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IMUNIDADE AOS PROTOZOÁRIOS.

No documento Imunologia (páginas 35-41)

Embora os mecanismos não imunológicos de resistência aos protozoários ainda não tenham sido esclarecido totalmente, estes parecem possuir semelhança aos que operam nas doenças bacterianas e virais.

10.1 Imunidade Especifica aos Protozoários

Como os outros microrganismos, os protozoários estimulam tanto resposta imunes humorais como mediadas por células. Os anticorpos controlam o nível dos parasitas na corrente sanguínea e nos fluidos teciduais, enquanto que as respostas mediadas por células se direcionam grandemente contra os parasitas intracelulares.

Os anticorpos séricos direcionados contra os antígenos superficiais dos protozoários podem opsonizar, aglutinar ou imobilizá-los. Os anticorpos junto com o complemento e as células citotóxicas podem matá-los e alguns anticorpos como a ablastina, podem inibir as enzimas protozoárias de uma maneira tal que se evite a sua replicação.

Na babesiose, os estágios infectivos dos microrganismos (esporozoitas) invadem as hemácias. Essa invasão aparentemente envolve uma ativação do trajeto de complemento alternativo. As hemácias infectadas incorporam os antígenos de Babesia em suas membranas. Isso, por sua vez, induz anticorpos

que opsonizam as hemácias e levam a sua remoção pelo sistema mononuclear-fagocitico.

 Além da resposta humoral, a resposta mediada por células anticorpo- dependente também podem destruir as hemácias infectadas. O complexo de anticorpo antígeno opsonizante de Babesia  na superfície de hemácias

infectadas pode ser reconhecido macrófagos e linfócitos citotóxicos. Estes podem ser importante no começo da infecção, quando o número de hemácias infectadas é pequeno.

Já com o T. Gondiii  que é um parasita intracelular obrigatório, cujos

estágios taquizoíticos cresceram dentro das células, quando esse número de microorganismo intracelular se torna excessivo, a célula infectada se rompe e as taquizoítas são liberadas para invadir outras células. Eles penetram nessa células por meio de um mecanismo que lembra uma fagocitose. As taquizoítas do Toxoplasma que invadem os macrófagos normais não são destruídos. Podendo assim os taquizoítas do Toxoplasma crescer dentro das células em um ambiente livre de anticorpos ou de enzimas lisossomais.

10.2Mecanismo de escape

Os parasitas desenvolvem muitos métodos de evasão dos efeitos absolutos das respostas dos hospedeiros, e este evento é uma característica de todas as infecções parasitarias bem sucedida.

 Alguns parasitas até utilizam as células e as moléculas do sistema imune para sua própria vantagem: os parasitas Leishamania, por exemplo,

utilizam os receptores do complemento para efetuar sua penetração nos macrófagos, evitando a explosão oxidativa e a conseqüente destruição pelos produtos tóxicos desta via. Apesar do papel protetor na resposta imune a muitos parasitas diferentes, o TNFα do hospedeiro, n a realidade, estimula a

10.3 Evasão da resposta imune por parte dos protozoários

 A maioria dos parasitas protozoários evoluiu mecanismos para escapar  das conseqüências das respostas imunes dos seus hospedeiros. Esse mecanismo lembra os mecanismos evoluídos por outros tipos de microorganismos. Por exemplo, o T. gondii pode evitar a ligação neutrofilica e

a fagocitose. Muitos protozoários são imunossupressivos, por exemplo, o T. parva  invade e destrói as células T. Outros protozoários, tais como, os

tripanossomos podem promover o desenvolvimento de células reguladoras supressivas ou estimular o sistema de células B à exaustão.

 A imunossupressão induzida por parasitas pode promover uma sobrevivência do parasita. Por exemplo é Babesia bovis, é imunossupressiva para os bovinos. Como resultado, o vetor hospedeiro, o carrapato Boophilus microplus, é mais capaz de sobreviver em um animal infectado. Consequentemente, afirma-se que os bovinos infectados possuem mais carrapatos que os animais não infectados e potencializa-se a eficiência da transmissão da B.bovis.

 Além da imunossupressão, os protozoários evoluíram duas outra técnicas evasivas efetivas. Uma técnica envolve torna-se não antigênico, e a outra envolve o desenvolvimento da capacidade de alterar os antígenos de alterar os antígenos superficiais rápida e repetidamente. Um exemplo de um microorganismo não antigênico é o estagio cístico da T. gondii que, conforme mencionado anteriormente, não parece estimular uma resposta do hospedeiro.  Alguns protozoários podem se tornar funcionalmente não antigênicos por meio

de um mascaramento de si próprios com antígenos do hospedeiro.

10.4 Conseqüências adversas da imunidade aos protozoários.

 As respostas imunes contra os protozoários podem resultar no desenvolvimentode reações de hipersensibilidade. Essas reações podem contribuir significativamente para a patogênese das doenças por protozoários.  A hipersensibilidade do Tipo I é uma característica da tricomoníase e provoca

 As reações citotóxicas do Tipo II são importantes na babesiose e tripanossomíase, onde contribuem para o desenvolvimento de uma anemia. Um outro, efeito interessante das infecções com os tripanossomos é um aumento enorme no número de células secretoras de IgM não parasita- específicas nos animais infectados.

Na babesiose, as hemácias parasitadas possuem antígenos e derivados do parasita em suas superfícies e são conseqüentemente reconhecidas como estranhas e eliminadas por meio de uma hemólise e fagocitose.

11.IMUNIDADE AOS HELMINTOS

O sistema imune ainda não obteve um sucesso visível na produção de uma resistência a helmintos parasitas nos mamíferos. De certo modo as respostas imunes mediadas por IgE parecem ter evoluído para controlar esses parasitas. Não é surprendente que o sistema imune seja relativamente ineficiente no controle dos helmintos parasitas. Afinal, esses microrganismos se adaptaram a uma existência parasitaria obrigatória. Essa adaptação deve envolver necessariamente sua superação ou um escape da resposta imune.

Portanto,os helemintos não são microrganismos patogênicos mal- adaptados, mas parasitas obrigatórios complementados, cuja sobrevivência dependente de se atingir uma certa forma de acomodação com o hospedeiro. Consequentemente, os microrganismos desse tipo provocam uma doença suave ou subclínica. Provocando morbidade e não mortalidade. Já quando os helmintos invadem um hospedeiro ao qual não se encontram completamente adaptados ou em grande numero é que ocorre a doença.

11.1 Imunidade especifica aos helmintos.

Os helmintos são encontrados em duas localizações no corpo: nos tecidos( como formas larvais) ou dentro dos tratos gastrointestinais ou respiratório (como adulto). Obviamente, a forma da resposta imune mais efetiva em cada localização difere consideravelmente, geralmente possuem uma cutícula extracelular espessa, que protege a membrana plasmática

hipodérmica do nematódeo. Alguns nematódeos também possuem um revestimento frouxo que pode facilmente ser destacado quando atacado.

11.2 Imunidade humoral

Ocorre a produção de anticorpos convensionais das classes IgM, IgG e IgA em resposta a antígenos de helmintos, a classe mais significante envolvida na resistência aos helmintos é a IgE. Os antígenos dos helmintos parecem promover preferencialmente a ativação das células Ta2. Como resultado os níveis de IgE se elevam enormemente nos indivíduos parasitados, onde muitas infestações de helmintos se associam com os sinais característicos da hipersensibilidade do Tipo I, incluindo eosinofilia, edema, asma e dermatite urticarial.

Quando os vermes estão alojados nas mucosas intestinal, esses vermes secretam alergenos. Estes provocam uma reação de hipersensibilidade do Tipo I aguda local nas regiões parasitadas do intestino. A combinação dos antígenos do helminto com a IgE conjugada com os mastócitos leva a uma degranulação mastocística e a liberação de agentes vasoativos. Esses agentes estimulam a contração da musculatura lisa e aumentam a permeabilidade vascular. Isso resulta em uma contração violenta da musculatura intestinal e um escape do fluido intestinal. Isso pode levar um desalojamento e uma expulsão de uma porção importante da população desses vermes.

Os eosinófilos medeiam um tipo especial citotoxidade dirigida contra alguns parasitas helmínticos. Os helmintos são muito grandes para serem fagocitados pelos macrófagos e seus tegumentos são relativamente resistentes aos produtos microbicidas dos neutrófilos e dos macrófagos, mas eles podem ser mortos por uma proteína básica presente nos grânulos dos eosinófilos. A IgE reveste os helmintos, e os eosinófilos podem então se ligar à IgE por meio do seu receptor. Os antígenos opsonizados ativam as proteínas do sistema complemento, mais precisamente a via clássica.

Na imunidade mediada por células a sobrevivência dos helmintos resulta de uma adaptação de sucesso a uma existência dentro dos tecidos dos mamíferos. Os antígenos dos helmintos estimulam preferencialmente as respostas de Ta2, entretanto, pode ocorrer respostas de Ta1. E como resultado as células T citotóxicas podem atacar helmintos que ou se encontram profundamente incrustados na mucosa intestinal ou sofrem estágios teciduais prolongados.

 As células T sensibilizadas deprimem as atividades dos helmintos por  meio de dois mecanismos. Em primeiro lugar o desenvolvimento de uma hipersensibilidade retardada atrai as células mononucleares para o local de invasão larval e torna o ambiente local inadequado para o crescimento ou a migração. Em segundo lugar os linfócitos citotóxicos podem causar destruição larval.

11.4 Evasão da resposta imune por parte dos helmintos

Existem vários mecanismos dos quais os animais resistam a infecção com helmintos. Onde os helmintos parasitas adaptados com sucesso podem sobreviver e funcionar na presença de um sistema imune de hospedeiro completamente funcional. Varias estratégias exercem esse um papel nessa adaptação, elas incluem uma perda de antigenicidade por meio de uma mimetização molecular ou de uma absorção dos antígenos do hospedeiro, variação antigênica, eliminação de glicocálix, bloqueio dos anticorpos e de tolerância.

Os helmintos tornam-se progressivamente menos antigênicos à medida que evoluem na presença de um sistema imune funcionante, a seleção natural favorece os parasitas que demonstram uma redução na antigenicidade. Um outro aspecto nessa perda da antigenicidade é possibilidade dos helmintos sintetizar e expressar os antígenos do hospedeiro na sua superfície , através de epítopos polimórficos de antígenos de histocompatibilidade ou de grupos sanguíneos para combiná-lo com o do seu hospedeiro.

Os helmintos teciduais podem também reduzir efetivamente a sua antigenicidade por adsorverem antígenos do hospedeiro sobre a sua superfície

apresentação de antígenos Por conseguinte, os macrófagos dos animais infestados com esquistossomos são incompetentes como células apresentadoras de antígenos.

Outro mecanismo que pode contribuir para a sobrevivência dos helmintos parasitas é a imunossupressão. Os animais infectados podem ficar  especificamente suprimidos, de forma a ficarem não reativos mesmo quando permanecem responsivos a antígenos não relacionados. O mecanismo imunossupressivo pode envolver uma indução de células supressoras especificas ou alternativamente eles podem resultar da produção de fatores supressores solúveis. Essa imunossupressão é refletida em uma redução da resistência a outras infecções, uma má-resposta a uma vacinação e um prolongamento da sobrevivência dos transplantes cutâneos.

No documento Imunologia (páginas 35-41)

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