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desafios e possibilidades

IN/EXCLUSÃO DIGITAL

As tecnologias da informação e comunicação estão cada vez mais inseridas no dia a dia da população, seja em casa, no trabalho, escola ou em tarefas diárias do cotidiano, como fazer uma transação bancária, comprar passagens intermunicipais e interestaduais, chamar um taxi, fazer uma compra em restaurante, enfim, uma

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infinidade de recursos, aplicativos e redes sociais. As tecnologias permitem ao usuário acesso a rede de internet 24h por dia, sete dias da semana, acesso a bens e serviços, e contato com pessoas ao redor do mundo.

O ritmo de uso é tão intenso que não se permite parar ou refletir, apenas conectar e utilizar os mais variados recursos tecnológicos: seja um ultra smartphone, um super notebook ou óculos 3D com realidade virtual, que permite levar a qualquer lugar; ou relógios eficientes, que mostram os batimentos cardíacos, oxigenação sanguínea, avisam suas tarefas e possuem câmera em alta resolução. O que dizer da inteligência artificial que conversa conosco em ligações que recebemos ou realizamos para solucionar problemas nas diversas áreas e, que nem percebemos, por já estarmos acostumados?

Isso tudo é possível? Sim, é. Mas para uma pequena parcela da população, com alto poder aquisitivo, que estão no compasso da globalização, atentas e exigentes aos produtos, bens e serviços cada vez mais tecnológicos, que atendam às exigências cada vez mais específicas: agilidade, segurança, padrão, exclusividade. Mas e o restante da população tem os mesmos acessos? Santos (2000, p. 9) discorre sobre o mundo como fábula, como perversidade e como possibilidade, onde “há um paradoxo pedindo uma explicação? De um lado, é abusivamente mencionado o extraordinário progresso das ciências e das técnicas, das quais um dos frutos são os novos materiais artificiais que autorizam a precisão e a intencionalidade”, da era globalizada em que vivemos.

O mundo é como é, cruel, racionalista, egoísta e capitalista, Santos (2000, p.10) afirma que “a perversidade sistêmica que está na raiz dessa evolução negativa da humanidade tem relação com a adesão desenfreada aos comportamentos competitivos que atualmente caracterizam as ações hegemônicas”. E tudo o que dela se cria e se desenvolve, está direta ou indiretamente atribuível ao processo de globalização da nossa sociedade (SANTOS, 2000). E nesta globalização, onde se encontram os que estão à margem

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da sociedade, seja economicamente, geograficamente, ou fora do padrão pré-estabelecido da normalidade.

As Tecnologias da Informação e Comunicação-TIC são responsáveis por transformações culturais, sociais e econômicas. Desta transformação, uma das causas são as desigualdades e exclusão. Autores como Castel (1997) e Ferreira (2002) discutem o uso do termo exclusão social, e definem a problemática do termo, em que não se pode afirmar como incluídos em uma sociedade excludente, mas transformar a sociedade para que todos nela possam participar. O termo inclusão digital entra em cena nas políticas públicas, na área das tecnologias, de modo a prevenir a exclusão digital. Neste sentido, foram criados desde 1998, ações e programas governamentais, com o objetivo de proporcionar acesso às tecnologias de informação e comunicação, oferecer Telecentros Comunitários, impulsionar a Inclusão Digital nas Escolas e Massificação da Banda Larga.

Podemos citar entre eles, o Projeto Cidadão Conectado: computador para todos, instituído no Decreto Nº 5.542, de 2005, com o propósito de promover à inclusão digital às classes sociais menos favorecidas da população brasileira. E nesse percurso de ações e programas governamentais, o mais recente é a Política de Inovação Educação Conectada (2017), que visa conjugar esforços entre órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios, escolas, setor empresarial e sociedade civil para assegurar as condições necessárias para a inserção da tecnologia, como ferramenta pedagógica de uso cotidiano nas escolas públicas de educação básica.

Outro programa que merece destaque é o Programa de Desenvolvimento Acadêmico Abdias Nascimento, implantado desde 2014, que tem por objetivo fomentar o intercâmbio acadêmico entre instituições de pesquisa e ensino superior no Brasil e no exterior, de modo a proporcionar a realização de atividades conjuntas de pesquisa, de desenvolvimento tecnológico e de inovação com parceiros estrangeiros, especialmente na área de

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Tecnologia Assistiva (TA), bem como atender, preferencialmente, a candidatos autodeclarados pretos, pardos, indígenas e pessoas com necessidades especiais, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação (BRASIL, 2013).

O mais recente Decreto Nº 9.612 de 17 de dezembro de 2018, dispõe sobre políticas públicas na área das telecomunicações, e no Art. 2º discorre sobre os objetivos gerais das políticas públicas de telecomunicações, com o intuito de promover a expansão do acesso à internet em banda larga fixa e móvel, com qualidade e velocidade adequadas, a ampliação do acesso à internet em banda larga em áreas onde a oferta seja inadequada, tais como áreas urbanas desatendidas, rurais ou remotas e a inclusão digital, para garantir à população o acesso às redes de telecomunicações, sistemas e serviços baseados em tecnologias da informação e comunicação, observadas as desigualdades sociais e regionais (BRASIL, 2018).

Entidades governamentais têm desenvolvido contínuas ações e programas, de modo a possibilitar e acelerar o progresso econômico e social, promover a inclusão digital, o desenvolvimento de emprego e renda, capacitação da população para o uso e acesso às TIC e reduzir injustiças sociais. Para Takahashi (2000, p.7) “O maior acesso à informação poderá conduzir a sociedade e relações sociais mais democráticas, mas também poderá gerar uma nova lógica de exclusão, acentuando as desigualdades e exclusões já existentes [...]”. Essas iniciativas pretendem, de uma forma estruturada, reduzir desigualdades sociais e acelerar o desenvolvimento e a difusão das TIC, como elemento central para o progresso econômico e social de nossa sociedade. Como afirma Takahashi (2000, p.7), “o novo paradigma, a universalização dos serviços de informação e comunicação é condição necessária, ainda que não suficiente para a inserção dos indivíduos como cidadãos”.

Discutir a in/exclusão dentro de uma sociedade excludente não trará benefícios razoáveis ou resultados concretos. É necessário discutir as transformações em nossa sociedade como um todo e como as TIC podem influenciar essas transformações. Para Warschauer

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(2006, p. 23) “a estrutura referente à exclusão digital proporciona um esquema insatisfatório em relação à utilização da tecnologia para a promoção do desenvolvimento social”, e complementa que, “a importância da presença física dos computadores e da conectividade, excluindo outros fatores que permitem o uso da TIC pelas pessoas para finalidades significativas [...]”.

A in/exclusão digital é o contraponto para discutirmos as potencialidades das TIC na sociedade e os benefícios que são gerados pela sua utilização. Canclini (2009, p. 235) complementa que “os conhecimentos necessários para se situar significativamente no mundo devem ser obtidos tanto nas redes tecnológicas globalizadas quanto na transmissão e reelaboração dos patrimônios históricos de cada sociedade”. Não só o acesso às tecnologias, mas meios que tornem possível sua utilização com o auxílio da Tecnologia Assistiva, promovendo a inclusão digital e social das pessoas com deficiência.