ATRIBUTO IMAGEM (desejos e necessidades)
1.6. Importância do trabalho
Um dos dois principais produtos do processo do projeto é especificado por Hillier (1998) pela configuração do espaço (o outro é a configuração da forma). A configuração do espaço exibe implícita ou explicitamente uma dimensão chave do conhecimento no domínio do projeto de arquitetura. Qualquer teoria do projeto de arquitetura, ao que parece, tem de levar em conta a configuração do espaço.
Há particular interesse para Amor (1993) no que diz respeito à questão da configuração do espaço, à busca de modelos visando à geração de arranjos físicos de habitações via sistemas de informações e utilização de inteligência artificial, por meio do processamento computacional. Dentre os problemas existentes nesta busca conforme Steve (1996), está relacionado à questão da escolha ou otimização da solução, devido à grande quantidade de possibilidades e à inexistência de algoritmos específicos desenvolvidos para tal fim.
É empreendido atualmente pela Carnegie Mellon University nos USA conjuntamente com a Universidade de Adelaide na Austrália o projeto SEED (c1996,97) com o objetivo de desenvolver arranjos físicos de edificações via processamento computacional. O intento do programa SEED de acordo com
Flemming (1998) é o de fomentar os projetistas a desenvolverem e explorarem alternativas conceituais do arranjo físico de maneira mais eficaz, na fase inicial e crucial do projeto. Em particular o modo SEED de desenvolvimento de arranjos físicos destina-se a facilitar os projetistas a gerarem arranjos físicos da totalidade do projeto (projeto completo) e testar a grande quantidade de alternativas e possibilidades das diferentes configurações do espaço.
Uma outra área que cresce em importância, conectada diretamente com a análise e avaliação da configuração do espaço, é a classificação dos edifícios segundo a sua forma arquetípica. Este termo (forma arquetípica) proposto por Steadman (1998) expressa a análise e avaliação dos edifícios a partir de certas propriedades do envoltório da edificação, possíveis de serem obtidas a partir das variáveis geométricas. A idéia central desta proposição é a de avaliar e catalogar o edifício a partir de determinados valores geométricos do arranjo físico, condicionantes do confinamento do edifício, tais como: a forma, perímetro exterior, profundidade dos ambientes e atributos do edifício: altura, composição espacial (espaço celular, espaço com planos abertos e hall). O critério principal da classificação é referente às implicações das variáveis geométricas do arranjo físico e dos atributos do edifício no tipo predominante de iluminação dos ambientes internos (natural ou artificial). A proposta tem como ponto de partida um trabalho de classificação geométrica por atividades de usos em edifícios da Inglaterra e País de Gales, desenvolvido por Steadman (1994), visando a sua utilização em um programa nacional de conservação de energia e redução da emissão de dióxido de carbono.
Os dados do levantamento e classificação dos edifícios foram processados e permitiram a criação de um banco de dados de grande alcance, que o autor pretende ampliar a partir de novos estudos, de modo a utilizar na avaliação e classificação de edifícios por meio de uma codificação numérica que possa ser ordenada e indexada.
Markus (1987), desenvolveu uma metodologia similar, de classificação dos edifícios, a partir de uma definição do ambiente espacial composto e expresso pelos atributos: forma, função e espaço. Em relação ao espaço, identifica como atributos qualificadores: o número e localização das entradas
ambientes, o número e as alternativas de rotas.
A classificação do edifício é processada pela indexação numérica dos atributos qualificadores, de modo a formar um código numérico representativo do edifício, similar ao sistema de código de barras, hoje utilizado comercialmente para identificar um produto.
As aplicações anteriormente citadas especificam algumas das possibilidades de utilização do modelo aqui proposto, visando à análise, avaliação e otimização da solução do arranjo físico de uma habitação, através da metodologia proposta e ferramentas desenvolvidas, desta forma caracteriza um enfoque estratégico no desenvolvimento das configurações espaciais. Demarca um avanço nesta área, imprime ao trabalho um notável e crescente grau de importância como indutor da melhoria do projeto e do produto habitacional, e fomentador da atuação no sistema de obtenção de uma habitação, de seus atores principais: projetista, empreendedor e consumidor envolvidos no processo de produção de uma habitação.
1.7. Limites
1.7.1. Qualidade geométrica
Diversas variáveis intervêm na qualidade geométrica do arranjo físico de uma habitação, sendo algumas delas externas ao projeto, tais como: a legislação referente a construção (taxa de ocupação do solo, coeficiente de aproveitamento, altura máxima e recuos) e o terreno (localização, dimensão e formato), os quais não foram aqui abordados por representarem condicionantes não dominadas pelo projetista.
Outras variáveis conectadas diretamente a geometria do projeto, tais como a modulação e altura dos ambientes não são analisados no presente estudo devido à impossibilidade de sua obtenção a partir da amostra de projetos avaliados (prospectos) e simplificação do modelo proposto.
1.7.2. Custo da solução
A limitação básica na aplicação do modelo de custo é referente à realidade tecnológica e empresarial atual e está ligada à questão da delimitação do índice de custo da solução geométrica do arranjo físico.
O modelo de determinação do índice de custo é desenvolvido em relação a valores teóricos, todavia, a implementação do modelo, na prática, requer o conhecimento dos valores do custo do plano horizontal e vertical em relação ao custo da obra, bem como o diferencial de custo entre a parede externa e interna.
Os valores ora obtidos na bibliografia e expostos como exemplificação resultam de um estudo realizado pela Encol (1990). Entretanto não foram encontrados no meio técnico empresarial consultado (Maringá, Londrina e Florianópolis) ou na literatura pesquisada, outros valores referentes a estas determinações.
Para o aproveitamento do potencial do modelo é necessário o conhecimento das inúmeras possibilidades de variação dos valores (custo do plano horizontal e vertical, relação de custo entre a parede externa e interna) em função das variáveis influenciadoras ou delimitantes do custo, tais como: tipo do sistema construtivo (convencional em concreto armado, bloco estrutural, pré-moldado, protendido ou aço), o sistema divisório (paredes em alvenaria cerâmica ou gesso acartonado), padrão do acabamento (tipo e classe dos materiais de acabamento, vedações, esquadrias e portas) e altura do edifício.
Assim como não foi considerada a diferenciação referente a área de pisos e paredes molhadas e secas devido a simplificação do modelo proposto.