O empenho da Prefeitura de Lauro de Freitas em fortalecer a educação por
meio das novas tecnologias foi o diferencial para que a cidade fosse contemplada com
o Programa Cidades Digitais, do Ministério das Comunicações. O edital do Programa
Cidades Digitais visava preferencialmente municípios com até 50 mil habitantes e
Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) baixo, o oposto da realidade de Lauro de
Freitas, conforme observou o superintendente municipal de Ciência, Tecnologia e
Inovação, Eugênio Badaró, na primeira gestão da prefeita Moema Gramacho
10.
10 Moema Isabel Passos Gramacho, nascida em Salvador, no dia 4 de julho de 1958. Bióloga, química e política brasileira. Filiada ao Partido dos Trabalhadores, foi vereadora de Salvador em 1997, suplente de deputado estadual entre 1995 e 1999 e efetivada em janeiro de 1997. Eleita deputada estadual em 1998, reeleita em 2002 e renunciou em 30 de dezembro de 2004.Exerceu o cargo de prefeita de Lauro de Freitas no período 2005-2012, tendo recebido diversos prêmios como prefeita empreendedora (pela criação do Programa Municipal de Aceleração do Trabalho, Emprego e Renda) e “melhor prefeita das Américas” pela Organização Brasil Américas. Em 2014, foi eleita deputada federal.Em 2016, é eleita novamente prefeita de Lauro de Freitas, com 52,34% dos votos válidos (DEOLHONEWS, 2017).
Com o firme propósito de acompanhar a implantação do Programa no
município, inaugura-se a Superintendência Municipal da Ciência e Tecnologia
(SUCTI) com o desafio de tornar Lauro de Freitas uma cidade digital. O que garantiu
que o município fosse contemplado foi a existência de uma Superintendência voltada
para tecnologia, que contava com o apoio efetivo da Universidade Federal da Bahia
(UFBA), da Universidade Estadual da Bahia (UNEB), do Sistema FIEB (SENAI, SESI
E SESC), do Comitê da Rede REMESSA (Rede Metropolitana de Salvador), que está
fortemente ligado à Rede Nacional de Pesquisa, e a própria Secretaria Estadual de
Ciência Tecnologia e Inovação (SECTI). Foram estes aparelhos que viabilizaram a
implantação do Programa e concederam, à prefeitura do município, o apoio técnico
necessário.
A proposta do Programa Cidades Digitais em Lauro de Freitas, assim como nos
demais municípios baianos contemplados: Guanambi, Itaberaba, Itabuna, Juazeiro,
Nilo Peçanha, Piraí do Norte, Uruçuca e Vitória da Conquista, volta-se para a
modernização da gestão pública municipal com conexão de rede entre os órgãos
públicos. Além disso, disponibiliza aplicativos que vão melhorar o acesso da
comunidade aos serviços de governo e pontos de acesso gratuito à internet.
Em 2011, a Superintendência Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação
(SUCTI) iniciou o Projeto Educando em Rede Digital, que pretendia interligar todas as
escolas, via rede web, e disponibilizar acesso gratuito à internet em cinco pontos
públicos do município. Na primeira fase, foram 27 escolas contempladas com acesso
à internet e com a implantação das “lousas interativas” realizadas com tecnologia
própria, construídas a partir de materiais reciclados e de baixo custo (NOTA TÉCNICA
Nº 001, 2018).
O programa Cidades Digitais pretendia garantir, tanto a Lauro de Freitas como
a outros oito municípios baianos, a modernização da gestão pública municipal com
conexão de rede entre os órgãos públicos. Assim como, disponibilizar aplicativos que
vão melhorar o acesso da comunidade aos serviços de governo custo (NOTA
TÉCNICA Nº 001, 2018).
Em julho de 2012, Lauro de Freitas se tornou uma cidade digital através do
Acordo de Cooperação Técnica entre o Ministério da Comunicações e o município. O
projeto foi instituído por meio da Portaria Nº 376, de 19 de agosto de 2011, publicada
no Diário Oficial da União, em 22 de agosto de 2011, sendo definidas as redes digitais
de comunicação nos municípios brasileiros, voltadas para a inclusão digital (NOTA
TÉCNICA Nº 001, 2018).
A gestão seguinte do município, agora sob a administração do prefeito Márcio
Paiva, dando continuidade ao Programa, divulgou, em 20/03/2014, na página oficial
da internet da Prefeitura de Lauro de Freitas, em matéria sobre a implantação do
programa Cidade Digitais, o nome do novo gestor da SUCTI, o Sr. João Paulo Moura,
que afirma que o município recebeu equipamentos e materiais que serão utilizados
para a modernização dos serviços oferecidos pelo poder público, dentro do Projeto
Cidade Digital, do Ministério das Comunicações (BAHIAJÁ, 2014).
Em matéria publicada na página da internet do Jornal BahiaJá, se iniciava, em
2014, em Lauro de Freitas, a instalação de fibra ótica na cidade, sendo que, após a
conclusão dos serviços, a população poderia contar, por exemplo, com acesso
gratuito à internet nas praças da cidade (BAHIAJÁ, 2014).
Ainda de acordo com a mesma matéria, o programa “Cidade Digital” pretendia
trazer outros benefícios relacionados à otimização dos serviços prestados pela
prefeitura municipal, como, por exemplo, maior agilidade na tramitação de
documentos, proporcionando mais comodidade ao cidadão lauro-freitense(BAHIAJÁ,
2014).
Foram implantados 17 km de fibra ótica (cabos responsáveis pelo tráfego de
voz, vídeo e dados de alta velocidade e equipamentos: racks, switchs e conexões),
que viabilizam o acesso à internet, a gestão da rede, dos sistemas de dados e das
aplicações pertinentes. Sendo assim, Lauro de Freitas seguiu em direção ao
desenvolvimento administrativo e tecnológico (NOTA TÉCNICA Nº 002, 2018).
Em 2015, dando continuidade ao Programa “Cidades Digitais”, o município
recebeu outras inciativas importantes como a “Internet na Praça”, que deveria
oferecer, de imediato, o acesso gratuito à internet em três praças do município através
do sistema wi-fi. Essa ação pretendia a inclusão digital dos munícipes ao atender aos
moradores e visitantes do município que precisavam utilizar a internet.
Embora o programa Cidades Digitais contemplasse outros espaços públicos
para disponibilizar o acesso à rede, como, a exemplo, as praças do Largo do
Caranguejo em Itinga e do Chafariz no Caji, não houve a implementação nessas
praças, ficando o acesso disponível somente na praça da matriz. Havia ainda um
planejamento para estender o programa e entregar novos pontos de acesso nos
bairros de Areia Branca, Jambeiro, fazendo parte do projeto “Verão da Gente”, nas
praias do município, o que não se verificou em função de falta de infraestrutura para
o intento. De fato, a implantação do programa “Cidade Digital”, em Lauro de Freitas,
iniciado em 2014, foi dado como “entregue” em dezembro de 2015, com a implantação
e disponibilização da internet na praça matriz (ver figura 10) (BAHIAJÁ,2014).
Figura 10 - Fotos da Inauguração do Wifi na Praça Matriz Santo Amaro de Ipitanga
Fonte: Cidade Digital – Fotos disponibilizadas pela SUCTI de Lauro de Freitas, quando da implantação do Programa disponibilizando a internet gratuita na praça matriz (2015).
Sobre as características do serviço ofertado à população, é importante ressaltar
que todas as pessoas que estão na praça podem usufruir do acesso à internet, desde
que estejam dentro da área de alcance. Não é necessário identificação ou senha. O
acesso pode ser feito através de notebook, celular e tabletes
Embora a pesquisa tenha como cerne a inclusão digital, na perspectiva do
programa Cidades Digitais, o acesso gratuito à internet na praça é uma possibilidade
de exercício de cidadania.
A preocupação com a inclusão dos munícipes sempre esteve presente em
Lauro de Freitas. Cabendo relatar, resumidamente, algumas iniciativas diferenciadas
de inclusão digital que ocorreram no município, a exemplo da ação da prefeitura que,
através da Secretaria de Políticas para Mulheres, realizou cursos para a inclusão
digital para 30 mulheres na sede da secretaria (ver figura 11).
Figura 11 - Prefeitura Municipal de Lauro de Freitas
Fonte: Correio Regional (2015).
Uma outra ação, que merece destaque, principalmente pela sua peculiaridade,
foi a inclusão digital realizada para os internos do regime semiaberto do Conjunto
Penal de Lauro de Freitas, que foram os primeiros custodiados na Bahia a participar
do curso “Informática Livre”, promovido pela Defensoria Pública do Estado da Bahia.
Uma iniciativa, fruto do Termo de Cooperação Técnica assinado entre DPE e a
Secretaria de Administração Penitenciária da Bahia, fazendo parte das ações de
ressocialização promovidas pela área de execução penal da Defensoria baiana.
Uma recente iniciativa, agora relacionada ao próprio conceito de Cidades
Digitais, foi o lançamento de um aplicativo que permite ao cidadão o registro de
denúncias da população, permitindo aproximar o cidadão da Administração Pública.
É um sistema inteligente, que permite ao usuário fazer solicitação dos principais
serviços públicos municipais. Nele, o cidadão, ao registrar sua denúncia, utiliza-se da
localização através de fotografia e descrição de fatos que acontecem na cidade, tais
como: buracos, lixo, asfalto e outras situações em tempo real. Este aplicativo foi
desenvolvido para ser mais um canal de comunicação, fazendo com que o cidadão
participe e contribua ativamente de maneira cômoda para o andamento da cidade.
A seguir, visualiza-se a linha do tempo do Programa Cidade Digital no município
de Lauro de Freitas, na Bahia (ver figura 12).
Figura 12 - Linha do Tempo do Programa Cidade Digital em Lauro de Freitas
Fonte: Elaboração própria da autora desta dissertação (2018).