DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA
IMPORTÂNCIA (%) Desenvolvimento de Políticas e Programas
Monitoramento, Revisão e Medição 13 Identificação de Questões, Riscos e Oportunidades 8
Consultas, obtenção de opiniões 6 Desenvolvimento de Indicadores Relevantes de Desempenho 5 Relatório de situação. Comunicação. 4 Inovação de produtos, sistemas e serviços. 2
Indefinido 31
Fonte: Spitzeck, Hansen e Alt (2011) adaptado pelo autor
A participação contributiva dos agentes individuais ou compartilhados demonstra o grau de maturidade do modelo de gestão administrativa e, principalmente, de sua capacidade de se aprender com os relacionamentos diante da complexidade do ambiente político, social e econômico existente. Cabe à gestão municipal dedicar-se a aprender a dialogar com seus
stakeholders, motivá-los a participar e a atuar para sua capacitação, buscando uma relação de
contribuição significativa e de confiança.
Adicionalmente, cabe apresentar maneiras de se conduzir uma apresentação de sugestões e de encaminhar suas possíveis soluções, conforme o Quadro 13a seguir:
Quadro 13- Maneiras de se conduzir uma apresentação sugestões e encaminhar soluções
ESTRATÉGIA SITUAÇÃO MEIO TEORIAS
Imposição Autoridade hierárquica Diretrizes Estruturas hierárquicas Persuasão Diferentes focos de atenção;
indiferença
Motivação; sedução Teoria da liderança, das motivações e da persuasão Negociação Cooperativa Interesses diferentes e objetivos comuns Negociação de soma positiva
Teoria das negociações soma positiva
Negociação Conflitante
Interesses opostos Negociação soma zero
Teoria das negociações soma zero
Negociação Mista
Interesses diferentes combinados com interesses opostos
Negociação mista Teoria das negociações mistas
Mediação Interesses opostos sem ânimo de confronto
Mediação e arbitragem
Teoria da mediação e da arbitragem
Julgamento Interesses opostos submetidos a regras jurídicas Defesa e acusação em tribunais Direito Teoria da situação jurídica
Coação Interesses opostos com ânimo de imposição
Ameaça de fazer pagar um custo
Análise das fraquezas do outro
Confronto Interesses irreconciliáveis Medição política de forças
Teoria do confronto e da construção de viabilidade
Dissuasão Interesses irreconciliáveis Exibição de forças Teoria da dissuasão Guerra Interesses irreconciliáveis
com vontade de violência
Medição bélica de forças
Teoria da guerra Fonte: Matus (1996, p 222)
O presente quadro demonstra as maneiras de se conduzir uma apresentação sugestões e encaminhar soluções que está dividida em quatro colunas, sendo a primeira a estratégia a ser desenvolvida, a segunda a situacional onde os interesses serão direcionados, a terceira o meio pelo qual será alcançada e a terceira as teorias a serem implantadas.
Ainda, conforme Matus (1996, p 222), em seu trabalho de Análise Situacional para a Governabilidade, apresenta três circunstâncias que podem ocorrer na deliberação de uma proposição, como se apresenta no Quadro14 a seguir:
Quadro 14- Situações que podem ocorrer em uma proposição Confronto violento (medição bélica de forças); COOPERAÇÃO (Gandhi) OPOSIÇÃO
(Maquiavel/Chimpanzé) CONFRONTO VIOLENTO
(Maquiavel/Chimpanzé) CONTEXTO confiança Luta, desconfiança Violência e animosidade ESTRATÉGIA Persuasão, sedução, transparência Medição de forças, protesto, contradição, ocultamento Medição violenta de forças, ameaça, intimidação, eliminação do outro
OBJETIVO acordo Imposição da maioria Imposição de força
MEIOS convencer,
coordenar
Vencer/opor Eliminar, abater ATORES eu e o outro Amigo/adversário Amigo, inimigo
METÁFORA o baile O xadrez O boxe
Fonte: Matus (1996)
O quadro demonstra as situações que podem ocorrer em uma proposição, comparando a cooperação de Gandhi, oposição de Maquiavel/Chimpanzé e o confronto violento de Maquiavel/Chimpanzé em relação ao contexto, as estratégias, objetivos meios, atores e metáfora a eles atribuídas com o intuito de demonstrar que em uma reunião, audiência existem formas de obter vantagens, ou direcionamentos pela técnica empregada.
Conclui-se, assim, que a avaliação das condições de maturidade percorre um longo caminho e deriva no comportamento humano, na análise situacional, na governabilidade e no poder de negociação e de convencimento.
Para Abers (2000), tomando por base os critérios de Arnstein, o conceito verificado na classificação ‘poder do cidadão’ é compreendido como fundamental para a maioria dos pensadores da democracia, citando Pozzobon (2008). A partir daí, repercutem aspectos conceituais no que tange à efetividade da participação: é um (espaço) amplamente aberto a todos aqueles que até agora foram excluídos da tomada de decisão pública; envolve a discussão de metas e da agenda de políticas do governo, e não apenas de programas pré- concebidos; implica no efetivo controle do cidadão por meio do qual aqueles que participam possuem poder real.
Assim sendo, reforça Pozzobon (2008) que uma política aberta à participação poderá se tornar mais aberta em função dos esforços realizados quanto à clareza das informações apresentadas e das facilidades oferecidas àqueles que têm limitações de tempo, de recursos e de conhecimento, o que, em estudos futuros poderá ser proposto, a organização dos Grupos Operacionais (GOi) e aos Grupos de Apoio e Comunicação Social (GACSi), que, em linhas
gerais necessariamente o prefeito criará um órgão para atuar no planejamento urbano do município.
Nesse mesmo sentido, Fung (2006) vem pesquisando a questão da mensuração da participação popular no processo de planejamento público. Para este pesquisador, a Escada de Arnstein deve ser ampliada e justificada, pois unifica em escada empírica: a descrição dos níveis de influência que os indivíduos possuem sobre decisões coletivas. Para esse autor, podem ocorrer situações nas quais as deliberações públicas são mais importantes do que em outras em que deve prevalecer a consulta pública. Além disso, têm sido muito acentuados os avanços na teoria e na prática da participação, conforme ressalva Prezzobon (2008).
O modelo de Fung (2006), denominado Democracy Cube, se apresenta em três dimensões, considerando-se as possibilidades de variação dos mecanismos de participação, ou seja, introduz-se uma consideração dinâmica no tratamento desta variável. Essas dimensões compreendem:
Primeira dimensão: processos totalmente abertos a todos que desejam participar; processos restritos à elite envolvida na tomada de decisões, como grupos representativos de determinados interesses; processos restritos à especialistas;
Segunda dimensão: relativa à comunicação aos participantes e entre os participantes e como estes tomam juntos suas decisões;
Terceira dimensão: relativa à vinculação entre a discussão e a política e a ação política, em si.
Essas três dimensões permitem um sem número de combinações possíveis e, em cada circunstância, caberá buscar um mecanismo particular de participação a ser mais adequadamente aplicável.
A participação individual dos stakeholders, ou compartilhada (stakeholderships), ou mesmo dos agentes coletivos da sociedade civil não tem sido devidamente caracterizada, conforme MacDonald (2016) a respeito.