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IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES NAS COMPRAS E NAS VENDAS

6 OPERAÇÕES COM MERCADORIAS

6.4 IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES NAS COMPRAS E NAS VENDAS

As empresas tributadas pelo lucro real calculam seu IR e CSLL com base no seu resultado, ou seja, com base no lucro ou prejuízo. As alíquotas dos impostos variam de acordo com o ramo de atividade da empresa, com o tipo de mercadoria vendida, entre outras condicionantes. Para utilizar a alíquota correta é necessária grande atenção a legislação vigente e pertinente a cada caso (PEREIRA, 2014).

Montoto cita que:

O IPI e ICMS são impostos, enquanto o PIS e COFINS são contribuições que fazem parte das transações de compra e venda. Em muitas situações, os valores inerentes às operações de compra são créditos tributários, isto é, direitos contabilizados no Ativo, e em outras situações são custos de mercadorias, produtos fabricados ou, ainda, serviços prestados (MONTOTO, 2015, p. 400).

Os impostos e contribuições podem ser créditos nas compras e geram obrigações no momento da venda, em função de alguns aspectos: incorporação ou não ao preço de um produto, ser cumulativo ou não cumulativo, natureza das operações (MONTOTO, 2015).

Os impostos pagos sobre material de consumo, por exemplo, não podem ser creditados, pois esse crédito só se refere a impostos referente itens utilizados diretamente na produção ou venda de produtos (PEREIRA, 2014).

Deve ser incluído na base de cálculo, de acordo com Araújo e Santa'Ana (2016):

 seguro, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas;  descontos incondicionais;

 frete da mercadoria realizado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem;

 valores cobrados para montagem ou instalação de produtos quando o procedimento for realizado pelo próprio vendedor;

 reajustes no valor das mercadorias;

 em relação ao ICMS inclui-se o IPI, isso se o produto não for destinado à posterior industrialização ou comercialização. Pois o IPI faz parte da base de cálculo do ICMS, sendo assim, para que o IPI seja excluído da base de cálculo do ICMS é necessário que o adquirente destine a mercadoria com fim de comercialização ou posterior industrialização;

A incorporação ao preço das mercadorias ou produtos não inclui o IPI, ou seja, nos preços, mesmo no caso de indústria, nunca está incluso o IPI. Estarão sempre incluídos o ICMS ou ISS, o PIS e o COFINS. Por esse motivo se diz que o ICMS, o ISS, o PIS e o COFINS são impostos e contribuições por dentro e o IPI um imposto por fora (MONTOTO, 2015).

Apresentamos abaixo as principais regras tributárias para determinar se haverá crédito nas compras e das obrigações fiscais geradas pelas vendas:

QUADRO 08 - PRINCIPAIS REGRAS TRIBUTÁRIAS Regra 1

Consumo

Em operações de aquisição para consumo, nunca é possível crédito de nenhum tipo de imposto ou contribuição.

Regra 2

ICMS (revenda)

Em operações para revenda, o ICMS é sempre calculado na empresa que compra, para efeito de crédito sobre o preço.

Regra 3

IPI (manufatura)

Só existe crédito do IPI no caso de uma indústria adquirir de outra indústria, para utilizar o item comprado como matéria-prima no processo produtivo.

Regra 4

PIS e COFINS na venda

O PIS e COFINS na empresa vendedora são sempre calculadas sobre o preço.

Regra 5

Impostos e contribuições na aquisição para Ativo fixo (para uso)

Na aquisição de uso (Ativo fixo), o crédito de ICMS, PIS e COFINS é diferido em 48 meses e calculado sobre o valor com o IPI quando a aquisição é feita por uma empresa industrial ou de serviços. Se a aquisição for feita por uma empresa comercial, o direito a crédito só se aplica ao ICMS, também diferido em 48 meses.

Regra 6

Crédito de PIS e COFINS em operações de revenda a empresa comercial

Na aquisição por uma empresa comercial de uma indústria, os créditos de PIS e COFINS são calculados sobre o valor com o IPI.

Fonte: Montoto (2015, p. 404)

Impostos recuperáveis não incidem sobre a receita da empresa, não são gerados em decorrência da realização de receita, não são considerados despesas e não devem ser deduzidos da receita bruta (CREPALDI; CREPALDI, 2014).

Além do ICMS, o PIS, o COFINS e o IPI podem ter o mesmo tipo de tratamento, dependendo do tipo da empresa que vende ou compra e também do tipo de operação. Impostos, contribuições e taxas cumulativas são aquelas que representam custos ou despesas, como é o caso do IPTU, IPVA, IOF, ITBI entre outros. Se forem gerados na produção de produtos ou serviços serão incorporados

ao custo desses produtos ou serviços, caso contrário, serão considerados como despesas operacionais (MONTOTO, 2015).

Um imposto ou contribuição é considerado não cumulativo quando compensamos o que pagamos na entrada de mercadorias (tributos a recuperar) com os valores que recebemos do cliente na venda (impostos sobre venda). Desta forma, a contabilização quando temos um valor de imposto a recuperar é feita na conta de Impostos a recuperar, no ativo circulante, o que representa um direito de compensar um valor já pago e que por isso não precisa ser pago novamente. No momento da venda é realizada contabilização de acerto, que pode gerar um resultado a ser recolhido ou um valor a crédito que utilizará no período de apuração seguinte (PEREIRA, 2014).

6.4.1 ICMS e IPI

O Imposto sobre circulação de mercadorias e prestação de serviços de transporte e comunicação (ICMS) é um imposto estadual, que tem incidência interestadual e intermunicipal (ficando o transporte intramunicipal a cargo dos municípios - ISS) (ARAÚJO; SANT`ANA, 2016).

O imposto sobre operações com produtos industrializados (IPI) é um imposto federal, e incide sobre produtos industrializados nacionais e estrangeiros, efetuados por indústrias ou equiparado a indústria. Considera-se industrializado o produto submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou finalidade, ou o aperfeiçoe para o posterior consumo (ANDRADE; LINS; BORGES, 2015).

São impostos não cumulativos, isso quer dizer que quando adquirimos uma mercadoria com a incidência desses impostos nos creditamos do valor pago, e quando vendemos esses produtos, nos debitamos dos impostos sobre a venda. O cálculo desse valor a recolher é calculado confrontando o valor que temos a credito com o valor que temos a débito, subtraindo um do outro para chegar ao valor final do imposto em determinado período de aquisição que está sendo apurado. Esse valor pode ser a pagar, ou em casos quando o saldo credor for maior que o devedor, a empresa poderá utilizar esse saldo no próximo período de apuração (PEREIRA, 2014).

O IPI e ICMS pagos na aquisição de mercadorias e materiais representam, de acordo com a legislação pertinente, créditos da empresa junto ao governo e

serão compensados com os mesmos impostos que serão devidos pela venda das mercadorias ou produtos. Desta forma, o valor dos impostos recuperáveis pagos na aquisição não devem compor o custo de aquisição que será incorporado ao estoque, mas registrado em conta específica de ativo, que representa o direito da empresa junto ao governo. Contas como: IPI a Recuperar e ICMS a Recuperar (CREPALDI; CREPALDI, 2014).

Para creditar-se do ICMS, é necessário que este esteja destacado em documento fiscal hábil (que atenda a todas as exigências da legislação pertinente) emitido por contribuinte em situação regular perante o Fisco (que esteja inscrito na repartição competente, se encontre em atividade no local indicado e possibilite a comprovação dos demais dados cadastrais impressos no documento fiscal) (FABRETTI, 2015, P. 168).

O IPI e o ICMS incidentes sobre as vendas devem ser deduzidos da receita bruta no momento do cálculo da receita líquida de vendas. Quando o IPI estiver destacado na nota fiscal, e cobrado do cliente, é contabilizado diretamente no passivo circulante, em IPI a pagar. Entretanto, existem empresas que contabilizam o IPI destacado e também o ICMS cobrado por substituição tributária, em contas de resultado (CREPALDI; CREPALDI, 2014).

6.4.2 PIS e COFINS

A contribuição para o financiamento da seguridade social - COFINS , e o Programa de Integração Social (PIS), tem como contribuintes as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhe são equiparadas pela legislação do IR, inclusive prestadoras de serviços, empresas públicas, sociedades de economia mista e suas subsidiárias. As empresas optantes do Simples Nacional pagam o PIS e COFINS de forma diferenciada, pois pagam um percentual único já considerando IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (ANDRADE; LINS; BORGES, 2015).

O COFINS sobre vendas incide sobre o valor do faturamento mensal das empresas. Sua apuração é mensal, e o regime de reconhecimento das receitas é o de competência. Deverá ser apurado por meio da aplicação da alíquota de 3% se for optante pelo Presumido, se for Lucro Real a alíquota é 7,6% sobre a base de cálculo apurada (CREPALDI; CREPALDI, 2014).

empresa tem para pagar mensalmente, deve considerar que além dos valores referente as compras, deverá descontar os valores de devolução de mercadorias vendidas; despesas financeiras; despesas com aluguéis de imóveis, máquinas e equipamentos; depreciação e amortização; gastos com energia elétrica e armazenamento (MONTOTO, 2015).

Existem dois tipos de apuração para PIS e COFINS: regime não cumulativo e regime cumulativo. A não cumulatividade pressupõe que as compras realizadas pela empresa já tem em seu preço final o PIS e COFINS embutidos (ANDRADE; LINS; BORGES, 2015).

As empresas optantes pelo Lucro Real devem aplicar a não cumulatividade do PIS e da CONFINS.

O cálculo do PIS e da Cofins não cumulativos será feito mediante a aplicação das respectivas alíquotas sobre o Faturamento de Saídas (Vendas); e sobre o Faturamento de Entradas (Compras) para as empresas tributadas pelo Método do Lucro Real (CREPALDI; CREPALDI, 2014, p. 291).

6.4.3 Alíquotas utilizadas

Para o desenvolvimento deste trabalho, baseado na empresa fictícia Bebidas Flex Ltda., observou-se a necessidade, no momento das compras e vendas de mercadorias, da apuração dos tributos conforme normativos vigentes.

Para uma empresa atacadista de bebidas e carvão vegetal o ICMS segue os enquadramentos e normatizações do o RICMS - Regulamento do Imposto Sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação, do Estado do Paraná, aprovado pelo Decreto n. 6.080/2012. Onde dos produtos que são vendidos, apenas o Carvão vegetal é tributado integralmente, os demais (água, refrigerante, vinho e cerveja) tem substituição tributária (SEFAZ PARANÁ, 2016).

O PIS e COFINS seguem o que rege o Ato Declaratório Interpretativo RFB n. 4, de 07 de junho de 2016, que dispõe sobre o regime de apuração da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS aplicável às receitas decorrentes da venda de produtos submetidos à incidência concentrada ou monofásica (RFB , 2016).

Apresentamos na próxima página, um quadro com o resumo das alíquotas e enquadramentos para os produtos em questão:

QUADRO 09 - Alíquotas utilizadas TRIBUTO PRODUTO TRIBUTADO

INTEGRALMENTE

ALÍQUOTA UTILIZADA

PRODUTO COM SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA

ICMS Saco de Carvão 20 kg 18%

Água 500 ml Vinho 1 L Cerveja 350 ml Refrigerante 350 ml

IPI Nenhum Não se aplica Nenhum

TRIBUTO

PRODUTO TRIBUTADO INTEGRALMENTE

ALÍQUOTA UTILIZADA

PRODUTO COM TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA PIS Saco de Carvão 20 kg 1,65% Água 500 ml Cerveja 350 ml Refrigerante 350 ml Vinho 1 L COFINS Saco de Carvão 20 kg 7,6% Água 500 ml Cerveja 350 ml Refrigerante 350 ml Vinho 1 L

Fonte: Próprio autor.