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2.3 ELEMENTOS FUNDAMENTAIS DO TRIBUTO

2.4.2 Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza

De acordo com o CTN/67, em seu Art. 43, o Imposto sobre a Renda tem como aspecto material do fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica

ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza. Renda é o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, enquanto proventos são os acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda. “Valores recebidos como reparação do patrimônio (indenizações), não sofrem incidência desse imposto”. (Fernandes et al., p.113).

Segundo Teixeira (2002), “o imposto incide, em regra, sobre o rendimento mensal auferido pela pessoa física. Diz-se em regra porque algumas deduções são ainda admitidas, tais como pensões alimentícias e encargos por dependentes”.

Considerado um tributo direto, pois no cumprimento do seu dever de pagar, o contribuinte suporta economicamente o ônus do tributo, sendo, também o contribuinte de fato, o IRPF é cobrado pelo governo, mediante aplicação de uma porcentagem (alíquota), sobre a renda anual do contribuinte. De acordo com a CF/88, em seu Art. 153, Inciso III, é de competência da União estabelecer o imposto sobre rendas e proventos de qualquer natureza.

O Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza divide-se em três modalidades: Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), e o Imposto de Renda das Pessoas Físicas (IRPF), que é objeto desta pesquisa. Está regulamentado pelo Decreto 3.000/99 (RIR), que trata da tributação, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza, e segue a regra do exercício seguinte, respeitando o princípio da anterioridade, ou seja, a lei que institua ou majore o Imposto sobre a Renda entra em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual foi publicada.

A CF/88, em seu art. 153, § 2º, I, determina que o Imposto de Renda e Proventos de Qualquer Natureza será informado pelos critérios da generalidade, da universalidade, e da progressividade, na forma da lei. Segundo o princípio de generalidade todos aqueles que obtenham renda devem ser tributados, respeitando-se os contribuintes isentos e os limites de isenção, previsto em lei. De acordo com Fernandes (2006), o princípio da universalidade diz que todos os tipos de renda, independentemente de suas fontes, origens (do Brasil ou do exterior) ou natureza, devem estar submetidos ao IR. Já o princípio da progressividade determina que as alíquotas devem ser tanto maiores quanto

maior for a base de cálculo (renda) passível de tributação, de acordo com a capacidade contributiva do contribuinte.

De acordo como o artigo 83 do RIR, a base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas:

I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva;

II - das deduções relativas ao somatório dos valores de que tratam os arts. 74, 75, 78 a 81, e 82, e da quantia de R$ 1.800,00 por dependente.

Para as pessoas físicas, a base de cálculo são os rendimentos auferidos no mês ou no ano calendário. Alguns tipos de despesas são possíveis de serem abatidos, como os gastos com saúde, e despesas com educação, até um certo limite de valor. No passado, eram permitidos generosos descontos, mas, ano após ano, a legislação se tornou menos permissiva e hoje só é possível um pequeno desconto relativo a esses gastos, e o contribuinte terá as suas informações de despesas com saúde, por exemplo, confrontadas com a Declaração de Serviços Médicos (DMED), instituída pela RFB, através da Instrução Normativa nº 985, de 22 de dezembro de 2009, cujo mecanismo será abordado com maior ênfase no terceiro capítulo deste trabalho.

As alíquotas utilizadas dependem da renda tributável auferida pelo contribuinte. Até um determinado valor de base de cálculo anual, o contribuinte pessoa física é As isento, o que equivale a R$ 17.215,08 (dezessete mil duzentos e quinze reais e oito centavos). Para o exercício 2010, ano calendário 2009, ou seja, a isenção nesse período se aplica para quem apurou base de cálculo mensal de até R$ 1.434,59 (um mil quatrocentos e trinta e quatro reais, e cinqüenta e nove centavos). A partir daí, e de forma crescente, incide imposto às alíquotas de 7,5 , 15%, 22,5% e de 27,5% sobre a parcela da renda que exceder determinados limites, conforme tabela abaixo:

Tabela 1 - Tabela Progressiva para o cálculo mensal do Imposto de Renda de Pessoa Física para o exercício de 2010, ano-calendário de 2009.

Base de cálculo mensal em

R$ (Ano Calendário 2009) Alíquota %

Parcela a deduzir do imposto em R$ Até 1.434,59 - - De 1.434,60 até 2.150,00 7,5 107,59 De 2.150,01 até 2.866,70 15,0 268,84 De 2.866,71 até 3.582,00 22,5 483,84 Acima de 3.582,00 27,5 662,94

Fonte: Receita Federal do Brasil (2009)

Tabela 2 - Tabela Progressiva para o cálculo anual do Imposto de Renda de Pessoa Física para o exercício de 2010, ano-calendário de 2009.

Base de cálculo anual em R$ Alíquota % Parcela a deduzir do imposto em R$ Até 17.215,08 - - De 17.215,09 até 25.800,00 7,5 1.291,13 De 25.800,01 até 34.400,40 15,0 3.226,13 De 34.400,41 até 42.984,00 22,5 5.806,16 Acima de 42.984,00 27,5 7.955,36

Fonte: Receita Federal do Brasil (2009)

Na prática o contribuinte recolhe o imposto durante o ano sobre seus diversos rendimentos, e até o dia 30 de abril do ano subsequente, preencherá a Declaração do Imposto de Renda de Pessoa Física (DIRPF), com as informações de recebimentos de rendas e proventos de qualquer natureza, além de despesas consideradas dedutíveis durante o ano calendário anterior. Confrontado o que já recolheu e o que seria de fato devido, e aplicadas as deduções, o contribuinte poderá ter saldo de imposto a pagar ou receber restituição do saldo pago a maior durante o ano-calendário em relação ao valor devido apurado na declaração de ajuste anual, ou ainda, não ter saldo nem a pagar e nem a restituir.

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