vez que os caminhos definidos pelos países estão dependentes das suas próprias conjunturas, em função de equilíbrios entre custos energéticos e económicos (Gauna, 2011).
Por outro lado, a designação nZEB poderá ser equívoca uma vez que um nZEB terá sempre necessidades energéticas, que devem ser respondidas através do recurso de energia proveniente de fontes renováveis, não existindo edifícios com consumo zero de energia. Ou seja, a um nZEB é exigido que produza energia suficiente para em termos (anuais) suprir maioritariamente os seus consumos.
A definição das metas e dos valores limite para um nZEB é o ponto que tem originado uma maior discussão na Europa, uma vez que cada Estado-Membro define, em função do seu
plano de ação, o que corresponde um edifício quase zero. Neste sentido, a implementação do conceito nZEB encontra-se facilitada pela existência de referências já consolidadas e testadas. A norma Passive House desenvolvida pelo professor alemão Wolfgang Feist, no Passivhaus Institut, desde os finais dos anos 80, é apontada como uma das soluções de referência, em particular no caso habitacional. Trata-se de uma norma com experiência assimilada e que tem ganho adeptos por toda a Europa, com mais de 55.000 edifícios passivos pelo mundo, havendo já registos de construções no Japão e na Correia do Sul. Este é um conceito que pretende ser adotável a todos os climas do mundo, sendo no entanto, uma abordagem onde o termo “passivo” se aplica à forma como funciona o sistema de aquecimento, uma vez que é originário de países com climas mais frios do Centro e Norte da Europa, onde os consumos associados ao aquecimento dos edifícios são os mais relevantes. Face a este cenário, a Passive On, elaborou assim uma revisão da uma proposta para a aplicação do conceito Passive House nos climas quentes da Europa (Passive-On, 2007).
Em termos globais, um edifício Passive House é um edifício com um clima interior confortável mantido sem sistemas ativos de aquecimento ou arrefecimento. Os principais requisitos do conceito são (Passive-On, 2007):
Necessidades anuais de aquecimento e arrefecimento inferiores a 15 kWh/(m². ano); Estanquicidade ao ar, verificada por um teste de pressurização de acordo com a norma
EN 13829 não superior a 0.6 Rph (a 50 Pa de pressurização).
Consumos de energia primária para aquecimento, arrefecimento, AQS e gastos elétricos inferiores a 120 kWh/(m².ano);
Temperatura interior do edifício mínima de 20 °C no Inverno e máxima de 26ºC no Verão;
Temperatura excessiva, acima dos 26ºC, não pode ocorrer em mais do que 10% do tempo.
Importa referir, que as diferenças dos conceitos da norma para os países do Centro/Norte e países do Sul da Europa, centram-se na introdução do valor limite para as necessidades de arrefecimento de 15 kWh/(m².ano) e na introdução de um critério de conforto de temperatura no Verão (a temperatura operativa dos espaços permanece entre a banda de conforto definida na norma EN 15251, ou abaixo dos 26 °C, se existir um sistema principal de arrefecimento ativo) (Passive-On, 2007).
Para garantir os padrões Passive House é necessário (Weizsäcker et al., 2009):
Definir soluções através de estratégias solares passivas: sempre que possível os edifícios devem ter uma forma compacta para reduzir a sua área de exposição ao exterior, e possuir cerca de 75% dos envidraçados orientados a Sul;
Garantir adequados níveis de isolamento térmico nos elementos construtivos da envolvente do edifício: correta espessura e aplicação de matérias isolantes e procurar eliminar as pontes térmicas do edifício;
Aplicação de janelas de elevado desempenho: deve ser tida em consideração a qualidade da caixilharia, o tipo de vidros e espaçadores e o posicionamento e isolamento da caixilharia no vão;
Garantir a estanquicidade do edifício: deve definir-se uma barreira contínua à passagem do ar e uma selagem de todas as penetrações da envolvente. Deste modo
consegue-se uma redução das infiltrações do ar (quente ou frio), que atravessaria a envolvente, permitindo uma maior eficiência do sistema de ventilação com recuperação de calor;
Sistema de ventilação com recuperação do calor: o sistema deve ter uma eficiência superior a 75% para garantir a qualidade do ar interior (QAI) e o conforto dos utilizadores. Como o edifício terá de possuir uma boa estanquicidade, a taxa de renovação de ar pode ser otimizada e controlada para 0,4 Rph, garantindo uma boa qualidade do ar interior. O aquecimento adicional pelo ar pode ser conseguido com recurso a bomba de calor ou por energia solar térmica;
Sistemas eficientes para gerar calor/frio: em adição ao recuperador de calor, é usual a utilização de uma pequena bomba de calor que extrai calor do ar extraído e aquece o ar insuflado e as águas quentes sanitárias (AQS). Para além dos ganhos solares, um edifício Passive House potencia os ganhos internos, nomeadamente o calor gerado pela iluminação e outros equipamentos assim como o calor gerado pela ocupação, não sendo necessários sistemas adicionais de aquecimento central.
Em linha com o referido anteriormente, o primeiro passo fundamental para atingir a meta do balanço energético nulo é diminuir as necessidades energéticas através da implementação de medidas de eficiência energética, o que por sua vez começa pela integração do design solar passivo e continua com a utilização de sistemas energeticamente eficientes conduzindo a menor consumos de energia, através da otimização na afetação dos recursos disponíveis, mantendo a quantidade do valor energético. Numa terminologia mais abrangente, consiste na redução da procura de energia, sem comprometer as condições de conforto térmico e a qualidade do ar interior. O segundo passo fundamental é a produção de energia através de sistemas de captação das energias renováveis. Ou seja, as necessidades de energia restantes devem ser satisfeitas preferencialmente por fontes renováveis. Considerando estes dois passos pode dizer-se que o sucesso para alcançar um balanço energético nulo depende principalmente das necessidades energéticas do edifício, de um dimensionamento inteligente baseado principalmente em técnicas e estratégias passivas, e das condições climáticas do local. De modo geral, o caminho para desempenho energético nos edifícios pode ser compreendido utilizando dois eixos de atuação – eficiência energética/produção de energia, tal como representado na figura 33, sendo aliás, a base do conceito apresentado na EPBD reformulada e reforçada por Atanasiu et al. (2011).