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Implementação do Programa de Amparo à Terceira Idade no município de Ijuí

Inicialmente, é preciso considerar, conforme referem Sena e Chacon (2005, p. 1), que a população idosa está crescendo cada vez mais, pois

Os avanços tecnológicos e a revolução médico-sanitária ocorridos, especialmente esta última, na primeira metade do século XX – incluindo-se aqui a descoberta da penicilina por Alexander Flemming – possibilitaram sobremaneira a melhoria da qualidade de vida humana em todo o planeta, com algumas distinções atinentes a riqueza e desenvolvimento de determinados continentes e países. Deixando de lado estas diferenças, o certo é que se constatou verdadeira transformação da qualidade de vida, sob diversos aspectos. Um destes reflexos revela-se, exatamente, no aumento da expectativa de vida das populações humanas1.

O avanço da tecnologia, assim como a evolução da medicina e as condições de vida ofertadas ao idoso, possibilitaram esse aumento significativo de expectativa de vida das pessoas. Apesar de ser um dos objetivos do Estado, é preocupante porque tem que investir

1Segundo o IBGE, expectativa de vida, esperança de vida ou vida média em uma idade x qualquer é o

número médio de anos que um indivíduo de idade x esperaria viver a partir desta idade. Particularmente, se x = 0, tem-se a expectativa de vida ao nascimento (SENA; CHACON, 2005).

mais em saúde, em políticas públicas, em hospitais, remédios etc., face essa idade requer mais cuidados. Portanto,

Fenômeno que parece ter passado despercebido pelos estudiosos de larga parte do século passado, o envelhecimento da população mundial apenas passou a ser motivo de preocupação nas últimas duas décadas do século XX. De fato, a expectativa de vida do homem brasileiro, para se ter um exemplo, que era de 45,5 anos em 1940, hoje chega aos 70,4 anos segundo o censo realizado pelo IBGE no ano de 2000. (SENA; CHACON, 2005, p. 1).

Além do crescimento do número de idosos, os dados ainda apontam que para 2025 haverá um aumento expressivo da população idosa em relação à população total. Assim, conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS),

[...] até 2025 a população idosa do planeta crescerá, proporcionalmente, dezesseis vezes contra cinco vezes da população total. Estes dados alertam para a necessidade de um posicionamento efetivo do Estado e da coletividade enquanto tecido social, frente a esta nova realidade das populações humanas e suas necessidades peculiares. (SENA; CHACON, 2005, p. 1).

O aumento da população idosa é preocupante não somente pelo crescimento da população de terceira idade, pois todo ser humano tem direito à velhice e a viver mais. O fato mais preocupante é que, somado a isso, verifica-se uma queda da taxa de natalidade, decorrente da revolução sexual da década de 1960 e do ingresso da mulher no mercado de trabalho, advertem Sena e Chacon (2005).

Em termos de população idosa no Brasil, fato que também não poder-se-ia deixar de explanar, conforme dados do IBGE,

[...] a população brasileira, que até pouco tempo era formada por uma maioria absoluta de jovens (em uma acepção lata: crianças, adolescentes e adultos jovens), considerando idosas as pessoas que possuem idade igual ou superior a sessenta anos, possui aproximadamente 14.536.029 (quatorze milhões, quinhentos e trinta e seis mil e vinte e nove) idosos, o que representa 8,6% da população total. (IBGE, 2002 apud SENA; CHACON, 2005, p. 2).

Ainda, de acordo com o IBGE, no Brasil, de 1980 a 1999, houve um aumento em torno de 70% da população idosa (SERPA apud SENA; CHACON, 2005). Trata-se de um crescimento significativo, que aproxima o Brasil de países desenvolvidos, como Portugal e Espanha. Em 2004, a esperança de vida ao nascer no Brasil alcançou os 71,7 anos (71 anos, 8

meses e 12 dias). Em 2003 houve um acréscimo de 0,4 ano (4 meses e 24 dias). Entre 1980 e 2004 a expectativa de vida do brasileiro teve um acréscimo de 9,1 anos, ao passar de 62,6 anos, para 71,7 anos. Assim, ao longo de 24 anos, a esperança de vida ao nascer no Brasil, incrementou-se anualmente, em média, em 5 meses (IBGE apud SENA; CHACON, 2005). Ainda, conforme dados do IBGE (2012),

Os avanços da medicina e as melhorias nas condições gerais de vida da população repercutem no sentido de elevar a média de vida do brasileiro (expectativa de vida ao nascer) de 45,5 anos de idade, em 1940, para 72,7 anos, em 2008, ou seja, mais 27,2 anos de vida. Segundo a projeção do IBGE, o país continuará galgando anos na vida média de sua população, alcançando em 2050 o patamar de 81,29 anos, basicamente o mesmo nível atual da Islândia (81,80), Hong Kong, China (82,20) e Japão (82,60).

A tendência, conforme dados estatísticos, é que o Brasil continuará com um crescimento gradativo da expectativa de vida da população, alcançando, em 2050, 13,5 milhões de pessoas com idade igual ou superior a 80 anos de vida, número que equivale à expectativa de vida da população japonesa (IBGE, 1980-2100 apud SENA; CHACON, 2005, p. 2). Isso mostra a tendência mundial de envelhecimento populacional, o que acarreta, segundo Sena e Chacon (2005), problemas socioeconômicos sérios, como a crise do sistema previdenciário e assistencial, a assistência médico-hospitalar e a escassez de mão-de-obra em setores produtivos da indústria.

O aumento da expectativa de vida, embora seja um fato animador, é um sério problema social num país de excluídos, em que os direitos fundamentais, embora assegurados, são usufruídos apenas por uma parcela da população, qual seja, a que pode pagar por eles. Este aumento populacional da terceira idade põe em cheque a estrutura assistencial do Estado brasileiro, especialmente sob a questão previdenciária e a assistência médica, advertem Sena e Chacon (2005).

Tratando-se especificamente do Município de Ijuí, a Coordenadoria Regional de Assistência Social (CREAS) tem atuado de forma acentuada para dar proteção aos idosos que se encontram em situação de risco ou vulnerabilidade. O atendimento das necessidades básicas e indispensáveis para uma vida mais digna e condizente com a condição de idoso tem sido o objetivo da Rede de Proteção ao Idoso.

Como já ressaltado anteriormente, o idoso está apresentando uma maior longevidade e por isso necessita de atendimento em áreas vitais, como: saúde, alimentação, lazer, moradia para que sua qualidade de vida, e o bem-estar não sejam degradados. Por isso que o Município de Ijuí, integrando-se à Política Nacional do Idoso, desenvolve uma série de ações voltadas aos interesses dos idosos em situação de vulnerabilidade, ou seja, que por alguma razão não possuem condições de suprir economicamente suas necessidades e necessitam de acolhimento do ente público.

Não se pode deixar de enfatizar que em Ijuí a população idosa cresceu muito em dez anos, sendo que o Censo realizado em 2010, apresenta essa realidade. Atualmente, Ijuí possui 4.917 homens e 6.573 mulheres, totalizando 11.490 pessoas com idade superior a 60 anos (IBGE, 2010).

Para atender a essa população, ou seja, idosos(as) com idade igual ou superior a 60 anos, em situação de vulnerabilidade social, em especial: idosos beneficiários do Benefício de Prestação Continuada; idosos de famílias beneficiárias de programas de transferência de renda; idosos com vivências de isolamento por ausência de acesso a serviços e oportunidades de convívio familiar e comunitário e cujas necessidades, interesses e disponibilidade indiquem a inclusão no serviço, a CREAS desenvolve um projeto chamado CONVIVER, objetivando complementar o trabalho social com família, com a finalidade de prevenção às ocorrências de situações de risco social e fortalecimento da convivência familiar e comunitária.

Sabe-se que a Resolução nº 109, de 22 de novembro de 2011, foi editada com o intuito de possibilitar que os entes políticos - Estados e Municípios - realizem o atendimento baseados na Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais, e esta inclui o atendimento ao Idoso.

Um dos objetivos da Rede de Proteção ao Idoso implantado em Ijuí é prevenir a institucionalização e a segregação dos idosos, em especial, das pessoas com deficiência, assegurando o direito à convivência familiar e comunitária. Ainda, ressalta-se que essa rede de atendimento nas áreas psicossociais e de saúde assumiu o compromisso de, juntamente com os gestores municipais, prestar assistência de forma continuada ao idoso, conforme suas necessidades e a situação de vulnerabilidade e risco em que se encontram. Certamente que

esse atendimento ainda está longe de ser considerado o mais qualificado, mas como o Projeto Conviver atende 315 idosos que se enquadram nos critérios estabelecidos pela Resolução nº 109/2009, pode-se dizer que medidas resolutivas e a efetividade dos serviços, que podem ser aferidos pelo nível de participação dos idosos, apresentam um quadro menos dramático que o verificado nas pesquisas e manchetes da mídia.

Verifica-se que, com as políticas públicas de inserção dos 315 idosos na cidade de Ijuí, cadastrados nos serviços oferecidos, a postura dos idosos em se fazerem presentes não só em momentos de necessidade mostra que o Poder Público está no caminho certo, pois são ações como essas do Projeto Conviver que fazem com que haja o fortalecimento das relações sociais e oferecem aos idosos condições de ter sua autonomia e cidadania resgatadas, além de que o município mantém, sob a orientação da CREAS, o acolhimento de idosos que não possuem um local apropriado para viver.

Para corroborar o exposto nada melhor do que verificar qual o foco da Resolução 109/2009 com relação ao atendimento do Idoso:

Tem por foco o desenvolvimento de atividades que contribuam no processo de envelhecimento saudável, no desenvolvimento da autonomia e de sociabilidades, no fortalecimento dos vínculos familiares e do convívio comunitário e na prevenção de situações de risco social. A intervenção social deve estar pautada nas características, interesses e demandas dessa faixa etária e considerar que a vivência em grupo, as experimentações artísticas, culturais, esportivas e de lazer e a valorização das experiências vividas constituem formas privilegiadas de expressão, interação e proteção social. Devem incluir vivências que valorizam suas experiências e que estimulem e potencialize a condição de escolher e decidir. (BRASIL, 2009. p. 9).

De tudo isso, se pode afirmar que esse tipo de trabalho que vem sendo desenvolvido pelo município de Ijuí, por meio do CREAS, irá proporcionar aos idosos um processo de envelhecimento mais saudável e ativo, ou seja, se há por parte dos gestores a preocupação em fazer o acolhimento dos idosos, mesmo que um grupo de 315, assegurando-lhes um espaço para interação social, certamente a convivência familiar e comunitária será mais compensadora e os problemas físicos e de saúde serão amenizados.

Outro aspecto importante que foi revelado com a verificação do Projeto Conviver desenvolvido pelo CREAS, foi que são desenvolvidas atividades em dias úteis, feriados ou finais de semana, em horários programados, conforme a demanda e interesse dos

participantes, o que, às vezes, leva à frustração das Assistentes Sociais, pois em média participam de 100 a 150 idosos. O CREAS tem como objetivo final, com a realização de atividades que envolvam o idoso, reduzir a ocorrência de situações que provoquem o seu afastamento do convívio social e familiar e com isso possibilitar a melhoria da sua qualidade de vida.

O município de Ijuí tem, portanto, implementado programas de amparo ao idoso contribuído para a sua qualidade de vida e inserção na sociedade.

CONCLUSÃO

O idoso passou a ser preocupação do Estado por volta dos anos 40, pelos índices apontados pelo IBGE, que evidenciou um significativo aumento da população idosa e, segundo o mesmo Instituto, a tendência é aumentar expressivamente esse número. Esses índices alertam para o fato de o Estado ter que se equiparar melhor no tocante à seguridade social e no setor da saúde, pois são os setores mais utilizados por pessoas nessa faixa etária.

Sem desconsiderar essas questões, a preocupação maior teria que residir no fato de que, num país como o Brasil, o idoso, assim como a grande maioria dos cidadãos, não usufruem dos direitos que lhes cabem, destinando-se uma pequena parcela da população que pode pagar. Essa sim deveria ser a maior preocupação do Estado. Ter pessoas idosas reflete, com certeza, na economia do país, pois, para a sociedade, o idoso não tem mais capacidade laborativa e, dessa forma, não pode mais servir ao sistema capitalista. Além de não ter mais capacidade de produção, ainda contribui para um déficit muito grande nos cofres públicos pelos gastos com remédios, consultas, exames etc. e na Previdência Social com as aposentadorias. Essa concepção é de um sistema capitalista, que valoriza o ter em detrimento do ser, o poder, o dinheiro.

A Constituição Federal, assim como a Política Nacional do Idoso (Lei 8.842/94) e o Estatuto do Idoso (Lei 10.741/2003), conferiram aos idosos muitos direitos, mas, na prática, muitos ainda são uma utopia. Além dos obstáculos enfrentados pelo descumprimento da legislação, o idoso tem que enfrentar um problema maior: a discriminação, o abandono, a solidão etc.

Nesse sentido, o trabalho alcançou o seu objetivo principal, que era fazer uma análise da Lei 10.741/2003 e demonstrar que, apesar de os idosos terem garantidos os seus direitos em legislação, ainda falta muito a ser feito para que sejam efetivados em sua integridade, principalmente no tocante à saúde, onde se vê muitos processos judiciais ingressarem na justiça pela busca de direitos.

Especificamente, em relação ao município de Ijuí, a Coordenadoria Regional de Assistência Social (CREAS) atua de forma acentuada para dar proteção aos idosos que se encontram em situação de risco ou vulnerabilidade. Conta também com a Rede de Proteção ao Idoso que atendem as necessidades básicas e indispensáveis para uma vida mais digna e condizente com a condição de idoso. Esse atendimento ainda está longe de ser o mais qualificado, mas com o Projeto Conviver, que atende 315 idosos que se enquadram nos critérios estabelecidos pela Resolução nº 109/2009, pode-se dizer que medidas resolutivas estão sendo feitas para evitar quadros menos dramáticos verificados na mídia.

De tudo isso, pode-se afirmar que o município de Ijuí está implementando medidas e esforços no sentido de possibilitar ao idoso uma qualidade melhor de vida e sua inserção na sociedade.

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