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2.3 Legislação Tributária

2.3.1 Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza – ISS

O Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS ou ISSQN), conforme já apresentado anteriormente, é um imposto de competência dos Municípios e do Distrito Federal definido pela Lei Complementar nº 116, de 31 de julho de 2003 (Anexo D), “incidente sobre serviços de qualquer natureza” (OLIVEIRA; 2013; p.

164). Oliveira et al. (2015; p. 119) explicam que o tributo incide sobre os serviços

prestados pelas pessoas jurídicas ou pelos profissionais autônomos, porém o fato gerador não pode ser de competência tributária do Estado ou da União. Um exemplo desta situação são os serviços de telecomunicação, que conforme citado na seção anterior, são de competência do Estado e já são tributados por este. Os arts. 1 e 2 da referida lei complementar dispõem a incidência do ISS de forma bastante específica.

Conforme explicado por Oliveira (2013), os serviços que estão previstos na relação constante da Lei Complementar nº 116 “ficam sujeitos apenas a este imposto, ainda que sua prestação envolva o fornecimento de mercadorias”

(OLIVEIRA, 2013, p. 164). Ainda de acordo com o autor, “o fornecimento de mercadorias com prestação de serviços não especificados na lista de serviços fica sujeito ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS)” (OLIVEIRA, 2013, p. 164). Em outras palavras, Rezende et al. explicam que “o ISS e o ICMS não podem incidir sobre a mesma operação” (REZENDE et al. 2010, p. 88).

Oliveira et al. explicam ainda que o imposto é devido no município onde o serviço é prestado, salvo exceções previstas na Lei Complementar nº 116/2003:

O imposto é devido para o município do estabelecimento do prestador do serviço, ou, na falta de estabelecimento, o local do domicílio do prestador. No caso de construção civil, o tributo é devido para o município onde se localizar a obra que está sendo executada.

Portanto, qualquer prestadora de serviços, com exceção das empresas que prestam serviços na construção civil, deve fazer o recolhimento do imposto no município-sede da empresa. (OLIVEIRA et al.; 2015; p. 121)

Os autores acima apresentam uma visão bastante resumida. Rezende et al. apresentam uma visão ligeiramente diferente com relação às exceções, conforme segue:

A Lei Complementar 116/03 estabeleceu que o local da prestação de serviços (e, portanto, o Município a quem é devido o imposto) é o do estabelecimento prestador dos serviços ou, na sua falta, o local de domicílio do prestador de serviços.

No entanto, para alguns serviços a Lei Complementar nº 116/03 determina que o ISS deve ser pago em favor do Município onde o serviço foi prestado ou está localizado o tomador, conforme o caso, entre os quais se destacam:

- Importação de serviços;

- Alguns serviços ligados à construção civil, cessão de mão de obra e empreitada;

- Serviços de limpeza, decoração e jardinagem;

- Vigilância e segurança. (REZENDE et al. 2010, p. 87)

De todo modo, o art. 3 da Lei Complementar nº 116/03 define a regra geral explicada acima conforme segue, listando suas exceções nos incisos do artigo. Sobre o fato gerador, o ISS, conforme disposto na Lei Complementar nº 116, “tem como fato gerador a prestação de serviços constantes da lista anexa, ainda que esses não se constituam como atividade preponderante do prestador” (BRASIL, Lei Complementar nº 116, 31 de julho de 2003). Apesar do texto acima estar presente na Lei Complementar do ISS, Oliveira et al. fazem a seguinte observação:

O fato gerador da obrigação tributária, no caso do ISS, é aquele previsto na lei do município correspondente ao local onde está localizado o estabelecimento do prestador e se for o caso ela determina onde o imposto é indevido.

Esse fato gerador não é estabelecido pela Constituição, tampouco pela lei complementar. A Constituição apenas delimita o âmbito de incidência dentro do qual pode atuar o legislador municipal, enquanto que a lei complementar estabelece normas gerais a respeito. (OLIVEIRA et al.; 2015; p. 121)

No mesmo sentido, Rezende et al., (2010, p. 88) afirmam que o fato gerador “é o descrito em lei ordinária do Município, obedecidas as regras determinadas na Lei Complementar nº 113/03 e pela Constituição Federal”. O Decreto nº 25.508 do Distrito Federal, de 19 de janeiro de 2005 (Anexo E), define o fato gerador em seu art. 1.

Com relação ao contribuinte, Rezende et al. (2010, p. 88) resumem como “a empresa ou o trabalhador que presta o serviço tributável”, enquanto Oliveira et al.

apresentam uma visão um pouco mais detalhada:

São contribuintes desse imposto a empresa ou o trabalhador autônomo que presta serviços tributáveis, ao passo que não são contribuintes os que prestam serviços em relação de emprego, os trabalhadores avulsos, os diretores e os membros de conselhos consultivos. (OLIVEIRA et al.; 2015;

p. 119)

Há ainda uma aplicação do conceito de contribuinte responsável apresentado na seção anterior:

A Lei Complementar Federal nº 116/2003 atribuiu responsabilidade tributária integral aos tomadores de serviços, elegendo-os como responsáveis

tributários quando sem necessariamente revestir a condição de contribuinte a lei atribuir o dever de liquidar o crédito tributário.

A figura do responsável, sujeito passivo [...] obrigado a cumprir o pagamento do tributo em nome do contribuinte, também existe no ISS, porque a legislação municipal pode eleger a pessoa responsável pelo pagamento do imposto. (OLIVEIRA et al.; 2015; p. 121)

No caso do Distrito federal, por exemplo, a situação acima é definida pelos arts.

8 e 9 do Decreto nº 25.508 (substituição tributária), e a Portaria nº 57, de 26 de abril de 2012 possui uma listagem de todos os contribuintes tratados como substitutos tributários.

Com relação ao valor da obrigação principal, a base de cálculo é definida por Oliveira et al. conforme segue:

A base de cálculo é o preço do serviço. Considera-se preço do serviço a receita bruta a ele correspondente, sem nenhuma dedução, executados os descontos ou abatimentos concedidos independentemente de qualquer condição.

No caso de obras civis, alguns municípios admitem deduzir do preço dos serviços o valor:

- Dos materiais adquiridos de terceiros e aplicados na obra;

- Das faturas de subempreitadas, já tributadas anteriormente pelo ISS. (OLIVEIRA et al.; 2015; p. 122)

Conforme explicam Rezende et al., o imposto é de natureza cumulativa, e por isso não há dedução de valores já recolhidos:

O ISS é um imposto cumulativo, ou seja, o ISS cobrado em operações anteriores não é compensado nas operações posteriores.

Por exemplo, se um hotel contrata uma lavanderia para lavar toda a roupa de cama, mesa e banho, sobre o valor dos serviços prestados pela lavanderia ao hotel incide o ISS, o qual é embutido no preço. O hotel, por sua vez, ao prestar serviços de hospedagem aos seus clientes, também terá que pagar ISS, sem direito à compensação do ISS pago no preço dos serviços de lavanderia que comprou.

(REZENDE et al. 2010, p. 89)

Conforme explica Oliveira (2013), as alíquotas do imposto, por sua vez, são definidas por cada município e variam até 5% da base de cálculo. Rezende et al. apresentam novamente uma visão mais detalhada:

A Constituição Federal estabelece uma alíquota mínima de 2% e a Lei Complementar nº 116/03 determina uma alíquota máxima de 5%.

Para alguns serviços, os Municípios têm a faculdade de reduzir a alíquota mínima. (REZENDE et al. 2010, p. 88)

Em resumo, a regra geral é de que a alíquota do ISS é definida para cada serviço a cargo do município variando entre 2% e 5%, com algumas exceções onde a alíquota pode ser reduzida.

As questões apresentadas nesta seção são, conforme definição de lei complementar apresentada na seção anterior, normas gerais do ISS dispostas principalmente pela Lei Complementar nº 116/2003, que deixa para os Municípios a autonomia de definir diversos pontos, inclusive a forma de apuração do imposto e as obrigações acessórias, que no caso do Distrito Federal estão descritas principalmente nos arts. 73 e 74 do Decreto Distrital nº 25.508, de 19 de janeiro de 2005. Em suma, os mais de 5 mil Municípios brasileiros, de acordo com o último censo do IBGE (2010), têm autonomia para definir alíquotas diferentes para cada tipo de serviço, substituição tributária a até a forma de apuração do imposto (obrigação acessória), o que faz com que o conhecimento da norma seja uma verdadeira especialidade, e portanto, uma das disfunções apontadas na Figura 1.

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