5. MATERIAL E MÉTODOS
5.1. ÁREA DE ESTUDO
5.1.1. Implementação da bacia experimental de Arvorezinha
O estudo foi desenvolvido numa bacia experimental localizada no município de Arvorezinha (RS), região centro-norte do estado do Rio Grande do Sul (28o 52’ S e 52o 05’ O). O município de Arvorezinha encontra-se nas cabeceiras de um afluente da margem esquerda do rio Guaporé que pertence ao sistema fluvial Taquari-Antas, que por sua vez é afluente do rio Jacuí, principal rio da bacia da Região Hidrográfica do Atlântico Sul, segundo a divisão hidrográfica nacional (Brasil, 2003). Essa região apresenta grande densidade populacional, intensa atividade industrial e agrícola, e com grande potencial para o turismo. Os maiores problemas ambientais da região estão relacionados com: (i) a baixa porcentagem de esgoto coletado e tratado, em média 33,7 e 9,7%, respectivamente; (ii) a pressão da agricultura sobre os recursos naturais; e (iii) a poluição difusa (nutrientes, agrotóxicos e sedimentos) proveniente das áreas agrícolas (Fundação, 2002).
No sentido de melhorar as condições econômicas, sociais e ambientais em áreas consideradas de pobreza rural no Estado do Rio Grande do Sul, foi implementado o programa RS-Rural que teve como objetivo elevar a qualidade de vida da população rural do Estado, baseado no incremento das atividades econômicas das comunidades, no estabelecimento de melhores técnicas de aproveitamento dos recursos naturais, na melhoria das condições de saneamento, entre outros aspectos. A partir do ano de 2001, foi iniciado o Projeto de Monitoramento Ambiental de Microbacias Hidrográficas que utilizou o monitoramento de variáveis ambientais para avaliar os impactos das ações do Programa RS-Rural sobre as áreas de atuação deste programa. As variáveis ambientais utilizadas referiam–se à qualidade do solo, dos recursos hídricos, do saneamento ambiental e da fauna e flora. Estas variáveis foram escolhidas por serem sensíveis às intervenções realizadas pelo Programa RS-Rural. O projeto de monitoramento foi financiado pelo Banco Mundial em parceria com o Governo Estadual
do Rio Grande do Sul. O programa de monitoramento iniciou com a implementação de quatro bacias hidrográficas experimentais no estado do Rio Grande do Sul para avaliar o impacto de medidas de conservação de solo e água na melhoria de aspectos ambientais, econômicos e sociais de áreas com elevado índice de pobreza rural. Foram escolhidas bacias localizadas em diferentes regiões do estado, com o intuito de inserir no estudo diferentes condições ambientais e econômicas. Os municípios escolhidos foram Cristal, Maximiliano de Almeida, Agudo e Arvorezinha. Para todas as bacias foram realizados a análise fisiográfica, a instalação da estrutura de monitoramento hidrossedimentométrico, e o delineamento das estratégias de implementação das práticas de conservação de solo e água. Nas bacias de Cristal e Maximiliano de Almeida não houve a continuidade das atividades de monitoramento hidrossedimentomético e pouca informação foi gerada nesse aspecto. Nas bacias experimentais de Agudo e Arvorezinha houve uma parceria entre a Universidade Federal do Rio Grande Sul (Instituto de Pesquisas Hidráulicas) e a Universidade Federal de Santa Maria (Departamento de Solos) para o monitoramento conjunto das duas bacias. O projeto gerou informações e tecnologias para o planejamento e preservação dos recursos naturais (solo e água) em áreas com grandes impactos ambientais, econômicos e sociais relacionados com a cultura do fumo.
Na bacia de Arvorezinha, a continuidade do programa de monitoramento hidrossedimentométrico ocorreu pela demanda de informações de erosão, produção de sedimentos e qualidade da água, inicialmente, para o Programa de Combate à Pobreza Rural do Estado do Rio Grande do Sul (RS-Rural) e, posteriormente, para o setor fumageiro através do SINDIFUMO, e órgãos como a Associação Riograndense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATER), Serviço Geológico do Brasil (CPRM) e prefeituras (Merten e Minella, 2005).
Projetos como este, também, ocorreram nos outros estados do Sul do Brasil como o Paraná Rural e o Projeto Microbacias em Santa Catarina, onde contribuíram para a implementação de práticas de conservação de solo e água com intuito de melhorar as condições sociais, econômicas e ambientais da região Sul. O programa Paraná Rural foi muito eficiente no delineamento de práticas integradas de conservação de solo na escala de bacia. É reconhecida a grande contribuição dos pesquisadores e técnicos deste projeto para o avanço da técnica do plantio direto e a medição do seu efeito sobre a erosão, e nas práticas de alocação e construção de estradas rurais, dentre outras contribuições. No caso do projeto Microbacias em Santa Catarina, o governo continua a apoiar as medidas de conservação de solo e água, por meio da extensão rural, principalmente em relação à qualidade da água e o planejamento das propriedades rurais. Entretanto, tanto em Santa Catarina como no Paraná, os
programas não utilizaram bacias experimentais com monitoramento contínuo para avaliar o efeito das práticas de conservação do solo e água na alteração dos processos hidrossedimentométricos em bacias e, com isso, os programas de monitoramento não foram capazes de fornecer informações conclusivas sobre o efeito das ações conservacionistas sobre a produção de sedimentos.
Uma característica comum referente aos projetos de monitoramento de bacias é que eles são planejados para curtos períodos de tempo, aproximadamente 5 anos. Este período de monitoramento é insuficiente para gerar informações conclusivas, a menos que a metodologia de monitoramento seja adequada para encontrar os resultados desejados neste período, já que as técnicas tradicionais de monitoramento hidrossedimentométrico são eficientes apenas para as condições de longas séries de dados. Para isso, seria desejável que os gestores públicos e interessados se apropriem dos projetos e possibilitem a continuidade desses estudos, que são uma fonte importante de informações, relativos ao custo e benefício de investimentos destinados a recuperação e conservação dos recursos naturais.