1.4 TRIBUTOS
1.4.2. Impostos Estaduais
São impostos estaduais aqueles destinados ao governo de cada unidade federativa. Constam no Art.155 da Constituição Federal de 1988, que reza que não há qualquer possibilidade do Estado criar outros impostos além dos três existentes:
Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993)
10 PORTAL TRIBUTÁRIO. IOF. Op. Cit. Disponível em: <
I - transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993)
II - operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993)
III - propriedade de veículos automotores. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). (BRASIL, 1988, Art,155).
Os impostos coletados pelos estados são, respectivamente, Imposto sobre transmissão causas mortis e doação de quaisquer bens ou direitos, ITCMD ; Imposto sobre Operação relativa à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviço de Transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ICMS e o Imposto sobre Propriedade de Veículo Automotores, IPVA. A seguir, passamos a detalhar cada um destes tributos estaduais.
1.4.2.1. - Imposto sobre transmissão causas mortis e doação de quaisquer bens ou direitos (ITCMD)
Os Estados brasileiros estão aumentando suas receitas através do imposto de Transmissão Causas Mortis e Doação (ITCMD) que durante muito tempo não foi recolhido por boa parte dos contribuintes. A arrecadação só se tornou possível graças às informações do serviço público e dos cartórios, que facilitaram a fiscalização dos órgãos fazendários estaduais. Conforme CTN – Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966:
Art. 35. O imposto, de competência dos Estados, sobre a transmissão de bens imóveis e de direitos a eles relativos tem como fato gerador:
I - a transmissão, a qualquer título, da propriedade ou do domínio útil de bens imóveis por natureza ou por acessão física, como definidos na lei civil; II - a transmissão, a qualquer título, de direitos reais sobre imóveis, exceto os direitos reais de garantia;
III - a cessão de direitos relativos às transmissões referidas nos incisos I e II. Parágrafo único. Nas transmissões causa mortis, ocorrem tantos fatos geradores distintos quantos sejam os herdeiros ou legatários.
O ITCMD é tributado as unidades federativas nos casos de heranças, legados e doações ou na transferência de bens. Trata-se de um imposto gerado a partir de bens que uma pessoa possui e que, vindo a falecer, acaba deixando para os herdeiros ou legatários que obterão os bens através de um inventário, assim tornam-se obrigados a pagar o imposto ITCMD para só então, poder tê-los como
seus. Já no caso de doações, quem paga o ITCMD é o donatário, ou seja, quem recebeu a doação.
A pessoa que adquiriu o bem, seja ele por herança ou doação, deve declarar e pagar sobre este bem os impostos ITCMD. Vale ressaltar que este bem não gera imposto de renda, sendo assim, o recebedor não pagará imposto duas vezes.
1.4.2.2. – Imposto sobre Operação relativa à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviço de Transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação (ICMS)
O ICMS está presente na constituição federal desde 1988 e somente os governos estaduais podem instituí-lo ou alterá-lo. Trata-se de um tributo fiscal cujo principal fato gerador é a circulação de mercadorias, condicionadas pela tabela de valores de cada estado. Todas as etapas da circulação de mercadoria e prestação de serviço estão sujeitas ao ICMS, devendo assim constar na nota fiscal.
Para Fabretti (2009, p163) ―o ICMS é, por determinação constitucional, um imposto não-cumulativo. Do imposto devido em cada operação será abatido o valor pago na operação anterior‖. A atuação sobre a circulação das mercadorias gera um desconto no valor já pago pelas mercadorias/produto adquirido, não sedo cumulativo entre as competências.
Para que as empresas possam controlar o ICMS incidente nas diversas compras e nas diversas vendas a legislação estabeleceu a obrigatoriedade da escrituração dos livros fiscais. Nesse processo, o contribuinte é qualquer pessoa física ou jurídica que realize a circulação da mercadoria ou prestação de serviço, presente no disposto na lei complementar, segundo o art. 155. § 2º, XII, a, da CF.
Art. 1º Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior.
Art. 2° O imposto incide sobre:
I - operações relativas à circulação de mercadorias, inclusive o fornecimento de alimentação e bebidas em bares, restaurantes e estabelecimentos similares;
II - prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, por qualquer via, de pessoas, bens, mercadorias ou valores;
III - prestações onerosas de serviços de comunicação, por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza;
IV - fornecimento de mercadorias com prestação de serviços não compreendidos na competência tributária dos Municípios;
V - fornecimento de mercadorias com prestação de serviços sujeitos ao imposto sobre serviços, de competência dos Municípios, quando a lei complementar aplicável expressamente o sujeitar à incidência do imposto estadual.
§ 1º O imposto incide também:
I - sobre a entrada de mercadoria importada do exterior, por pessoa física ou jurídica, ainda quando se tratar de bem destinado a consumo ou ativo permanente do estabelecimento;
I – sobre a entrada de mercadoria ou bem importados do exterior, por pessoa física ou jurídica, ainda que não seja contribuinte habitual do imposto, qualquer que seja a sua finalidade; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002)
II - sobre o serviço prestado no exterior ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior;
III - sobre a entrada, no território do Estado destinatário, de petróleo, inclusive lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos dele derivados, e de energia elétrica, quando não destinados à comercialização ou à industrialização, decorrentes de operações interestaduais, cabendo o imposto ao Estado onde estiver localizado o adquirente.
§ 2º A caracterização do fato gerador independe da natureza jurídica da operação que o constitua.
Art. 3º O imposto não incide sobre:
I - operações com livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão;
II - operações e prestações que destinem ao exterior mercadorias, inclusive produtos primários e produtos industrializados semi-elaborados, ou serviços; (Vide Lei Complementar nº 102, de 2000) (Vide Lei Complementar nº 102, de 2000)
III - operações interestaduais relativas a energia elétrica e petróleo, inclusive lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos dele derivados, quando destinados à industrialização ou à comercialização;
IV - operações com ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial;
V - operações relativas a mercadorias que tenham sido ou que se destinem a ser utilizadas na prestação, pelo próprio autor da saída, de serviço de qualquer natureza definido em lei complementar como sujeito ao imposto sobre serviços, de competência dos Municípios, ressalvadas as hipóteses previstas na mesma lei complementar;
VI - operações de qualquer natureza de que decorra a transferência de propriedade de estabelecimento industrial, comercial ou de outra espécie; VII - operações decorrentes de alienação fiduciária em garantia, inclusive a operação efetuada pelo credor em decorrência do inadimplemento do devedor;
VIII - operações de arrendamento mercantil, não compreendida a venda do bem arrendado ao arrendatário;
IX - operações de qualquer natureza de que decorra a transferência de bens móveis salvados de sinistro para companhias seguradoras.
Parágrafo único. Equipara-se às operações de que trata o inciso II a saída de mercadoria realizada com o fim específico de exportação para o exterior, destinada a:
I - empresa comercial exportadora, inclusive tradings ou outro estabelecimento da mesma empresa;
II - armazém alfandegado ou entreposto aduaneiro.
O ICMS é considerado o tributo mais contemplado, pois possui regras estatuídas no contexto institucional. O objetivo do legislador contribuinte era o de unificar as vinte e sete legislações do tributo (26 estados e o Distrito Federal) para solucionar controvérsias entre o sujeito ativo. Sua base de cálculo é o valor da
circulação da mercadoria ou preço do serviço. Ele pode ser caracterizado pela não comulatividade (obrigatório) e seletividade (opcional).
1.4.2.3. – Imposto sobre a Propriedade de Veículo Automotores (IPVA)
O IPVA é o imposto que surgiu através da emenda constitucional nº. 27, de 28.11.1985, que dava ao Estado e ao Distrito Federal o poder de instituir impostos sobre propriedade de veículo automotor. O imposto é exigido anualmente, pode ser parcelado em três vezes, como o contribuinte preferir, o veículo deve constar como sendo registrado e licenciado, ou matriculado perante a autoridade do trânsito local do contribuinte. Conforme o art. 158 da CF:
Art. 158. Pertencem aos Municípios:
I - o produto da arrecadação do imposto da União sobre renda e proventos de qualquer natureza, incidente na fonte, sobre rendimentos pagos, a qualquer título, por eles, suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem;
II - cinquenta por cento do produto da arrecadação do imposto da União sobre a propriedade territorial rural, relativamente aos imóveis neles situados;
II - cinquenta por cento do produto da arrecadação do imposto da União sobre a propriedade territorial rural, relativamente aos imóveis neles situados, cabendo a totalidade na hipótese da opção a que se refere o art. 153, § 4º, III; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) (Regulamento)
III - cinquenta por cento do produto da arrecadação do imposto do Estado sobre a propriedade de veículos automotores licenciados em seus territórios;
IV - vinte e cinco por cento do produto da arrecadação do imposto do Estado sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação.
Parágrafo único. As parcelas de receita pertencentes aos Municípios, mencionadas no inciso IV, serão creditadas conforme os seguintes critérios: I - três quartos, no mínimo, na proporção do valor adicionado nas operações relativas à circulação de mercadorias e nas prestações de serviços, realizadas em seus territórios;
II - até um quarto, de acordo com o que dispuser lei estadual ou, no caso dos Territórios, lei federal
Em relação ao uso do recurso gerado pelo IPVA, somente 50% do total é destinado ao próprio estado, pois a outra parte pertence ao local que o veículo foi registrado. Sua alíquota é determinada com base em cada governo e seu objetivo é o de arrecadar dinheiro apenas de veículos que circulam em terra.
O fato gerador do IPVA é a propriedade do veículo automotor e seu valor é determinado referente ao ano de fabricação do veículo, aspecto que determina a base de cálculo, estabelecida considerando o valor do veículo em detrimento do ano
de fabricação, marca e modelo. O contribuinte é o proprietário do veículo, isto é, a pessoa cujo nome está no licenciamento do veículo. Seu lançamento é feito por homologação.