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CAPÍTULO III – ALTERNATIVAS E REFLEXÃO CRÍTICA

1. CCCTB – COMMON CONSOLIDATED CORPORATE TAX BASE

1.1. OS IMPOSTOS DE SAÍDA NA CCCTB

Como dissemos anteriormente, a disposição relativa a tributação à saída na Diretiva “antielisão” deriva diretamente da iniciativa CCTB, concretamente do art.º 29.º da Diretiva do Conselho

397 Comissão Europeia, par. 17.

398 Diretiva (UE) 2017/952 do Conselho, de 29 de maio de 2017, que altera a Diretiva (UE) 2016/1164 no que respeita a assimetrias híbridas com países

terceiros.

399 Comissão Europeia, «COM(2016) 685 final - Proposta de Diretiva do Conselho relativa a uma matéria coletável comum do imposto sobre as sociedades»,

relativa a uma matéria coletável comum do imposto sobre as sociedades.400

Este artigo dispõe, no n.º 1, que “Um montante igual ao valor de mercado dos ativos transferidos, no momento da saída dos ativos, menos o seu valor fiscal, é tratado como receitas auferidas em qualquer das seguintes circunstâncias: (a) Quando um contribuinte transfere ativos da sua sede para o seu estabelecimento estável situado noutro Estado-Membro ou num país terceiro; (b) Quando um contribuinte transfere ativos do seu estabelecimento estável num Estado-Membro para a sua sede ou outro estabelecimento estável situado noutro Estado-Membro para a sua sede ou outro estabelecimento estável situado noutro Estado-Membro ou num país terceiro, na medida em que, devido à transferência, o Estado-Membro do estabelecimento estável deixou de ter o direito a tributar os ativos transferidos; (c) Quando um contribuinte transfere o seu domicílio fiscal para outro Estado-Membro ou para um país terceiro, com exceção dos ativos que permanecem efetivamente afetos a um estabelecimento estável situado no primeiro Estado-Membro; (d) Quando um contribuinte transfere a atividade desenvolvida pelo seu estabelecimento estável de um Estado-Membro para outro Estado-Membro ou para um país terceiro, na medida em que, devido à transferência, o Estado-Membro do estabelecimento estável deixe de ter o direito de tributar os ativos transferidos.”

O n.º 2 do mesmo artigo diz que “O Estado-Membro para onde os ativos, o domicílio fiscal ou a atividade desenvolvida por um estabelecimento estável são transferidos deve aceitar o valor estabelecido pelo Estado-Membro do contribuinte ou do estabelecimento estável como valor de partida dos ativos para efeitos fiscais.”

O n.º 3 do art.º 29.º da referida proposta dispõe que “O presente artigo não se aplica às transferências de ativos relacionadas com o financiamento de valor mobiliários, ativos constituídos como garantia ou quando a transferência de ativos ocorre a fim de satisfazer requisitos prudenciais em matéria de fundos próprios ou para efeitos de liquidez se esses sativos reverterem para o Estado-Membro da entidade que fez a transferência dentro de um período de 12 meses.”

Comparativamente com o art.º 5.º da Diretiva “antielisão” vemos que a disposição da tributação à saída da CCTB está incompleta, pelo que, parece ser uma norma inacabada muito porque ambas disposições são introduzidas em situações diferentes, isto é, a disposição da CCTB está inserida num capítulo referente a “prazos e quantificações”, sendo que esta tributação à saída apenas determina o que é que é tratado como receita auferida e como é que é obtida.

Em traços gerais, o n. 1 de ambos diplomas determina os tax treggering events, sendo que

não há nada a acrescentar nesta temática, no entanto, verificamos que existe na Diretiva “antielisão” uma justificação para cada circunstância que desencadeia a aplicação da tributação à saída, que no fundo é a mesma para todas as alíneas, mas que na CCTB apenas está presente nas alíneas b) e d).

Mesmo assim, o art.º 4.º da proposta de Diretiva, no parágrafo 14 a 16, onde temos as definições de “transferência de ativos”, “transferência de domicílio fiscal” e “transferência da atividade levada a cabo por um estabelecimento estável”, úteis para a compreensão do exposto no n.º 1 do art.º 29.º, todas estas definições tem um ponto em comum: a perda do direito de tributar por parte do Estado de “saída”. Em termos comparativos, as mesmas definições constam da Diretiva “antielisão” no art.º 2.º, parágrafos 6 a 8.

Relativamente ao n.º 2 da proposta de Diretiva vemos que existe uma semelhança em relação à Diretiva “antielisão”, sendo que o mecanismo step up, criado nesta última, deriva da primeira e, relativamente ao número seguinte, encontramos a mesma exceção encontrada na Diretiva “antielisão”, pelo que, até aqui as semelhanças são visíveis e apenas se comprova que em primeiro plano o mecanismo seria lançado na CCTB e não na Diretiva “antielisão”.

A grande nota distintiva entre um diploma e outro é que na proposta de Diretiva CCTB não existem opções de diferimento do pagamento, sendo que esta matéria foi por nós estudada no primeiro capítulo relativamente à jurisprudência do TJUE no que concerne os impostos de saída, sendo que a conclusão a reter era de que se o Estado-Membro que aplicasse aquele mecanismo tinha de dar a hipótese ao sujeito passivo tributário de diferir o pagamento do imposto, pelo que a disposição relativa a essa matéria na proposta de Diretiva CCTB é inexistente.

À primeira vista vislumbra-se aqui um problema, mas a verdade é que a questão poderá ser justificada com base no art.º 1.º, n.º 1 da proposta de Diretiva que estabelece o seguinte: “A presente Diretiva estabelece um sistema de matéria comum para a tributação de determinadas sociedades e define as regras de cálculo dessa matéria coletável.”401, sendo que a visão da Comissão Europeia será

de que a regras relativas ao diferimento do pagamento pertencem ao conjunto de regras que dizem respeito à cobrança de impostos e não suficientemente ligadas ao objeto da proposta de Diretiva.

No entanto, esta factualidade não isenta os Estados-Membros de cumprir com as liberdades fundamentais a quando da implementação da Diretiva.402

401 Comissão Europeia, 19.

1.2. ARTICULAÇÃO ENTRE O MECANISMO DA TRIBUTAÇÃO À SAÍDA DA DIRETIVA