de um filme implantados com 1x1013B+/cm2 e oxidado em T=250◦C, mostrando o aumento da espessura do ´oxido e da rugosidade com o tempo de oxi- da¸c˜ao.
5.5.2
Implanta¸c˜ao de P d
+As implanta¸c˜oes de P d+
foram feitas com energia de 100 keV e dose de 5x1015
´atomos/cm2 em filmes de cobre de espessura 5,5 x1017
´atomos/cm2
. A profundidade implantada, de- terminada pelo programa de simula¸c˜ao SRIM2003, foi 23,5 nm e a determinada pela simula¸c˜ao do espectro RBS foi 23,7 nm. A aderˆencia dos filmes de Cu/Si n˜ao foi modifi- cada pela implanta¸c˜ao, pois a penetra¸c˜ao dos ´ıons n˜ao alcan¸ca a interface Si-Cu. Os teste para oxida¸c˜ao foram feitos em atmosfera ambiente, em temperatura de 350 ◦C e tempos variando entre 2 e 20 minutos.
A Figura 5.48 mostra o espectro RBS do filme de cobre antes e ap´os a implanta¸c˜ao de P d+
. Tamb´em ´e mostrado o espectro do filme implantado e oxidado por 2 minutos. Pode ser observado o aumento da rugosidade quando o filme ´e transformado em ´oxido de cobre. Utilizando o parˆametro fuzzing da simula¸c˜ao do espectro RBS, verifica-se que o aumento relativo ´e de 300/(150).
5.5 Passiva¸c˜ao de filmes de cobre atrav´es de implanta¸c˜ao iˆonica 109
Figura 5.45: Cin´etica de oxida¸c˜ao de filmes implantados com 1x1013B+/cm2 e oxidados em T=250 ◦C
Pode ser observado pela Figura 5.48 que com tempo t˜ao reduzido quanto 2 minutos o filme de cobre ´e totalmente oxidado.
Simula¸c˜oes do espectro RBS mostram que existem dois tipos de ´oxidos crescidos, CuO e Cu2O.
N˜ao foi observada nenhuma rela¸c˜ao entre a varia¸c˜ao da rugosidade do ´oxido com o tempo de oxida¸c˜ao.
Assim, conclui-se que a implanta¸c˜ao de ´ıons de Pd com dose de 5x1015
´atomos/cm2 n˜ao ´e capaz de passivar a superf´ıcie de cobre. Apenas 2 minutos ´e capaz de oxidar um filme com cerca de 6,00x1017
´atomos/cm2
de espessura. Pela observa¸c˜ao do espectro RBS observa-se que a difus˜ao dos ´ıons de Pd ocorre da superf´ıcie para dentro do filme. Resultados da simula¸c˜ao mostram que h´a penetra¸c˜ao 2,00x1017
´atomos/cm2
no substrato de carbono durante a oxida¸c˜ao.
Resultados da literatura mostram que ligas de Cu(Pd) possuem uma maior resistˆencia `a oxida¸c˜ao do que filmes de cobre puro e que quanto maior a concentra¸c˜ao de Pd na liga, maior a resistˆencia `a oxida¸c˜ao [47]. Formando composto com o Cu, o Pd reduz o movimento desses ´atomos e diminui a taxa de oxida¸c˜ao. No presente trabalho, foi
5.5 Passiva¸c˜ao de filmes de cobre atrav´es de implanta¸c˜ao iˆonica 110
Figura 5.46: Espectro RBS de um filme de cobre puro e outro implantado com 1x1013B+/cm2, ambos oxidados em T=250◦C, por uma hora, mostrando a diferen¸ca na incorpora¸c˜ao de oxigˆenio entre os dois filmes e a diferen¸ca entre a rugosidade dos ´oxidos formados nos dois filmes.
verificado que a implanta¸c˜ao desses ´ıons n˜ao constitui em uma alternativa `a forma¸c˜ao de compostos, pois o ´atomo de Pd difunde no cobre e diminui a concentra¸c˜ao na superf´ıcie, deixando o filme de Cu livre de Pd na superf´ıcie, e oxidando-se, como pode ser visto na Figura 5.48.
5.5.3
Implanta¸c˜ao de Ar
+A passiva¸c˜ao superficial que ocorre quando um ´ıon inerte ´e implantado n˜ao pode ser explicada por forma¸c˜ao de ligas ou de compostos passivadores.
Nesta fase do trabalho ´ıons de argˆonio foram implantados em cobre em diferentes doses e energias.
Foram utilizadas energias de implanta¸c˜ao variando entre 10 e 90 keV, com doses entre 1x1015
e 1x1017
´atomos/cm2
. As profundidades determinadas pelo programa de simula¸c˜ao SRIM 2003 foram 6,8 nm(10 keV), 16,5 nm(30 keV) e 45,2 nm(90keV).
5.5 Passiva¸c˜ao de filmes de cobre atrav´es de implanta¸c˜ao iˆonica 111
Figura 5.47: Cin´etica de oxida¸c˜ao de filme de Cu implantados com 1x1014B+/cm2 e 5x1014B+/cm2
Rugosidade
O efeito da implanta¸c˜ao na microestrutura foi determinado atrav´es de an´alises por AFM, com scan 2µm x 2µm. Os resultados das medidas s˜ao mostrados nas Figuras 5.49 a 5.52 e na tabela 5.20. A amostra Cu124 n˜ao foi submetida `a implanta¸c˜ao iˆonica.
Nas figuras 5.51 e 5.52 s˜ao mostrados dois filmes implantados com a mesma energia e doses diferentes. Os resulta das an´alises s˜ao mostrados na tabela 5.20.
A an´alise por AFM n˜ao foi conclusiva em rela¸c˜ao ao comportamento da rugosidade com a implanta¸c˜ao iˆonica. Analisando a tabela 5.20 n˜ao ´e poss´ıvel estabelecer nenhuma rela¸c˜ao entre dose, energia e rugosidade. Optou-se ent˜ao, por utilizar o parˆametro fuzzing
5.5 Passiva¸c˜ao de filmes de cobre atrav´es de implanta¸c˜ao iˆonica 112
Figura 5.48: Espectro RBS de um filme de cobre antes e ap´os a implanta¸c˜ao com P d+. Tamb´em ´e mostrado o espectro ap´os a oxida¸c˜ao em T=350◦C por 2 minutos, com a difus˜ao desses ´ıons da superf´ıcie para dentro do filme.
do programa de simula¸c˜ao RUMP, que possibilita comparar varia¸c˜oes de rugosidades para os filmes. Os resultados s˜ao mostrados na tabela 5.21.
Estudos tˆem mostrado varia¸c˜ao da rugosidade de filmes de Cu, dependendo da dose e do ´ıon implantado e ainda do substrato utilizado [123] e [124]. No presente trabalho, tanto os resultados obtidos por AFM quanto os valores obtidos atrav´es da utiliza¸c˜ao do parˆametro fuzzing do RUMP n˜ao indicam nenhuma tendˆencia de varia¸c˜ao da rugosidade com a dose de implanta¸c˜ao do Ar+
.
Resistividade el´etrica
No estudo do comportamento da resistividade com a implanta¸c˜ao iˆonica foram feitas medidas pelo m´etodo das 4 pontas antes e ap´os a implanta¸c˜ao iˆonica e ap´os o tratamento t´ermico, que foi feito em v´acuo, a 550◦C, por 30 minutos. Os resultados s˜ao mostrados na tabela 5.22, cuja simbologia adotada foi a seguinte: ρai ´e a resistividade el´etrica antes da implanta¸c˜ao iˆonica; ρdt, a resistividade el´etrica ap´os o tratamento t´ermico; ∆ρdi a varia¸c˜ao percentual da resistividade el´etrica em fun¸c˜ao da implanta¸c˜ao iˆonica e ∆ρdt a varia¸c˜ao
5.5 Passiva¸c˜ao de filmes de cobre atrav´es de implanta¸c˜ao iˆonica 113
Figura 5.49: Imagem obtida por AFM de filme de cobre antes da implanta¸c˜ao
Figura 5.50: Imagem obtida por AFM de filme de cobre implantado com 1x1016Ar+/cm2, com energia de 90 keV.
da resistividade el´etrica em fun¸c˜ao do tratamento t´ermico, considerada a partir do valor obtido ap´os a implanta¸c˜ao iˆonica.
Analisando a tabela 5.22, verifica-se o aumento da resistividade el´etrica com a dose de ´ıons. Em alguns estudos, pesquisadores tˆem tentado determinar a dose m´ınima necess´aria
para causar uma completa amorfiza¸c˜ao de um cristal [125] e [126]. ´
E sabido que a implanta¸c˜ao iˆonica reduz o tamanho dos gr˜aos. Assim, esse aumento do n´umero de defeitos reduz o transporte el´etrico, aumentando assim, a resistividade el´etrica. Com o tratamento t´ermico, a ordem cristalina ´e novamente estabelecida e ocorre o aumento da condutividade el´etrica, mostrado na ´ultima coluna da tabela.
5.5 Passiva¸c˜ao de filmes de cobre atrav´es de implanta¸c˜ao iˆonica 114
Figura 5.51: Imagem obtida por AFM de filme de cobre implantado com 1x1015Ar+/cm2, com energia de 90 keV.
Figura 5.52: Imagem obtida por AFM de filme de cobre implantado com 1x1016Ar+/cm2, com energia de 90 keV.
Resistˆencia `a oxida¸c˜ao
A resistˆencia `a oxida¸c˜ao foi testada para temperaturas de 180 ◦C, 200 ◦C e 300 ◦C, em tempos variando entre 5 e 30 minutos, com e sem tratamento t´ermico em 550 ◦C, em 30 minutos, em v´acuo de 10−5 Torr. O sistema utilizado para tratamento t´ermico nessa fase do trabalho, consistia de um forno Kokusai, com uma rampa que permitia que o centro atingisse a temperatura utilizada em 30 minutos. A rampa de descida, 8 horas, foi reduzida para 2 horas atrav´es do uso de um ventilador industrial.
Influˆencia do tratamento t´ermico
Para maior controle das condi¸c˜oes experimentais, foi utilizada uma m´ascara, per- mitindo que as amostras tivessem somente uma parte implantada. Assim, na mesma
5.5 Passiva¸c˜ao de filmes de cobre atrav´es de implanta¸c˜ao iˆonica 115
Tabela 5.20: Rugosidade das amostras implantadas com argˆonio Amostra dose energia(keV) RMS(˚A)
Cu107 1x1015 30 18 Cu109 1x1015 90 16 Cu113 1x1016 30 16 Cu115 1x1016 90 20 Cu122 1x1015 90 13 Cu123 1x1016 30 19 Cu124 - - 17 Cu125 1x1016 90 20
Tabela 5.21: Rugosidade das amostras implantadas com argˆonio, obtidas por simula¸c˜ao dos espectros RBS
Amostra dose energia(keV) Rugosidade(1015
´atomos/cm2 ) Cu107 1x1015 30 200 Cu109 1x1015 90 150 Cu113 1x1016 30 180 Cu115 1x1016 90 100 Cu122 1x1015 90 100 Cu123 1x1016 30 100 Cu124 - - 100 Cu125 1x1016 90 120
Tabela 5.22: Comportamento da resistividade el´etrica dos filmes com a implanta¸c˜ao iˆonica. Amostra dose(1016 ) ρai(µΩ.cm) ∆ρdi% ρdt(µΩ.cm) ∆ρdt% G2 5 3,2 +25 2,0 -50 G7 1 3,2 +12 1,9 -47 G8 5 2,1 +28 1,9 -30 G9 10 2,3 +52 2,0 -43
amostra, havia uma parte implantada e uma n˜ao implantada. Este procedimento foi uti- lizado sempre que as dimens˜oes das amostras eram compat´ıveis com a precis˜ao requerida.
5.5 Passiva¸c˜ao de filmes de cobre atrav´es de implanta¸c˜ao iˆonica 116
Figura 5.53: Espectros RBS de filme de cobre ap´os a oxida¸c˜ao. A amostra designada por M8clara foi implantada com 1x1017Ar+/cm2, com energia de 10 keV e oxidada em T=200◦C, por 30 minutos; a designada por esc ´e a parte n˜ao implantada do filme.
Para determinar o grau de passiva¸c˜ao devido `a implanta¸c˜ao de Ar+
em filmes n˜ao tratados termicamente, uma amostra foi parcialmente implantada com 1x1017
Ar+ /cm2
e, em seguida, oxidada por 30 minutos, em temperatura de 200 ◦C.
A Figura 5.53 mostra os espectros RBS ap´os a oxida¸c˜ao e a tabela 5.23 os resultados da simula¸c˜ao.
Tabela 5.23: Resultados da simula¸c˜ao do espectro RBS da figura 5.54 Camada Composi¸c˜ao espessura rugosidade
1 Cu(200)O(100) 650 230 2 Cu(0,02)O(1)C(100) substrato -
Nota-se total coincidˆencia entre as duas figuras, concluindo que n˜ao h´a eficiˆencia na passiva¸c˜ao com ´ıons de argˆonio para amostras n˜ao tratadas termicamente. Para verifica¸c˜ao do tipo de ´oxido crescido a amostra foi analisada por espectroscopia Raman.
A Figura 5.54 mostra o espectro Raman de um filme de cobre implantado com Ar+ ap´os ser submetido `a oxida¸c˜ao. Pode ser observada uma banda em 300 cm−1 e 600 cm−1, correspondente `a vibra¸c˜ao do Cu2O, e uma em 150 cm−1, corresponde ao Cu. As duas
5.5 Passiva¸c˜ao de filmes de cobre atrav´es de implanta¸c˜ao iˆonica 117
Figura 5.54: Espectro Raman de uma amostra implantada com 1x1017Ar+/cm2, com energia de 10 keV e oxidada em T=200 ◦C, por 30 minutos.
bandas intensas entre 1200 e 1650 cm−1 devem-se aos estiramentos do carbono. Esses resultado concorda com as an´alises RBS em rela¸c˜ao ao tipo de ´oxido formado, mas difere em rela¸c˜ao `a oxida¸c˜ao total do filme de Cu. Esses diferentes resultados entre as duas t´ecnicas parece indicar a existˆencia de n´ucleos oxidados e n˜ao oxidados no filme e n˜ao uma camada uniforme.
Assim, conclui-se que a implanta¸c˜ao de Ar+
nas condi¸c˜oes de dose e energia utilizadas neste trabalho, n˜ao exerce nenhuma influˆencia na cin´etica de oxida¸c˜ao para filmes n˜ao submetidos a tratamento t´ermico ap´os a implanta¸c˜ao.
Oxida¸c˜ao em amostras submetidas a tratamento t´ermico
As amostras de Cu/C foram implantadas com Ar+
, com doses de 1x1016 / cm2 , 5x1016 /cm2 e 1x1017 /cm2
e energia de 10keV. Os testes para oxida¸c˜ao foram feitos em tempe- raturas de 180 ◦C e 300 ◦C.
A Figura 5.55 mostra os espectros RBS de um filme cuja a metade foi implantada com 5x1016
Ar+ /cm2
5.5 Passiva¸c˜ao de filmes de cobre atrav´es de implanta¸c˜ao iˆonica 118
Figura 5.55: Espectros RBS de uma amostra cuja metade foi implantada com 1x1017Ar+/cm2, com energia de 10 keV e oxidada em T=180◦C, por 20 minutos.
A compara¸c˜ao entre as duas figuras mostra uma menor incorpora¸c˜ao de oxigˆenio na parte implantada do filme. A simula¸c˜ao dos espectros resulta em estruturas mostradas na tabela 5.24.
Tabela 5.24: Resultados da simula¸c˜ao do espectro RBS da figura 5.55 Camada Composi¸c˜ao espessura rugosidade
implantada 1015 at/cm2 1015 at/cm2 1 Cu(300)O(200)Ar(40) 300 250 2 Cu(100)Ar(2)) 1300 n˜ao implantada 1 Cu(300)O(200) 420 250 2 Cu(100)0(5)) 1050 200
Atrav´es da an´alise da Figura 5.55 e dos resultados mostrados na tabela 5.24, conclui-se que a implanta¸c˜ao de Ar+
modifica a concentra¸c˜ao de oxigˆenio incorporado no filme de cobre. Os resultados obtidos atrav´es das simula¸c˜oes dos espectros, sugerem que o ´oxido formado tem a estequiometria Cu3O2, mostrando novamente a possibilidade de existˆencia desse ´oxido nessas condi¸c˜oes experimentais, que como foi visto ´e de dif´ıcil comprova¸c˜ao.
5.5 Passiva¸c˜ao de filmes de cobre atrav´es de implanta¸c˜ao iˆonica 119
Dependˆencia com a dose de implanta¸c˜ao
A dependˆencia da oxida¸c˜ao com a dose de ´ıons implantados foi testada para trˆes doses de Ar+ :1x1016 /cm2 , 5x1016 /cm2 e 1x1017 /cm2 .
A Figura 5.56 mostra os espectros RBS de filmes oxidados, em 180 ◦C, por 20 mi- nutos, para as doses utilizadas e a tabela 5.25 mostra os resultados da simula¸c˜ao desses espectros.10
Apesar das an´alises RBS indicarem a presen¸ca de argˆonio nos filmes, mesmo ap´os o tratamento t´ermico e oxida¸c˜ao dos filmes, foram feitas an´alises PIXE para essa confir- ma¸c˜ao e na simula¸c˜ao dos espectros RBS esse elemento foi inclu´ıdo.
Figura 5.56: Espectros RBS de amostras implantadas com 1x1016/cm2, 5x1016/cm2 e 1x1017/cm2, com energia de 10 keV. As amostras foram oxidadas em T=180 ◦C por 20 mi- nutos, mostrando a dependˆencia da oxida¸c˜ao com a dose implantada.
Conclui-se que a implanta¸c˜ao de Ar+
reduz a oxida¸c˜ao de filmes de Cu puro e a prote¸c˜ao superficial varia em fun¸c˜ao da dose implantada. Para os valores de dose utilizados neste trabalho, houve redu¸c˜ao da oxida¸c˜ao, mas a maior prote¸c˜ao superficial ocorreu para 5x1016
/cm2
´ıons implantados.
A passiva¸c˜ao atrav´es da implanta¸c˜ao de ´ıons de Ar+
foi testada para T=300 ◦C. A Figura 5.57 mostra a compara¸c˜ao entre dois espectros RBS da mesma amostra, parcial-
5.5 Passiva¸c˜ao de filmes de cobre atrav´es de implanta¸c˜ao iˆonica 120
Tabela 5.25: Resultados da simula¸c˜ao do espectro RBS da figura 5.56 Camada Composi¸c˜ao espessura rugosidade Oxigˆenio total
Dose 1x1016 /cm2 140 1 Cu(200)O(100)Ar(20) 400 200 2 Cu(100) 800 300 Dose 5x1016 /cm2 107 1 Cu(300)O(200) 300 250 2 Cu(100)Ar(2) 1300 Dose 1x1017 /cm2 166 1 Cu(300)O(200)Ar(10) 500 500 2 Cu(300)O(50)Ar(50)) 200 3 Cu(300)O(15) 350
mente implantada, oxidada em T=300 ◦C, por 5 minutos. Os resultados da simula¸c˜ao s˜ao mostrados na tabela 5.26.
Tabela 5.26: Resultados da simula¸c˜ao do espectro RBS da figura 5.57 Camada Composi¸c˜ao espessura rugosidade Oxigˆenio
implantada 807 1 Cu(300)O(100) 300 250 2 Cu(200)O(100) 1500 3 Cu(200)O(40) 400 - 4 Cu(200)O(20) 300 n˜ao implantada 102 1 Cu(100)O(100) 400 400 2 Cu(200)0(100) 2550 500
A dependˆencia da passiva¸c˜ao superficial com a dose implantada foi feita tamb´em para oxida¸c˜ao em T=300 ◦C, por 5 minutos. A Figura 5.58 mostra os espectros RBS dessas amostras.
A simula¸c˜ao desses espectros foi realizada utilizando um modelo de multicamadas e os resultados mostraram a poss´ıvel forma¸c˜ao de dois ´oxidos, Cu2O e CuO, com uma varia¸c˜ao de oxigˆenio ao longo do filme de ´oxido formado. A compara¸c˜ao com os resultados obtidos
5.5 Passiva¸c˜ao de filmes de cobre atrav´es de implanta¸c˜ao iˆonica 121
Figura 5.57: Espectros RBS de uma amostra parcialmente implantada com 5x1016/cm2, com energia de 10 keV e oxidadas em T=300◦C, por 5 minutos
para a parte n˜ao implantada da amostra mostra que com a implanta¸c˜ao h´a redu¸c˜ao da quantidade de oxigˆenio incorporado, mas essa redu¸c˜ao foi semelhante para todos os valores de dose utilizado nesse trabalho.
A passiva¸c˜ao de cobre por implanta¸c˜ao de Ar+
de baixa energia n˜ao envolve os mesmos mecanismos que a implanta¸c˜ao de outros elementos, pelas caracter´ısticas desse elemento qu´ımico. Uma das hip´oteses que pode ser usada para explicar o fato de um g´as nobre implantado em um metal reduzir a taxa de oxida¸c˜ao ´e supor que os ´atomos desse g´as formam uma barreira difus˜ao do metal, reduzindo a taxa de oxida¸c˜ao, pois mesmo ap´os o tratamento t´ermico, em 550 ◦C, por 30 minutos, esse elemento ´e encontrado no filme, funcionando como uma barreira de difus˜ao dos ´atomos de cobre e diminuindo a sua mobi-