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TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS

IMPOSSIBILIDADE - OFENSA AO ART. 284 DO CPC

-:::-PETIÇÃO INICIAL - AUSÊNCIA DE ACOMPANHAMENTO DE DOCUMENTOS INDISPENSÁVEIS - INDEFERIMENTO DE PLANO - EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM JULGAMENTO DO MÉRITO -

IMPOSSIBILIDADE - OFENSA AO ART. 284 DO CPC

- Ofende o art. 284 do CPC a decisão que indefere de plano a petição inicial e extingue o processo, por estar a peça vestibular desacompanhada dos documentos indispensáveis à propositura da ação, sem conceder ao autor a oportunidade para correção da falha.

APELAÇÃO CÍVEL Nº 1.0522.03.003788-4/001 - Comarca de Porteirinha - Relator: Des. CLÁUDIO COSTA Ementa oficial: Viola o art. 284 do CPC a decisão

que extingue o processo, por deficiência da petição ini-cial, sem conceder ao autor a oportunidade para cor-reção da falha. Recurso provido. - Sentença reformada.

Acórdão

Vistos etc., acorda, em Turma, a Quinta Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, incorporando neste o relatório de fls., na conformidade da ata dos julgamentos e das notas taquigráficas, à una-nimidade de votos, EM DAR PROVIMENTO.

Belo Horizonte, 04 de março de 2004. -Cláudio Costa- Relator.

Notas taquigráficas

O Sr. Des. Cláudio Costa- Conheço do recurso voluntário, atendidos os requisitos de admissibilidade.

Ajuizada a medida dehabeas data, entendeu o Juízo sentenciante indeferir liminarmente a inicial, con-forme decisão de fl. 11-TJ, sem, entretanto, conferir à parte autora a oportunidade de emendar a inicial.

TJMG - Jurisprudência Cível No caso em exame, vê-se, pois, que foi extinto

o feito sem que se propiciasse à autora a emenda da inicial, nos termos do que dispõe o art. 284 do CPC.

Ora, a extinção do feito, sem julgamento do mérito, em função da ausência de documentos indis-pensáveis à propositura da ação deve, necessaria-mente, ser precedida na oportunidade para suprimen-to da falha, na forma do art. 284 do CPC, até mesmo em razão da função instrumental do processo.

Essa orientação, aliás, vem sendo consagra-da pelo STJ, verbis:

Não estando a inicial acompanhada dos documentos indispensáveis, deve o juiz determinar o suprimento, e não indeferir de plano a inicial (RSTJ, 100/197).

Ofende o art. 284 do CPC o acórdão que declara extinto o processo, por deficiência da petição inicial, sem dar ao autor oportunidade para suprir a falha (STJ - 1ª T., REsp 114.092-SP, Rel. Min. Humberto

Gomes de Barros, j. em 19.12.98, deram provimen-to, v.i., DJUde 4.5.98, p. 81).

Deve o juiz, obrigatoriamente, determinar seja emendada a inicial, no caso dos arts. 283 e 284;

somente se não for atendido é que poderá decretar a extinção do processo (RSTJ, 17/355).

À luz do exposto, dou provimento ao apelo para, reformando a sentença, determinar o retorno dos autos ao primeiro grau, abrindo-se ensejo para que a autora emende a inicial, com a juntada dos documen-tos necessários à instrução da contrafé, na forma do art. 284 do CPC.

Custas, ex lege.

O Sr. Des. José Francisco Bueno- De acordo.

O Sr. Des. Dorival Guimarães Pereira - De acordo.

Súmula- DERAM PROVIMENTO.

-:::-IPTU - PLANTA GENÉRICA DE VALORES - LEGALIDADE - TAXA DE SERVIÇOS URBANOS - NÃO-COMPROVAÇÃO DE ILEGALIDADE - PRESUNÇÃO DE VALIDADE DAS NORMAS JURÍDICAS - A Lei Federal nº 4.657/1942 - Lei de Introdução ao Código Civil -, em seu art. 2º, § 1º, determina que lei posterior revoga lei anterior no que lhe for contrária ou incompatível. Logo, se a legislação anterior concedia benefícios fiscais a determinada classe de contribuintes e esse estímulo foi revogado por lação posterior, o lançamento e a cobrança do referido tributo devem ser efetuados nos moldes da legis-lação vigente à época da ocorrência do fato gerador.

- A planta de valores constitui um recurso prático adotado pela Administração Pública para possibilitar a instituição e arrecadação do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Trata-se de um instrumento que, em nome do princípio da praticidade, utiliza-se de presunções para determinar o valor aproximado dos imóveis e zoneá-los segundo as suas semelhanças (por exemplo, características do terreno).

- O contribuinte que questiona a validade de legislação municipal deve proceder à juntada da cópia da lei cuja validade é questionada, já que cada legislação municipal trata de modo diferente a sua competência no que concerne às taxas de serviços públicos. É certo que os limites estabelecidos pela Constituição Federal e pelo Código Tributário devem ser respeitados, entretanto não há como se avaliar a validade ou invalidade jurídica de uma lei perante o ordenamento sem que se proceda à análise das prescrições normativas conti-das na legislação municipal.

APELAÇÃO CÍVEL Nº 1.0155.03.004589-4/001 - Comarca de Caxambu - Relatora: Des.ª MARIA ELZA Ementa oficial: Direito Tributário IPTU

-Planta genérica de valores - Legalidade - Taxa de serviços urbanos - Não-comprovação de ilegalidade - Presunção de validade das normas jurídicas. - A Lei Federal nº 4.657/1942 - Lei de Introdução ao Código Civil -, em seu art. 2º, § 1º, determina que lei poste-rior revoga lei anteposte-rior no que lhe for contrária ou incompatível. Logo, se a legislação anterior concedia benefícios fiscais a determinada classe de con-tribuintes e esse estímulo foi revogado por legislação posterior, o lançamento e a cobrança do

referido tributo devem ser mesmo efetuados nos moldes da legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador. A planta de valores constitui um instrumento de praticidade adotado pela Administração Pública com o escopo de possibilitar a instituição e arrecadação do Imposto Predial e Territorial Urbano. Trata-se de um instrumento que, em nome do princípio da praticidade, utiliza-se de presunções para determinar o valor aproximado dos imóveis e zoneá-los segundo as suas semelhanças (por exemplo, características do terreno). O contribuinte

que questiona a validade de legislação municipal deve proceder à juntada da cópia da lei cuja validade é ques-tionada, já que cada legislação municipal trata de modo diferente a sua competência no que concerne às taxas de serviços públicos. É certo que os limites estabeleci-dos pela Constituição da República Federativa do Brasil e pelo Código Tributário Nacional devem ser respeita-dos, no entanto não há como se avaliar a validade ou invalidade jurídica de uma lei perante o ordenamento sem que se proceda à analise das prescrições norma-tivas contidas na legislação municipal.

Acórdão

Vistos etc., acorda, em Turma, a Quinta Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, incorporando neste o relatório de fls., na conformidade da ata dos julgamentos e das notas taquigráficas, à unanimidade de votos, EM NEGAR PROVIMENTO.

Belo Horizonte, 12 de fevereiro de 2004. -Maria Elza- Relatora.

Notas taquigráficas

Proferiu sustentação oral, pelo apelante, a Dr.ª Maria Odette Ferrari Pregnolatto.

A Sr.ª Des.ª Maria Elza - Trata-se de ação anulatória de lançamentos tributários ajuizada por Edison Picolo em face do Município de Caxambu.

A sentença de fls. 128/135-TJ julgou total-mente improcedentes os embargos do devedor, siderando legal a legislação municipal no que con-cerne ao IPTU e às taxas de conservação de calçadas e de coleta de lixo.

Inconformado, o embargante apela para este Tribunal de Justiça (fls. 142/158-TJ). Aduz que a legislação municipal, no que diz respeito ao IPTU, seria irregular e inconstitucional. Alega que a Administração Pública municipal teria efetuado lançamentos tributários irregulares e sem critérios técnicos. Sustenta que as taxas de conservação de calçadas e coleta de lixo seriam ilegais. Requer o provimento do recurso de apelação.

Em contra-razões de apelação de fls.

163/167-TJ, o Município de Caxambu pede o não-provimento do recurso de apelação.

É o relatório.

Presentes os pressupostos intrínsecos e extrínsecos para a sua admissibilidade, conhece-se do recurso de apelação.

O recorrente sustenta que a legislação munici-pal, no que diz respeito ao IPTU, seria irregular e

inconstitucional. Diz que a Municipalidade teria cobra-do o refericobra-do tributo com respalcobra-do em legislação inconstitucional.

Inicialmente, o recorrente sustenta que a Lei Municipal nº 854/1986, que concede benefícios refe-rentes ao IPTU à rede hoteleira, não teria sido revo-gada pela Lei Municipal nº 947/1989. Aduz, por con-seguinte, que o IPTU deveria ser cobrado com respaldo na legislação municipal de 1986.

Como bem ressaltado pelo Magistrado a quo, não há nexo entre a irresignação do recorrente e seu pedido de anulação de lançamento tributário. Isto porque, como afirmado pelo apelante, os débitos tribu-tários já foram extintos pelo pagamento. Não há como se anularem lançamentos cujos débitos tributários inclusive já foram extintos pelo pagamento efetuado pelo contribuinte. Não há mais possibilidade jurídica de se desconstituir o lançamento.

Há, por conseguinte, impossibilidade jurídica do pedido de anulação de lançamento tributário.

No que diz respeito à inconformidade do apelante com a Lei Municipal nº 947/1989, também não resta razão ao recorrente.

A Lei Federal nº 4.657/1942 - Lei de Introdução ao Código Civil -, em seu art. 2º, § 1º, determina que lei posterior revoga lei anterior no que lhe for contrária ou incompatível. Logo, a Lei Municipal nº 947/1989 dispôs sobre as alíquotas do IPTU de forma diversa da Lei Municipal nº 854/1986, que lhe antecedera.

Logo, se a legislação anterior concedia benefícios fis-cais a determinada classe de contribuintes e esse estímulo foi revogado por legislação posterior, o lança-mento e a cobrança do referido tributo devem ser mesmo efetuados nos moldes da legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador.

No que concerne à Legislação Municipal nº 1.529/2000, o apelante sustenta que haveria mani-festa ofensa ao princípio da isonomia, porque a Municipalidade estaria tratando de forma diferencia-da os contribuintes, estabelecendo zoneamento dos bairros como requisito de comparação.

Sem qualquer razão o apelante.

A planta de valores constitui um instrumento de praticidade adotado pela Administração Pública com o escopo de possibilitar a instituição e arrecadação do Imposto Predial e Territorial Urbano.

Trata-se de um instrumento que, em nome do princí-pio da praticidade, utiliza-se de presunções para determinar o valor aproximado dos imóveis e zoneá-los segundo as suas semelhanças (por exemplo, características do terreno).

TJMG - Jurisprudência Cível Não há, in casu, ofensa ao princípio da

isono-mia. Ao contrário, a princípio, busca-se tratar igual-mente os iguais e desigualigual-mente os desiguais na medida de suas desigualdades.

Em semelhante sentido os ensinamentos da professora MISABEL DERZI:

Como é tarefa difícil para a Administração, em um tributo lançado de ofício, como é o caso do IPTU, avaliar a propriedade imobiliária de milhares de con-tribuintes, medidas de simplificação da execução da lei têm sido tomadas pelo Poder Executivo. Uma dessas medidas são as plantas ou tabelas de valo-res, que retratam o preço médio do terreno por região ou o preço do metro quadrado das edifi-cações, conforme padrão construtivo, portanto o valor presumido do bem (DERZI, Misabel de Abreu Machado. Notas ao Livro Direito Tributário Brasileiro, de Aliomar Baleeiro. 11. ed., Rio de Janeiro:

Forense, 2002, p. 249) (grifo nosso).

Destarte, não há fundamento legal que ampare a inconformidade do recorrente, assim como não foi demonstrada qualquer irregularidade no pro-cedimento utilizado pela Administração Pública.

Também não foi demonstrada qualquer irregulari-dade no que diz respeito à notificação do con-tribuinte. Ademais, sabe-se que a notificação do IPTU ocorre sempre no início do exercício fiscal, seja por edital, seja pela emissão de guias de pagamento.

As alegações do recorrente não têm qualquer com-provação ou fundamento jurídico.

Sustenta o recorrente que as taxas de conser-vação de calçadas e coleta de lixo seriam ilegais.

Não obstante as afirmações da recorrente, não foram juntadas aos autos as devidas cópias da legis-lação municipal para que se procedesse à análise e julgamento da pretensa ilegalidade da taxa de serviços urbanos. Apesar de o recorrente apoiar-se em jurisprudência dos Tribunais Superiores, cada legis-lação municipal trata de modo diferente a sua com-petência no que concerne às taxas de serviços públi-cos. Decerto que os limites estabelecidos pela

Constituição da República Federativa do Brasil e pelo Código Tributário Nacional devem ser respeitados, no entanto não há como se avaliar a validade ou invali-dade jurídica de uma lei perante o ordenamento sem que se proceda à analise das prescrições normativas contidas na legislação municipal.

Destarte, não tendo sido comprovada qual-quer ilegalidade ou inconstitucionalidade das normas municipais contestadas pelo apelante e diante da presunção de validade das normas no ordenamento jurídico, é de se manter o entendimento da decisão de primeira instância.

Diante de tais considerações, com respaldo no artigo 138 do Código Tributário Nacional, no princípio da obrigatoriedade da fundamentação dos atos jurisdicionais (art. 93, inciso IX, da Constituição Brasileira), e no princípio do livre convencimento moti-vado (art. 131 do Código de Processo Civil), nega-se provimento à apelação.

Custas recursais pelo apelante.

O Sr. Des. Cláudio Costa- Peço vista dos autos.

Súmula - APÓS SUSTENTAÇÃO ORAL, VOTOU A RELATORA, NEGANDO PROVIMENTO, TENDO O REVISOR PEDIDO VISTA.

Notas taquigráficas

Assistiu ao julgamento, pelo apelante, a Dr.ª Maria Odette Ferrari Pregnolatto.

O Sr. Presidente (Des. José Francisco Bueno) - O julgamento deste feito foi adiado na sessão do dia 05.02.2004, a pedido do Revisor, após sustentação oral e de votar a Relatora negando provimento.

O Sr. Des. Cláudio Costa- No caso concreto, acompanho o voto da eminente Relatora, in totum.

O Sr. Des. José Francisco Bueno- De acordo.

Súmula- NEGARAM PROVIMENTO.

:::VENCIMENTOS SERVIDOR PÚBLICO MUNICIPAL CARGO EM COMISSÃO CONTRAPRESTAÇÃO -NÃO-PAGAMENTO - MUNICÍPIO - ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA - VEDAÇÃO - ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA - OBEDIÊNCIA AOS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E DA MORALIDADE - REMUNERAÇÃO DEVIDA AÇÃO DE COBRANÇA EXPREFEITO DENUNCIAÇÃO DA LIDE INADMISSIBILIDADE

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