XII DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E ANEXOS
NOTA INTRODUTÓRIA
10. IMPOSTO SOBRE O RENDIMENTO
A Brisa e as suas participadas sedeadas em Portugal encontram-se sujeitas a IRC, à taxa normal de 25%, que pode ser incrementada pela derrama até à taxa máxima de 1,5% do lucro tributável.
Adicionalmente, a taxa nominal de imposto poderá variar entre 26,5% e 31,5%, dependendo do valor de lu- cro tributável (“LT”) apurado, sobre o qual incidirá derrama estadual às seguintes taxas:
- Derrama estadual: 3% sobre o LT se 1,5M€ < LT <= 7,5M€ ou 5% sobre o LT se LT > 7,5M€
2013 2012
Ganhos em empresas associadas:
AEBT - Auto-Estradas do Baixo Tejo, S.A. ("AEBT") 2 274 580 Transport Infrastructure Investment Company SCA ("SICAR") 1 804 1 215 SICIT - Sociedade Investimento e Consultoria em Infra-
estruturas de Transportes, S.A. ("SICIT") 250 116 Movenience, B.V. ("Movenience") 111 113 Controlauto Açores, Lda. ("Controlauto Açores") 85 172
Mobility, B.V. ("Mobility") 68 -
Geira, S.A. ("Geira") - 7
Street Park - Gestão de Estacionamentos - ACE ("Street Park") - 2 Transport Infrastructure S. à r.l. ("Transport") - 313
4 592 2 518
Perdas em empresas associadas:
Feedback Brisa Highways OMT PVT LTD ("FBH OMT") ( 125) ( 134)
Geira, S.A. ("Geira") ( 73) -
Transport Infrastructure Investment S. à r.l. ("TIIC") ( 2) ( 1)
Asterion A.C.E. ("Asterion") - ( 60)
Mobility, B.V. ("Mobility") - ( 326)
( 200) ( 521)
Outros resultados em investimentos:
Outros (a) 4 900 ( 3 347)
Perdas por imparidade (Notas 16 e 28) ( 13 843) -
XII - DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E ANEXOS CONSOLIDADOS
136 Relatório & Contas 2013
Com a Lei n.º 2/2014, de 16 de Janeiro, que veio aprovar a Reforma do IRC, a taxa de IRC desceu para 23% para o exercício iniciado em 1 de Janeiro de 2014, sendo que a derrama estadual passa a incidir sobre o valor de lucro tributável apurado, de acordo com os seguintes escalões:
- Derrama estadual: 3% sobre o LT se 1,5M€ < LT <= 7,5M€; 5% sobre o LT se 7,5M€ < LT <= 35M€; e 7% sobre o LT > 35M€
A Empresa é tributada em sede de IRC ao abrigo do Regime Especial de Tributação dos Grupos de Socie- dades (“RETGS”) em conjunto com as subsidiárias Brisa Engenharia e Gestão, S.A., Brisa Serviços Viários, SGPS, S.A., Brisa O&M, S.A., Brisa Inovação e Tecnologia, S.A., Brisa – Concessão Rodoviária, S.A., Brisa Internacional, SGPS, S.A., Via Oeste, SGPS, S.A., Brisa – Concessão Rodoviária, SGPS, S.A., Brisa Infra- estruturas, SGPS, S.A., Brisa Participações, SGPS, S.A., Mcall, S.A. e Tecnoholding II, Investimentos Tec- nológicos, S.A..
Este regime consiste na soma algébrica dos resultados tributáveis de todas as empresas incluídas no perí- metro de tributação, deduzidos dos dividendos distribuídos, aos quais será aplicável a taxa de IRC, acresci- da da respectiva Derrama.
De acordo com a legislação em vigor em Portugal, as declarações fiscais estão sujeitas a revisão e correc- ção por parte das autoridades fiscais durante um período de quatro anos (cinco anos para a Segurança So- cial), excepto quando tenha havido prejuízos fiscais, tenham sido concedidos benefícios fiscais, ou estejam em curso inspecções, reclamações ou impugnações, casos estes em que, dependendo das circunstâncias, os prazos são alargados ou suspensos. Assim, as declarações fiscais da Empresa dos anos de 2010 (já inspeccionado) a 2013 ainda poderão estar sujeitas a revisão.
O Conselho de Administração entende que eventuais correcções resultantes de revisões/inspecções fiscais àquelas declarações de impostos não terão um efeito significativo nas demonstrações financeiras em 31 de Dezembro de 2013.
O prazo de dedução dos prejuízos fiscais reportáveis (“PFR”) apurados em períodos de tributação iniciados em ou após 1 de Janeiro de 2012 é de cinco períodos de tributação (este prazo é de quatro anos para os PFR apurados nos períodos de tributação de 2010 e 2011 e de seis anos para os períodos de tributação anteriores).
Adicionalmente, a dedução dos PFR encontra-se limitada a 75% do lucro tributável, sendo esta regra apli- cável às deduções efectuadas nos períodos de tributação iniciados em ou após 1 de Janeiro de 2012, inde- pendentemente dos períodos de tributação em que tenham sido apurados.
Com a Reforma do IRC, os PFR apurados nos períodos de tributação que se iniciem em ou após 1 de Ja- neiro de 2014 são deduzidos aos lucros tributáveis dos doze períodos de tributação seguintes. A dedução a efectuar em cada um dos períodos de tributação passa a estar limitada a 70% do respectivo lucro tributável. No exercício findo em 31 de Dezembro de 2013, estas alterações apenas tiveram impacto ao nível dos im- postos diferidos, considerando que a taxa a ser utilizada para a sua mensuração depende da taxa de im- posto a aplicar sobre o lucro tributável à data da sua reversão.
No âmbito das inspecções regulares desenvolvidas pela Autoridade Tributária e Aduaneira (“AT”), têm sido solicitadas correcções à matéria colectável e ao imposto, em particular no que respeita à actividade desen- volvida no âmbito do contrato de concessão. O Conselho de Administração, com base em pareceres técni- cos de consultores externos, entende que existem correcções sem provimento. Neste contexto, o Conselho de Administração tem utilizado os diversos instrumentos à sua disposição para defender as suas posições, continuando convicto da bondade dos seus argumentos e num desfecho favorável de todos os diferendos existentes com a AT.
XII - DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E ANEXOS CONSOLIDADOS
Relatório & Contas 2013 137
No exercício findo em 31 de Dezembro de 2013 foi recepcionado pela Brisa o Relatório de Inspecção Tribu- tária relativo ao exercício de 2010, no qual, à semelhança do expresso nos Relatórios de Inspecção Tributá- ria relativos aos exercícios de 2007 a 2009, a AT conclui quanto ao inadequado enquadramento legal e fis- cal da operação de titularização de créditos futuros no montante de 400 000 milhares de Euros, realizada em 19 de Dezembro de 2007, considerando não ser a mesma enquadrável no regime jurídico da titulariza- ção de créditos, estabelecido no Decreto-Lei nº 453/99, de 5 de Novembro, alterado pelo Decreto-Lei nº 82/02 de 5 de Abril, e como tal não aplicável o regime fiscal previsto no Decreto-Lei nº 219/2001, de 4 de Agosto, ambos alterados pelo Decreto-Lei 303/2003 de 5 de Dezembro.
Em face do exposto, a AT considera que:
• O valor de 400 000 milhares Euros recebido originalmente pela Brisa no âmbito da referida ope- ração foi indevidamente acrescido ao lucro tributável de 2007;
• Os proveitos correspondentes às prestações de serviços das quais derivam os créditos futuros cedidos são imputáveis, fiscal e contabilisticamente aos períodos de tributação em que venham a ser gerados;
• Foi deduzido indevidamente à colecta de 2007 um montante de, aproximadamente 100 000 mi- lhares de Euros, relativo ao benefício fiscal enquadrável no Decreto-Lei nº 287/99, passível de ser utilizado até esse mesmo exercício;
• No apuramento dos lucros tributáveis dos exercícios de 2008 a 2010 (já inspeccionados) foram incorrectamente deduzidos montantes de 80 000 milhares de Euros no apuramento do lucro tri- butável de cada um dos exercícios.
Igual entendimento foi seguido no Relatório de Inspecção Tributária referente ao exercício de 2011 da BCR, igualmente recebido no exercício findo em 31 de Dezembro de 2013.
De referir que no exercício findo em 31 de Dezembro de 2012, ainda não inspeccionado, foram igualmente deduzidos 80 000 milhares de Euros referentes à operação de titularização de crédito na esfera da BCR. É entendimento do Conselho de Administração da Brisa, suportado no parecer dos seus consultores e peri- tos jurídicos, contabilistas e fiscais, que o tratamento considerado para a referida operação se encontra adequadamente enquadrado do ponto de vista legal e, consequentemente, contabilístico e fiscal. Sendo assim, o Conselho de Administração da Brisa considera que as correcções propostas e constantes dos Re- latórios de Inspecção Tributária referentes aos períodos de tributação de 2007 a 2011 não têm qualquer provimento, tendo tal sido expresso em sede de Impugnação Judicial (para os períodos de tributação de 2007 e 2008) e de Reclamação Graciosa (para o período de tributação de 2009). A Brisa utilizará todos os instrumentos de defesa que tem à sua disposição, como contribuinte, para fazer valer categoricamente o tratamento dado a esta operação sob todas as suas perspectivas. Face ao exposto, em 31 de Dezembro de 2013 não se encontra constituída qualquer provisão para o efeito.
Os impostos sobre o rendimento reconhecidos nos exercícios findos em 31 de Dezembro de 2013 e 2012, eram como segue:
A reconciliação do resultado com o imposto do exercício, era como segue:
2013 2012
Imposto corrente 20 932 8 893
Impostos diferidos (Nota 18) 46 21 017
Imposto sobre resultados de exercícios anteriores ( 754) ( 1 772) 20 224 28 138
XII - DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E ANEXOS CONSOLIDADOS
138 Relatório & Contas 2013
2013 2012 Resultado líquido do exercício 57 500 46 403 Variações patrimoniais positivas 20 20 Variações patrimoniais negativas ( 1 148) ( 1 148) Proveitos não tributáveis:
Mais valias contabilísticas ( 119) - Instrumentos financeiros derivados ( 2 718) ( 3 083) Reversão e utilização de provisões (Nota 29) ( 35 419) ( 34 632) Reversão e utilização de perdas de imparidade ( 496) ( 1 196) Equivalência patrimonial (Nota 9) ( 4 592) ( 2 518) Fundo de pensões ( 295) - Diferenças entre amortizações contabilísticas e fiscais ( 19 854) ( 20 433) Titularização de créditos - ( 80 000) Imposto sobre o rendimento ( 3 102) - Imposto sobre resultados de exercícios anteriores ( 933) ( 1 772) Imposto diferido ( 8 383) - Outros ( 697) ( 1 258) ( 76 608) ( 144 892) Custos não dedutíveis para efeitos fiscais:
Diferenças entre amortizações económicas e fiscais 61 3 947 Amortização não dedutíveis 6 359 21 273 Menos valias contabilísticas 295 - Constituição de provisões (Nota 29) 29 617 38 557 Registo de perdas de imparidade 18 644 2 687 Instrumentos financeiros derivados - 1 814 Equivalência patrimonial (Nota 9) 200 521 Fundo de pensões 939 1 030 Imposto sobre o rendimento 23 660 8 893 Imposto sobre resultados de exercícios anteriores 179 - Imposto diferido 8 429 21 017 Outros 423 1 487 88 806 101 226 Diferenças entre individual e consolidado:
Diferenças entre proveitos individuais e consolidados 1 242 1 532 Diferenças entre custos individuais e consolidados ( 6 660) ( 10 303) ( 5 418) ( 8 771) Lucro tributável 63 152 ( 7 182) Taxa de imposto sobre o rendimento em Portugal 25,0% 25,0% Imposto calculado 15 788 ( 1 795) Efeito da existência de taxas de imposto diferentes ( 4 419) ( 4 860) Benefícios fiscais ( 557) - Tributação autónoma 392 567 Utilização de prejuízos fiscais reportáveis ( 8 268) ( 2 973) Constituição de perdas fiscais reportáveis para exercícios futuros 12 708 14 239 Perdas fiscais não realizáveis - 12 Derrama 1 479 1 128 Derrama estadual 3 809 2 575 Imposto sobre resultados de exercícios anteriores ( 754) ( 1 772) Efeito da constituição/ reversão de impostos diferidos (Nota 18) 46 21 017 Imposto sobre o rendimento 20 224 28 138
XII - DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E ANEXOS CONSOLIDADOS
Relatório & Contas 2013 139