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Implementação do Programa de Assistência Estudantil no IFRO CV

No documento Aparecido Portela da Silva (páginas 45-49)

Capítulo I – Revisão da Literatura

1.8 Implementação do Programa de Assistência Estudantil no IFRO CV

A implementação do Programa de Assistência Estudantil teve como referencial o Decreto nº 7.234 de 2010, e foi a partir desse que o IFRO começou a se organizar para poder implantar seus Programas de Assistência Estudantil – PAE, o que só foi possível com a instituição da Resolução 033/2014. Este, no seu artigo 1º, inicia assim “têm como finalidade ampliar as condições de permanência e êxito no processo educativo do estudante devidamente matriculado nos Cursos Técnicos de nível médio e de graduação oferecidos em seus campus”. Logo uma das preocupações da Instituição é poder manter o alunado na escola.

A implementação da concessão de assistência estudantil por meio de auxílios e bolsa se concretiza a partir de uma análise socioeconômica realizada por assistente social lotado na Coordenação de Assistência ao Educando do Campus. De acordo com a Lei nº 8.662/93, os Assistentes Sociais são os únicos aptos a realizar esta avaliação, respaldados pelo artigo 4º inciso XI que assim determina “realizar estudos socioeconômicos com os usuários para fins de benefícios e serviços sociais junto a órgãos da administração pública direta e indireta, empresas privadas e outras entidades.”

Para Secchi (2013, p.57) a implementação é o momento em “que funções administrativas, como liderança e coordenação de ações são postos à prova” pois aqui entram os implementadores (equipe multidisciplinar) do campus, responsáveis pela seleção dos alunos contemplados com auxílios. Ora eles “devem ser capazes de entender elementos motivacionais dos atores envolvidos, os obstáculos técnicos e legais presentes, as deficiências organizativas, os conflitos potenciais entre executores e cooperação por parte dos destinatários.”

Para Taufick a implementação da Assistência Estudantil (2013, p.103) “é uma ação que demanda um acompanhamento muito próximo do aluno e das ações, sob risco de assistir precariamente os que dela necessitam e, ao invés de contribuir para a inclusão social, reforçar-se-á a dependência e a exclusão social”.

Assim, as políticas públicas de Assistência Estudantil devem estar articuladas com a comunidade, por meio de seus atores, no sentido de democratizar o processo de implementação junto daqueles alunos matriculados e frequentando regularmente a escola, atendendo prioritariamente aqueles em situação de vulnerabilidade.

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Taufick (2013, p.106) em sua Tese de Doutorado sobre Avalição da Política de Assistência Estudantil dos Institutos Federais, verificou que todos os institutos possuem uma equipe multidisciplinar responsável pela gestão da Assistência Estudantil.

A responsabilidade pela gestão da Assistência Estudantil foi buscada para identificar a distribuição de tarefas e competências, a fim de que as ações não se percam na rotina da escola. Neste ponto, verificou-se que há uma gestão em rede em cada instituição, marcada pela existência de uma coordenação no nível de cada campus, formada por uma equipe multidisciplinar, responsável por levantar as necessidades do campus, promover o processo seletivo, conceder os benefícios e fazer o acompanhamento dos beneficiários, e uma direção geral – localizada na reitoria – a quem compete traçar as diretrizes da Política, distribuir os recursos e realizar a avaliação da Política e das ações.

Assim, uma das fases mais importantes do ciclo das políticas públicas é a implementação. Neste contexto, as ações de Assistência Estudantil visam atingir suas metas por meio de sua implementação com auxílios financeiros (recursos) àqueles alunos considerados socioeconômicos vulneráveis através de seus implementadores envolvidos no processo, como defende Taufick (2013, p.105):

O objetivo do recurso é contornar alguma dificuldade que atrapalhe a permanência do estudante na instituição, mas por si só não garante o aprendizado. É neste ponto que se sobressai a importância do apoio pedagógico ao estudante, oferecendo a oportunidade de ter acompanhamento com monitores e professores, identificando as causas do baixo rendimento e atuando diretamente sobre as mesmas.

Para Duarte (2015, p.52) “os recursos podem ser financeiros, humanos ou de outra natureza, desde que tenha como finalidade a intervenção a resolução do problema identificado.” Ainda o mesmo autor afirma que fase de implementação está considerada como top-down em que os dirigentes e governos têm o poder de controlar e de delegar responsabilidade, a assistência está enquadrada no top-down, porque os atores envolvidos na linha de frente podem colocar suas decisões já atribuídas por meio do Decreto nº 7.234/2010.

Para Lotta (2010) a fase de implementação é o momento em que colocam em prática as ações já definidas, pode ser concebida por duas formas, uma que vem de cima para baixo é designada por direção top down; ou reconstruir de baixo para cima, numa direção botom up. A pesquisa revelará uma implementação top down, de cima para baixo, em que os atores apenas têm influência na sua implementação.

Borba (2013, p.47) separa os atores em dois grupos, primeiro como indivíduo e segundo em grupos, que eles realizam algum papel na arena política. Esses atores têm poder

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de influenciar direta ou indiretamente as políticas públicas por meio de suas opiniões fazendo mobilização para reivindicar, com finalidade de “fazer problema, ser inserido na agenda governamental.” Ainda a mesma autora (2013, p.50) reforça que,

A sociedade civil se subdivide em categorias de atores nas quais se destacam os grupos de interesse, representados por indivíduos que se reúnem com o objetivo de conseguir recursos que lhes permitam influenciar as decisões públicas; os grupos de pressão, que se caracterizam pela união de indivíduos que buscam influenciar as decisões públicas; a mídia, que tem como função principal a difusão das informações e ser formadora de opinião, além de contribuir para o controle das atividades da administração pública; e os partidos políticos, que têm influência direta nas ações governamentais como representantes dos interesses da sociedade.

A implementação de políticas de Assistência Estudantil é feita por atores (indivíduos) que estão envolvidos com o processo e na linha de frente, em contato direto com os alunos. Podemos classificar nossos atores como indivíduos claramente compro- metidos com atividades desenvolvidas no IFRO-CV, porque sem eles ficaria quase impossível o Programa de Assistência Estudantil atingir seus objetivos, isto é, contemplar os alunos oriundos de escolas públicas de educação básica, com renda familiar até um salário mínimo e meio1.

Para Lotta (2010, p.31) “a implementação, portanto, é a causa para obter os resultados desejados”, nesse sentido as ações de Assistência Estudantil devem cumprir o programado pelo PNAES, onde não há espaço para discricionariedade. Para saber se os resultados foram esperados deve-se passar por um processo avaliativo.

O Campus deve garantir aos discentes acesso à informação sobre Políticas de Assistência Estudantil, tais como: período de inscrição, quais as ações do Programa de Assistência Estudantil que estão sendo ofertados, qual a documentação exigida para poder participar, efetuar a divulgação dos resultados para os alunos inscritos no edital de seleção. Os estudantes do IFRO-CV para serem classificados na situação de vulnerabilidade socioeconômica são avaliados pelo assistente social, por meio de questionários, comprovante de renda, entrevistas, e, caso seja preciso confirmar dados, serão feitas visitas domiciliares para ver se estão enquadrados na situação anteriormente descrita. Caso seja considerado na situação de vulnerabilidade reclamada, passa a ser atendido de acordo com

1 Um salário mínimo e meio equivale a R$=1.497,00 (mil quatrocentos e noventa e sete reais) e de acordo Finance One, com a Cotação do Euro (4,27€) fora taxa de câmbio e Imposto sobre Operações Financeiras o que corresponde em Euros 358,58 (trezentos cinquentas e oito euros e cinquenta e oito centimos).

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a disponibilidade de crédito orçamentário como: auxílio permanência, moradia e auxílio complementar.

1.8.1 Avaliação do Processo de Implementação

O processo de avalição de políticas públicas pode ser dividido em duas etapas. Segundo Cavalcanti (2007, p.91) a primeira avaliação ex-ante serve para definir quais programas ou projetos e o mais propício para o momento para poder viabilizar a escolha, se viável, a sua implementação, “antes do início do programa ou avaliação de processo que ocorre durante o processo de implementação.”

Para Secchi (2013, p.51) a avaliação ex-ante busca possíveis alternativas de políticas públicas para resolver um problema público antes de sua implementação, assim poder contar com outras soluções possíveis caso a primeira não dê certo. Para isso a “disponibilidade de técnicas para construção e avaliação ex-ante de alternativas é notória, como também são notórios os custos e as dificuldades para realização desse tipo de tarefa.” No processo avaliativo, antes da implementação dos vários Programas de Assistência, é importante averiguar quais ações são mais importantes naquele momento e como pretendem atingir seus objetivos.

Cavalcanti (2007, p.91) apresenta dois momentos de avaliação ex-ante: a primeira é avaliação inicial e a segunda “por se relacionar com a verificação dos resultados obtidos ao fim do processo, (...) a produção de informações acerca do sucesso ou fracasso de um programa, pode também ser vista como uma avaliação ex-post que ocorre no término do programa”.

Taufick (2013, p.102) afirma que “as avaliações ex-post são realizadas após a execução do programa e tem como finalidade comparar os resultados com os objetivos traçados.” Segundo Souza (2017, p.48) a avaliação poder ser:

Ex-post é realizada durante a execução de um programa ou ao seu final, quando as decisões passam a se basear nos resultados alcançados. Quando o programa está em execução, julga-se se ele deve continuar ou não, com base nos resultados obtidos até o momento. Se a resposta for positiva, avalia-se se deve manter a formulação original ou efetuar modificações, redirecionando os objetivos, propostas e atividades.

A etapa de avaliação final é uma etapa que gera um pouco de controvérsia por entre alguns autores, porque é na avaliação que vai poder aferir-se o que está sendo executado

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no momento, e se está no caminho certo, caso contrário ainda há tempo de fazer as correções que se achar necessárias. No entendimento de Duarte existe uma polêmica na avaliação ex post (2015, p.71):

Quanto a esta etapa, existe alguma controvérsia na literatura das políticas públicas. Primeiro, porque mais do que uma etapa final a avaliação parece estar presente em quase todo o processo de formação das políticas. Em alguns casos são estudos de avaliação que estão na base da decisão e formulação de alternativas políticas, noutros a avaliação acontece sobretudo numa fase final, quando a medida é concretizada, tentando captar o impacto da mesma.

Entretanto,segundo Secchi (2013) existe uma terceira figura importante da avaliação que ocorre em todo o processo da implementação que é in intinere que serve para monitorar e poder avaliar e fazer os ajustes que são necessários imediatamente após descobrir alguma falha, ou seja, que não espera até o final do processo, fazendo um trabalho preventivo para que toda a implementação possa alcançar seus verdadeiros fins.

No documento Aparecido Portela da Silva (páginas 45-49)

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