Não se aplicando o método psicanalítico ao período pré-verbal, René SPITZ,
em sua busca de entendimento acerca dos processos psicológicos do primeiro ano
de vida, furta-se da observação direta, utilizando, para tal, instrumentos da
psicologia experimental.
81Obteve o autor suas populações em uma série de
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―Aplicamos os critérios de fidelidade e validade: usamos testes e métodos de observação padronizados, com um número estatisticamente significativo de crianças. Eliminamos a possibilidades de distorção quanto ao sexo, fazendo realizar nossa observação por um observador masculino e por
contextos diferentes entre si quanto a elementos básicos (tais como bagagem
cultura e condição sócio-econômica), sendo que o principal grupo amostral estudado
fora obtido em agências de lares adotivos dos Estados Unidos da América.
Suas pesquisas trazem dois importantes adventos para uma reflexão do
instituto da adoção: (i) SPITZ não se exime em comparar as crianças crescidas no
seio da família as que passaram seu primeiro ano de vida em agência de lares
adotivos, (ii) e através dessa comparação observa o lugar ocupado pelo afeto no
desenvolvimento infantil.
A Freud a diferenciação das estruturas psicológicas
82ocorre a partir do
crescimento, sendo o recém-nascido, portanto, um organismo psicologicamente
indiferenciado (sem ego).
83Enquanto a personalidade do adulto é claramente
definida, hierarquicamente estruturada e manifesta através de atitudes individuais,
bebês carecem organização e presença de iniciativa pessoal.
Após o parto
84, todas as modalidades sensoriais são estranhas e o meio é
componente do próprio complexo de necessidades e satisfações do recém nascido.
A partir da agregação de signos, a criança vai construir uma leitura de coerência
para o mundo que a cerca. Entretanto, essa maturação não ocorre de um dia para
um observador feminino, em semanas alternadas.‖ SPITZ, René A. São Paulo: Martins Fontes, 1996,
p. 35. 82
Ego, Superego, Id. 83
HARTMMAN propõe dois processos: (i) de maturação, pelo qual as funções (inatas) filogeneticamente são desenvolvidas e emergem; (ii) de desenvolvimento, pelo qual ocorre emergência de forma, de função e de comportamento. Cada criança nasce com sua própria individualidade, que nada mais é do que uma potencialidade personalíssima. Este equipamento é comporto de três partes: (i) equipamento hereditário, (i) influências intra-uterinas - desejo da gestante, possibilidades de aborto -, (iii) influências que se tornam operativas durante o processo do parto (dificuldades do parto). Esta individualidade, contudo, não consiste em uma pré-determinação da formação do individuo, mas sim em ferramentas que individualizam cada ser em seu processo de aprendizagem. Assim a personalidade do adulto não forma-se através de material propulsor do processo de maturação, mas sim por intermédio do desenvolvimento das estruturas emergidas por esse processo
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Segundo FREUD o ―trauma‖ do parto não tem conteúdo psíquico. Não se pode cham ar propriamente de trauma, pois, não há nenhum indicio de reação pós traumática ou encargos acarretados no parto. O que pode ser observado é um breve estado de excitação o qual provoca uma reação vocal coligado ao desprazer gerado – evidentemente porque o parto dói
outro, sendo fruto de toda uma gestão de estímulos, pela qual se aprende a utilizar
as funções cognitivas.
Em um primeiro momento, as respostas às incitações coligam-se a
eliminação da fome, sendo que a aproximação do ser humano é apenas
reconhecida como supressora da sensação de desprazer.
85Somente por volta do
final do segundo mês de vida que o bebê passa a perceber a face humana - objeto
privilegiado da percepção visual, preferido entre todas as outras coisas do ambiente
- acompanhando seus movimentos com atenção concentrada.
86Seguidamente, torna-se a criança capaz de replicar, sorrindo, a face. Essa
reação representa uma maturação física e psicológica, permitindo a coordenação de
pelo menos uma parte do equipamento somático ao uso para uma expressão de
experiência psicológica. Embora o rosto humano ainda não configure um objeto
libidinal, trata-se de um sinal gestáltico, um pré-objeto.
87Entre o sexto e o oitavo mês, podemos observar uma mudança decisiva no
comportamento do bebê. Sua reação-reflexo de sorrir não vai mais ser direcionada a
todos, mas apenas aos conhecidos. Se um estranho se aproxima podemos observar
a recusa de contato, uma rejeição carregada de ansiedade. É o que SPTIZ
85
Apenas por volta da primeira semana de vida que o bebê começa a responder às incitações. Durante o primeiro mês o reconhecimento de sinais estará articulado com a fome.85 No início do segundo mês, a aproximação de um ser humano começa a adquirir um lugar singular entre as ―coisas‖ que rodeiam o bebê, o qual começa a perceber visualmente a aproximação do adulto Quando está chorando de fome não é capaz de perceber o estímulo esterno. Isso remete a dois fatores que devem estar presentes para o conhecimento deste estímulo: (i) a necessidade eminente de satisfação e a (ii) a não saturação da tensão. No caso do choro o mecanismo perceptivo está saturado pela tensão do desprazer A não percepção do bico ilustra a ação do princípio do nirvana: assim que desprazer surge, ele deve ser eliminado.
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Essa capacidade de visão e diferenciação da face humana é um processo de aquisição, que se desenvolve não frente à incapacidade biológica do recém-nascido, mas sim uma incapacidade cognitiva de diferenciação do mundo externo. Não obstante, o estudo de Von Senden mostra que, quando os instintos incidem sobre o olho antes desde aprender a ver, tais estímulos não são significativos.
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denomina de ansiedade dos oito meses.
88A fixação mnemônica de uma pessoa específica, por intermédio da
capacidade de atribuição de propriedades peculiares a um ente, indica o
estabelecimento do objeto libidinal, passando a criança estar competente a
formação de vínculos. Outras mudanças também são acarretadas: na esfera
somática, a mielinização das vias neurais está agora suficientemente desenvolvida
para tornar possível o funcionamento diacrítico do mecanismo sensorial; no sistema
mental, um número crescente de traços de memória foi armazenado; na organização
psíquica a tensão afetiva passa a ser descarregada de maneira intencional e nesse
momento podemos dizer que o ego está estruturado, sendo estabelecidos os limites
entre ele o id.
A escolha do objeto libidinal encontra valor na aptidão que lega: é a partir de
então que se torna possível o controle dos impulsos instintivos. Esse processo, que
se iniciou com o nascimento e culminou na ―ansiedade dos oito meses‖, tem como
um dos principais desenvolvedores o afeto. Destarte, a estimação jurídica do
―melhor interesse da criança‖, o qual apenas compreende-se frente uma ―sociedade
de famílias de afeto‖, encontra sentido no fato de que - desde o nascimento - é a
atitude afetiva decisiva para formação da personalidade.
Tradicionalmente, a mãe e o filho efetuam uma díade, na qual a mãe atua
como força formativa, sendo um estímulo de resposta do bebê. Nesse primeiro ano
de vida a criança vai obter prazer a partir do processo de libertação dos seus
impulsos instintivos sob formas de ação. Esse prazer vai ser catalisado quando um
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As sucessivas fases do desenvolvimento aqui apresentadas são estritamente paralelas às fases dos dois outros setores de desenvolvimento: (i) o que leva à integração do ego (ii) e o das relações objetais que culmina na formação de um objeto libidinal. A construção do objeto libidinal é constituída de dois passos principais: (i) Apreensão da face humana no sistema de memória e (ii) o aparecimento da ansiedade dos oito meses - o que indica que a criança tornou-se capaz de reconhecer a face da mãe/pai/substituto, preferindo-a a todas as outras.