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Implementation status of licensing system (season 2010-11)

Acrescente-se que, hoje em dia, a Turquia dispõe já de um sistema de licenciamento interno, complexo e muito desenvolvido, segundo o modelo europeu da UEFA, o qual atribui licenças de 3 tipos, consoante o nível competitivo a que cada clube pretende aceder, seja a Super Liga, a 1ª Liga ou a 2ª Liga.

São muitos e diversos os sistemas de controlo interno para aplicação aos clubes que participam nas competições nacionais, variando desde a concreta emissão de licenças de que dependem a participação dos clubes nas competições de topo e partilha das respectivas receitas, até acordos pontuais entre clubes, sempre subordinados ao princípio da igualdade de oportunidades e respeito por regras comummente aceites e estabelecidas. Analisemos alguns que se destacam pela sua relevância ou pela sua inovação.

5.1 – Portugal - Os requisitos económicos para participação nas competições da LPFP Esta regulação a montante da competição surge no nosso ordenamento jurídico-desportivo há já alguns anos, em sede da regulamentação da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), sob a forma de “Pressupostos de natureza financeira” para a participação nas competições de natureza profissional (I e II Ligas), relativamente às quais a lei reserva a competência exclusiva das ligas na regulação, direção e disciplina da respetiva atividade. Com efeito, em resultado das disposições conjugadas da Lei de Bases da Atividade Física e

do Desporto82 e do Regime Jurídico das Federações Desportivas83, é competência da Liga

Portuguesa de Futebol Profissional a regulação das competições profissionais de futebol, por delegação dos poderes da federação, designadamente:

“a) Organizar e regulamentar as competições de natureza profissional, respeitando as regras técnicas definidas pelos competentes órgãos federativos nacionais e internacionais;

b) Exercer relativamente aos seus associados as funções de controlo e supervisão que sejam estabelecidas na lei ou nos estatutos e regulamentos;

c) Definir os pressupostos desportivos, financeiros e de organização de acesso às competições profissionais, bem como fiscalizar a sua execução pelas entidades nelas

participantes.84”

                                                                                                                         

82  Lei  nº5/2007,  de  26  de  janeiro  

83  Decreto-­‐lei  nº248-­‐B/2008,  de  31  de  dezembro   84  Art.27º,  n.1  do  Decreto-­‐lei  nº248-­‐B/2008  

Esta última alínea legitima, precisamente, a introdução de um sistema de fiscalização e controlo, como pressuposto da participação nas competições profissionais, tal como aquele que passamos a analisar.

A estas competências específicas acresce ainda, nos termos do n.4 do mesmo artigo, uma competência genérica, plasmada na referida norma que dispõe que “cabe à liga profissional exercer, relativamente às competições de carácter profissional, as competências da federação em matéria de organização, direção, disciplina e arbitragem, nos termos da lei”. Assim escudada na lei, a LPFP inclui, no seu Regulamento de Competições, as seguintes disposições:

CAPÍTULO XI

COMPETIÇÕES ORGANIZADAS PELA LIGA Secção I

Disposições Gerais Artigo 89º - Estrutura Jurídica

1. Os clubes participantes na I Liga e na II Liga devem constituir-se sob a forma de sociedade desportiva ou, alternativamente, estruturar-se de forma a autonomizar o departamento de futebol, com contabilidade própria onde se discriminem as receitas e despesas que lhe sejam imputáveis de acordo com regime especial de gestão definido previsto na lei.

2. Os clubes participantes na I Liga e na II Liga devem fazer corresponder o seu ano fiscal à época desportiva, ou seja de 1 de Julho a 30 de Junho.

No respeitante à estrutura dos clubes participantes nas competições profissionais, a regra

principal hoje dominante é a sua constituição em SAD85, já sem a alternativa de recurso ao

regime especial de gestão. Com efeito, o recentemente entrado em vigor Decreto-Lei n.10/2013, de 25 de janeiro, veio alterar o regime jurídico das sociedades desportivas, constituindo uma das principais novidades desta nova lei a imperatividade da transformação em SAD’s dos clubes desportivos que pretendam participar em competições desportivas

profissionais86. Este novo regime altera o regime das SAD’s, anteriormente regulado pelo

Decreto-lei n.67/97, de 3 de abril, alterado pela Lei n.107/97, de 16 de setembro, pelo Decreto-lei n.303/99, de 6 de agosto e pelo Decreto-lei n.76-A/2006, de 29 de março. As                                                                                                                          

85  SAD  –  sociedade  anónima  desportiva  

SAD’s haviam introduzidas, pela primeira vez, na ordem jurídica portuguesa em 1995, através do Decreto-lei n.146/95, de 21 de junho, que foi rapidamente substituído pelo indicado Decreto-lei n.67/97, em virtude de evidentes incongruências do primeiro regime legal.

O regime jurídico das SAD’s foi considerado, quando da sua publicação inicial, como uma solução para os graves problemas financeiros experienciados, à época, pelos clubes portugueses, acusados de falta de profissionalismo na sua gestão, sendo suposto que aquele novo regime viesse trazer todas as soluções, “concedendo àquelas sociedades os instrumentos necessários para que venham a constituir, no futuro, um importante elemento dinamizador do desporto profissional em Portugal87”. Contudo, a realidade resultou bem

diversa, tendo-se mostrado ineficazcomo solução em si mesma, uma vez que a questão não

era a forma da gestão dos clubes mas sim a substância dessa mesma gestão. Ou seja, independentemente da forma jurídica adoptada, e sem prejuízo de a solução das SAD’s trazer consigo os mecanismos de controlo de gestão e dos gestores, o essencial continua a ser a maneira como é exercida a gestão dos clubes de futebol, independentemente da forma jurídica adoptada.

Quanto ao regime especial de gestão, regulado nos artigos 37º a 43º do Decreto-lei 67/97, que se caracterizava pela aplicação de especiais regras de estruturação dos clubes e de responsabilidade dos seus dirigentes, deixou de ser aplicável por força da obrigatoriedade de utilização da forma societária para a participação nas competições profissionais, ainda que, de acordo com o novo regime, as sociedades possam revestir também a forma de sociedades desportivas unipessoais por quotas (SDUQ). o que levanta questões de difícil enquadramento normativo, mas que não constituem objecto deste estudo. De qualquer forma, poder-se-à dizer que, com esta solução, os Clubes que entendam não diversificar o seu capital, poderão concentrá-lo numa só entidade, através da solução da SDUQ.

Artigo 90º - Competências

Compete à Comissão Executiva da Liga a decisão do preenchimento dos requisitos, legais e regulamentares, de carácter económico, de organização e de infraestruturas para a participação dos clubes em cada uma das competições, devendo ser precedida de parecer prévio da Comissão Técnica de Estudos e Auditoria.

                                                                                                                         

Este sistema integra um normativo muito simplificado mas, ao mesmo tempo, com uma enorme amplitude normativa, na medida em que confere à Comissão Executiva da Liga a competência e a legitimidade para definir, depois de ouvida a Comissão Técnica de Estudos e Auditoria, os pressupostos legais e regulamentares, de carácter económico, de organização e de infraestruturas para a participação dos clubes em cada uma das competições.

Esta solução reguladora apresenta um elemento interessante de instabilidade regulamentar, uma vez que a circunstância de a Comissão Executiva fixar os critérios dos pressupostos até 20 de Maio de cada ano, coloca alguma incerteza nas regras a que estão subordinados os clubes candidatos a participar nas competições em questão.

Obviamente que tal normativo se enquadra no pressuposto de que a Liga é uma associação de clubes, expressando, portanto, a vontade de todos, ou da maioria, dos seus membros. Tal visão parece-nos, contudo, um pouco limitada, na medida em que, nesta matéria, como aliás noutras, a Liga age num quadro totalmente diverso, enquanto entidade reguladora, dotada de poderes especiais, de natureza pública, delegados pela federação, por força da lei, nos termos do contrato de que nos fala o art.28º do Regime Jurídico das Federações Desportivas. Tal disposição deixa, portanto, um espaço a alguma discricionariedade que, registe-se, não tem sido denunciada e que pode, eventualmente, nem se verificar, mas que subsiste como potencial possibilidade, afectando a norma que se pretende geral e abstrata.

Artigo 91º - Procedimento

1. A Comissão Executiva, ouvida a Comissão Técnica de Estudos e Auditoria, determinará, até 20 de Maio de cada ano, os requisitos referidos no artigo anterior, respeitantes à época seguinte bem como as regras relativas ao procedimento de candidatura e o prazo de apresentação desta.

2. Na determinação dos requisitos devem, obrigatoriamente, constar o cumprimento das obrigações previstas nas alíneas a) a e) do art.12º do Decreto-Lei n.303/99, de 6 de Agosto.

3. As candidaturas devem ser instruídas com todos os elementos exigidos pela Comissão Executiva nos termos do n. 1 e, bem assim, com uma declaração em modelo oficial aprovado pela Comissão Executiva da Liga, subscrita pelos legais representantes do clube, de aceitação dos compromissos arbitrais previstos no

presente Regulamento e no Regulamento Disciplinar das Competições Organizadas pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional relativamente a todos os litígios emergentes da aplicação dos referidos regulamentos.

4. A declaração prevista no número anterior deve conter o reconhecimento, nos termos das leis notariais, das assinaturas dos subscritores e da sua qualidade e suficiência de poderes de representação e vinculação do clube.

5. Além da declaração prevista no n. 3, os clubes candidatos que não sejam associados da Liga devem igualmente instruir a sua candidatura com a declaração prevista nos ns.2 e 3 do artigo 8º dos Estatutos da Liga Portuguesa de Futebol Profissional.

6. Concluída a instrução, os clubes têm o direito de ser ouvidos antes de tomada a decisão final, devendo ser informados sobre o sentido do parecer da Comissão Técnica de Estudos e Auditoria.

7. A Comissão Executiva notificará os clubes para, em prazo não inferior a cinco dias úteis, dizerem o que se lhes oferecer.

8. A notificação fornecerá os elementos necessários para que os clubes fiquem a conhecer todos os aspetos relevantes para a decisão.

9. Na resposta, os clubes podem pronunciar-se sobre as questões suscitadas ou suprir os vícios e irregularidades verificados.

10. Em caso de indeferimento, a decisão final da Comissão Executiva deve ser fundamentada.

Um dos aspectos fundamentais deste sistema interno de regulação e controlo, consiste na simplicidade do processo, mais uma vez dependente do parecer da Comissão Técnica de Estudos e Auditoria e da vontade normativa do Comissão Executiva, mas sempre e necessariamente um processo simplificado, pois que o lapso de tempo entre a data prevista regulamentarmente para a sua fixação – 20 de maio – e o início da época desportiva seguinte – 1 de julho – impõe uma resolução rápida após uma apreciação sumária.

Artigo 92º - Dos recursos

1. Da decisão da Comissão Executiva cabe recurso para o Conselho de Justiça, a interpor no prazo de três dias úteis, mediante a apresentação de requerimento na sede da Liga.

2. O requerimento, sob pena de não recebimento, deve conter os fundamentos de facto e de direito e a formulação das conclusões e do pedido.

3. Recebido o recurso, a Comissão Executiva citará os terceiros interessados para, querendo, no prazo de três dias úteis deduzirem oposição.

4. No prazo de 3 dias úteis, a Comissão Executiva sustenta a decisão, organiza o processo e remete-o ao Presidente do Conselho de Justiça.

5. Com a apresentação do recurso e da oposição de terceiros interessados deve ser depositado o preparo inicial, sob pena de não recebimento.

Esta solução enquadra-se no normal procedimento jurisdicional entre Federação e Liga,

emergente do disposto no art.27º do Regime Jurídico das Federações Desportivas88: “a liga

profissional exerce, por delegação da respetiva federação, as competências relativas às competições de natureza profissional.” Deste princípio de delegação de competências, imposto por lei mais do que voluntariamente aceite pelas federações e ligas, emerge uma hierarquização jurisdicional que conduz necessariamente à competência do órgão jurisdicional federativo como última instância da ordem desportiva. Aliás, esta consagração da delegação de competências resultava já da própria Lei de Bases, que o afirmava com a mesma redação no seu art.22º. Sobre este tema da delegação, dúvidas não restam de que o legislador pretendeu sanar uma questão já antiga. Ou, como refere MEIRIM, José Manuel “neste âmbito, afigura-se-nos que o desenho legal, na lógica integracionista e de redução do grau de autonomia da liga profissional, traduz convenientemente o que se pretende”89. Outro aspecto interessante deste artigo consiste na forma de procedimento adoptado, em tudo semelhante ao processo administrativo, tal como configurado no art.100º do Código do Procedimento Administrativo, denunciando a natureza jurídica das ligas profissionais, tal como delineada pelo atual normativo do sistema desportivo, designadamente o carácter público dos poderes por esta exercidos em matérias de organização e gestão das competições profissionais e da respectiva disciplina.

5.2 – O quadro da regulação interna noutros países europeus

Este quadro regulador não é idêntico em todos os países do espaço europeu, sob jurisdição                                                                                                                          

88  Decreto-­‐lei  nº248-­‐B/2008,  de  31  de  dezembro  

89  in  MEIRIM,  José  Manuel  –  “Lei  de  Bases  da  Atividade  Física  e  do  Desporto  –  Estudos,  Notas  e  Comentários”  

desportiva, no que ao Futebol diz respeito, da UEFA. De facto, muitos países interpretam de modo diferenciado a necessidade de aplicação de regras de controlo financeiro no quadro da regulação das competições desportivas, o que sempre impressiona pela generalizada convicção de que o desporto em geral, e o Futebol muito em especial, são atividades económicas pouco ou nada reguladas.

Destes diferentes sistemas, destacamos 4 que, pelas suas características intrínsecas, se distinguem nos métodos e procedimentos, mas que partilham, em comum, um desejo de implementação de regras de boa conduta económica. Estes sistemas inserem-se em sociedades economicamente desenvolvidas, com papel determinante na economia europeia, mas também na economia do desporto europeu e nos rankings desportivos.

5.2.1 – O sistema inglês – uma regulação contratual

O futebol em Inglaterra tem características muito próprias que o distinguem dos restantes sistemas europeus com os quais coabita regularmente do desenvolvimento das competições entre clubes e seleções, de âmbito europeu. Desde logo, porque no mesmo país, Grã- Bretanha, se autoassumem 4 distintos ordenamento jus-desportivos, com regras e jurisdição autonomizados entre si, característicos da estrutura normativa e judicial do Reino Unido. Aqui, para além da Inglaterra, existem e são reconhecidas como juridicamente autónomas, as ordens jurídicas desportivas da Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, todos eles com regras e estruturas diversas e realidades perfeitamente diferenciadas.

Mas concentremo-nos na Inglaterra e na sua ordem jurídica desportiva. De acordo com o próprio conceito racional da lei e do cidadão, o sistema jurídico inglês baseia-se no princípio convencional, em que o desporto é uma área social que deve respeitar todas as regulações dos diferentes sistemas com que comunica ou interage. Trata-se de um sistema de natureza contratual, conforme reconhecido por Neil Prescott, responsável pelo sistema de licenciamento na Federação inglesa (The FA), o qual identifica uma base essencialmente contratual para toda a regulação do desporto em geral e do Futebol em particular. Todos os participantes nas competições de futebol inglesas assumem um compromisso de aceitação das regras desportivas, independentemente da sua natureza jurídica ou do grau de vinculação normativa das respectivas regras e regulamentos. O sistema desportivo inglês não está sujeito a nenhuma norma reguladora geral que estabeleça um quadro legal de base, ao contrário de outros exemplos, como é o caso de Portugal, com a sua Lei de Bases do Desporto, ou do Sistema Desportivo.

A regulação e direção do futebol inglês cabe à Federação, enfaticamente designada The

FA90, evidenciando a antiguidade e precedência organizativa do futebol inglês, por muitos

tido como a pátria do futebol. O normativo de toda a modalidade, nos diferentes níveis de estrutura, acha-se compilado num regulamento geral, designado de “Rules and

Regulations”91, que se aplica a um universo humano e estrutural verdadeiramente complexo.

Os números que refletem a realidade do futebol inglês são verdadeiramente

impressionantes92:

- 7 milhões de praticantes em todos os escalões etários - 400.000 voluntários

- 150.000 técnicos qualificados

- 125.000 equipas em 1700 ligas filiadas - 1437 equipas seniores femininas - 1100 equipas de deficientes - 26.000 árbitros de futebol

- 50 associações regionais e corporativas

- mais de 24 ligas no Sistema Nacional de Ligas - 72 clubes no Football League

- 20 Clubes na Premier League

Estes números dão conta de uma realidade social, económica e política de profundo impacto social do futebol da sociedade inglesa e, portanto, de uma relevância que não se reflete na ordem jurídica pela natureza do sistema legal anglo-saxónico, que privilegia a razão sobre a regulação. Apesar de tudo, este sistema acha-se, hoje, perfeitamente integrado e regulado, do topo à base, dividido entre duas entidades que cooperam na organização e regulação deste complexo universo, que pode transformar-se numa economia de escala.

De um lado, a federação (The FA) estabelece e implementa as regras para todo o Futebol

inglês93. Por outro lado, as diversas ligas estruturam e regem as competições dos mais

diversos níveis:

- Premier League – 1 divisão de 20 clubes (âmbito nacional, de topo)                                                                                                                          

90  The  FA  –  The  Football  Association  (=  A  Federação  de  Futebol)  

91    Consultar  em  http://www.thefa.com/~/media/Files/TheFAPortal/governance-­‐docs/rules-­‐of-­‐the-­‐

association/fa-­‐handbook-­‐2012-­‐13.ashx  -­‐  The  FA,  acedido  em  20/11/2012  

92  NOAKES,  Graham  –  “The  Structure  of  English  Football”  –  The  FA,  Londres,  2012   93  Rules  and  Regulations  across  English  Footbal  -­‐  The  FA,  Londres,  2012  

- Football League – 3 divisões de 24 clubes cada (competições profissionais de âmbito nacional)

- Football Conference – 1 divisão de 24 e 2 de 22 clubes (competições não profissionais, regionais)

- National League System (que integra os pequenos clubes locais, em competições de carácter local e regional)

A estrutura organizativa central que permite governar uma tão ampla realidade localiza-se na FA, como entidade máxima reguladora, com jurisdição sobre todas as entidades envolvidas neste complexo universo, dividida entre dois órgãos:

- The FA Board – a Direção da federação inglesa, integrada conforme o princípio da representatividade, por membros dos sectores profissional e amador nacional, um Presidente independente e um Secretário Geral executivo, e ainda representantes das Ligas principais (Premier League e Football League) e das competições amadoras de todo o País;

- FA Council – o Parlamento do Futebol inglês, que integra 116 representantes de todas as estruturas de competição e de todos os agentes desportivos.

O sucesso do governo desta complexa realidade reside na concentração e uniformidade de regras e no respeito pelos procedimentos, com a gestão de competições que envolvem já orçamentos substancialmente elevados, como é o caso da Taça de Inglaterra (FA Cup), que

representou, nos últimos anos, mais de 650 M£94 em prémios, receitas de televisão e

bilheteiras. Claro que, a estes valores, haverá que acrescentar os valores das competições profissionais, substancialmente superiores, regidos pelas Ligas no âmbito da correspondente regulamentação.

Toda esta complexa malha desportiva assenta numa teia de relações desportivas, principalmente no vetor clube/jogador, assente no registo desportivo, o qual é controlado, na sua génese, pela FA que concentra todos os registos, a nível nacional. A ponto de as licenças de trabalho de estrangeiros (work permits) serem processadas, para os jogadores e treinadores oriundos de fora da UE, segundo critérios estabelecidos entre a FA e o Governo

Inglês95.

                                                                                                                         

94  650  milhões  de  Libras  esterlinas  ,  equivalente  a  €763.280.000  

95  The   Tier   2   (Sportsperson)   visa   is   for   elite   sportspeople   and   coaches   whose   employment   will   make   a  

significant  contribution  to  the  development  of  their  sport  at  the  highest  level  in  the  UK.  Applicants  must  be   internationally  established  at  the  highest  level  of  their  particular  sport.  The  Tier  2  (Sportsperson)  visa  is  for   foreign  sportspeople  intending  to  stay  in  the  UK  in  the  longer  term.  http://www.workpermit.com/uk/tier-­‐2-­‐ visa-­‐sports-­‐people.htm  -­‐  SIA  Workpermit.com,  acedido  em  21/09/2013    

Por esta razão, o controlo financeiro assumiu-se, de há muito, como uma necessidade na regulação do futebol inglês, pelo que o sistema de controlo financeiro inglês tem lugar no seio da regulamentação geral desportiva, de forma perfeitamente integrada. É designado por “Football Integrity” e destina-se a controlar, precisamente, a integridade do Futebol através da monitorização, do controlo de gestão e de investigações das finanças dos clubes.

Quer estrutural quer regulamentarmente está inserido nos regulamentos gerais da federação inglesa, identificando-se claramente na estrutura organizativa desta como um dos órgãos

necessários à regulação do Futebol96.

As principais áreas de atividade da Monitorização estende-se ao licenciamento de agentes

desportivos, operação de “clearing houses97” para transferências internacionais e

pagamentos a agentes e transferências de jogadores com controlo da Propriedade por

Terceiros98, que em Inglaterra estão interditos, em linha com a interdição resultante do

                                                                                                                         

96  NEWTON,  David  –  “Football  Governance  and  Regulation”,  The  FA,  Londres,  2012    

97  Clearing  house  –  sistema  monitorizado  de  centralização  de  transferências  e  respetivos  pagamentos,  que