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CAPÍTULO IV – EXECUÇÃO DO PROJETO DE INTERVENÇÃO

5.2 IMPLICAÇÕES E IMPLEMENTAÇÃO DA EPT DO CAMPO

Para efetivação desse projeto de intervenção da implantação da EPT do Campo, no território do Assentamento Nossa Senhora da Conceição, foi de extrema importância que se formassem as parcerias com as instituições governamentais e não governamentais, articulação com os movimentos dos trabalhadores rurais sem terra e a comunidade. As ações de construção da EPT do Campo, mediante a concepção de um projeto pedagógico que amplie suas práticas na perspectiva da formação integral dos trabalhadores do campo, bem como, a criação de um espaço de discussão sobre EPT do Campo na área da reforma agrária, foi fundamental para o desenvolvimento desse projeto de intervenção. Aqui, destacamos o debate sobre a formação humana integral, síntese entre cultura e técnica, alicerçada numa sólida Educação do Campo e dela indissociável.

As reflexões foram fundamentais para a consolidação dos princípios que estruturam o projeto ético, político e pedagógico desta EPT do Campo. A EPT do Campo é um espaço de criação, questionamentos, crítica, formação humana onmilateral, produção intelectual e material, comprometida com o fortalecimento do agricultura camponesa e com o desenvolvimento territorial sustentável, agroecológico, valorização da cultura e do histórico desse sujeito do campo, tendo o trabalho como princípio educativo.

A concepção de educação exposta no PDI – Plano de Desenvolvimento Institucional (2014 – 2018) deixa explícito que o IFSERTÃO-PE procura formar o ser humano de uma forma integral para o mundo do trabalho e, ao mesmo tempo, atender as necessidades do mercado de trabalho, conforme observado no trecho a seguir:

O desafio encontra-se na busca de integração dos diferentes paradigmas que a Educação profissional e tecnológica comporta, quando se propõe a atender a formação do homem integral para o mundo do trabalho e as necessidades do mercado de trabalho e produção; na abrangência territorial do Sertão Pernambucano considerando seu tamanho e diversidade econômica, cultural e social. A construção de uma cultura acadêmica científica também representa um desafio significativo, uma vez que ocasionará o repensar da estrutura e processos organizacionais. Juntos, tais desafios constituem-se em importantes mudanças no clima e comportamento organizacional que estrategicamente deverão ser mediadas pelas políticas de valorização do servidor e inovações na gestão (PDI 2014-2018, p. 13).

A atuação na EPT do Campo tem-se ampliado para além da oferta de cursos, compreendendo também a produção de currículos, a formulação e disseminação de modelos educacionais e a coordenação buscando participar de programas de educação em áreas estratégicas para o campo.

A EPT do Campo, voltado para a população camponesa, é uma necessidade que precisa ser implantada com urgência, uma vez que se entende que esta modalidade é de suma importância, pois sua falta leva a um consequente movimento migratório do campo para a cidade. Nota-se que esse movimento tem atingidos as famílias camponesas como um todo, desanimadas com o baixo pagamento que recebem pelos produtos produzidos. Esses sujeitos sonham com melhor qualidade de vida migrando para as cidades, achando que tudo será mais fácil e recompensador. Mas, não é isso que normalmente acontece. Depois que saem do campo e deixam para trás uma vida e toda sua cultura e seu conhecimento, encontram-se nas cidades em busca de emprego, mas sem experiência alguma, acabam ficando com os piores cargos, ou mesmo, desempregados. Além disso, a ausência de políticas fortes voltadas para os reais problemas do campo, a ineficiência de uma reforma agrária condizente com a necessidade da realidade de cada local e as dificuldades regionais advindas de aspectos geográficos como a seca, expulsam as pessoas do campo.

De acordo com Caldart (2002), são muitos os problemas que levam as pessoas a saírem do campo. Por isso, se faz necessária uma política pública que defenda o campo como um lugar de vida, cultura, moradia, produção e educação. Políticas que defendam um tratamento específico para a educação do campo, com enfoque na Educação Profissional Tecnológica, a qual busque ir além dos conteúdos propedêutico trabalhados em sala de aula, é uma educação que contextualiza conteúdos das áreas técnicas e das diversas áreas do conhecimento, promovendo uma valorização da história, da cultura, das lutas, da agricultura campesina, com uma formação humana e onmilateral. Uma educação que forma o sujeito do campo para o mundo do trabalho promovendo o desenvolvimento territorial sustentável.

O desafio atual é o de construir um projeto amplo, com toda a sociedade do campo e com todas as esferas governamentais para implantação da EPT do Campo. Uma construção de um projeto político e pedagógico consolidado com as diretrizes e concepções da EPT do Campo, com a realidade da área dos projetos da reforma agrária do município de Santa Maria da Boa Vista.

Caldart (2002) conclui que o desafio para implantação da EPT do Campo que temos, enquanto sujeitos é colocar a “bandeira em marcha”, é de abstrair das experiências dos debates, das disputas em curso, de um conjunto de ideias que possam orientar o pensar

(especialmente dos educadores) sobre a prática de educação da classe trabalhadora do campo, e, sobretudo, possam orientar e projetar outras práticas e políticas de educação. Assim, um trabalho que será tanto mais legítimo, quanto realizado de modo coletivo, fazem parte das ideias aqui expostas nesse movimento educativo.

A proposta desse projeto de intervenção foi pensar a EPT do Campo como processo de construção de um projeto de educação da população campesina do campo, gestado desde o ponto de vista dos camponeses e da trajetória de lutas de suas organizações pelos movimentos sociais da terra. Promover uma EPT do Campo como um projeto político e pedagógico partindo dos interesses sociais, políticos, culturais, histórico da população camponesa.